Angra: "'Secret Garden' era um disco, de certa forma, arriscado"

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Por Écio Souza Diniz, Fonte: Pólvora zine
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Um fato indubitável é a importância do ANGRA para o Heavy metal brasileiro perante o resto mundo. Nessas mais de duas décadas de atividade, a banda teve vários altos e baixos, lançando, contudo, clássicos indiscutíveis como “Holy land”, “Rebirth” e “Temple of shadows”. Após a saída do vocalista Edu Falaschi (ALMAH) muito foi indagado sobre quem assumiria seu posto, e eis que uma grande possibilidade surgiu ao ter Fabio Lione (RHAPSODY OF FIRE, VISION DIVINE) como convidado para uma temporada de shows. Finalmente, após uma turnê muito bem sucedida Fábio foi oficializado como vocalista, e um tempo após isso o baterista Ricardo Confessori foi substituído pelo novato Bruno Valverde. Enfim, o período de incertezas que a banda enfrentava nos últimos anos teve seu fim com uma formação sólida, revigorada e que rendeu novos caminhos musicais à banda, evidenciados pelo seu novo álbum, “Secret Garden”. O baixista Felipe Andreoli é quem falou de forma franca ao PÓLVORA ZINE sobre esse excelente momento vivido pela banda.

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Por Ramon Teixeira e Écio Souza Diniz

Pólvora zine: O ANGRA atravessou um período de incertezas com a ausência de um novo vocalista. De onde partiu a ideia de chamar Fabio Lione para fazer shows com a banda? Desde o início a química rolou entre vocês e ele?"

Felipe Andreoli: A ideia surgiu quando fomos convidados pra tocar no “70.000 Tons Of Metal”. Estávamos sem vocalista na época, e o próprio promotor do festival sugeriu o nome do Fabio. Curiosamente, a banda já tinha cogitado a entrada dele em 1999. O Fabio sempre foi próximo à banda.

P.Z: A turnê que deu origem ao DVD “Angels cry 20th anniversary tour” foi um sucesso e passou por diversas regiões brasileiras. Vocês esperavam por esta receptividade? Qual foi o ponto mais importante desta turnê para vocês?

Felipe: Honestamente, nós fomos trabalhando de acordo com a demanda. Não havia, a princípio, nada planejado a respeito de quantas datas faríamos, mas a procura foi tão intensa que acabamos por fazer uma turnê completa. O ponto mais importante foi sem dúvida solidificar novamente a imagem da banda, que estava desgastada devido aos acontecimentos anteriores.

P.Z: No processo de composição de “Secret Garden” vocês já possuíam algum esboço do disco ou partiram do zero? Sob seu ponto de vista, quais foram as principais contribuições de Fabio e Bruno Valverde (bateria)?

Felipe: Partimos praticamente do zero. Não houve muita reciclagem de ideias antigas. Havia muita inspiração e as músicas foram surgindo facilmente. A contribuição do Fabio se deu principalmente na forma de melodias, onde ele tem um “approach” totalmente diferente do nosso. No caso do Bruno, ele foi um dos responsáveis pela criação dos grooves de bateria, que até então só estavam esboçados com bateria programada. Os dois trouxeram com certeza um ar de frescor e novas ideias à banda.

P.Z: “Secret garden” lhes deu a oportunidade de explorar outros territórios musicais, como por exemplo, algumas músicas bastante pesadas e densas, e outras com uma abordagem mais progressiva. Mesmo assim, você ouve e sabe que é o ANGRA tocando. Esta diversidade era algo pretendido ou simplesmente surgiu?

Felipe: Em partes foi algo que nós buscamos, mas as ideias vieram com facilidade. Nós tínhamos sim a vontade de atualizar o som da banda, e esse foi o caminho que acabou surgindo. Uma vez que nós percebemos essa tendência, tentamos ao máximo dar vazão a essa nova cara sem perder a essência do Angra.

P.Z: Outra característica que chama a atenção é o fato de Rafael (Bittencourt, guitarra) atuar em várias músicas no álbum, além de dividir o vocal com Doro Pesch em “Crushing room” e a faixa título ter sido inteiramente cantada por Simone Simons. Em termos mercadológicos esta divisão de vocais nas músicas diante de um novo vocalista representava algum risco?

