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Allos: somos de Deus e o mundo jaz no Maligno

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Por Ben Ami Scopinho
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Já afirmaram que o Rock e Deus não andam de mãos dadas... Bom, nem é necessário dizer que muitas bandas já provaram o contrário e tornaram-se referência na cena musical. Neste campo cristão, temos o Allos, oriundo de Belo Horizonte (MG) e que estreou com "Spiritual Battle", repleto de melodias e arranjos intrincados. O Whiplash.Net conversou com o pessoal, que falou sobre metal, religião e sociedade, sabendo defender seus pontos de vista com tal determinação que fatalmente gerarão polêmicas. Confiram aí!

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Whiplash.Net: Olá pessoal. O Allos está marcando sua estreia com o disco "Spiritual Battle". Que tal começarmos com uma breve biografia da banda para o público conhecê-los melhor?

Allos: A história do ALLOS remonta a meados de 2003, quando tivemos a ideia de montar uma banda de Pop/Rock (risos), mas passado algum tempo percebemos que gostávamos de fato era de Heavy Metal. Começamos, desde então, a compor algo nessa linha. Nossas influências neste período foram Seventh Avenue, Stryper, Deliverance, Narnia, Angra, Stauros, Petra, Oficina G3 e Atos II. A influência clássica veio posteriormente, quando conhecemos o Rhapsody, por intermédio daquele que seria futuramente o tecladista da banda, nosso primo Wilmer Richard. Após sua entrada e a de Celso Alves em 2009, a banda completou sua formação.

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Allos: Allos é uma palavra grega que significa ‘Outro’ e no contexto bíblico descrito em João 14:16, esse termo refere-se a ‘Outro igual a Jesus’, ou seja, o Espírito Santo de Deus.

Whiplash.Net: Não seria equivocado situar sua música como sendo Heavy Metal Melódico. Considerando as várias bandas similares ao redor do planeta, que cuidados o Allos tomou quanto ao direcionamento musical de "Spiritual Battle"?

Celso Alves: Com certeza. Todos nós gostamos de ouvir Metal e crescemos acompanhando as maiores bandas do estilo. Particularmente, não sou adepto de rótulos musicais como Power, Melódico, Speed, Symphonic, etc. Como já disse o ícone do Metal, Chuck Schuldiner: ‘... Tire a primeira palavra, e tudo se torna simplesmente Metal!...’. Mas, diante da ampla diversidade na sonorização das bandas atualmente, fica inevitável ‘fugir’ destes rótulos, que não são criados com ‘más intenções’ como alguns músicos renomados costumam citar, mas que acabam gerando ‘dogmas’ desnecessários que causam atritos e discussões vãs, desunindo bastante uma cena musical que precisa de mais apoio.

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Celso: Obviamente buscamos manter nosso foco em X influências e elementos musicais durante a produção do trabalho que resultaram na primeira impressão que os ouvintes descrevem como ‘Prog/Power’ ou ‘Melódico’. Mas, ouvindo mais vezes e com mais cautela, pode-se notar vários elementos de estilos mais ‘tradicionais’ como N.W.O.B.H.M, Thrash, Hard e Progressivo, seja em um arranjo, um solo ou em uma linha vocal. Cada membro da banda possui uma identidade, influências e gostos musicais bem distintos, e tudo isso conta bastante durante o registro de uma gravação, o que acabou resultando em um misto do melhor que cada um pôde fazer dentro das condições que tivemos.


(Celso Alves define: NWOBHM = New Wave Of a British Heavy Metal - bandas britânicas de Metal ‘Moderno’, era pós Black Sabbath… ex: Saxon, Maiden, Samsom, Judas Priest, Def Leppard... )


Whiplash.Net: Vocês optaram por se basear no conteúdo bíblico para estruturar as letras de "Spiritual Battle". Qual foi a parte mais difícil de todo esse processo?

