Gutted Souls: entrevista para o Mundo Metal

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Por Karen Waleria, Fonte: Mundo Metal
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A GUTTED SOULS é uma banda carioca de metal extremo que tem suas influências no death e no gore dos anos 90 e com raízes na banda NECROPEDOPHILE, da primeira metade dos anos 2000. Nesta entrevista, feita com o vocalista Iron e o guitarrista Wellington, podemos conhecer mais detalhes sobre as características da banda, bem como o que pensam da vida, do underground e da cena carioca. Confira.

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Mundo Metal - Sejam bem-vindos, Iron e Wellington. Nos contem um pouco da história e do surgimento da GUTTED SOULS e nos falem sobre a atual formação.

Iron - A GUTTED SOULS surgiu a partir da banda NECROPEDOPHILE, que fazia death metal mais tradicional, na veia de CANNIBAL CORPSE, SINISTER e coisas assim, bem anos 90. Com o passar do tempo, fomos nos tornando músicos melhores, a vontade de escrever sobre gore e splatter acabou, e foi substituída pela vontade de escrever sobre coisas que importassem e fossem mais relevantes para o desenvolvimento pessoal e que refletiam meu interesse continuado em metafísica e psicologia. O mais natural era que a banda mudasse de nome. Desde então houve inúmeras mudanças de formação, e contando com a saída recente do baterista Alexandre AOCB, e a entrada em seu lugar de Luís Pulis (IMPACTO PROFANO, CASTIFÁS), e também a entrada do baixista Marcos Medeiros, a formação ficou: Iron (Vocal/Letrista), Wellington Ferrari (Guitarra/Produtor), Leandro XSA (Guitarra Solo) e Marcos Medeiros (Baixo).

Mundo Metal - A GUTTED SOULS iniciou suas atividades em 2004. Qual era a proposta inicial e qual é a proposta atual?

Iron - A proposta inicial era fazer música extremamente complicada, com temas líricos complexos sobre ocultismo, xamanismo e psicologia humana. Hoje em dia isso foi substituído pelo desejo de fazer música memorável, sabe? Algo que você via muito nas bandas de metal antigas, mas não vê com tanta freqüência hoje em dia. Uma linha vocal que dá vontade de cantar junto, um riff que não sai da sua cabeça, essas coisas. A inspiração da parte lírica continua a mesma, talvez mais madura pelo passar dos anos, agora fortemente inspirada pelo desejo de informar sobre as realidades de manipulação midiática e a corrupção da ciência e religião que servem aos desejos de poder da patocracia mundial.

Mundo Metal - Fale mais sobre essa crítica às "manipulações midiáticas e a corrupção da ciência e religião que servem aos desejos de poder da patocracia mundial.

Iron - Nós assumimos que tanto a ciência quanto a religião estão falidas. Falharam em prover as respostas à busca por verdades elementares, pois os humanos encarregados desta busca foram corrompidos por seus próprios desejos mais banais e por loucos genocidas em posição de poder. Este estado de falência é deliberadamente orquestrado pela elite mundial, o governo por detrás dos governos. Uma patocracia (pathos = doente, enfermo ; cracia = governo). Um governo doente, idealizado por mentes psicóticas e doentias que só pensam em poder.

Mundo Metal - Quais as influências da banda?

Iron - As influências que eu penso na hora de compor a personalidade da minha voz e linhas, são Frank Muellen do SUFFOCATION, George Fischer, Glen Benton, esses caras clássicos, vocalistas de death dos anos 90. As exceções são o Mike Di Salvo que cantou no "Whisper Supremacy" do CRYPTOSY e o Matti Way, que era do DISGORGE (USA).

Wellington - As influências são bem variadas. CANNIBAL CORPSE, SUFFOCATION, NILE, misturando death metal tradicional com paradas mais modernas. É difícil responder por que a gente gosta de muita coisa; e muita coisa fora do metal extremo também.

Mundo Metal - Ao escrever e trabalhar novas músicas, como se desenrola isso na banda?

Iron - Quem escreve a maior parte das músicas é o Wellington. O Leandro escreve algumas, mas o compositor principal é ele.

