Ultraje a Rigor: Biografia é metódica, séria e imperdível

Resenha - Nós Vamos Invadir Sua Praia (O Livro) - Ultraje a Rigor

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Por Mário Orestes Silva
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Toda banda de rock que marcou seu legado na história da música, merece sua devida biografia. Algumas conseguiram o feito com apenas um disco e sumiram do cenário. Outras começaram sua atuação há décadas atrás e ainda estão em atividade, dando continuidade em suas artes. A jornalista paulistana Andréa Ascenção encarregou-se de escrever a biografia de uma dessas bandas lendárias ativas. O óbvio título "Ultraje a Rigor - Nós Vamos Invadir Sua Praia" foi escolhido, mediante concorrência pública de dezenas de sugestões enviadas. Bem formatado, com ótimas ilustrações e muito divertido, o livro faz jus ao sucesso da banda e é um grande presente para fãs e para banda que já merecia este registro há muitos anos.

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Um diferencial da prevista cronologia no livro que inicia com a criação de tudo, está na narração desde infância, de cada membro da banda, até sua chegada ao conjunto, passando por seus primeiros contatos com o rock e seus devidos instrumentos. O bacana é que isto se dá, conforme cada um entra, na mudança de formação do grupo. A propósito, muito se reclama das constantes mudanças de formação, mas o que pouco se sabe, é que isso não se deu por brigas ou divergências diversas, mas sim, pelo simples fato dos dissidentes se cansarem da rotina da estrada, de shows, de gravações e desejarem carreiras mais consistentes como gerentes de restaurantes, executivos e afins. Prova disso está na amizade que ainda perdura com todos que deixaram a banda.

A diagramação do book é um show à parte. Fontes desalinhadas, fundos psicodélicos, quadros soltos e cores vibrantes remetem o leitor diretamente ao universo plástico e contagiante que tanto marcou e ainda marca a estética da banda, não só da arte gráfica de seus discos, mas também dos vídeo clipes, do figurino, dos penteados (não tão penteados assim), do humor e até mesmo das letras das canções. Os últimos lançamentos, provam que este padrão colorido, não se resume somente aos anos oitenta (lógico que lá eram mais acentuados), mas estão presentes até hoje no Ultraje, como uma espécie de característica, dentre outras mais que compõem este universo a rigor. Um detalhe que ressalta mais ainda este visual, está na impressão do miolo, todo em papel couchê.

As lendas e histórias marcantes que cercam Roger Rocha Moreira (guitarra/voz e principal compositor) e parceiros são destrinchadas conforme a cronologia dos discos, que são apresentados com arte de capa, set list com créditos de autoria e ilustrações de algumas raridades como credenciais e ingressos, flyers e cartazes de shows. Todos os compactos e EPs também fazem parte da mostra. Vários depoimentos de Kid Vinil estão presentes. Só não entende-se o porquê de somente Kid ter prestado sua visão, salvo uma única exceção de Lobão. Nos esclarecimentos, um dos que mais acalma os fãs mais distantes: o motivo da banda não fazer mais shows em locais afastados do eixo sul/sudeste, se deve ao curioso pavor que Roger tem de viajar de avião. Isto limita o alcance da banda para vias terrestres.

Dentre as fotos, várias raríssimas e muitas hilárias que podem provocar gargalhadas só de olhar. Letras de canções, infográfico explicando as formações, agradecimentos e biografia encerram a edição.

Num contexto geral, "Ultraje a Rigor - Nós Vamos Invadir Sua Praia" é um livro metódico (com todo seu despojamento), sério (com todas suas brincadeiras) e imperdível (com toda sua obviedade). Indicado não só para fãs, mas também para todos que desejam um registro mais explicativo de uma das maiores bandas de rock do Brasil.

Editora Belas-Letras LTDA, Rio Grande do Sul, 2011, 350 páginas.




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Sobre Mário Orestes Silva

Deuses voavam pela Terra numa nave. Tiveram a idéia de aproveitar um coito humano e gerar uma vida experimental. Enquanto olhavam, invisíveis ao coito, divagavam: - Vamos dar-lhe senso crítico apurado pra detratar toda sua espécie. Também daremos dons artísticos. Terá sex appeal e humor sarcástico. Ficará interessante. Não pode ser perfeito. O último assim, tivemos de levar à inquisição. Será maníaco depressivo e solitário. Daremos alguns vícios que perderá com a idade pra não ter de morrer por eles. Perderá seu tempo com trabalho voluntário e consumindo arte. Voltaremos numas décadas pra ver como estará. Assim foi gerado Mário Orestes. Décadas depois, olharam como estava aquela espécie experimental: - O que há de errado? Porque ele ficou assim? Criamos um monstro! É anti social. Acumula material obsoleto que chamam de música analógica. Renega o título de artista pelo egocentrismo em seus semelhantes. Matamos? - Não. Ele já tentou isso sem sucesso. O Deixaremos assim mesmo. Na loucura que criamos pra vermos no que dará, se não matarem ele. Já tentaram isso, também sem sucesso. Então ficará nesse carma mesmo. Em algumas décadas, voltaremos a olhar o resultado. Que se dane.

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