Bateristas: dez dos melhores instrumentistas dos anos 2000

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Por Marcelo Molinari
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Para criar a lista abaixo exclui bateras profissionais que trabalham com grandes artistas pop ou são primordialmente músicos de estúdio, bateras de jazz/ fusion e quaisquer destas lendas na batera como Dave Weckl ou Terry Bozio. Também evitei bateras de metal ultra rápidos que existem aos montes por aí.

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Abaixo segue uma lista pessoal de 10 dos bateras mais significativos do rock que começaram a ter importância a partir do ano 2000, embora alguns deles toquem há muito mais tempo. Bateras que já são conhecidos há mais tempo como Dave Lombardo, Mike Portnoy e mesmo lendas absolutas como Bonham e Keith Moon estão fora.

Tentei evitar nomes alternativos demais e me foquei em bateras mais conhecidos.

10. Joey Jordison

Quantas listas de melhores bateras não colocam este cara no topo?

Infelizmente Joey Jordison representa o que a maioria dos bateras não deveria fazer, especialmente no caso do metal. Se alguém já viu o documentário sobre o lendário batera Ginger Baker, um dos primeiros músicos a utilizar dois bumbos, pode lembrar-se da opinião desta cara sobre metal. Traduzindo: “Eles atribuíram a nós a criação daquela coisa de Heavy Metal. Bem, se este é o caso, deveriam realizar um aborto imediato”.

A velocidade dos dois bumbos pode ser uma ferramenta útil, mas geralmente a maioria dos bateras só sabe enfiar notas e mais notas sem sentido. Joey Jordison martela sem dó sua batera criando um som mecânico e quase sempre exagerado.

Só coloquei ele na lista em razão do apelo popular do SLIPKNOT e das performances memoráveis da bando ao vivo. O SLIPKNOT seria uma banda bem melhor se tivesse um batera mais contido e preocupado com alguma coisa além de martelar seu instrumento. Agora que o Jordison saiu quem sabe não arranjam um batera melhor.

9. Dave Grohl

Eu troco facilmente toda a discografia do FOO FIGHTERS pelas gravações de bateria do Dave Grohl.

Para mim a virtuose deste cara está na batera. Ele pode ser um bom cantor e compositor, mas na batera onde ele é genial.

Para colocá-lo na lista eu não pensei em suas gravações com o nirvana, que são dos anos 90. Somente as gravações do Dave Grohl dos anos 2000 já são suficientes para ele entrar na lista.

Gravou a bateria do maior clássico do QUEENS OF THE STONE AGE: “Songs for the Deaf”. Neste álbum mostra sua capacidade de tocar sempre em razão da canção e sua maestria em colocar notas de bumbo nos lugares corretos e sempre de modo criativo. “No One Knows”, “A Song for the Dead” e “Go with the Flow” são exemplos de como utilizar a batera em prol da música, criando conceitos dinâmicos.

Grohl fez diversas gravações memoráveis nos anos 2000, com o KILLING JOKE, Paul McCartney, PROBOT. Ele também gravou o disco com Josh Homme e John Paul Jones THEM CROOKED VULTURES. A bateria deste álbum é cheia de nuanças e viradas legais. Reparem na virada inicial deste som “Bandoliers”. Genial.

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8. John Dolmayan

Muita gente que escuta o SYSTEM OF A DOWN esquece que o John Dolmayan toca demais.

Seu estilo é criativo, o cara sempre está inventando batidas e viradas criativas.

Este sim sabe utilizar o pedal duplo quando é necessário e sem exageros. Fora que ele é o cara por trás de uma das principais características do System, as variações de tempo e de estilos. Dolmayan comanda as variações de tempo e das recorrentes mudanças de estilo da banda que vai do Hard Core ao Metal, do Pop a música tradicional armênia. O System não seria a mesma banda sem ele.

Nunca vou esquecer-me do cara sendo entrevistado no Rock in Rio. Ele pirou nas nossas brasileiras do multishow. Reparem no final, ele falando que a próxima vez iria utilizar uma roupa melhor para a entrevista. Cômico.

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7. Dominic Howard

Dominic Howard é um excelente batera, um ritmista forte capaz de criar batidas sólidas junto ao monstro do baixo Chris Wolstenholme do MUSE.

Este é um daqueles bateras invisíveis, aquele cara sem muito firula que ninguém nem lembra direito, mas que mete a mão quando é necessário.

Ele vai da música eletrônica, ao spaghetti western, ao rock clássico e da barulheira do rock alternativo. Gosto muito de como ele utiliza os pratos de ataque para conduzir diversos sons do MUSE.

Howard é uma excelente oposição ao estilo grandioso do vocalista Matt Bellamy.

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6. Ray Luzier

Ray Luzier entrou no KORN já faz algum tempo, mas acho que demorou algum tempo para que ele conseguisse impor seu estilo na banda.

O antigo batera David Silveria sempre foi considerado um grande músico e já escutei pessoas falando que o KORN nunca será o mesmo sem ele. Talvez. Mas se a banda não é a mesma, Ray Luzier parece estar auxiliando o KORN a seguir outros caminhos, talvez mais interessantes do que o nu metal.

