Opeth: Não somos vikings, mas herdamos esse tipo de coisa

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Por Leonardo Daniel Tavares da Silva, Fonte: Daniel Tavares
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OPETH, uma das bandas mais aclamadas da suécia e do mundo inteiro, estará de volta ao Brasil este mês para um show em São Paulo, em 19 de julho. O quinteto formado por Mikael Åkerfeldt (Voz/guitarra), Fredrik Åkesson (guitarra), Martin Mendez (baixo), Martin Axenrot (bateria) e Joakim Svalberg (teclado) apresentarão seu mais recente trabalho, "Pale Communion", entre muitos outros sucessos. Conversamos com Fredrik semana passada sobre o show, sobre como é trabalhar com o OPETH e até sobre uma série de TV. Durante a conversa, uma revelação, Fredrik é fã de SARCÓFAGO. Você confere o bate papo na íntegra logo abaixo. Hey Do.

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Fredrik Akesson, no OPETH desde 2007. Foto: divulgação.
Fredrik Akesson, no OPETH desde 2007. Foto: divulgação.

Eu estudei algumas palavras em sueco. "Gudnat", "mirquea treavilit atti trefan deê" (N.R - fonemas para Boa noite, é um prazer conhecê-lo), eu espero ter falado corretamente.

Fredrik Akesson. Sim, eu entendi você.

Aqui quem fala é Daniel Tavares, para o Whiplash.net - e para a Metal Militia Web Radio. Vamos conversar com Fredrik Akesson, guitarrista do OPETH. Posso começar?

Fredrik Akesson - Sim, claro.

Então, o OPETH está vindo novamente para o Brasil para uma única data em São Paulo, e eu gostaria de te perguntar o que os fãs do OPETH podem esperar deste show?

Fredrik Akesson - Bem, nós almejamos tocar uma canção de cada álbum que foi lançado, ou ao menos tentar fazer isso, com uma faixa de cada álbum, incluindo os mais antigos, exceto o primeiro, "Orchid", porque o tamanho do setlist já está chegando a duas horas e quinze minutos e não teremos mais tempo para ele. Sim, tem muitas canções que não tocamos no Brasil antes. Por exemplo, um pouco mais de faixas "Advent" (N.R. do álbum "Morningrise"). Há muita coisa para os fãs old-school, como as coisas mais extremas, é uns 70% de coisas mais death-metal, um som do "Damnation". Nós refizemos o set e ficou bem mais agressivo no fim. Eu acho que é uma grande mistura de canções. Eu acho que tocamos duas ou três canções do último álbum, "Pale Communion" e além disso tocamos uma canção de cada álbum anterior, exceto o "Orchid".

Eu acho que será um show muito bom, mas tenho que perguntar por que o "Orchid" é um dos meus favoritos. Por que, com onze álbuns de estúdio e canções tão longas, eu sei que escolher uma de cada álbum é uma tarefa difícil, mas cada um sendo representado por pelo menos uma canção, porque só o "Orchid" teve que ficar de fora?

Fredrik Akesson - Nós costumávamos tocar uma canção do "Orchid", mas quando estávamos ensaiando tudo, então começamos a checar o tempo de tudo e percebemos que o show ficaria longo demais. Não conseguiríamos encaixá-lo. Então, esta é a razão porque eu penso que na próxima turnê nós vamos fazer mudanças no setlist de novo. É bem mais provável que vamos tocar alguma canção do "Orchid" de novo, mas é difícil porque algumas das canções mais velhas são muito longas, algumas com mais de catorze minutos de duração. Então, inicialmente não é porque não gostamos do "Orchid", ou algo assim. É uma questão de tempo na verdade, porque queremos tocar algumas canções do mais novo e, provavelmente, da próxima vez, porque já olhamos o que tocamos pra vocês da última vez e eu acho que este setlist está bem diferente do que tocamos pra vocês da última vez. Nós tentamos prestar atenção nisso quando estamos planejando os setlists.

Eu entendo. Está bem. Sabemos que da próxima vez que vocês retornarem aqui, podem já estar divulgando um novo álbum, e eu vejo que vocês estão tocando três canções do último álbum, "Cusp of Eternity", "Elisian Woes" e "Eternal Rains Will Come". E talvez, no futuro vocês tenham que escolher apenas uma delas pra tocar. Pela reação do público, qual seria a sua aposta?

Fredrik Akesson - No futuro, né? Para um novo álbum?

Sim.

Fredrik Akesson - Nós provavelmente vamos escolher uma canção que não tenhamos tocado. Eu sempre quis tocar a canção "Moon Above, Sun Below". É uma canção desafiadora, com muitos backing vocals meus e do tecladista, com time signatures diferentes. Mas será provavelmente será uma canção que não tenhamos tocado antes do "Pale Communion".

