O megahit de 1965 que Bob Dylan diz que é "um longo pedaço de vômito"
Por Gustavo Maiato
Postado em 06 de julho de 2026
Poucas músicas mudaram tanto a história do rock quanto "Like a Rolling Stone", lançada por Bob Dylan em 1965. Considerada por muitos sua obra-prima, a canção nasceu de uma forma nada convencional: um enorme desabafo que o próprio compositor descreveu como "um longo pedaço de vômito".
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Segundo relato resgatado pela Far Out Magazine, Dylan explicou que, inicialmente, o texto não era uma música, mas sim um fluxo de pensamentos escrito sem qualquer compromisso com uma melodia. Em entrevista concedida em 1966, ele revelou como tudo começou.
"Eu estava escrevendo esse longo pedaço de vômito, com 20 páginas, e dali tirei 'Like a Rolling Stone' e transformei em um single. Nunca tinha escrito nada parecido antes. De repente percebi que era isso que eu deveria fazer."
Dias antes, em conversa com o jornalista Jules Siegel, Dylan havia contado uma versão um pouco diferente da história. Segundo ele, o manuscrito original tinha cerca de dez páginas e representava toda a sua raiva direcionada a alguém específico.
"Era um texto de dez páginas. Não tinha título, era apenas um ritmo no papel, todo sobre meu ódio direcionado a alguém. No fim, não era ódio. Era dizer a alguém algo que essa pessoa não sabia, mostrar que ela tinha sorte. Vingança talvez seja uma palavra melhor."
O cantor contou que só percebeu que aquele texto poderia virar música quando se sentou ao piano e ouviu mentalmente o refrão surgir de forma espontânea.
"'How Does It Feel?' apareceu em um andamento muito lento. Foi aí que percebi que aquilo era uma canção."
Lançada em 1965, "Like a Rolling Stone" marcou a definitiva transição de Dylan para o rock elétrico e ajudou a redefinir os limites da música popular. Com mais de seis minutos de duração - algo incomum para um single da época -, a faixa ainda traz o famoso órgão de Al Kooper, elemento que se tornou uma de suas marcas registradas.
O impacto foi imediato. A música ajudou a consolidar o folk rock e impressionou diversos colegas de profissão. Paul McCartney, por exemplo, resumiu a importância da obra ao afirmar: "Parecia que ela nunca acabava. Era simplesmente linda. Bob mostrou a todos nós que era possível ir um pouco mais longe."
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