A banda clássica que Pete Townshend criticou por fazer sempre o mesmo álbum
Por Bruce William
Postado em 06 de julho de 2026
Pete Townshend nunca viu o The Who como uma banda feita apenas para empilhar singles. Desde cedo, ele tratou o rock como território para ideias, personagens, conceitos e experimentos. "Tommy" e "Quadrophenia" não nasceram por acidente. Para Townshend, uma banda precisava avançar, tentar outra coisa, correr o risco de errar.
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Talvez por isso o AC/DC parecesse tão difícil de engolir para ele. Segundo a Far Out, o guitarrista e compositor do The Who criticou a banda australiana justamente por aquilo que muita gente considera sua maior virtude: a fidelidade absoluta a uma fórmula. Para Townshend, Angus Young e companhia passaram a vida fazendo variações do mesmo disco.
Em entrevista ao New York Times, ele resumiu a bronca sem muita cerimônia. "O AC/DC fez 50 álbuns, mas todos os álbuns deles eram iguais. Não era assim que o The Who trabalhava. Nós éramos uma banda de ideias. Não estamos fazendo Coca-Cola, em que toda lata precisa ter o mesmo gosto."
A comparação é ácida, mas ajuda a separar duas filosofias opostas dentro do rock. O The Who queria expandir a linguagem, transformar discos em narrativas, usar o estúdio como campo de construção. O AC/DC, por outro lado, sempre pareceu acreditar que o rock já tinha uma missão muito clara: riff, volume, pegada, refrão e nada de frescura.
O curioso é que as duas visões têm defesa. Townshend tem razão quando lembra que o The Who era uma banda inquieta. Poucos grupos de sua geração tentaram levar o rock para estruturas tão ambiciosas, misturando ópera, drama adolescente, crise espiritual e comentário social. O risco fazia parte do pacote.
Mas o AC/DC também construiu uma grandeza própria justamente por não se afastar demais do centro. A banda nunca fingiu querer reinventar a roda. De "Let There Be Rock" a "Highway to Hell", de "Back in Black" a "For Those About to Rock", o grupo refinou um idioma simples até transformá-lo em marca registrada. Quem compra AC/DC não quer surpresa filosófica. Quer a lata com gosto de AC/DC.
No fim, a crítica de Townshend talvez diga tanto sobre ele quanto sobre os australianos. Para o líder criativo do The Who, repetir uma fórmula era quase uma derrota artística. Para o AC/DC, mudar demais seria trair o que a banda fazia melhor.
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