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Edley Winderson: Sabemos que muitas pessoas fundamentam seus princípios e conceitos em falácias do senso comum, sem, infelizmente, buscar inquirir e extrair a verdade dos fatos, muitas vezes por parecer razoável e cômodo. O falso imediatismo e a ‘construção da nossa realidade’ por mídias de princípios escusos, aliados à pequena percepção crítica em geral, têm ajudado a consolidar o engano em nossa sociedade. Devido a essa ‘cultura’ ou processo de aculturação ao qual estamos imersos, houve, durante o processo de composição, uma preocupação muito grande em trazer à luz a grande diferença existente entre o que nos propuseram a acreditar e a verdade.


Edley: Como bem sabemos, a lei escrita é a tradução mais fiel e inteligível possível dos anseios do legislador, estando nela contida os princípios, o ‘espírito da lei’. Porém, nem sempre conseguimos alcançar seu ‘espírito’, seu significado. A maior dificuldade foi fazermos com que as letras de "Spiritual Battle" criassem um elo entre a verdade exposta na Palavra de Deus e a nossa realidade contaminada, desmitificando ideias, quebrando preconceitos e conciliando nossos caminhos e pensamentos ao caminho e pensamento de Deus.


Whiplash.Net: O áudio de "Spiritual Battle" está matador. Até onde o trabalho de Alan Wallace e André Márcio, do Eminence, além de Alfredo Ribeiro, influenciou no resultado final?

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Wallace: O Alan e o André fizeram um excelente trabalho na gravação da bateria, baixo, vozes e guitarras, contribuindo com sua vasta experiência musical na escolha de timbres e ideias para tornar o som mais pesado. O André foi responsável pela mixagem, sonoridade e pressão da bateria; o Alan se preocupou em encontrar um timbre que fosse agradável e pesado ao mesmo tempo, tanto na guitarra quanto no baixo, e foi responsável pela gravação dos vocais. O WZ é um dos poucos estúdios de BH, talvez o único nesse segmento, que dispõe de equipamentos diferenciados, possibilitando alcançar excelentes resultados!

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Júnior: As gravações dos teclados, que não foram poucas (risos), ficaram sob a responsabilidade do tecladista (Wilmer) e do baterista (Wallace-Ryan) em nosso ‘Home Studio. Foram dias, tardes, noites e madrugadas (risos) experimentando sons diversos até obterem a sonoridade encontrada em "Spiritual Battle". Em seguida, a mixagem foi efetuada pela própria banda em nosso ‘Home Studio’ destacando o trabalho incansável do nosso baterista (Wallace-Ryan). O Alfredo deu os toques finais na mixagem de todo o álbum e realizou um trabalho fantástico, tanto no tratamento das vozes quanto na masterização, alcançando um resultado que superou todas as nossas expectativas!

Whiplash.Net: E o que motivou o convite para a cantora lírica Fernanda Ohara acompanhar as gravações das vozes de Celso Alves?

Celso: A Fernanda foi uma das pessoas enviadas por Deus para nos ajudar. Conheci o trabalho dela no Braia, mas até então eu não havia pensado nesta possibilidade. O pessoal da banda já conhecia melhor o trabalho dela como cantora e então colocou esta carta na mesa. Entramos em contato inicialmente apenas solicitando o acompanhamento durante as minhas gravações. O resultado alcançado foi tão bom que optei também por trabalhar a minha parte de técnica, afinação e interpretação, com o intuito de me preparar melhor para a gravação dos vocais.

Celso: Esta foi minha primeira experiência em estúdio e a Fernanda se tornou, além de professora, uma grande amiga, tanto minha quanto da banda. Devido aos dons que ela tem, fizemos um convite para participar de alguns trechos que encaixariam melhor com uma voz feminina, tendo a certeza de que ela seria um ‘reforço e tanto’ para toda a produção. A Fernanda também nos ajudou com os backing vocals e nos indicou ótimas vozes que preencheram muito bem essa parte de arranjos vocais. Ela foi superimportante para mim nas gravações, tanto na parte técnica quanto na emocional!

