Por que é impossível ter carreira de heavy metal no Brasil, segundo Bill Hudson
Por Gustavo Maiato
Postado em 03 de setembro de 2026
Bill Hudson não vê saída para quem quer viver de heavy metal no Brasil. Questionado por um espectador durante live do canal Ibagenscast sobre a possibilidade de construir uma carreira de banda no país, o guitarrista brasileiro radicado nos Estados Unidos foi categórico ao dizer que considera a hipótese descartada. "Eu sinceramente eu não acho, não acho. Acho que é literalmente impossível", respondeu.
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A comparação que ele usou para explicar o diagnóstico foi esportiva. "É como querer ser jogador de futebol profissional no Canadá, tipo, não tem estrutura", disse. Para o músico, o problema não se resume à falta de casas de show, gravadoras e cadeia produtiva: existe um obstáculo anterior, que é a própria plateia. Segundo ele, uma banda nova nasce disputando espaço com o público antes mesmo de disputar espaço no mercado.
Esse foi o ponto mais duro da fala. Hudson afirmou que o ouvinte brasileiro se ofende quando uma banda local tenta ocupar o lugar dos nomes que ele já elegeu. "O público se ofende porque você tá tentando competir com o Angra, se ofende porque você tá competindo com a banda deles também. Então não dá, não dá, não dá", declarou. A conclusão vale para toda a região, na avaliação dele.
O guitarrista estendeu o raciocínio à América Latina inteira e disse que só há dois caminhos viáveis para quem leva a coisa a sério: Europa ou Estados Unidos, lugares onde, nas palavras dele, o heavy metal é profissional. "No Brasil é semiprofissional, não tem estrutura, não tem casa, não tem nada", afirmou. A crítica, vinda de alguém que atravessou o Atlântico para trabalhar, carrega peso extra.
A própria trajetória serve de ilustração. Nascido em São Paulo, Hudson montou sua primeira banda, o Cellador, já nos Estados Unidos e passou a abrir shows para grupos como Trivium e Bullet for My Valentine ainda nos anos 2000. Desde então tocou com Udo Dirkschneider, Doro e David Vincent, e hoje integra a nova formação do As I Lay Dying, ao lado de Chris Clancy, Don Vedda e Tim Yeung, como noticiou o Blabbermouth.
Nada disso significa desprezo pelo que se faz por aqui. Na mesma conversa, ele elogiou sem reservas o Bangers Open Air, onde tocou com a Doro, e disse que a organização, o backstage e até a segurança do festival lembravam um evento europeu. O lamento, no fim, é pessoal. "Seria legal se desse, se desse eu nunca tinha saído daí", encerrou.
Confira o vídeo completo abaixo.
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