A música do The Animals que Eric Burdon mais se orgulha de ter escrito
Por Bruce William
Postado em 24 de setembro de 2026
Quando se fala em The Animals, é quase inevitável pensar primeiro em "House of the Rising Sun". O problema, para Eric Burdon, é que boa parte da fama inicial do grupo veio justamente de versões de músicas que já existiam. Nos primeiros discos, composições próprias eram minoria, algo que mais tarde alimentaria a sensação de que a banda poderia ter ido além como autora.
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Quando foi perguntado pelo Songfacts sobre uma música de que se orgulhava especialmente, Burdon não escolheu nenhum dos grandes covers que marcaram sua carreira. A resposta foi "Anything", lançada em "Winds of Change", de 1967, já sob o nome Eric Burdon and The Animals.
"Eu escrevi uma música chamada 'Anything', que é uma canção da Geração do Amor", disse o vocalista. Para ele, a letra não deveria ser entendida simplesmente como uma declaração romântica. "É mais do que uma música sobre amar sua mulher; é sobre amor por tudo, da Terra aos seus amigos e até aos seus inimigos."
"Anything" pertence a uma fase em que Burdon estava mergulhado na contracultura californiana e na estética psicodélica. A formação original do The Animals já havia se desfeito, e o vocalista montara um novo grupo, com sonoridade e preocupações bem diferentes das raízes mais diretamente ligadas ao blues e ao rhythm and blues.
O próprio Burdon acreditava que o The Animals original não teve tempo de evoluir como banda de compositores. Segundo ele, o grupo reconhecia abertamente que recorria ao repertório de artistas americanos de blues, mas poderia ter desenvolvido muito mais material próprio se tivesse permanecido unido e menos consumido por disputas internas envolvendo dinheiro.
Esse sentimento ajuda a explicar por que "Anything" ocupa um lugar tão particular para ele. A faixa não era apenas mais uma música gravada pelo Animals: representava um momento em que Burdon sentia que estava expressando diretamente as ideias e o ambiente cultural ao seu redor.
A canção também resistiu ao tempo para o próprio vocalista. Décadas depois, Burdon voltaria a gravá-la, sinal de que aquele pequeno manifesto da "Geração do Amor" continuava tendo um significado que muitos dos maiores sucessos comerciais do grupo não tinham para ele.
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