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Whiplash.Net: O designer Carlos Fides fez um excelente trabalho ao longo do projeto gráfico de "Spiritual Battle". Até onde o Allos se envolveu em seu conceito? Aliás, parabéns pela iniciativa em colocar as traduções das letras no encarte!

Allos: O conceito do encarte foi idealizado pelo Allos, fundamentado em I João 5:19 que diz: ‘... Sabemos que somos de Deus, e que o mundo inteiro jaz no Maligno...’. Nada mais adequado do que mostrar o mundo sob o efeito desse jugo: em ruínas, destruído. A esperança, jamais alcançada nesse lugar desolado, encontra morada apenas na mente do Homem, que clama em desespero pela sua alma, tendo o tempo como algoz no presente e libertador no futuro e vê anunciado, do alto, através da luz que corta as densas nuvens, o socorro dos guardiões enviados por Deus: os anjos, que de forma genial foram, por alusão (ideia de Carlos Fides), representados como águias, predadoras das serpentes (os demônios), caracterizando o embate espiritual.

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Allos: Agradecemos pelo elogio referente à iniciativa de colocarmos as traduções das letras no encarte, realmente é algo que muitos brasileiros gostariam de encontrar diretamente nos encartes das bandas nacionais do estilo.

Whiplash.Net: O Heavy Metal é uma cultura artística marginal no Brasil, e é inegável que a vertente cristã encontre ainda mais obstáculos, sendo desprezado até mesmo pelo próprio público headbanger. Como o Allos tenta contornar tantos problemas para divulgar sua música?

Allos: Procuramos transpor essas barreiras usando a musicalidade da banda como instrumento. Se uma pessoa ouve nossa música e gosta, parte do muro já caiu. Nesse momento já houve a identificação musical, e é ela quem nos une, independente das diferenças individuais e dos princípios que cada um carrega consigo. Daí, porque não pensar na validade da mensagem que a banda transmite? A música já nos une e a mensagem transmitida por nós também traz esse mesmo intuito.

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Allos: A música em si aflora a espontaneidade e sinceridade da alma humana, sendo um elemento importante para a quebra de inúmeras barreiras, principalmente do preconceito. A liberdade com que nossa alma responde à criação musical transcende as formalidades e obstáculos sociais e culturais, pois não é algo imposto. Reflete nossos sentimentos nas contingências da vida. Não se gosta de determinada música porque se deve gostar, se gosta porque se gosta. É algo intuitivo. Talvez seja a manifestação humana onde encontramos maior liberdade.

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Whiplash.Net: Muitas bandas cristãs se unem para montar seus próprios festivais, que acabam ocorrendo até mesmo em templos. Isso acontece por aí?

Júnior / Wallace: Sim! Nossa primeira apresentação em BH foi em um templo através do evento ‘Christian Metal Force’, realizado pela Igreja Renascer em Cristo e que contou com a presença de várias bandas do gênero. Atualmente esses eventos ocorrem em Igrejas tais como ‘Justiça e Retidão’, ‘Caverna de Adulão’, dentre outras.

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Whiplash.Net: Mesmo que durante a história o cristianismo tenha como peso o envolvimento em guerras e ataques sexuais às crianças, é fato que sua ação também trouxe uma série de benefícios à população. Que motivos vocês acham que leva o público a simplesmente ignorar essas benfeitorias?

Allos: É fato inconteste que a Igreja, ao longo de sua história, incorreu em uma série de erros: tema polêmico!... Mas é inegável que a Igreja, quando se ateve aos preceitos sagrados, exerceu um papel moderador na sociedade. Ao estabelecer valores éticos e morais, estava lançando os fundamentos para uma sociedade bem constituída, tendo na família o seu pilar principal. Isso está em consonância com o padrão bíblico. Não podemos esquecer o que está escrito no Protoevangelho: ‘... Deixará o homem seu pai e sua mãe e unir-se-á à sua mulher...’ (Gn.2: 24). A união entre um homem e uma mulher, constituindo uma família, foi a gênese da sociedade como a conhecemos hoje. E a Igreja, a despeito de suas falhas, ao longo de sua história, tem defendido com maestria a ‘célula mater’ dessa sociedade. Tentar inserir nesse contexto, em nome de um falso pós-modernismo, fatos estranhos ao preceito histórico é ‘edificar uma casa sobre a areia’. A ruína será inevitável! Povos que fizeram essa opção tiveram um futuro, no mínimo, incerto.

