O cantor que fazia Robert Plant pensar em "jogar a toalha" de tão bom
Por Bruce William
Postado em 08 de setembro de 2026
Robert Plant se tornou um dos modelos definitivos de vocalista de hard rock, mas nunca escondeu que boa parte de sua formação veio de outro lugar. Antes de Led Zeppelin, cabelos dourados e arenas lotadas, ele era um jovem britânico tentando absorver o blues americano.
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O problema é que Plant sabia muito bem que não era um cantor de blues no sentido tradicional. Ele ouvia Howlin' Wolf, Muddy Waters e outros gigantes do gênero e percebia a distância entre aquilo e o que jovens músicos ingleses estavam tentando fazer nos clubes dos anos 1960.
"Eu tinha ouvido todos aqueles grandes cantores de blues e sabia que não conseguia chegar ao nível deles. Eu não era um cantor de blues, era apenas mais um cara branco tentando fazer aquilo funcionar". E havia pelo menos um contemporâneo que tornava essa insegurança ainda pior: Steve Winwood.
"Havia caras por perto fazendo aquilo muito melhor do que eu, como Steve Winwood. Ele fazia você querer jogar a toalha e ir embora, de tão bom que era", contou Plant, em lembrança resgatada pela Far Out
Winwood ainda era adolescente quando começou a chamar atenção com o Spencer Davis Group, colocando uma voz carregada de soul em músicas como "Keep On Running" e "Gimme Some Lovin'". Depois seguiria por Traffic e Blind Faith, ampliando ainda mais uma linguagem que misturava blues, soul, rock e jazz.
A admiração de Plant não aparece isolada. Em outra entrevista, ele colocou Winwood ao lado de Terry Reid e Steve Marriott entre os cantores extraordinários que tentava alcançar quando ainda estava encontrando a própria voz.
Winwood também causava esse tipo de constrangimento em outros gigantes. Eric Clapton contou que ficou tão intimidado pela voz do parceiro no Blind Faith que não teve coragem de cantar "Presence of the Lord", embora ele próprio tivesse composto a música.
Plant acabou encontrando outro caminho. Em vez de tentar competir com os grandes cantores de blues em seus próprios termos, exagerou aquelas influências, misturou-as a folk, psicodelia e rock pesado e construiu uma identidade que também se tornaria referência para gerações seguintes. Mas o respeito por Winwood ficou. Para um vocalista que acabaria colocado entre os maiores da história do rock, admitir que outro cantor dava vontade de simplesmente desistir talvez seja um dos elogios mais fortes possíveis.
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