Slash: os podres do ramo da música não me perturbam mais
Por Lucas César
Fonte: Mojo
Postado em 22 de maio de 2015
O guitar hero SLASH cedeu, no início de 2014, uma entrevista à MOJO para falar sobre sua nova aventura não-musical - a Slasher films, e fez revelações interessantes sobre sua história e o show business em geral. Vejamos algumas a seguir:
O que o levou a abrir uma produtora de filmes de horror underground depois de todos esses anos?
Eu não aspirava a isso. Simplesmente aconteceu, a partir de uma conversa que tive com um produtor. Ele disse: "Você realmente deveria fazer algo, já que tem todo esse nível de conhecimento e paixão pelo gênero". Depois ele começou a entrar em contato, enviar scripts...
Daí comecei a gostar do negócio e corresponder também, dizendo a ele quais eram legais e quais eram uma merda. E então encontramos, conversamos sobre quais scripts valeriam a pena desenvolver e Nothing Left to Fear foi um deles. Foi nossa primeira produção.
Para aqueles que não viram, pode nos contar sobre o script , que é todo baseado em uma cidade real?
Sim. Todo rumor tem uma certa dose de verdade por trás, onde há fumaça há fogo. É sobre uma jovem família em que o pai é um pastor. Eles são convidados a se mudar para uma pequena cidade rural no Kansas chamada Stull. É uma comunidade receptiva e um local bonito, mas logo as coisas começam a ficar bem sinistras.
Você já foi a Stull?
Não. As pessoas e a Igreja local não gostaram nada da idéia do filme, sobre a idéia da cidade ficar conhecida por possuir um dos sete portais para o Inferno e assim atrair adoradores do demônio, etc. Acho que realmente não seria bem-vindo por lá.
Sua mãe desenvolveu os trajes para o filme The Man Who Fell the Earth de David Bowie. Você foi ao set nessa época?
Não. Eles foram para o México filmar e eu fiquei com a porra de uma babá muito chata. Só vi minha mãe quando estava de volta a Hollywood. Eu não vi o filme completo até eu ter por volta dos 11 anos, que era a classificação etária, de fato. Sempre tive uma queda pela Candy Clark (parceira de David Bowie no filme). Sempre fiquei pensando sobre quando ela iria aparecer por aqui. Sabe como é: garotos e mulheres mais velhas, você perde a cabeça. Sempre fui louco por Candy.
Você conheceu os Stones em uma dessas festa loucas de Hollywood, certo?
Conheci Ronnie Wood na casa do pai de um amigo que conhecia os figurões de por lá. Havia, sim, muita festa. Para uma garoto de 13 anos, dizer que conheceu os Stones é o mesmo que dizer que foi apresentado a eles e eles nunca mais se lembrariam de você. Mas, de alguma forma, eu consegui manter o contato com Ronnie porque ele é simplesmente um cara muito legal, sociável. Ele é, provavelmente, o único Stone que se prestou a me dar atenção. Somos amigos há muito tempo agora.
Como Hollywood afetou sua música no início do Guns’n’Roses ?
Eu não curtia essa parada do hair metal que rolava na época. Os caras eram focados muito mais em fazer pose do que fazer música. A própria cena punk local também era ridícula. Pense: o que diabos há para se reclamar em Hollywood? A gente era uma antítese de tudo que estava rolando na época, ao mesmo tempo em que estávamos no meio de tudo isso. Foi uma contradição interessante. A gente era uma banda que veio dessa cena, mas que era totalmente hardcore.
Sua cartola foi roubada de uma loja local, mas ao que parece não foi tão simples quanto roubar doces de uma criança, certo?
Foi engraçado. Eu não tinha nenhum dinheiro na época e nós tínhamos um show à noite. Naquele tempo, tudo que eu usava eu tinha roubado. Daí a cartola apareceu e fez muito sentido eu sair da loja com ela. Analisando o episódio eu lembro que tinha muita gente trabalhando na loja, não lembro direito como fiz para roubá-la. Mas digamos que a maioria não fazia o tipo de segurança brutamonte, por assim dizer.
Em que sentido o show business atual é diferente do passado?
É diferente do que era antigamente, não sei explicar exatamente o por quê. É similar à indústria da música em alguns aspectos , em que há uma certa mentalidade "malandra" mas, no fim, é diferente. É difícil para mim entender o que as pessoas daquele lado estão realmente pensando.
Já estive em vários encontros com figurões de Hollywood e, se não fosse pelo fato deles conhecerem minha música, eu pensaria que são totalmente estranhos porque eles falam uma língua completamente diferente.
Se houvesse um "detector de mutretas", qual indústria é a mais sinistra de se transitar?
Estou no ramo da música há muito tempo, então os podres desse negócio não me perturbam mais. Já no lado do cinema, eu ainda estou verde, mas é um certamente um lado onde ocorre muita merda também. Claro que algumas pessoas são ótimas, mas é difícil de acreditar nos tipos que se vê por aí e como eles se levam tão a sério. Os agentes, por exemplo. Se você olhar ‘ cuzão ‘ no dicionário a definição que vai encontrar será "agente de Hollywood".
Veja a entrevista completa (em inglês):
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