Uganga: entrevista exclusiva com Manu "Joker"

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Por Junior Frascá
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Uma das grandes bandas do cenário underground nacional, o UGANGA vem direto da prolífera cena minera, e lançou no ano passado seu melhor discos até o momento, "Opressor", que vem dando o que falar tanto no Brasil como no exterior. Além disso, os caras vêm obtendo várias conquistas nestes mais de 20 anos de carreira, como pode ser conferido na entrevista exclusiva a seguir, com o grande Manu "Joker" Henriques, um dos cara com passado e presente mais marcantes na música pesada nacional, e que se mostra de uma simpatia e carisma gigantescos, contando-nos um pouco da repercussão do novo trabalho, da história da banda, e dos planos para o futuro. Confiram:

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Olá Manu. Nesses mais de 20 anos do UGANGA, como você avalia a trajetória percorrida até aqui?

Manu "Joker" Henriques: Salve Júnior , tudo na paz? Cara, eu avalio como um tremendo aprendizado, parte da minha formação não só musical, mas como pessoa , e creio que posso falar por todos do Uganga em relação a isso. Foram anos muito intensos de muito trabalho pesado e, mesmo com algumas cabeçadas, posso dizer que no geral só tenho a agradecer por ter tido a chance de chegar até aqui fazendo o que mais gosto: tocar e compor música pesada! Espero que o Uganga siga forte e unido por muito tempo ainda, pois sinto que nosso melhor momento ainda não chegou.

Mesmo como uma carreira sólida, a banda ainda é comumente lembrada como "banda do ex-membro do SARCÓFAGO Manu Joker". Isso lhe incomoda?

Manu: Não. O Sarcófago é parte do meu passado, da minha história musical e tenho muito orgulho disso, porém há muito o Uganga provou seu valor e saiu dessa sombra. São bandas e momentos diferentes e me orgulho de ambas. Só enche o saco um pouco alguns fãs mais radicais que não entendem isso, mas é algo que sempre teve na cena metal então tá tudo certo (risos). Antes de tocar no Sarcófago eu já era fã da banda e continuo sendo hoje em dia, porém meu lugar é no Uganga e estou muito feliz assim.

Como foi para vocês tocarem recentemente com o EXODUS na tour da banda pelo Brasil?

Manu: Cara, foi mais um daqueles sonhos de moleque que se tornam realidade! Exodus é uma das minhas bandas preferidas e ter a chance de tocar com eles em Curitiba frente a um público foda foi memorável! Além de serem ícones da cena metal mundial, os caras são muito gente fina e tanto eles quanto a equipe nos trataram super bem. O Uganga já abriu shows de várias bandas legais como Coroner, Tim Ripper, Cathedral, Sepultura, RDP, Racionais MC's entre outras, mas esse show do Exodus foi o que mais me marcou até agora.

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Vocês lançaram em 2014 o quarto álbum do UGANGA, "Opressor". E já com um tempo no mercado, como você vê a repercussão do trabalho? É o que vocês esperavam? Quais foram os principais frutos colhidos por vocês após o seu lançamento?

Manu: Desde que terminamos o álbum sabíamos que tínhamos em mãos nosso melhor trabalho, ao menos até agora. Mesmo assim a recepção foi além das nossas expectativas tanto aqui quanto no exterior onde ele será lançado em toda Europa agora em Outubro pela Defense Records da Polônia. Opressor foi um álbum feito com muito cuidado, dedicamos muito tempo a ele e estamos bastante satisfeitos com o resultado, porém agora o foco é o próximo trabalho que já está em fase adiantada de composição. Estamos sempre olhando pra frente e buscando nos superar.

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Na minha opinião, "Opressor" é o disco mais consistente e evoluído do UGANGA, sendo o ponto alto da carreira da banda. Você concorda?

Manu: Concordo totalmente com você. Até agora, como disse, é nosso melhor trabalho, mas não vamos nos acomodar nem tentar gravar um "Opressor" parte 2. Estamos trabalhando pesado para superá-lo no próximo e iremos fazer isso, pode acreditar!

Vou citar aqui algumas das faixas que entendo mais se destacam no novo álbum, e gostaria que você comentasse a respeito delas:

"Guerra": Uma clara referência as nossas raízes punk/hardcore, uma música forte e direta e uma letra que trata das nossas guerras internas. Lute a sua guerra e não a dos outros!

"Moleque de Pedra": Essa escrevi a letra com o Tito (Seu Juvenal) e fala dos zumbis que infestam as ruas do Brasil, sem glamour, sem superpoderes, vagando a esmo... O crack é uma calamidade que os governantes tentam esconder, mas que está a cada dia mais na nossa cara. Quem mais sofre com essa praga são as crianças, seja se tornando escravas do vício ou perdendo seus pais para ele. Musicalmente falando é a faixa mais rápida do álbum , com uma pegada forte de metal mineiro oldschool reforçada pela participação do meu chapa Juarez "Tibanha" do Scourge nos vocais.

