O grupo dos anos 70 sem o qual Eddie Van Halen disse que o rock não existiria
Por Bruce William
Postado em 03 de julho de 2026
Eddie Van Halen não costumava tratar a guitarra como peça decorativa. Para ele, o instrumento era motor, arma, ferramenta de choque e, quando necessário, motivo de provocação. No fim dos anos 1970, o Van Halen apareceu com um tipo de energia que parecia recolocar o rock em movimento: mais veloz, mais técnico, mais exibido e muito menos disposto a pedir licença.
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Mas Eddie também sabia apontar para trás. Antes dele, antes dos malabarismos de "Eruption", antes da avalanche de guitarristas tentando entender o que havia acontecido em 1978, existia uma linhagem. E, nessa história, uma banda dos anos 1970 ocupava um lugar especial: o Black Sabbath.
Eddie chegou a dizer, em depoimento exibido pelo Biography Channel, resgatado pela Far Out, que "não havia nada parecido antes deles". Ao falar do impacto inicial do Sabbath, ele nem terminou a frase de maneira convencional. Preferiu gesticular, como se simulasse uma explosão na cabeça. Às vezes, a reação física explica melhor do que a tentativa de encaixar tudo em adjetivos.
O ponto central, para Eddie, não era apenas a atmosfera sombria de Ozzy Osbourne, Tony Iommi, Geezer Butler e Bill Ward. Era a maneira como a banda reorganizou a função da guitarra dentro do rock. "Eles começaram toda a coisa do riff, sabe. Eles criaram licks em vez de simplesmente dedilhar a guitarra, não eram suas canções típicas com refrão", disse o guitarrista.
Essa observação ajuda a entender por que o Sabbath foi tão importante para músicos de gerações diferentes. A banda vinha do blues, tinha marcas de jazz, tocava Hendrix e Cream, mas transformou esse material em algo mais pesado, seco e ameaçador. Tony Iommi não apenas acompanhava músicas; ele criava blocos sonoros. Geezer Butler, mesmo no baixo, também pensava em linhas com força de riff. O resultado era uma música que não dependia só de melodia vocal ou de refrão fácil para se impor.
O próprio Geezer resumiu certa vez a origem do grupo de maneira simples: "Inicialmente, éramos uma banda de blues com inflexões de jazz, tocando covers de Hendrix e Cream." A diferença é que, em vez de apenas repetir esse vocabulário, o Sabbath o empurrou para um canto mais escuro. O fim dos anos 1960 já não combinava tanto com a promessa colorida da contracultura, e aquela música parecia nascer de outro cenário: mais fábrica, fumaça, paranoia e concreto do que flor no cabelo.
Para Eddie Van Halen, isso salvou algo essencial no rock. O Sabbath não abandonou as raízes do gênero, mas encontrou um jeito de fazê-las sobreviver em outra temperatura. O blues ainda estava ali, só que retorcido. O riff ainda era música popular, só que com peso suficiente para abrir caminho ao heavy metal e a muita coisa que viria depois.
A conclusão de Eddie foi simples e enorme: "O rock and roll de hoje não existiria sem eles." Vinda de alguém que também mudou a guitarra elétrica, a frase não soa como gentileza retrospectiva. Soa como reconhecimento de dívida.
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