Os dois gigantes que ajudaram George Harrison a decolar depois dos Beatles
Por Bruce William
Postado em 31 de agosto de 2026
Quando os Beatles chegaram ao fim, George Harrison estava numa situação curiosa: passara anos disputando espaço com Lennon e McCartney, mas tinha acumulado canções suficientes para mostrar que havia muito mais guardado do que os discos da banda permitiam revelar. O resultado foi "All Things Must Pass", lançado em novembro de 1970 e transformado rapidamente num dos grandes discos solo surgidos depois dos Beatles.
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Duas figuras tiveram participação particularmente importante nessa arrancada: Phil Spector e Eric Clapton. Spector dividiu a produção com Harrison e levou para o álbum sua conhecida obsessão por camadas, enquanto Clapton esteve entre os principais músicos convocados para as sessões. O próprio site oficial de George Harrison destaca os dois ao reconstituir a formação gigantesca reunida em estúdio.
Spector ajudou a transformar aquelas músicas num projeto de proporções muito maiores do que um disco convencional de estreia pós-Beatles. As sessões reuniram múltiplos pianos, guitarras, baterias e percussões, com o produtor constantemente pedindo mais instrumentos. As fitas mostram, porém, que Harrison não ficou passivamente submetido ao famoso "Wall of Sound": os dois dividiam as decisões, com George bastante envolvido em arranjos, andamento e produção.
Clapton entrou por outro caminho. Ele chegou às sessões acompanhado por músicos ligados a Delaney & Bonnie, entre eles Carl Radle, Bobby Whitlock e Jim Gordon. Pouco depois, esse núcleo formaria o Derek and the Dominos. Em "All Things Must Pass", Clapton participou de uma estrutura que ainda incluía Ringo Starr, Billy Preston, Klaus Voormann, integrantes do Badfinger e vários outros músicos.
A relação entre Harrison e Clapton já vinha de antes, recorda a Far Out. Os dois haviam se aproximado nos anos finais dos Beatles, e Eric tocou o célebre solo de "While My Guitar Gently Weeps", em 1968. No período posterior, a parceria continuou mesmo em meio à complicadíssima história pessoal envolvendo Pattie Boyd, então mulher de George e posteriormente companheira de Clapton.
O tamanho da aposta ficou evidente no formato. "All Things Must Pass" saiu como LP triplo, algo extraordinário para a época, e incluía músicas que George vinha acumulando havia anos, entre elas "Isn't It a Pity" e a faixa-título. "My Sweet Lord" se tornou o primeiro single solo de um ex-Beatle a chegar ao primeiro lugar tanto nos Estados Unidos quanto no Reino Unido.
O álbum também mostrou uma diferença importante em relação ao espaço que Harrison tinha nos Beatles. Em vez de duas ou três composições por disco, ele finalmente pôde despejar um repertório inteiro de uma vez. O resultado liderou paradas em vários países e se consolidou como sua obra solo mais celebrada.
Spector e Clapton ajudaram a dar escala à primeira grande declaração artística feita por George Harrison depois dos Beatles: um disco que deixou claro que o integrante frequentemente espremido entre Lennon e McCartney tinha material de sobra para ocupar o centro do palco.
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