Avantasia: Sammet fala sobre o show no Brasil, Bruce Dickinson e Andre Matos

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net

Por Leonardo Daniel Tavares da Silva, Fonte: Daniel Tavares
Enviar correções  |  Ver Acessos

O AVANTASIA está chegando ao Brasil para um show único no Espaço das Américas em São Paulo. Conversei há algumas semanas atrás com o mega-simpático (e um tanto prolixo) Tobias Sammet, a alma por trás do projeto, sobre o álbum, sobre este mega-show e outros assuntos (até sobre a possibilidade de cantar com BRUCE DICKINSON e a rejeição de uma canção pelo manager do MEAT LOAF). Sobre André Matos, Tobias dispara: "Jesus Cristo! Este é o som da música que eu queria ouvir". O resultado, você vai poder finalmente conferir abaixo.

Ghost: uma foto assustadora dos bastidores do Rock In RioHeavy Metal: nove ótimas músicas suaves do gênero

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Daniel Tavares: É um prazer falar com você, Tobias. Em 24 de abril, você vai tocar no Brasil com o AVANTASIA. O que os fãs podem esperar deste show, Tobias?

Tobias Sammet: Bem, o que eles podem esperar? Eles podem esperar o que eles sempre tem sido capazes de esperar. Um grande show, enérgico, do AVANTASIA. Nós vamos tocar por mais de três horas. Vai haver Eric Martin, vai haver Jørn Lande, que vai estar de volta, vai haver Michael Kiske, certamente, vai haver Ronnie Atkins pela primeira vez na América do Sul e pela primeira vez no Brasil, bem, Herbie Langhans, Amanda Somerville, Oliver Hartman, e eu vou estar lá. Haverá um grande line up e nós vamos dar de tudo, nós vamos tocar por três horas, nós vamos tocar canções do Metal Opera, claro, nós temos que tocar, e nós queremos, mas também novas coisas. Nós vamos cobrir praticamente cada álbum da banda. Sim, vai ser muito, muito excitante. Sim, os fãs podem esperar um grande show, um grande show do AVANTASIA, com 25 canções, e tudo que eles querem ouvir, de "Reach Out For The Light" , "Avantasia", "Sign of The Cross", "Dying For An Angel", "Lost in Space", "The Scarecrow"", tudo. [risos]

Daniel Tavares: É legal. Eu não perderia. "Ghostlights", seu álbum mais recente, acabou de ser lançado. Eu acredito que nenhum de nós tenha ainda o ouvido [Nota: a entrevista foi realizada em 10/02/16] . Você poderia por favor nos explicar um pouco mais sobre o álbum, seu conceito, os músicos convidados?

