Os cinco maiores riffs de Jimi Hendrix, de acordo com Ritchie Blackmore
Por Bruce William
Postado em 01 de julho de 2026
Ritchie Blackmore nunca foi exatamente conhecido por elogiar qualquer um sem motivo. O guitarrista do Deep Purple e do Rainbow sempre teve uma visão muito particular sobre técnica, expressão e personalidade musical. Justamente por isso, seus comentários sobre Jimi Hendrix chamam atenção: ele não tratava Hendrix apenas como um instrumentista habilidoso, mas como alguém que mudou a lógica da guitarra elétrica.
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Hendrix vinha de uma formação ampla antes de se tornar astro. Tocou como músico de apoio para nomes como The Isley Brothers e Little Richard, absorveu soul, blues, R&B, jazz e rock, e depois levou tudo isso para outro lugar com o Jimi Hendrix Experience. Ao lado de Mitch Mitchell e Noel Redding, criou uma linguagem que ainda soa difícil de domesticar.
Segundo a Far Out, Blackmore destacou cinco riffs de Hendrix ao longo dos anos: "Purple Haze", "Hey Joe", "Burning of the Midnight Lamp", "Manic Depression" e "Stone Free". A seleção passa por músicas essenciais da fase inicial de Hendrix, mas também ajuda a entender o tipo de coisa que fascinava Blackmore: timbre, risco, fraseado e uma certa disposição para tocar como se a nota certa ainda estivesse sendo caçada.
Ao falar de "Stone Free", single de 1966 que não chegou a entrar na parada americana Hot 100, Blackmore chamou a faixa de "excepcional". Ele também observou um detalhe técnico importante: "Ele sempre afinava a guitarra meio tom abaixo, o que o ajudava a ter um vibrato muito forte, já que as cordas ficavam mais soltas."
Blackmore também elogiou "Manic Depression", faixa de "Are You Experienced", e aproveitou para falar de algo que nem sempre entra primeiro nas discussões sobre Hendrix: sua voz. Para ele, Hendrix era especial não apenas pelo modo como tocava, mas pela soma entre composição, fraseado e interpretação. "O que faz dele um gênio é seu fraseado e sua originalidade: sua construção de músicas, seus riffs muito inovadores, como os de 'Purple Haze' e 'Manic Depression'. Mas, estranhamente, uma das coisas que acho que o tornava tão especial era sua voz, já que ele nunca quis ser vocalista."
"Purple Haze" aparece como escolha inevitável. Blackmore ficou impressionado com a força dos riffs e até comentou um detalhe específico da gravação: Hendrix teria acertado um harmônico falso no meio da música ao puxar uma corda, algo difícil de executar daquele jeito. Para Blackmore, isso fazia parte do brilho de Hendrix. Ele podia tocar algo que parecia errado e, por instinto, entortar aquilo até caber perfeitamente.
Esse ponto ajuda a separar Hendrix de uma ideia mais comportada de virtuosismo. Ele não tocava como alguém apenas exibindo controle. Tocava como quem estava testando os limites do som em tempo real. Blackmore chegou a dizer que Hendrix tocava muitas notas erradas porque estava sempre procurando a nota certa. Quando encontrava, o resultado podia ser devastador. "Jimi Hendrix costumava tocar muitas notas erradas, porque estava procurando o tempo todo: 'onde diabos está aquela nota correta?' Quando encontrava aquela nota certa... uau, era incrível."
"Hey Joe" entrou na lista também pelo conjunto. Blackmore via na versão de Hendrix não apenas uma interpretação forte, mas um pacote completo: música, composição, canto e presença de palco. Hendrix não era só o sujeito que tocava bem. Ele tinha imagem, magnetismo, teatralidade e uma capacidade rara de fazer a guitarra parecer extensão do corpo.
"Burning of the Midnight Lamp", lançada em 1967 e depois incluída em "Electric Ladyland", completa a seleção com outro lado de Hendrix: mais psicodélico, ornamentado e melancólico. A faixa mostra um compositor interessado em texturas e atmosferas, não apenas em riffs explosivos. Para Blackmore, esse tipo de originalidade era parte do motivo pelo qual Hendrix parecia estar à frente de todos.
Os dois guitarristas chegaram a se encontrar apenas uma vez, no Whisky a Go Go, em Hollywood. Blackmore contou que estava entrando no banheiro e viu Hendrix mexendo no cabelo ou algo assim. Os dois apenas acenaram um para o outro. Não houve amizade, conversa longa ou troca mítica de segredos. Mesmo assim, o impacto musical já estava feito.
A lista de Blackmore não tenta resumir tudo o que Hendrix foi. Ficam de fora músicas que outros guitarristas talvez colocassem no topo sem pensar duas vezes. Mas suas escolhas mostram uma admiração bem específica: Hendrix como criador de riffs vivos, meio indomáveis, capazes de parecer simples e impossíveis ao mesmo tempo.
Para Blackmore, a grandeza de Hendrix não estava em tocar limpo o tempo inteiro. Estava em procurar, errar, dobrar a nota, sujar o som e transformar instinto em linguagem. Em "Purple Haze", "Hey Joe", "Burning of the Midnight Lamp", "Manic Depression" e "Stone Free", ele ouviu essa busca acontecendo. E, quando Hendrix encontrava o caminho, a guitarra parecia incendiar o mundo por alguns minutos.
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