O guitarrista que Prince achava que "tocava mais bonito" que Jimi Hendrix
Por Bruce William
Postado em 03 de julho de 2026
Prince sempre foi lembrado como cantor, compositor, performer, produtor e figura pop total. Mas havia um detalhe que às vezes ficava em segundo plano para quem olhava apenas seus hits: ele também era um guitarrista extraordinário. Quando subia ao palco com uma guitarra nas mãos, podia soar feroz, elegante, funk, psicodélico ou simplesmente imprevisível.
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Justamente por isso, a comparação com Jimi Hendrix apareceu várias vezes ao longo de sua carreira. Os dois eram artistas negros, guitarristas, ousados em estúdio e pouco interessados em respeitar fronteiras rígidas entre gêneros. Prince, porém, não gostava muito da aproximação automática. Para ele, Hendrix era único - e tentar repetir aquilo seria um erro.
Prince reconhecia a grandeza de Hendrix sem transformar essa admiração em imitação. "Hendrix é muito bom. Fato. Nunca haverá outro como ele, e seria uma pena tentar. Eu busco originalidade no meu trabalho e, espero, serei percebido dessa forma" disse, em fala repercutida na Far Out.
O ponto de Prince era que as comparações muitas vezes nasciam mais de uma leitura superficial do que de uma escuta real. Ele não negava influências, nem fingia viver isolado da música dos outros. Pelo contrário: dizia gostar de grandes músicos, citava nomes como D'Angelo, Björk e Cocteau Twins, e criticava artistas que fingiam não ouvir "a concorrência".
No caso da guitarra, Prince dizia se reconhecer mais em Carlos Santana do que em Hendrix. A diferença, para ele, estava no tipo de fraseado e na sensação que cada um provocava. Hendrix vinha mais do blues, com uma guitarra incendiária, agressiva e cheia de colisões. Santana, em sua visão, tinha outra beleza. "Ele toca guitarra de um jeito diferente do meu. Se realmente ouvissem minhas coisas, perceberiam mais influência de Santana do que de Jimi Hendrix. Hendrix tocava mais blues; Santana tocava mais bonito. Você não pode comparar pessoas, realmente não pode, a menos que alguém esteja claramente tentando copiar alguém."
A recusa em ser chamado de "novo Hendrix" não era arrogância simples. Era defesa de território artístico. Prince sabia que Hendrix havia aberto uma porta gigantesca, mas não queria morar na casa de outro músico. Preferia absorver o que amava - Hendrix, Santana, funk, soul, pop, rock, gospel, eletrônica - e transformar tudo em algo que só pudesse ser dele. Para Prince, Hendrix queimava a guitarra com blues e liberdade. Santana tocava mais bonito. E ele, claro, queria tocar como Prince.
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