Este último álbum Paradigm Shift é o terceiro de Luzier com a banda e a partir daqui Ray Luzier entrou de vez no KORN. Paradigm Shift não lembra nem nu metal, está mais para um álbum de rock alternativo. Parece um NINE INCH NAILS com guitarras pesadas.

O Luzier dá um show e toca de um modo funcional, mas sempre com pequenas inovações ao longo das músicas. Ele se afastou do estilo mais grandioso do Silveria e impôs uma dinâmica mais crua para a banda ajudando a criar este disco, que para mim foi uma grata surpresa escutar.

Luzier é um exemplo de batera preocupado em criar canções e não em cuspir notas. Inventou um estilo elegante e limpo.

Para quem ainda não escutou, aí está o primeiro clipe de Paradigm Shift.

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5. Aquiles Priester

Seria bom se todos os bateras tocassem com dois bumbos como o Aquiles Priester.

O cara é criativo, está sempre variando e criando coisas novas. Quando utiliza dois bumbos, seu som faz sentido e encaixa-se nas dinâmicas das músicas. Fora que é um monstro na técnica e aquele cara que chega com tudo pronto e jamais parece deixar de lado o preparo e a responsabilidade de uma banda. Tudo que os headbangers babam.

Ele é o batera de metal ideal, consegue somar técnica, energia e criatividade. Em um país como o Brasil, merecia muito mais reconhecimento.

Um dos melhores bateras de metal da atualidade.

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4. John Theodore

No Brasil, tem muita gente que nunca ouviu falar do MARS VOLTA. Mas é uma banda que especialmente nos E.U.A é bem conhecida.

John Theodore foi o batera mais significativo da banda.

As influências do cara são jazz/fusion e hard rock.

Ele toca com um grande refinamento e embora seja furioso, está mais para o jazz do que para o rock. Seu som é uma mescla de minimalismo e explosão. Os discos em que tocou com o MARS VOLTA são os melhores. É um batera menos mecânico e metódico e dono de um som muito orgânico e sutil.

Ele sabe utilizar o China para criar efeitos. Deem uma olhada neste som: Eriatarka. Reparem na brincadeira com Chinas no refrão.

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Veremos o que ele vai fazer no QUEENS OF THE STONE AGE.

3. Travis Barker

Tem muita gente que odeia o BLINK 182, mas se você toca bateria e não reparou no batera da banda então perdeu a oportunidade de conhecer um grande ritmista.

Barker é outro batera com fortes influências de jazz e um domínio técnico absurdo.

Possui criatividade de sobra. Em diversas músicas do BLINK 182 ele esbanja criatividade utilizando os pratos. Splashs, chinas, rides. O cara utiliza tudo de modo inovador.

Um dos melhores bateras de punk rock e do rock em geral. Eu sinceramente acho que o BLINK 182 deveria ser mais reconhecido, especialmente no disco de 2003, intitulado “BLINK 182”. Este disco é uma mistura de rock alternativo com Pop e punk, com uma produção inovadora e estranha. O Travis manda muito neste disco como sempre. O disco da banda paralela BOX CAR RACER também mostra um som de batera muito original.

Se alguém ainda lembra se da música “Adam’s Song” de 2000, só reparem na bateria. É muito raro um baterista ter tamanha liberdade em uma música comercial, que na época tocava em tudo que é lugar. Não sei como um produtor liberou o batera deste modo. Para quem conhece o meio musical sabe que este tipo de liberdade é quase inexistente.

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2. Gavin Harrison

Harrison toca há muito tempo, mas ficou mais conhecido quando começou a tocar com o PORCUPINE TREE.

O estilo dele é limpo e quase robótico. Ele consegue transformar uma simples condução de chimbal ou ride em um som grandioso e onírico. Seu som de bateria apela para um sentimento de sonho transcendental. Ele consegue fazer você esquecer-se de técnica, dinâmica e inovações e só permanecer na condução, atingindo outros mundos.

Eu não conheço outro batera tão particular.

Escutem e chorem:

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1. Brann Dailor

Quando comecei a fazer esta lista sabia que este era o batera dos anos 2000.

Eu diria que muito do sucesso do MASTODON se deve ao Dailor. Até que não sabe nada de batera repara no som deste monstro.

Ele soma técnica, criatividade, grandiosidade, energia. Seu som de batera é jazzístico. Ele parece solar ao longo das músicas exatamente como fazem os grandes mestres de jazz, brincando com pratos, bumbos, caixas. Tudo é fluído em seu som.

Embora o som de MASTODON seja metal em teoria, o Dailor simplesmente parece esquecer-se de todos os paradigmas comuns dos bateristas de metal e fazer exatamente o contrário. Ele é um não baterista de metal, uma espécie de vanguardista do peso.

Reparem na música Curl of the Burl, um som que inclusive fizeram um concurso de covers de batera na internet. Só a condução de bumbo deste som, esquecendo-se das muitas lindas viradas já é muito intrincada e toda irregular.

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Dailor já entrou no panteão das lendas da batera.

Menções honrosas:
Brasileiros: Eloy Casagrande, Pupilo, Fabrizio Moretti.
Gringos: Josh Freese, Brian Chippendale, Seb (MUMAKIL).

Os responsáveis são citados no texto. Não culpe os editores. :-)

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