Mark Knopfler e os três guitarristas que moldaram seu estilo inconfundível de tocar
Por Bruce William
Postado em 23 de setembro de 2026
O som de Mark Knopfler é reconhecível em poucos segundos, mas o guitarrista nunca tratou sua técnica como algo surgido do nada. Pelo contrário: ele sempre falou com naturalidade sobre a importância de ouvir músicos mais antigos, entender de onde vieram certas ideias e perceber como um guitarrista acaba levando adiante o trabalho de outro.
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Entre as referências que ajudaram Knopfler a formar essa visão estão B.B. King, Lonnie Johnson e Eddie Lang. O primeiro entrou em sua vida ainda na adolescência e provocou uma mudança profunda na maneira como ele enxergava a relação entre guitarra e voz. "Quando ouvi B.B. King, aos 16 anos, aquilo foi outro grande ponto de virada, porque fiquei realmente impressionado com a relação entre a guitarra e a voz, com toda aquela coisa dos bends e com o jeito como soava", relembrou Knopfler, conforme publicado na Far Out.
Anos depois, por volta dos 20 ou 21, ele ouviu Lonnie Johnson tocando com Eddie Lang no álbum Blue Guitars. Foi então que percebeu que havia uma linhagem por trás daquilo que admirava em B.B. King. "Depois li uma entrevista em que B.B. King dizia que Lonnie Johnson tinha sido uma grande influência para ele. É ótimo fazer essas pequenas conexões e ver como tudo se encaixa", contou.
Essa ideia de que músicos absorvem elementos uns dos outros aparece várias vezes quando Knopfler fala sobre aprendizado. Em entrevista republicada pela Guitar.com, ele afirmou que uma das melhores formas de aprender música é ouvir muitos discos antigos e entender o que veio antes. Como exemplo, voltou justamente a B.B. King e Lonnie Johnson.
Knopfler também nunca limitou suas referências a um único estilo. Country, blues, rockabilly e jazz aparecem lado a lado quando ele fala de formação musical. Chet Atkins, James Burton, Duane Eddy, J.J. Cale, Eric Clapton e outros nomes também foram importantes ao longo desse processo, mas B.B. King, Lonnie Johnson e Eddie Lang ajudam a explicar de forma particularmente clara como ele passou a enxergar a guitarra como parte de uma tradição em constante transformação.
Essa herança aparece no próprio jeito de tocar de Knopfler. Em vez de depender de volume ou velocidade, ele construiu boa parte de sua identidade com dinâmica, bends, fraseado e espaço - características que fazem a guitarra muitas vezes funcionar quase como uma segunda voz dentro das músicas.
O resultado foi um estilo tão particular que, quando o Dire Straits surgiu no fim dos anos 1970, soava ao mesmo tempo antigo e novo. O grupo carregava blues, country e rock clássico em plena era do punk e da disco music, mas fazia isso sem parecer uma simples reconstrução do passado.
Para Knopfler, porém, essa originalidade nunca significou ignorar quem veio antes. Ao contrário: parte daquilo que tornou seu som tão pessoal nasceu justamente da curiosidade de descobrir quem havia inspirado seus próprios ídolos.
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