Felipe: O disco como um todo era de certa forma arriscado, pois as mudanças foram muitas, e em certos aspectos até radicais. Mas ao mesmo tempo ganhamos em versatilidade e novas texturas. Acho que valeu muito a pena.

P.Z: “Secret garden” tem sido, inevitavelmente, comparado em vários aspectos a Temple of shadows (2004). Como você analisa esta questão?

Felipe: Acho ótimo. O “Temple Of Shadows” é, em minha opinião, o melhor disco do ANGRA. Se este é o parâmetro de comparação, fico feliz.

P.Z: Antes mesmo de sair no Brasil, “Secret garden” foi muito bem recebido no Japão. Como o mercado japonês é exigente, o que de especial foi preparado para esta versão?

Felipe: Como sempre o mercado Japonês tem algumas exigências, e desta vez a versão de lá vem com um CD bônus contendo o show que fizemos no festival Loudpark em 2013.

P.Z: Acredito que o fato de Fabio estar na banda contribui para dar um “up” para fechamento de shows na Europa e mais atenção ainda do público mundial, visto que ele tem uma grande bagagem, certo?

Felipe: Certamente. O Fabio é muito querido pelos fãs do estilo, e só tem a acrescentar. Estamos fechando diversas datas na Europa em Julho, especialmente na Itália, e ele tem sido de grande ajuda.

P.Z: O ANGRA está escalado para o “Wacken 2015”, na Alemanha. Quais são as expectativas para tocar nesse festival após 12 anos (N.P.: a última vez foi em 2002)?

Felipe: Vai ser ótimo retornar ao maior festival de metal do mundo! A organização, o line-up, tudo é impecável. Voltar ao “Wacken” neste momento tão bom que o ANGRA vive vai ser especial.

P.Z: Além do “Wacken”, vocês tocaram no “ProgPower USA” em setembro, mandando “Holy land” na íntegra. Será um show voltado somente ao referido disco ou entrará o material novo? Aliás, o que os levou a optar por tocar todo o álbum?

Felipe: A ideia de tocar o “Holy land” na íntegra já havia surgido, visto que ele está próximo de completar 20 anos. Mas a ideia de fazer isso no Prog Power veio do Glenn, organizador do festival. Provavelmente, por uma questão de tempo, ainda dê tempo de tocar algumas poucas músicas das outras fases da banda, incluindo o “Secret garden”.

P.Z: Felipe, você está no ANGRA desde a época do “Rebirth”. Qual foi a principal bagagem que você acha que adquiriu durante todo este tempo?

Felipe: Eu aprendi muito nesse tempo. Acho que me tornei um músico e uma pessoa melhor. Conviver em um grupo como esse te apresenta uma série de situações e desafios que te fazem crescer. Hoje, mais maduro, vejo que esse processo ajudou a me tornar uma pessoa mais centrada e compreensiva.

P.Z: Como você avalia a estrutura do cenário Rock e Heavy metal nacional atual?

Felipe: Está cada vez melhor, mais profissional, mas ao mesmo tempo tem cada vez menos espaço. Como sempre, o que manda é o underground, e a organização das bandas e movimentos que fazem o estilo ainda existir. Existem épocas em que o Metal põe a cabeça pra fora do underground, mas sempre acaba voltando pra esse patamar, o que não é ruim de forma alguma. Mas eu desejo que as bandas possam ter mais espaço e condições de trabalhar profissionalmente.

P.Z: O que mais os fãs podem esperar nas atividades da banda para este ano?

Felipe: Estamos concentrados na turnê de divulgação do “Secret garden”, que começa no Japão em Maio e vai passar por todo o mundo, incluindo Brasil, América Latina, Estados Unidos, Europa e o que mais surgir.

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Post de 12 de março de 2015


Sobre Écio Souza Diniz

Graduado em Ciências Biológicas e pesquisador na área de Ecologia e Evolução vegetal, sempre foi aficionado por leituras sobre o mundo do Rock/Metal. Além do metal, tem como paixões filmes de terror e épicos. Já participou como vocalista de várias bandas de Death/Grind, mas como nenhuma vingou se encontrou melhor em redigir matérias, fundando há alguns anos atrás o Pólvora Zine. Colabora também com vários sites especializados e com a revista Roadie Crew. Suas bandas preferidas são Iron Maiden, Black Sabbath, Dio, Dorsal Atlântica, Candlemass e Sarcófago.

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