Wellington - Eu tento fazer umas paradas diferentes, que soem técnicas mas sem muito exagero, misturando CANNIBAL CORPSE com SUFFOCATION, bem death metal. A gente não gosta de fazer parada tosca não.

Iron - Normalmente o Wellington compõe o esqueleto da música e grava os riffs principais, e a partir daí vamos arranjando em estúdio. Às vezes, as músicas vem prontas da casa dele, com arranjo de bateria e tudo. Varia bastante..

Mundo Metal - Conte com detalhes a gravação do EP "Unconscious Automaton" em 2012.

Wellington - Gravamos tudo no meu home studio, com exceção da bateria que foi gravada em um estúdio mesmo. As faixas foram mixadas e masterizadas por mim mesmo, tudo em casa!

Iron - Nós escolhemos algumas das músicas que queríamos destacar, e umas mais antigas. A "Dancing to The Sound" é a mais antiga, é de 2008 se lembro direito, e foi composta pelo antigo baterista, Mauro Morg. Ela é mais diretona. A "Undying Stars" (2010) é mais perto do estilo que estamos fazendo hoje, tirando o fato que ela não tem solo de guitarra o resto dos elementos estão todos lá. Os arranjos de bateria, os riffs, tudo do jeito que andamos fazendo. A "Psychopathic Ruler" é de 2011, é bem retona, bem brutal. Com a "Words of Hate", queriamos fazer uma parada mais tradicionalzona, ela é fruto de uns riffs reaproveitados de outras músicas antigas. Escolhemos as mùsicas por serem expressivas, mas sem dar totalmente o ouro. Ainda temos muita coisa guardada, já temos o primeiro full-length todo composto e vamos começar a gravar em breve.

Mundo Metal - Fale sobre a cena underground do Rio de Janeiro e demais cidades vizinhas. Como vocês avaliam esse momento? O que pode melhorar?

Iron - Faz muito tempo que não vou a São Paulo, mas pelo que vi e ouvi de lá, a cena lá é muito boa, bandas maravilhosas, shows. As coisas acontecem por lá. A cena do Rio é complexa, é meio difícil falar dela sem ser polêmico. No momento estamos em um período de alta em relação a shows, variedade de bandas e qualidade de bandas. Estão surgindo nos últimos anos muitas bandas que estão conquistando renome pelo mundo afora; mas o público do Rio deixa a desejar em termos de apoio e comparecimento aos eventos. Há também certo amadorismo por parte de alguns produtores de eventos por aqui.

Mundo Metal - Nestes anos no underground, quais são as lições aprendidas?

Iron - Não confiar em promessas vazias, ter paciência, e que o caminho de uma banda é árduo e sobrevive quem persevera na luta.

Mundo Metal - Quais são os desafios para se manter ativo na cena underground atual?

Iron - Poucas são as bandas que tem senso de camaradagem. De ajudar outras bandas tentando encaixar shows, ajudando na divulgação, essas coisas. Tirando algumas exceções, é bem cada um por si. Outro problema é a prensagem independente de CDs com qualidade. É caro, mas pouca gente quer pagar 20 reais por um CD. Os mesmos problemas de sempre...

Mundo Metal - Agradecemos a vocês, Iron e Wellington, por nos mostrarem um pouco mais desta excelente banda que é a GUTTED SOULS. Deixem aqui suas mensagens.

Iron - Ouvir Metal é muito bom, mas nunca deixem de se manter informados sobre o mundo. Façam seu papel para um mundo mais justo, e não sejam mais um do bando de sacos de carne inúteis.

Wellington - Nos procurem na internet. Death Metal é isso aí, perseverança!




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Sobre Karen Waleria

Blogueira gaúcha. Estudou letras. Ecleticidade musical é seu ponto forte; com uma tendência ao Rock e Metal. Já foi colaboradora em grandes sites de Rock e Heavy Metal, trabalha com divulgação de bandas e eventos. Responsável pelo blog www.karenwaleria.blogspot.com.br. Siga no Twitter @Rocksblog.

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