O álbum favorito de Angus Young da fase do AC/DC com Bon Scott
Por Bruce William
Postado em 01 de julho de 2026
Bon Scott não foi o primeiro vocalista do AC/DC, mas foi a voz que ajudou a transformar a banda em uma força mundial. Ao lado de Angus e Malcolm Young, ele deu ao grupo uma mistura de deboche, perigo, energia de bar e presença de palco que se tornou parte central da identidade australiana nos anos 1970.
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Entre os discos gravados com Bon, Angus Young tem um favorito declarado: "Let There Be Rock", lançado em 1977. Segundo o Rock and Roll Garage, o guitarrista já disse à revista Hit Parader, em 1985, que aquele era seu álbum preferido do AC/DC. Décadas depois, em entrevista à Radio SRF, ele continuava tratando o disco como "o álbum".
"Eu amo 'Let There Be Rock' - esse é meu álbum favorito do AC/DC. Com o tempo, todos nós aprendemos muito sobre técnica de gravação. Passamos a levar cada vez mais tempo para montar nossos álbuns. Isso nos deu um estilo diferente ao longo dos anos. Acho que provavelmente mantivemos um som muito reconhecível durante toda a carreira."
Para Angus, o disco nasceu de uma decisão simples. Seu irmão George Young, que produzia o álbum, perguntou que tipo de trabalho eles queriam fazer. Malcolm olhou para Angus e respondeu que a banda queria um disco de hard rock puro, cheio de guitarra. Nada de perseguir moda. Nada de suavizar para o rádio.
Essa escolha também tinha a ver com o momento. O punk crescia na Europa, a disco music dominava parte do mercado americano, e o AC/DC decidiu seguir na direção contrária. Angus disse que a banda queria fazer um álbum com "grandes guitarras altas na sua cara", sem espaço para os tímidos. Era uma espécie de cartão de visita.
"Let There Be Rock" não foi o maior sucesso comercial da carreira do AC/DC, mas virou peça fundamental da mitologia do grupo. O álbum traz a faixa-título, "Dog Eat Dog", "Bad Boy Boogie", "Hell Ain't a Bad Place to Be" e "Whole Lotta Rosie", músicas que ajudaram a consolidar a imagem da banda como uma máquina de riffs, suor e volume.
Malcolm Young também via o disco como uma virada. Em entrevista de 1997 citada pelo Rock and Roll Garage, ele disse que a banda queria soar mais pesada, abrir mais espaço para Angus solar e, ao mesmo tempo, continuar fiel ao rock and roll. A ideia era expandir sem "desaparecer dentro do próprio traseiro", como ele resumiu com seu humor habitual.
Essa frase combina com o AC/DC porque mostra exatamente o limite que a banda nunca quis cruzar. "Let There Be Rock" podia ter músicas mais longas, solos maiores e uma ambição de palco mais clara, mas ainda era direto. O grupo não estava tentando parecer sofisticado. Estava tentando parecer mais forte.
O disco também marcou o fim de uma etapa: foi o último álbum com o baixista Mark Evans, substituído depois por Cliff Williams. Mesmo assim, a essência que levaria o AC/DC ao próximo patamar já estava ali. Bon Scott cantava como quem comandava uma festa perigosa, Malcolm sustentava a engrenagem e Angus corria por cima de tudo como uma faísca sem controle.
Para Angus Young, "Let There Be Rock" é o retrato mais puro do AC/DC porque não tenta agradar a época. Enquanto o mundo mudava de roupa ao redor, a banda escolheu aumentar os amplificadores e fincar bandeira no hard rock. Não era o disco mais polido, nem o mais vendido. Era o aviso: se você fosse ver o AC/DC, levaria guitarras na cara.
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