"Casa": Leve sua casa dentro de você para onde você for! Um thrashcore direto com refrão forte pra galera cantar junto no show.

"Modus Vivendi": Essa música saiu do nada, em jams com a banda toda e ficou bem legal. Tem uma pegada mais metal tradicional, um solo de guitarra cheio de feeling e a letra fala de saber lidar com diferenças em nome de um bem comum. Nem tudo será sempre como você quer e é preciso aprender a lidar com isso pra não começar a lutar a guerra dos outros (risos).

"O Campo": Essa saiu de uma visita que fizemos ao campo de Auschwitz na Polônia em nossa primeira tour europeia em 2010. Eu sou um aficionado pelo tema e acho um dos maiores mistérios da humanidade como um povo evoluído, culto, instruído como o Alemão caiu num papo tão furado como o de Hitler. É claro que a situação do país pós primeira guerra tem um peso no que veio depois, mas nada, absolutamente nada, justifica o holocausto. A letra fala dessas reflexões e dos momentos que passamos por lá. Musicalmente é uma faixa que representa muito bem nosso estilo com uma partes mais groove, peso, velocidade e melodia.

Inclusive, vocês lançaram a versão em vinil do trabalho esse ano. Numa época de "digitalização" da música, porque vocês optaram por lançar o disco nessa versão, já não tão usual?

Manu: Todos somos muito fãs de vinil, particularmente sou colecionador e era um sonho antigo da banda ter um álbum nesse formato. No nosso caso temos o vinil verde com encarte e a arte maior, o cd em digipack e encarte com 16 páginas e as plataformas digitais, é só escolher. Eu não tenho muita paciência para ficar baixando músicas, mas sei que é parte do mundo que vivemos então cada um escuta som como quiser.

Manu, como você definiria a sonoridade do UGANGA?

Manu: Fazemos rock pesado cantado em português, com fortes influências de metal e punk/hardcore. Alguns chamam de thrashcore e por mim tá tudo certo.

Quando vocês formaram a banda, vocês já decidiram que contariam com as letras em português? Você não acha que isso dificulta atingir o mercado internacional?

Manu: Desde o início a proposta do Uganga era cantar em português e assim seguiremos. Eu sinceramente não vi dificuldades em cantar na nossa língua nas duas tours fora que fizemos e quando voltarmos será assim de novo. Tenho o cuidado de explicar do que se tratam as letras quando tocamos fora e a recepção sempre foi muito boa. No próximo álbum até estamos pensando em uma faixa em inglês ou espanhol , mas será algo pontual pois a identidade da banda é cantando em português.

Vocês já estão planejando um novo álbum. Já há algo composto, ou uma previsão de lançamento? O que podemos esperar?

Manu: Já temos 70% do álbum composto e assim que terminarmos a tour do "Opressor" em novembro vamos parar as apresentações e focar 100% em fechar esse material. Devemos entrar em estúdio por volta de fevereiro e creio que o álbum saia no segundo semestre de 2017. Antes disso, porém, sai nosso primeiro DVD com um show de 2014 feito aqui na área em um formato mais intimista (mas elétrico!) e um documentário bem legal sobre a banda.

E o que lhe motiva, o que lhe inspira, quando está compondo com os demais membros da banda?

Manu: Minha motivação para escrever as letras vem do que está a minha volta, do que me agrada, do que me desagrada, do que me faz feliz e do que me deixa puto (risos). Musicalmente somos uma banda com influências musicais variadas, porém hoje em dia sabemos bem como a banda deve soar. Apenas pegamos as idéias e trabalhamos até chegar num ponto onde todos estamos satisfeitos.

Quais são os planos da banda para o futuro próximo?

Manu: Terminar a tour do "Opressor" em novembro no nordeste, região onde iremos pela primeira vez, lançar nosso DVD e focar no próximo álbum. Depois de lançado pegar estrada de novo e seguir fazendo o que mais gostamos sempre buscando levar o Uganga além de onde estamos.

Obrigado Manu. Por favor, deixe um recado final para nossos leitores.

Manu: Um salve a todos os leitores do Whiplash.net, obrigado pelo espaço e quem quiser saber mais sobre o Uganga acesse: www.uganga.com.br. Nos vemos na estrada!

Mais Informações:
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Sobre Junior Frascá

Junior Frascá, casado, é advogado, e apaixonado por heavy metal em todas as suas vertentes (em especial thrash, stoner, doom e power metal) desde seus 15 anos. Também é fã de filmes de terror e séries americanas, faz parte da equipe da revista digital Hell Divine e do site My Guitar, e é guitarrista da banda de metal tradicional MUD LAKE.

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