O dia que Caetano Veloso gravou sozinho para que músicos vissem show histórico de rock
Por Gustavo Maiato
Postado em 23 de setembro de 2026
O guitarrista Toni Costa, que tocou durante oito anos na banda de Caetano Veloso, contou que o cantor começou sozinho a gravação de um disco em Nova York para que seus músicos pudessem assistir a um show de Sting no Radio City Music Hall. A história foi lembrada em entrevista ao programa Papo com Clê, do canal Corredor 5, em que o músico de 72 anos repassou mais de cinco décadas de carreira.

Caetano levou aos Estados Unidos uma formação enxuta: Toni, Marcelo Costa e o percussionista Armando Marçal. O álbum, acústico e com o cantor ao violão, saiu pelo selo Nonesuch, ligado à Warner. Segundo o guitarrista, a banda chegou com apenas duas faixas ensaiadas, a versão de Caetano para "Billie Jean", de Michael Jackson, e "Get Out of Town", de Cole Porter. O resto do repertório foi definido no estúdio, com o próprio Caetano perguntando aos músicos o que gravar.
Durante uma caminhada por Manhattan, Toni e Marcelo passaram pela porta do Radio City e viram o nome de Sting no letreiro. Era, de acordo com o guitarrista, a estreia dos shows de "The Dream of the Blue Turtles", o trabalho que o ex-vocalista do Police lançava na época. Os dois compraram os ingressos na hora. Só depois perceberam que o horário do show coincidia com a sessão marcada no estúdio e que precisariam avisar o chefe.
"A gente comprou, e cada um ficou num lugar, porque não tinha mais lugar junto. Aí chegamos para o Caetano e falamos que tínhamos comprado ingresso para o Sting na mesma hora do show dele, que a gente queria muito ver aquilo. Ele falou: 'Relax, vão lá no show. Eu começo a gravar sozinho, depois vocês vêm'. A gente foi para lá para gravar o disco dele, e o cara podia ficar puto. Não, o cara falou: 'Pode ir lá'."
A noite entrou para a lista das experiências mais marcantes da vida do guitarrista. Ele destacou a banda que acompanhava o cantor inglês, com o baterista Omar Hakim e o saxofonista Branford Marsalis, e o ambiente dentro da casa. "Aqueles músicos tocando, era um negócio de louco. O Radio City lotado, aquele clima espetacular", descreveu. Na mesma conversa, ele contou ter estreado na música pelo rock, ainda adolescente, antes de estudar na Berklee College of Music, em Boston.
Para Toni, o episódio mostra por que Caetano foi o artista com quem ele mais gostou de trabalhar. O guitarrista o descreveu como um patrão democrático, aberto às ideias da banda e sem a postura de superioridade comum entre grandes nomes. "Você vê como o Caetano é, né, cara? Eu acho que toda maluquice de grosseria de artista com músico parte da insegurança", avaliou.
Confira o vídeo completo abaixo.
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