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Allos: Há uma campanha ostensiva na mídia (com raríssimas exceções) dilapidando os valores que nos foram legados. Tentam diuturnamente estabelecer ‘outros valores’. Não podemos nos esquecer de que a sociedade, ao longo de sua história, teve altos e baixos no que tange ao aspecto moral, isso é fato. Mas é irrefutável de que há uma campanha explícita e bem orquestrada por parte da mídia em geral questionando esses valores. E, mais do que isso, cedendo espaço para pessoas que contrariam os princípios estabelecidos. O público, infelizmente e por desinformação, queremos crer, tem sido vítima dessa campanha flagrantemente tendenciosa, soma-se a isso a existência de uma predisposição intrínseca no ser humano, de não querer se submeter a algo ou alguém, de ser governado, de estar sob um Senhorio.

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Whiplash.Net: Então, a pressão de algumas religiões que tentam intervir nas decisões do Estado para reverter atos como o controle da natalidade através do uso de anticoncepcionais, desacreditar as opções dos gays e lésbicas, enquadrando-os como doentes...?

Allos: O próprio Jesus já defendia a laicidade: "... Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus" (Mateus 22: 21). Porém, quando o Estado interfere em assuntos internos da Igreja criando leis que afrontam princípios fundamentais do cristianismo, é imprescindível que a Igreja se posicione. Se for omissa em seu zelo terá, indubitavelmente, seu futuro comprometido como instituição que foi colocada como ‘sal da terra’ e ‘luz do mundo’. Há países em que a igreja contemporizou. Resultado: perdeu sua essência, sua identidade.

Allos: Quanto à escolha: livre-arbítrio!... É um direito inalienável de cada cidadão. Agora, liberdade pressupõe responsabilidade e não confundamos liberdade com libertinagem. No entanto, se a Igreja for confrontada, não deve transigir com atitudes incoerentes com o preceito bíblico. Deve permanecer fiel às Sagradas Letras. A máxima do Evangelho continua sendo o amor, amor sacrificial (Ágape). Jesus, em Seu ato heroico, foi movido por esse amor. O amor não constrói muros e sim pontes. Aproxima-nos. Entretanto, não compactua com o erro. Jesus não condenou a mulher adúltera, mas disse: "... Vai-te e não peques mais" (João 8: 11).

Whiplash.Net: Pessoal, o Whiplash.Net agradece pela entrevista, desejando boa sorte a todos. O espaço é do Allos para os comentários finais, ok?

Allos: Agradecemos pelo convite. É uma honra podermos falar sobre nossa proposta e nosso trabalho em um site tão respeitado e sério quanto o Whiplash.net. Parabenizamos ao site pela iniciativa de apoiar as bandas independentes.

Allos: O lançamento de "Spiritual Battle" é resultado de um sonho antigo de cada um de nós e que se tornou realidade graças primeiramente a DEUS, que nos sustentou nessa caminhada. Agradecemos também aos nossos familiares, amigos e pessoas que direta ou indiretamente nos ajudaram nesse projeto.

Contato:
http://www.myspace.com/allosofficial


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Sobre Ben Ami Scopinho

Ben Ami é paulistano, porém reside em Florianópolis (SC) desde o início dos anos 1990, onde passou a trabalhar como técnico gráfico e ilustrador. Desde a década anterior, adolescente ainda, já vinha acompanhando o desenvolvimento do Heavy Metal e Hard Rock, e sua paixão pelos discos permitiu que passasse a colaborar com o Whiplash! a partir de 2004 com resenhas, entrevistas e na coluna "Hard Rock - Aqueles que ficaram para trás".

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