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Metal Club: entrevista com Zândhio Aquino, da Arandu Arakuaa

Por Jakline Costa
Fonte: Metal Club
Em 09/08/14

Imagine uma banda que mistura diversos gêneros do Metal com música indígena em um som moderno e diferenciado. Esse é o ARANDU ARAKUAA, banda brasileira que divulga "Kó Yby Oré", primeiro disco oficial. O Metal Clube conversou com o guitarrista Zândhio Aquino, que nos contou sobre todo o processo de composição do disco, além de comentar a atualidade da música pesada brasileira. Acompanhe!

Metal Clube - A banda possui uma sonoridade que mescla o Metal com música indígena e folclórica, além de vocês cantarem em Tupi antigo. Conte-nos, inicialmente, de onde vieram essas influências e como se deu a idéia de inseri-las no Metal, um estilo distinto pelo seu peso e brutalidade?

Zândhio Aquino - Nasci e morei até os 24 anos de idade ao lado da Terra Indígena Xerente em Tocantins, cresci tendo algum contato com música indígena e a música tradicional brasileira (baião, catira, vaquejada). Apesar de minha família não ser nada musical, minha avó paterna sabia várias cantigas tradicionais e era uma grande contadora de histórias. O rock só entrou em minha vida na adolescência quando fui estudar em uma pequena cidade e ao tentar tocar algo todas essas referências apareceram. No geral achavam isso uma m**** (não é assim que se toca rock/metal cara!) e de fato eu sempre fiz tudo errado. Tocar era só uma tentativa de materializar as idéias que eu tinha, nunca me diverti tocando música dos outros e não me sinto especial por ser assim. A escolha da língua tem mais a ver com sua importância na formação da nação brasileira, mas poderia ser outra língua indígena brasileira, a musicalidade e divulgar as culturais indígenas brasileiras é mais importante.

Metal Clube - O processo de composição de "Kó Yby Oré" parece ter sido bem trabalhoso. Como os outros músicos foram se integrando nessa originalidade do Arandu? Fale-nos sobre os principais detalhes da composição do disco e o quanto cada músico foi importante para o resultado final.

Zândhio Aquino - Tem idéias de épocas diferentes, por exemplo, a música Aruanãs foi composta entre 2003 e 2004 quando eu ainda morava em Tocantins e no geral foi um processo solitário e cheio de incertezas e dor, pois nenhum músico para quem eu mostrava gostava e alguns queriam as transformar em algo mais convencional e eu era/sou só um sonhador do interior, quem iria se importar? Mas o projeto funcionou de fato a partir de fevereiro de 2011 quando Nájila, Adriano e Saulo chegaram e trouxeram sua musicalidade e determinação e fomos evoluindo juntos. Tínhamos todas as limitações possíveis, ensaiando no meu barraco na periferia do DF sem nos ouvirmos direito e com vizinhos chamando a polícia mesmo sendo às 15h00 de sábado (funk no último volume e barulho das igrejas pode), mas tudo isso torna esse álbum muito especial. Tem sangue, suor e paixão de todos, inclusive do produtor Caio Duarte que fez um trabalho fantástico. Todos estão orgulhosos da cria!

Metal Clube - Quais são suas principais influências como compositor e músico que colaboraram com a roupagem final do novo disco, seja ela do lado do Metal ou das experimentações feitas no trabalho?

Zândhio Aquino - Não faço idéia. Eu sempre gostei de vários tipos de arte, pode ser uma banda de death metal, um vaqueiro tocando berrante, um poeta na praça. A música até onde sei é o tipo de arte mais acessível. Claro que o que ouvimos, vivemos, lemos irá aparecer de alguma maneira.Quando vou compor só deixo as ideais fluírem e no geral é sempre a combinação de algo denso, alegre, melancólico. A tensão se faz presente sempre. E meus parceiros trazem toda sua carga emocional também e suas influências, umas das coisas que contribui para evidenciar esse contraste é o fato da nossa vocalista fazer tanto os vocais agressivos como os limpos. Certa vez a poetisa Raquel Medina Dias escreveu de improviso sobre nossa música: "é um percurso geográfico, histórico, cultural pelas vertentes da sua arte, esse metal desse mato, mato de todo lado e da cidade". Eu não conseguiria encontrar definição melhor.

Metal Clube - A originalidade das composições do Arandu Arakuaa deixou de lado todo o tradicionalismo que ronda grande parte das novas bandas que surgem por aqui. O Arandu Arakuaa é uma prova que é possível ousar sem medo dentro da música pesada?