Vocês já estiveram em São Paulo duas vezes, eu creio, mas jamais estiveram em outros lugares no Brasil, em cidades como o Rio ou Fortaleza...

Fredrik Akerson - Sim. Eu acho... desculpe

Continue, por favor

Fredrik Akerson - Não. Eu não sei a razão. Eu acho, eu estava falando com um amigo que se apresentou aí outro dia. Eu não sei quantos shows eles fizeram, mas foram uns quatro ou cinco pelo menos. Eu estive no Brasil em turnê com o ARCH ENEMY e toquei em uns dois shows. Tocamos em Belo Horizonte também. Eu não sei qual a razão, não sou eu que não quero tocar mais shows, porque viajamos de tão longe, sabe, porque não tocar em mais datas? Esperançosamente, no futuro poderemos tocar em mais datas no Brasil.

As pessoas do Rio de Janeiro ficaram muito entusiasmadas quando viram a primeira imagem que vocês postaram em seu Facebook, com o Cristo Redentor e ficaram realmente chateados quando descobriram que o show seria apenas em São Paulo.

Fredrik Akerson - Okay, eu posso entender completamente. Eu fico pensando nisso às vezes, nós como músicos deixamos isso sob responsabilidade da gerência da turnê, então eu tenho que culpá-los por criar esta falsa expectativa de que tocaríamos no Rio, por uma razão que não entendo. Eu definitivamente vou perguntar pra eles porque não vamos fazer mais shows. Quem sabe isso gera algum resultado no futuro.

Seria legal. E falando sobre seu último álbum, a Prog Magazine o listou como número 1 entre os lançamentos de 2014. Eu próprio o coloquei na minha lista de melhores discos de 2014 no Whiplash.net. Como você tem visto a reação do álbum pelos fãs e críticos?

Fredrik Akerson - Quando se fala em resenhas, como você falou, e em posições nas listas de vendas, tem sido um sucesso. O álbum tem alcançado as melhores posições nas listas na história do OPETH. E também ao tocar as canções ao vivo temos tido uma boa recepção, mesmo. Desde que as pessoas falam que, de alguma forma, ele funciona bem junto com as coisas mais velhas (e mais pesadas também). O setlist fica bem mais dinâmico. Eu até dou uma olhada na Internet, mas tem sempre muita besteira lá, tem muita gente que diz que ele é uma porcaria. [risos]

"Pale Communion" tem as imagens da mãe, do rio e do velhor ("The Mother", "The River" & "The Old Man"), você pode falar um pouco mais sobre isso? Quais são os conceitos por trás dessas imagens?

Fredrik Akerson - É basicamente uma alegoria para a vida, em geral. O nascimento, o transcorrer da vida e, claro, quando você envelhece e morre. A jornada entre o nascimento e a morte, basicamente. Há mais a respeito disso, mas, é preciso cavar mais profundamente na Internet sobre isso. Foi uma ideia do Mikael que ele tem desenvolvido desde a arte de capa do "Still Life", como do "Heritage", com esse tipo de pintura a óleo. Além disso, acabaram sendo três pinturas porque o álbum foi adiado um pouco. Ele deveria ter saído alguns meses antes do que foi lançado. Este é o conceito básico por trás da arte da capa. Mas, em relação às letras, não é um álbum conceitual. Liricamente falando, não é.

Eu gostaria de lhe fazer algumas perguntas a pedido do grupo de fãs brasileiro. Esta é do Diego Jardim e ele pergunta como é o processo de composição hoje na banda. De onde saem a idéias, se é algo em que todos contribuem ou se o Mikael já vem com tudo meio pronto.

Fredrik Akerson - Bem, temos uma sala onde ensaiamos. Temos um estúdio para demos onde o Mikael basicamente se estabeleceu, desde que se mudou de sua casa. E eu tenho um estúdio em meu apartamento. Bem, quando o Mikael escreve umas partes, depois nós compomos algumas coisas juntos e então eu vou lá, escuto tudo e vamos desenvolvendo, fazemos os solos de guitarra, pensamos sobre o que estamos fazendo, fazemos uma espécie de briefing, juntamos ideias. O Mikael realmente faz as demos do som, mas todo mundo tenta acrescentar ideias, mas se ele pensa na canção, ele tem a maior parte da composiçãotalvez. E está bem assim, este é o jeito que o OPETH tem funcionado desde antes que eu entrasse na banda. Mas eu pessoalmente sempre tento contribuir com ideias, criar os solos, coisas assim.

Ok. Sobre a terra natal do OPETH...

Fredrik Akerson - Quando estamos no estúdio, todo mundo está muito envolvido. É assim que alcançamos a eficiência no som, em diferentes tomadas. Todo mundo é igual no estúdio. Então é uma forma democrática de trabalhar quando nos juntamos todos no estúdio.

