Sabaton: "Eu odeio a guerra, desejo que nunca existisse"

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Por Leonardo Daniel Tavares da Silva, Fonte: Metal Militia
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Se os suecos do SABATON só falam em batalhas, pelo menos o baixista Pär Sundström odeia a guerra. Foi o que me confessou na abrangente entrevista que fizemos falando sobre os seis shows no Brasil, sobre este tema tão recorrente em suas letras e vários outros assuntos. Confira a entrevista completa com o SABATON, banda formada pelos suecos Joakim Brodén (vocal), Chris Rörland (guitarra), Pär Sundström (baixo), Hannes Van Dahl (bateria) e Tommy Johansson (guitarra), que estará no Brasil para shows em BH, São Paulo, Rio, Limeira, Porto Alegre e Curitiba a partir do próximo dia 28 de outubro.

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Daniel Tavares: Vamos começar falando sobre seus seis shows no Brasil (São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Curitiba, Limeira e Porto Alegre). O que o os fãs brasileiros da SABATON podem esperar desses shows?

Pär Sundström: Uma banda faminta que quer provar que o hype do SABATON é real. Há um monte de pessoas que dizem que nós temos somente uma boa canção. Vamos provar que essas pessoas estão erradas.

Daniel Tavares: Todo mundo aqui quer vê-lo tocar a sua música ao vivo, mas eu tenho que dizer que nós também queremos ver o tank drum. Eu sei que ele pesa duas toneladas, mas vocês o estão trazendo para a América do Sul?

Pär Sundström: Não podemos trazê-lo ainda. Nós simplesmente tocamos também em lugares pequenos e os custos para o transporte do tanque é maior do que para todo a equipe que temos agora.

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Daniel Tavares: Vou confessar, eu nunca ouvi o termo sabaton antes de ouvir as suas músicas. Segundo a Wikipedia, "Um sabaton ou solleret é uma parte da armadura de um cavaleiro que cobre o pé.". Eu acho que seria um bom tema para conversar, você pode nos dizer como e por que você escolheu este pedaço de armadura de um cavaleiro para nomear sua banda?

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Pär Sundström: Na verdade, nós apenas pensamos que parecia bom e o logotipo pintado por um amigo estava ótimo. Não tínhamos nenhum outro significado por trás dele. Tivemos de mudar de nome rapidamente uma vez que nosso nome original Aeon já estava sendo usado.

Daniel Tavares: E agora eu certamente perguntarei por que você tem tanto amor e admiração por temas como guerras, os exércitos, guerreiros, heróis.

Pär Sundström: Nós realmente não amamos e adoramos isso. Eu odeio a guerra, desejo que nunca existisse. Agora ele existe e talvez isso pode ser visto como uma forma de lidar com esse fato. Nós temos que cantar sobre algo e este é o tópico mais empolgante que poderíamos trazer.

Daniel Tavares: Foi uma decisão que vocês tomaram no início da história da banda, nos momentos em que você estava escrevendo suas primeiras canções ou isso veio depois de algum tempo?

Pär Sundström: Demorou alguns anos até que finalmente tivemos chegássemos ao tópico completo. Em 2004 gravamos "Primo Victoria" e foi o nosso primeiro álbum temático. Desde então, temos seguido esse tema, o evoluímos um pouco e o aperfeiçoamos um pouco.

Daniel Tavares: Quando você está fazendo shows em todo o mundo, você já teve a oportunidade de visitar muitos lugares onde os eventos históricos que fala na sua música aconteceram? Você pode listar alguns dos mais emotivos ou importantes para você?

Pär Sundström: Certa vez, fizemos um show em Wizna por exemplo [Wizna, na Polônia, foi palco de um confronto na segunda-guerra e chegou a ganhar a fama de Termópilas polonesas]. É o lugar sobre que nós cantamos na música "40:1". Tocamos exatamente no dia de aniversário de 70 anos em que o evento aconteceu. Foi fantástico. Um campo no meio de apenas florestas e milhares de fãs vieram!

