Arandu Arakuaa: página entrevista Zândhio Aquino
Por Jakline Costa
Fonte: In My Sword I Trust
Postado em 24 de agosto de 2014
Eaw galera o guitarrista e compositor Zândhio Aquino da banda ARANDU ARAKUAA concedeu à página In My Sword I Trust uma entrevista, confira abaixo.
In My Sword I Trust - Quais são as bandas que você mais gosta de ouvir?
Zândhio Aquino – Estou sempre buscando ouvir coisas novas e antigas. Mas o que nunca deixo de ouvir é Música Indígena Brasileira, Música Nordestina, Música Pantaneira, Moda de Viola, Nação Zumbi, Raimundos, Luiz Gonzaga, Alceu Valença, Sepultura, Metallica, Raul Seixas, Type O Negative, Black Sabbath, Krisiun.
IMSIT (In My Sword I Trust) - Tem previsão pra o lançamento do álbum em parceria com a galera do Aclla?
Zândhio Aquino – Início de 2015. Na verdade, participaremos apenas cantando e tocando percussão nas partes tribais de três músicas.
A informação que temos é que já estão sendo finalizadas as gravações de guitarras e a partir daí entraremos em cena. Pelo que ouvi vem uma obra prima por aí.
IMSIT - Nas letras da banda existe algum tipo de ódio ao europeu colonizador ou falam só sobre a cultura (estilo de vida e religião)?
Zândhio Aquino – Não pregamos qualquer tipo de ódio e nem temos interesse em narrar batalhas sangrentas e fantásticas, toda forma de protesto que fazemos em nossas músicas aparecem tal qual um ancião que ao contar uma história ou reivindicar seus direitos faz isso com sabedoria e simplicidade.
É inegável o genocídio das comunidades indígenas bem como em qualquer lugar invadido pelos europeus, mas estamos mais preocupados em salvar o que ainda nos resta.
No Brasil como é de conhecimento a grande maioria tem sangue de índio, negro e europeu, também não importa se você é russo, croata... se mora no Brasil e mesmo que seja na selva de pedra, os espíritos dos antepassados indígenas aqui habitam e sua energia está presente, essa é a terra deles.
IMSIT - Como foi pra aprenderem a língua e colocar nas musicas?
Zândhio Aquino – A escolha da língua para o primeiro disco tem mais a ver com sua importância na formação da nação brasileira, mas poderia ser outra língua indígena brasileira, a musicalidade e a divulgação das culturas indígenas brasileiras são os mais importantes. No caso do tupi antigo tem algum material escrito que nos auxilia.
IMSIT - Como foi no começo? Encontraram algum obstáculo?
Zândhio Aquino – Todos os obstáculos possíveis. No começo foi super complicado encontrar músicos, só pra se ter uma ideia a música Aruanãs foi composta entre 2002 e 2003. Depois já com a banda formada tivemos que organizar os três primeiros shows para conseguir tocar e claro até hoje passamos as mesmas dificuldades que qualquer banda underground e da periferia passa. Mas isso só faz com que fiquemos mais unidos e valorizarmos ainda mais nossa arte e as pessoas que nos apoiam.
IMSIT - De onde surgiu a ideia de fazer musicas com essa temática?
Zândhio Aquino – Nasci e morei até os 24 anos de idade ao lado da Terra Indígena Xerente em Tocantins, cresci tendo algum contato com música indígena e a música tradicional brasileira (baião, catira, cantigas de roda, vaquejada...). Apesar de minha família não ser nada musical, minha avó paterna sabia várias cantigas tradicionais e era uma grande contadora de histórias, de modo que isso faz parte da minha formação. O rock só entrou em minha vida na adolescência, quando fui estudar em uma pequena cidade e mais tarde ao tentar tocar algo todas essas referências apareceram e foi disso tudo que Arandu Arakuaa nasceu.
IMSIT - Em que vocês se inspiram em algo/alguém?
Zândhio Aquino – Musicalmente estamos sempre ouvindo coisas novas, mas permanecemos fieis às nossas raízes e cada integrante da banda ouve coisas diferentes e tudo isso aparece de alguma forma em nossa música.
Na temática nos inspiramos nos povos indígenas, suas lutas e crenças, assim como no brasileiro simples e guerreiro.
Sou muito influenciado pelas histórias que minha avó me contava quando criança. É uma pena que a cada dia que passa as pessoas respeitem menos os anciões. Um povo que não valoriza seus anciões é um povo que não valoriza sua história.
IMSIT - É dificil o mercado para bandas do estilo de vocês quando no underground só tem thrash ?
Zândhio Aquino – Na verdade no underground é difícil para todos. Então só nos resta levar nossa música e nossa mensagem onde querem ouvi-la. Pode ser no Wacken Open Air alemão, show em formato acústico, festa infantil, velório... nunca escolhemos público, são eles quem nos escolhem.
Tocamos com artistas de pop rock a black metal e temos imenso respeito por quem está na luta assim como nós, imagina-se que façam isso por amor à arte, porque grana não rola haha.
IMSIT - O que vocês acham que precisa melhorar no rock nacional?
Zândhio Aquino – Quase todo mundo tem uma teoria e ninguém tem a solução. E se alguém tiver não será levado a sério. Divertido é ver as pessoas falarem "hoje as bandas ganham dinheiro com shows". Quem ganha dinheiro com shows são as mesmas grandes bandas que podem vender cerveja, pimenta, vibrador, saco plástico com pum dentro... as bandas autorais undergrounds nem show conseguem e quando conseguem não recebem cachê por uma série de motivos que daria uma boa tese de pós graduação.
A realidade é que iremos continuar a pegar ônibus lotado todo dia pra trabalhar e guardar moedinhas do pão pra gravar álbuns e vídeos clips e dar o nosso sangue sempre pelas pessoas que apoiam e respeitam nosso trabalho. A vantagem é essa de você não depender mais exclusivamente das grandes corporações. Antigamente se até os 25 anos de idade você não se desse bem no rock já era, hoje vejo bandas novas com caras de mais de 40 e garotos de 17 anos de idade tocando juntos e isso é lindo.
Quanto à questão da qualidade musical é obrigação de todo artista desenvolver um trabalho honesto e dar o seu melhor. Cabe ao público julgar se é bom ou ruim.
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