Tobias Sammet: Bem, ele é um novo álbum. É a continuação de "Mistery of Time". Conceitualmente, ele começa do ponto em que "Mistery of Time" terminou. É uma estória sobre um jovem cientista que está encontrando um grupo de cientistas, ele se junta a esse grupo de cientistas que quer otimizar a efetividade do indivíduo ao fazer com que a percepção individual do tempo de todo mundo seja a mesma e alinhando a percepção individual do tempo de todo mundo, de forma que todo mundo trabalhe proximamente junto e todo mundo se mova proximamente junto e todo mundo pense e funcione como um organismo comum, por assim dizer. Mas o que parece ser uma coisa muito positiva, se mostra ser um instrumento para varrer o individualismo e, portanto, controlar todo mundo como uma sociedade comum. Sim, sabe, é como fazer todo mundo acordar e todo mundo correr mais rápido em uma roda de gaiola de hamster, de forma que todo mundo fique cada vez mais cansado até não ter nem como pensar no que é realmente importante na vida. Eu queria criar uma estória que fizesse referência ao que eu experimento quando eu olho ao redor. Todo mundo está se movendo mais rapidamente, correndo mais rápido na roda para hamster, todo mundo está lutando por materialismo, todo mundo está tentando se tornar mais efetivo para ser capaz de adquirir mais coisas, para se tornar mais rico e, sabe, seguir ideais que eu acho que são questionáveis. Todo mundo corre mais rápido, todo mundo sofre por causa disso, ninguém tem a energia para perguntar a questão: por quê? Pra que? E qual é o benefício verdadeiro desta corrida insana. Então, eu queria continuar aquela estória e eu criei alguns grandes personagens, mas também tenho alguns velhos familiares amigos meus na estória, como Jørn Lande, Michael Kiske, Bob Catley (MAGNUM), Ronnie Atkins, também Sharon Den Adel, do WITHIN TEMPTATION, mas eu também tenho alguns novos convidados, como Dee Snider, Geoff Tate, Marco Hietala, do NIGHTWISH, Robert Mason, do WARRANT e que costumava estar no LYNCH MOB. É um grande álbum. Claro, que todo artista quando fala de um novo álbum diz que é o seu melhor, mas eu não vou dizer isso, porque todo álbum que eu fiz eu amei. E eu fiz todos esses álbuns pelas razões corretas. E eu fiz esses álbuns porque eu queria fazer cada um deles. E eu sou feliz por cada álbum que eu fiz, porque eles são honestos. Alguns venderam mais, alguns venderam menos, eu não me importo. Honestamente, música é algo que eu acredito e que eu amo. Mas este novo álbum, eu sinto que tem tido uma boa percepção e recepção. E, sim, é algo com que eu estou realmente feliz. Parece que eu atingi os nervos de muita gente, mais o conceito e mais a música.

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Daniel Tavares: E isso é muito interessante. Eu também estou ansioso para tê-lo em minhas mãos. Você já chegou a visualizá-lo em um filme, ou visualizou algum outro álbum anterior? O Metal Opera, por exemplo? Você já tentou fazê-los chegar a Hollywood?

Tobias Sammet: Não. Todos esses álbuns têm sido feitos, tudo o que eu tenho feito, tem sido feito primeiramente para mim mesmo. Eu fico muito feliz que muitas pessoas amem a música. eu fico muito, muito agradecido eu não posso agradecer o suficiente. E com isso eu consigo continuar fazendo isso mas eu tenho que dizer que isso nunca foi desenhado o projetado como um script para um filme de Hollywood ou qualquer coisa assim. Eles foram desenhados/projetados apenas para ser um pequeno álbum de música. [risos] Claro, o álbum Metal Opera tem pontos bem interessantes no que se refere a história, mas ele toma tantos diferentes caminhos que se nós fossemos fazer um filme a partir dele, ele seria desapontador, ele nos desapontaria. No conceito de um álbum ele funciona de forma bela. Ele também se beneficia das pessoas poderem usar a sua imaginação, mas, se você coloca ele num filme, você toma conta daquilo que as pessoas deveriam estar imaginando, você faz algo que as pessoas deveriam estar fazendo, você entrega algo e não haveria muito espaço para interpretação. Se você transformasse o Metal Opera em um filme, você descobriria que, ou melhor, você seria apresentado ao fato de que é um conceito que é um tanto confuso. [risos]. Tem tanta coisa acontecendo que você não conseguiria fazer um filme muito bom sobre isso. As pessoas ficariam enjoadas. São tantos níveis diferentes, palcos diferente, então eu me sinto lisonjeado, eu fico muito contente que alguém pense em fazer um filme dele, mas ele nunca foi feito pra ser um filme. E eu nunca vou fazer um filme dele.

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Daniel Tavares: Eu entendo. Você tem trabalhado com o André Matos nos álbuns do Avantasia. Existe algum cantor ou cantora que você sonha em ter em algum dos seus álbuns, mas não teve a chance ainda. Eu soube que você queria o Bruce Dickinson, do IRON MAIDEN. Você já chegou a fazer alguma negociação com ele?