Daniel Tavares: Quais desses lugares (mencionados em suas letras) que você gostaria de ir, mas não tive a oportunidade de visitar ainda?

Pär Sundström: A Normandia é um desses lugares. É nossa mais icônica canção no "Primo Victoria" mas nunca estivemos lá. Não há realmente bons lugares para visitar quando estamos em turnê porquê nós nunca realmente passamos por lá. Mas um dia vamos visitar com certeza.

Daniel Tavares: Você já pensou em cantar sobre outros temas? Ou você tentar incluir alguns outros temas incorporados nesses de guerra, guerreiros e heróis?

Pär Sundström: Nós até agora não chegamos a um tema melhor. Se conseguíssemos, poderíamos arriscar. Mas nós não temos nada melhor até agora. Não queremos cantar sobre algo pessoal, já que gostamos de manter as nossas vidas privadas fora disto.

Daniel Tavares: Você teme que os seus fãs ou mesmo vocês cansem de ouvir ou falar sobre tais coisas?

Pär Sundström: Na verdade, não. A maioria dos fãs amam a música mais que as letras e eu fico feliz por isso. E uma vez que há tantas guerras que aconteceram e tanta matança nós não vamos esgotar o tema. E parece que a humanidade não está ficando mais tranquila.

Daniel Tavares: Agora, vamos passar ao Sabaton Open Air e Sabaton Cruise. Você pode falar sobre essas iniciativas?

Pär Sundström: O cruzeiro é uma coisa que começou com a gente atravessando a Suécia a Finlândia sobre o oceano e eu pensei que a empresa de cruzeiros era cara demais para nossos ônibus e caminhões, então eu aluguei um barco inteiro e convidei os fãs. Todos os ingressos foram vendidos n o primeiro ano e hoje esgotam em apenas alguns minutos. É uma experiência fantástica onde tocamos o show mais longo de todos.
O Sabaton Open Air é o nosso próprio festival ao ar livre, em 3 dias na nossa cidade natal, Falun. Elevai fazer neste próximo verão 10 anos de aniversário. Ao longo dos anos, tivemos muitas das nossas bandas favoritas no espetáculo e é assim que reservamos as bandas. Nós realmente não convidamos grandes bandas por popularidade. Nós chamamos as bandas que realmente gostamos.

Daniel Tavares: E "The Last Stand" foi muito bem recebido em todo o mundo, ficando nas primeiras posições em muitos charts. O que isso significa para você?

Pär Sundström: Mais possibilidades. Podemos agora ir para ainda mais lugares. Queremos ser capazes de percorrer o mundo inteiro.

Daniel Tavares: Agora é o momento de agradecer-lhe. Geraldo Baeta da Cruz, Geraldo Rodrigues de Souza e Arlindo Lúcio da Silva, os "cobras fumantes" que morreram em Montese, Itália. Infelizmente, a maioria dos brasileiros nunca ouviu esses nomes antes. E esses caras foram alguns dos nossos maiores heróis, sendo reconhecidos como homens bravos mesmo por soldados nazistas contra quem eles combateram. É estranho que precisemos de alguém de fora do nosso país para nos trazer esses fatos. Isso é verdade e não estou orgulhoso disso. Mas agora eu quero saber como vocês descobriram seus nomes, sua história e tudo o que você puder nos dizer sobre a decisão de prestar um tributo a estes brasileiros corajosos.

Pär Sundström: As vezes é mais fácil para um estrangeiro achar essas informações e honrar a memória deles. Em alguns países, as pessoas têm muito medo de sua própria história.

Daniel Tavares: Nós certamente teremos "Smoking Snakes" de novo nos shows brasileiros, não teremos?

Pär Sundström: Se não tocamos essa música eu acho que um monte de gente ficaria aborrecido.