Zândhio Aquino - Eu não sei. Na verdade nós nunca tivemos a pretensão de sermos vanguarda ou qualquer coisa do tipo, tudo tem a ver com nos mostrar como realmente somos e em que acreditamos. Quando nos reunimos somos só um bando de músicos se divertindo como qualquer outra banda. Por outro lado é muito gratificante ter seu trabalho reconhecido e ser considerado criativo.

Metal Clube - Falando nisso, a banda considera possível atingir qual fã da música pesada com a originalidade de "Kó Yby Oré"?

Zândhio Aquino - Nem sabíamos se alguém iria gostar. Mas o retorno tem sido fantástico, vai desde pessoas do Black Metal até a MPB. Já teve caso de alguém falar que a avó de 85 anos gostou, que as crianças gostaram, algumas pessoas do meio acadêmico, ambientalistas, indígenas. Vai muito além do rock, o que é ótimo e nos dá confiança para ir cada vez mais longe. Mas temos ciência que a maior parte do público é realmente do metal e somos só um bando de roqueiros mão pesada.

Metal Clube - É notório o trabalho detalhado nas entrelinhas das faixas do novo disco. Como a banda tem feito para que, ao vivo, as faixas soem da maneira mais fiel possível? E o retorno do público em shows, como tem ocorrido?

Zândhio Aquino - Nossa maior preocupação ao gravar era soar o mais orgânico possível, todo detalhe lá foi tocado por nós mesmos e só gravamos o que conseguiríamos tocar ao vivo, a banda sempre teve essa abordagem mais crua. Nosso baterista tem um set que inclui muitos elementos percussivos, até nas músicas que tem alguma linha de teclado eu toco ao vivo.Para conseguir tocar as parte de viola caipira tive que inovar e idealizar uma guitarra viola (guitarra de dois braços onde a parte superior é uma viola caipira) e estou muito orgulhoso da cria, os vocais de apoio, os cânticos tribais, as maracás. Tudo é feito ao vivo por nós mesmos. Foi necessária, inclusive, a adição de mais um guitarrista o que foi ótimo para trazer mais possibilidades criativas para as músicas novas e para que eu fique mais livre pra tocar também outros instrumentos e cantar mais partes tribais, coisa que fiz pouco neste disco. Nas músicas novas iremos deixar tudo mais intenso, tribal, brazuca, pesado, melódico... O retorno da galera nos shows tem sido muito bom, apesar de não termos tido muitas oportunidades de tocar depois do lançamento.

Metal Clube - Falando um pouco sobre o cenário nacional, você considera que falta um pouco de "brasilidade" ao som de algumas de nossas bandas? Consegue nos citar algum grupo brasileiro que tenha uma mentalidade parecida com o do Arandu, mesmo fazendo um som diferente do de vocês?

Zândhio Aquino - Brasilidade no metal brasileiro falta muito cara, é uma questão cultural e muito complexa. Tem uns casos de brasilidade que é forçado "pra c*****" e fica visível isso para quem tem o mínino de informação e senso crítico. Mas tenho notado que muito recentemente algumas bandas estão abordando elementos das culturas tradicionais brasileiras ao menos na temática, mas a brasilidade na parte musical ainda é muito tímida e poucos sabem da música indígena brasileira e ainda a confundem com a música andina.

A primeira banda de metal da atualidade que me vem em mente é a Cangaço, banda de Pernambuco que faz um death metal com forte influência da música e literatura nordestina, tudo de muito bom gosto, conhecimento de causa e cantado em português. Tenho o CD deles "Rastros" que é fodaço, quem ainda não conhece corra e ouça.

Metal Clube - Para fechar, quais os planos da banda para 2014? O espaço é seu, toda a equipe do Metal Clube agradece pela entrevista!

Zândhio Aquino - Para 2014 é tentar conseguir shows, divulgar o disco ao máximo e compor músicas para o segundo álbum.Foi um prazer responder a perguntas tão bem elaboradas. Agradecemos imensamente ao espaço cedido pela Metal Clube e também a toda a galera que nos acompanha e nos apóia, vocês que nos dão gás para batalhar todos os dias.

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Sobre Jakline Costa

Formada em química, atualmente envolvida com qualquer tipo de trabalho literário. Meu primeiro contato com o rock foi por volta dos 12 anos de idade, quando fui em uma loja e comprei sem ao menos conhecer, uma camiseta do Iron Maiden. Chegando em casa meu tio todo orgulhoso ficou decepcionado ao saber que mesmo com a camiseta não conhecia nenhum som da banda e a partir daquele momento o objetivo de vida dele foi me ensinar os caminhos do rock. Graças a ele hoje conheço de Iron a Led e tenho todas as minhas influências musicas. Obrigada tio.

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