Tobias: Não, não, não. Também nunca foi uma questão de dinheiro. Eu nunca cheguei a negociar com ele. Eu perguntei algumas vezes para uma conexão que nós temos com o IRON MAIDEN, porque o nosso booker britânico trabalha com o IRON MAIDEN também. Nós temos uma boa conexão. O negócio é que o Bruce está sempre tão ocupado, ele está sempre com foco no que ele tem na mesa, é por isso que isso não aconteceu ainda. Ele está ocupado pilotando aviões E se ele não está pilotando aviões ou desenhando aviões, ele está criando obras-primas com o IRON MAIDEN. Então nós nunca chegamos a um ponto em que realmente a gente tenha tentado negociar porque ele está sempre muito ocupado Eu também gostaria de trabalhar em algum álbum com o Paul Stanley (KISS) e também com o MEAT LOAF. Eu até gostaria de ter trabalhado com o MEAT LOAF nesse novo álbum. Sim, mas isso não deu certo porque, no começo, eu até cheguei a escrever uma canção para o MEAT LOAF, "Mystery of a Blood Red Rose", a canção que abre o álbum mas o manager dele mudou de ideia, achou que não ia dar certo. Ele tinha planos diferentes. Então ao invés de jogar a canção fora eu resolvi eu mesmo cantá-la porque eu não acho que era uma canção ruim. Seria uma vergonha jogar essa canção pela janela só porque o manager do MEAT LOAF não queria fazer parte dela. Então eu resolvi: vou fazer o melhor que eu puder dessa canção e eles vão ouvir lá no rádio e vão se arrepender por não ter estado nela.

Daniel Tavares: E além do ANDRE MATOS, que nós acabamos de falar, existe algum artista brasileiro que tenha tido alguma influência na sua canção nas suas músicas? |Eu sempre pergunto essa pergunta pra todos as pessoas que eu entrevisto.

Tobias Sammet: Bem, você sabe que é preliminarmente o ANDRÉ MATOS. Claro, todo mundo conhece o ANDRE, todo mundo conhece o SEPULTURA, todo mundo conhece o ANGRA, o SHAMAN, que é da mesma família, SHAMAN com dois As, com dois Ss, com dois Hs... Mas, sabe, falando honestamente, o único músico brasileiro que realmente me inspira é ANDRE MATOS. Eu realmente não gostaria de parecer desrespeitoso, mas, honestamente, é isso, porque ele é realmente o único que eu conheço e que realmente teve impacto sobre mim. Quando eu ouvi pela primeira vez o álbum "Angels Cry", do ANGRA, foi realmente a primeira vez que ouvi esse tipo de música. Ninguém fazia esse tipo de música. O Michael Kiske tinha acabado de sair do HELLOWEEN e a banda estava numa situação que ninguém sabia pra onde ia. O IRON MAIDEN estava quase perdendo o Bruce Dickinson. Ele estava partindo. Todo mundo estava sem acreditar no Heavy Metal como capaz de fazer músicas boas e nessa época eu fui pra uma loja de discos e vi aquele disco com aquela capa bonita de um anjo. . . se você olhar para capa do "Angels Cry" você vai ver aquelas cores, você vai ver de onde tiramos as ideias para algumas de nossas capas. Ao ouvir as canções, ao ouvir aquela canção "Carry On", eu pensei: Jesus Cristo! Este é o som da música que eu quero ouvir. E aparentemente existe alguém do outro lado do mundo que toca esse tipo de música. Eles são a única banda que eu me lembro que tocava esse tipo de música esse tipo de som. Então a voz do ANDRE, os arranjos do ANDRE, as capacidades de orquestração do ANDRE, a sua composição, era de explodir a cabeça.