Daniel Tavares: E agora, um pouco mais de agradecimentos brasileiros. O fã-clube brasileiro do SABATON, Sabaton - Brasil, publicou (ou republicou, a partir de uma discussão do reddit) recentemente uma lista de todos os eventos que inspiraram todas as suas músicas em uma ordem cronológica e com as músicas relacionadas ao lado deles. É em Português, mas eu gostaria que você soubesse da lista, desse uma olhada nela e nos contasse o que você pensa sobre isso. Aqui está o link.

https://www.facebook.com/notes/sabaton-brasil/ordem-cronol%C...

Pär Sundström: Estou ciente, e eu realmente gosto dela. Algumas pessoas tendem a amar uma canção mais depois de descobrir sobre o que ela fala.

Daniel Tavares: Falando agora sobre as mudanças da banda em formação, Tommy Johansson recentemente substituiu Thobbe Englund. Você falaria sobre essa mudança, porque Thobbe partiu e como é que o Tommy está sendo acolhido pelo público em todo o mundo?

Thobbe decidiu sair depois de fazer umas boas tentativas de ficar. Ele quer fazer suas próprias coisas e também pensava que SABATON tomava muito tempo. Vou sentir muita falta dele como um dos meus melhores amigos no mundo todo. Logo que ele nos disse que ia sair eu liguei pro Tommy. Eu o conhecia do passado. Como um grande músico que é, nunca duvidamos de sua capacidade de tocar e nós sabíamos que ele era um fã do SABATON. É ótimo tê-lo em nossas fileiras. E os fãs realmente gostam dele também!

Daniel Tavares: E o que dizer de um tecladista? Joakim toca no estúdio e faz um trabalho incrível. E, embora o som de teclados esteja muito presente em sua música, eu não tenho visto vocês com um tecladista no palco como Daniel Myhr. Eu tenho que dizer que eu sinto falta da presença de alguém que toque teclado ao vivo. Você já pensou em ter outra vez alguém cuidando das teclas, mesmo que não seja necessariamente um sexto membro da banda?

Pär Sundström: Agora o Tommy é também um grande tecladista e definitivamente vai dar ao Joakim uma boa ajuda no estúdio. Mas ao vivo nós sentimos que funciona deste jeito. De qualquer forma, ainda seria necessário ter algumas das coisas em fita mesmo se tivéssemos um tecladista. Caso contrário, ele só iria soar fraco em comparação com os álbuns.

Daniel Tavares: E esta é uma pergunta que eu sempre pergunto a todos os meus entrevistados. Eu sei que você sabe sobre soldados brasileiros, mas o que sabe sobre músicos brasileiros? Existe alguma banda brasileira ou um músico que goste ou mesmo que tenha tido qualquer influência na sua música, composições ou estilo de tocar?

Pär Sundström: Ouvi muito o ANGRA no passado. Mas eu não acho que eles tenham de forma alguma influenciado a nossa música ou maneira de tocar.

Daniel Tavares: E vamos terminar com uma mensagem para os brasileiros. Por favor, convide todos os seus fãs brasileiros para os seis shows no Brasil.

Pär Sundström: Estamos ansiosos para isso. Na última vez fomos capazes de fazer vários shows no Brasil e a maioria deles foram excelentes. Agora nós esperamos que consigamos convencer os promotores a continuar agendando o SABATON para mais shows do que apenas um show na capital. Isso depende de duas coisas, uma é com vocês. A outra é que nós precisamos fazer esses shows tão bons que ninguém queira perder um show do SABATON.

A nova turnê do SABATON no Brasil vai passar pelos seguintes locais nas seguintes cidades:

28/10 - A Autentica - Belo Horizonte, Brasil
29/10 - Via Marquês - São Paulo, Brasil
30/10 - Circo Voador - Rio de Janeiro, Brasil
01/11 - Bar da Montanha - Limeira, Brasil
02/11 - Opinião - Porto Alegre, Brasil
03/11 - Music Hall - Curitiba, Brasil

Informações e ingressos São Paulo:
http://www.clubedoingresso.com/sabaton

Informações e ingressos Rio de Janeiro:
https://www.ingressorapido.com.br/compra/?id=52497

http://theultimatemusic.com/wp-content/uploads/cartaz-sabato...

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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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