O músico que Hetfield achava ser "muito" para o Metallica; "ele jamais se juntaria a nós"
Por Bruce William
Postado em 05 de julho de 2026
Robert Trujillo entrou no Metallica em 2003, depois da saída de Jason Newsted, mas sua chegada não foi tratada pela banda como uma escolha óbvia desde o primeiro minuto. Na verdade, quando o nome do baixista apareceu na lista de candidatos, James Hetfield teve uma reação curiosa: achou que ele era bom demais para topar o convite.
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A história foi relembrada em matéria da Ultimate Guitar sobre a audição de Trujillo, que já vinha de passagens marcantes por Suicidal Tendencies e pela banda de Ozzy Osbourne. O processo de escolha do novo baixista acabou registrado no documentário "Some Kind of Monster", lançado em 2004, justamente em uma fase delicada da história do Metallica.
"Quando estávamos chegando ao ponto de precisar encontrar um baixista, e Rob estava na lista, eu pensei: de jeito nenhum ele vai se juntar a nós", disse Hetfield. "Ele é incrível demais. Espetacular demais. Está com Ozzy, é jovem e consegue tocar todos esses estilos."
A fala diz bastante sobre a reputação que Trujillo já tinha antes do Metallica. Ele não era apenas "um baixista disponível". Era um músico de presença física forte, técnica acima da média e histórico em bandas que exigiam peso, groove e versatilidade. Sua maneira de tocar também vinha de outro lugar, menos presa ao thrash tradicional e mais aberta a funk, hardcore, metal e improviso.
Para o Metallica, aquilo chegava em um momento estranho. A banda vinha de conflitos internos, terapia em grupo, incertezas criativas e da gravação turbulenta de "St. Anger". O posto de baixista carregava uma sombra enorme, não só por Newsted, mas também por Cliff Burton, figura quase sagrada na mitologia do grupo. Quem entrasse ali precisaria tocar bem, aguentar pressão e se encaixar em uma máquina emocionalmente desgastada.
Trujillo, segundo Hetfield, parecia até acima da situação. Mas foi justamente essa combinação que acabou funcionando. Ele tinha currículo suficiente para não parecer um substituto qualquer e, ao mesmo tempo, energia para entrar em uma banda tentando se reorganizar. Sua audição mostrou que ele podia encarar o repertório com peso, presença e personalidade própria.
A escolha acabou se tornando uma das mais duradouras da história do Metallica. Trujillo está na banda há mais de duas décadas, período maior do que o de Jason Newsted e Cliff Burton somados. Com o tempo, deixou de ser "o baixista novo" e virou parte estável de uma formação que atravessou álbuns, turnês gigantescas e uma nova fase de reconhecimento.
Na verdade, Hetfield estava errado só em uma coisa: Trujillo aceitou. O que ele acertou foi perceber, antes mesmo da entrada oficial, que o Metallica não estava diante de um candidato comum. Estava diante de alguém tão forte que parecia até improvável demais para dizer sim.
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