Daniel Tavares: Eu sinto muito por ter que apressar um pouco essa nossa entrevista, mas é porque existem outras pessoas que estão esperando e o nosso tempo acabou. Se pudéssemos marcar uma outra data, porque tinha algumas outras questões... [Nota: normalmente, o artista responde a várias entrevistas no mesmo dia e a cada entrevistador é atribuído um intervalo de tempo. Em respeito aos colegas, tentamos não extrapolar o tempo. Mas, enquanto há entrevistados que são "monossilábicos", outros são extremamente simpáticos e gostam de falar. Este é o caso de Tobias.]

Tobias Sammet: Não, não, não, eu vou tentar responder mais rápido.

Daniel Tavares: Eu ia te perguntar sobre o Eurovision Festival, porque a "Mystery of a Blood Red Rose" vai concorrer no festival. Não temos algo assim no Brasil, nem nas Américas. Eu gostaria que você me contasse quais são suas expectativas e explicasse um pouco mais sobre o que você espera, quais suas expectativas ao representar o seu país. Eu também gostaria que você deixasse sua mensagem para todos os brasileiros principalmente por aqueles que vão ao show no Espaço das Américas.

Tobias Sammet: Bem, sobre a primeira questão, eu realmente não sei o que esperar. É realmente um festival europeu muito grande. Não é muito um concurso de canções de bandas de rock, de metal. Normalmente é mais pra bandas pop. É realmente um sucesso muito grande, mas eu realmente não sei o que esperar. A minha gravadora me perguntou se eu podia imaginar em tomar parte disso. Eu disse, simplesmente, eu tenho novo álbum para promover, uma turnê para promover. Se eu tiver que tocar na televisão para milhões de pessoas? Eu seria estúpido se eu não fizesse isso. Seria muito bom ter um pouco de heavy metal em frente uma plateia que nunca teve isso. Então eu disse, p****, sim. Vamos fazer. Não sei se vamos ganhar, eu não sei se nós vamos perder, não sei. No final vai ser apenas uma grande alegria fazer isso. O que quer que saia disso eu não sei, eu não tenho ideia tanto, faz. Sobre o show no Espaço das Américas, eu realmente estou muito ansioso por isso. Vai ser o último show da primeira perna da turnê, vai ser uma grande festa, vai ser algo muito especial, mas eu tenho que dizer que é sempre especial. Estou realmente muito ansioso para chutar bundas com as fantásticas experiências e aventuras do AVANTASIA. E que seja uma grande explosão. Eu sei que você nunca me decepcionou, Brasil, e sei que você não vai me decepcionar dessa vez. E nós também não vamos decepcionar vocês. É uma coisa comum que seja grande e eu estou ansioso pra ver o grande dia.

AVANTASIA Ghostlights World Tour 2016

Domingo, 24 de Abril - Abertura: 18:00 - Início: 20:00

Espaço das Américas
Rua Tagipuru, 795
Barra Funda - São Paulo - SP

Censura: 16 Anos - Menores de 12 a 15 anos somente acompanhados de um dos pais ou responsável legal, mediante assinatura de termo de responsabilidade no dia do show




GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net


Todas as matérias da seção EntrevistasTodas as matérias sobre "Avantasia"Todas as matérias sobre "Edguy"Todas as matérias sobre "Andre Matos"Todas as matérias sobre "Bruce Dickinson"Todas as matérias sobre "Iron Maiden"Todas as matérias sobre "Angra"


Regis Tadeu: Slayer e Iron Maiden se aposentando com dignidadeRegis Tadeu
Slayer e Iron Maiden se aposentando com dignidade

Iron Maiden: as figuras do tema espacial de The Final FrontierIron Maiden
As figuras do tema espacial de "The Final Frontier"


Ghost: uma foto assustadora dos bastidores do Rock In RioGhost
Uma foto assustadora dos bastidores do Rock In Rio

Heavy Metal: nove ótimas músicas suaves do gêneroHeavy Metal
Nove ótimas músicas suaves do gênero


Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

Mais matérias de Leonardo Daniel Tavares da Silva no Whiplash.Net.

Goo336x280 GooAdapHor Goo336x280 Cli336x280