Ok, é bom saber. Sobre a terra natal do OPETH (eu acabei de ver a série "Vikings"), como você vê a influência da cultura viking na música do OPETH e em outras bandas suecas em geral como AMON AMARTH, ARCH ENEMY, ENTOMBED...

Fredrik Akerson - Há algumas bandas que são mais influenciadas, mas, para mim é algo como uma herança, eu acho. Eu sou muito interessado nessas coisas, sabe, de antes que o cristianismo chegasse. Eu acho muito interessante ler sobre isso, apesar de que realmente não tenhamos muita imagem de vikings como o AMON AMARTH, sabe. Eu não diria que sejamos vikings, mas herdamos esse tipo de coisa. Eu acho que há algo que há algo filo-filo-filo... eu não encontro a palavra certa agora[risos]. A filosofia por trás de algumas ideias é muito legal, como quando dizem que tudo acontece por um motivo e coisas assim.

Você assistiu à série?

Fredrik Akerson - Sim, eu acho que a terceira temporada está estreando, certo? Eu assisti a toda a primeira temporada e quase toda a segunda. Ainda tenho alguns episódios pra assistir. Eu acho que é bem boa, mas algumas partes são uma bobagem também.

Sim, isto é algo que eu gostaria de saber. E sobre influência brasileira agora, eu sempre faço esta pergunta para todos os meus entrevistados. Existe alguma banda brasileira que tenha algum tipo de influência na sua música ou que você goste?

Fredrik Akerson - Sim, claro. O Sepultura. Quando eles apareceram eles criaram, eles inventaram um estilo novo de tocar. Eu acho que foi absolutamente influente para o OPETH. Sim.

Ok.

Fredrik Akerson - E tem também uma banda de Black Metal... "Sarcofágo", certo?

Desculpe.

Fredrik Akerson - Qual o nome daquela clássica de Black Metal? Eu não consigo lembrar agora. Era bem underground?

SARCÓFAGO?

Fredrik Akerson - Sim, SARCÓFAGO.

Sim. Ela era muito boa também. Uma pena que não esteja mais na ativa agora.

Fredrik Akerson - Sim.

Temos tempo para mais algumas questões?

Fredrik Akerson - Sim, claro.

Esta também vai para o fã-clube. Iago Velludo, que toca em uma banda chamada DREAMLINE, que é muito influenciada pelo som do OPETH, pergunta o que você mais gosta nesta banda, qual a diferença que você vê no som do OPETH e muitas outras em que você tocou, como o ARCH ENEMY, TALISMAN etc.

Fredrik Akerson - A diversidade é um dos aspectos, claro. Tem elementos de metal, de death metal, de música clássica, elementos de hard rock, prog rock e mais coisas folk, partes acústicas, lembra algo de música folk sueca, que é um pouco melancólica e triste que foi a base sobre a qual nós crescemos, sabe. E é também muito interessante trabalhar com o Mikeal porque às vezes ele gosta de coisas que realmente nos surpreendem, você nunca sabe onde ele vai, sabe. Isso é muito inspirador porque eu ainda acho que temos muito chão pra andar na música que ainda não andamos. Estou procurando fazer isso. Ainda é desafiador, mas no começo era ainda mais um desafio entrar na cabeça do Mikael, no seu modo de pensar. Ele tem seu próprio jeito. Tem time signatures, partes acústicas, algumas coisas que eram difíceis pra mim e agora, tendo estado na banda por uns oito anos, eu meio que conheço o estilo do Mikael muito melhor agora...ele se encaixa mais...eu estou mais acostumado com isso, ainda que ele ainda me surpreenda, sabe.

Vocês sempre nos surpreendem. Vocês todos sempre nos surpreendem. Temos que terminar nossa entrevista agora, você gostaria de deixar uma mensagem para todos os fãs no Brasil, especialmente para aqueles que vão ler esta entrevista no Whiplash.net - ou escutar na Metal Militia.

Fredrik Akerson - Olá, caras, eu sou Fedrik Akerson e toco guitarra no OPETH. Estamos esperando ver vocês em breve em São Paulo. Estamos ansiosos por isso. Obrigado. E um grande obrigado para vocês que estiveram no nosso show na última vez e nos fizeram nos divertir bastante. Quero ver vocês e tocar um pouco de metal e prog rock pra vocês.

Ok, obrigado. Ops, eu perdi aqui o obrigado [risos]

Fredrik Akerson - [risos]

"Hey dô" [até mais].

Fredrik Akerson - Uau, está perfeito. Sabe, você é praticamente um sueco. [risos] "Hey dô".

Obrigado foi um prazer conhecê-lo. "Hey dô".

Fredrik Akerson - Foi um prazer conhecê-lo também. "Hey dô".

Opeth. Foto: Divulgação.
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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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