O álbum em que os Beatles decidiram que já não queriam soar como ninguém
Por Bruce William
Postado em 27 de agosto de 2026
Quando os Beatles entraram no estúdio em abril de 1966 para começar um novo álbum, já não precisavam provar que sabiam escrever sucessos. A Beatlemania havia conquistado boa parte do planeta, mas o quarteto estava cada vez menos interessado em repetir a fórmula que o transformara no maior fenômeno pop de sua geração. O resultado dessa inquietação foi "Revolver".
Beatles - Mais Novidades
Lançado em 5 de agosto daquele ano - portanto, tendo completado 50 anos em 2026 - o disco levou muito adiante o caminho aberto por "Rubber Soul". Pela primeira vez, a banda teve meses praticamente contínuos de estúdio e passou a tratar a gravação não apenas como registro de uma música que poderia ser reproduzida no palco, mas como parte da própria composição.
A declaração de Paul McCartney antes mesmo do lançamento resume bem o espírito das sessões: "Fizemos isso porque eu, particularmente, estou cansado de fazer sons que as pessoas possam dizer que já ouviram antes". Não era bravata. Loops de fita, gravações invertidas, manipulação de velocidade, ADT e instrumentos pouco associados ao rock começaram a aparecer lado a lado dentro do mesmo álbum.
"Tomorrow Never Knows" talvez seja o exemplo mais radical. Gravada logo no primeiro dia das sessões, a faixa reuniu loops preparados por McCartney, voz de John Lennon processada por uma caixa Leslie, tambura, bateria hipnótica de Ringo Starr e solo de guitarra reproduzido ao contrário. George Martin lembraria mais tarde a música como uma grande inovação dentro de "Revolver".
Mas o impacto do álbum não dependia apenas de truques de estúdio. George Harrison ganhou espaço com três composições, incluindo "Taxman", enquanto McCartney foi do arranjo de cordas de "Eleanor Rigby" aos metais de "Got to Get You Into My Life". Lennon, por sua vez, entregou músicas como "I'm Only Sleeping" e a própria "Tomorrow Never Knows", que pareciam apontar para um rock muito diferente daquele ouvido poucos anos antes.
"Revolver" marcou uma fase em que os Beatles começaram a explorar recursos ainda pouco usuais no rock, como loops, gravações ao contrário e automatic double-tracking. O próprio Ringo Starr dizia que, naquele período, a banda estava avançando "aos saltos" musicalmente.
Pouco depois, os Beatles abandonariam definitivamente as turnês e mergulhariam ainda mais fundo no estúdio com "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band". Mas boa parte dessa transformação já estava pronta em Revolver: o momento em que quatro músicos que já tinham conquistado o mundo decidiram que repetir o que funcionava era justamente a coisa menos interessante que poderiam fazer.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Metallica anuncia mais 12 datas da tour M72 para 2027
Os dois estilos musicais que Lemmy detestava e considerava pobres musicalmente
Tuomas admite culpa, mas descarta volta de Tarja ao Nightwish: "Não vai acontecer"
Ian Gillan responde se Ritchie Blackmore se apresentará de novo com o Deep Purple
Penélope Nova lembra como foi início do namoro com o saudoso Andre Matos
Falling in Reverse lança "Joseph" com Corey Taylor e Serj Tankian em colaboração inédita
Brian May (Queen) admite ter mudado de ideia em relação à IA
Loudwire coloca álbum do Angra como "melhor álbum de progpower" da história
Dave Mustaine mudou de vida depois que se converteu; "Deus me enviou para o AA"
Baterista do Linkin Park toca música do Iron Maiden que nunca havia escutado
Como foi criado o efeito sonoro na abertura de "Runnin' With the Devil", do Van Halen
Shaman com Fabio Lione? Shamangra vai virar Shaman 4.0? Ibagenscast traz teorias
O álbum clássico do rock que Ed Motta comprou escondido por ser coisa de playboy
Grave Digger anuncia novo álbum de estúdio, "Faces of Pain"

A regra de vida que Mick Jagger achava que poderia ter mantido os Beatles juntos
Quando o Led Zeppelin tomou dos Beatles o posto de maior banda do mundo
O hit dos Beatles que Paul McCartney mandou um "é ruim, mas é bom"
O que levou George Harrison a lançar um álbum triplo após o fim dos Beatles
O músico incrível que quase se tornou o quinto Beatle; "Você está no grupo"
A melhor "música pop adolescente" de todos os tempos, segundo Brian May
A canção que Paul McCartney chamou de uma das mais matadoras de todos os tempos
A canção onde os Beatles "inventaram" Jimi Hendrix, de acordo com George Harrison
"A melhor coisa que já fiz"; quando John Lennon atingiu o mesmo nível dos Beatles
A banda que Brian May chamou de "mágica" e gostaria de ter integrado
Como era a relação dos Beatles com o dinheiro, segundo Paul McCartney
A música em que Bob Dylan copiou acordes de clássico dos Beatles, mas inverteu a letra


