Pain Of Salvation: elefantes e golfinhos no palco
Por Luciano Piantonni
Fonte: Hard And Heavy
Postado em 22 de agosto de 2012
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A criatividade do Pain of Salvation é diretamente proporcional ao bom humor de seu frontman, Daniel Gildenlöw, quando fala de seu trabalho. As questões pessoais e as complexas reestruturações no lineup da banda não parecem angustiar o músico. Hoje, com 39 anos de idade e 28 de estrada, Gildenlow se diz seduzido pelo impossível. Em entrevista exclusiva ao Hard and Heavy, Gildenlow fala sobre a integração dos novos membros da banda, o processo criativo de suas letras melodias e questiona os impactos da revolução digital no mercado fonográfico internacional, além de sua expectativa para os novos shows no Brasil, em setembro, na turnê do álbum maisa recente, Road Salt Two.
Como foi a última turnê? Gustaf, Ragnar e Daniel Karlsson estão bem adaptados ao grupo?
Daniel Gildenlöw: A turnê de primavera foi ótima. Ragnar se harmonizou melhor do que eu esperava, considerando a tarefa difícil que tinha em mãos. O Johan Hallgren é não só um grande cantor e guitarrista, mas também um grande personagem e showman no palco, mas Ragnar é um músico tão incrível que, assim como eu, começou a fazer música em uma idade muito precoce e tem sido impulsionado pela sua paixão desde então. Gustaf e Daniel têm uma história com Pain of Salvation: Daniel tocava baixo em nossa última turnê na América do Sul e os teclados na Índia. Gustaf era o baixista da banda antes de Kristoffer antes, no início dos anos 90, e é de longe o baixista mais habilidoso que já vi e com quem eu já tive o prazer de tocar. Então, quando testamos nossas asas na nossa primeira turnê na primavera deste ano, descobrimos que poderíamos fazer um vôo rápido e preciso na primeira tentativa. Descobrimos também que poderíamos acrescentar músicas para o setlist que nunca tínhamos tocado antes.
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As condições eram quase impossíveis. Digo, estávamos em turnê com o Opeth até dezembro, e entre show e load-out fizemos o nosso melhor em testes de guitarra no meu laptop, para que pudéssemos planejar e configurar testes para final de dezembro, apenas uma semana depois do fim da turnê. Foi uma corrida selvagem, com uma turnê no início da primavera já reservada para janeiro e fevereiro. Mas eu prospero na impossibilidade, ansioso para mostrar que ela está errada. Já disse uma ou duas vezes que não aprendi a sutil arte da desistência, haha.
Olhando para trás agora, pareceu realmente um plano insano. Johanna e eu tivemos nosso terceiro filho no último outono e só isso já teria sido motivo para a maioria das pessoas sãs evitar a turnê nesse período. Quando Morris chegou, estava duas semanas atrasado e nasceu com Síndrome de Down, o que nos manteve no hospital por três semanas em um constante estado de agitação interior. Quando saímos do hospital, eu tinha três dias até o começo das turnês. Totalmente insano. Além disso, todos nós sabíamos que seria a última turnê do Johan, o que também aumentou a confusão emocional e o estresse, é claro. Estava propenso a cancelar os shows de primavera e simplesmente desistir. De certa forma, Fredrik pode ter salvado a banda pela sua desistência. Ele empurrou as perspectivas futuras de improváveis para impossíveis e, como mencionei, a impossibilidade me move. Rebeldia pura, eu acho.
O Pain of Salvation é famoso pela a troca de membros. Mesmo Johan Hallgren, que era amado pelos fãs, deixou a banda no início deste ano. Por que isso acontece tanto com vocês?
Daniel Gildenlöw: Eu não sei. As pessoas mudam, formam famílias e chegam a conclusão sóbria e sensata que a indústria da música é dura e exigente. Eu teria abandonado a música anos atrás se tivesse essa conclusão dentro de mim. Mas simplesmente não pude – e algo relacionado à paixão. Na verdade, não é que eles que deixaram o grupo, mas eu que fiquei demais.
Uma coisa que pode valer a pena manter em mente é que nós estamos nessa há um bom tempo e poucas bandas sobrevivem tanto sem mudar seus membros – a menos que tenham um sucesso comercial imenso e contínuo. Sim, ele ajuda no longo prazo. Tocamos sob a bandeira do Pain of Salvation desde 1991 – antes disso, sete anos como Reality. Ou seja, são nada menos que 28 anos! Cambaleio só de ler isso, haha. Digo, os Beatles duraram, o que... 8 anos? De certa forma, pode-se dizer que somos um desses casamentos saudáveis que tem o amor como uma premissa. Quando as pessoas perderam a fagulha que tiveram no início, tem a bela cortesia de abandonar o relacionamento, pois eles acreditam que a paixão é crucial para a alma desta banda.
O que interessou em artes circenses para trazer esse elemento para o álbum em Break, Darling, Break? Este trabalho cênico de vocês está cada vez mais evidente, especialmente após o Be. Até que ponto você está disposto a cruzar as formas de arte em seu trabalho?
Daniel Gildenlöw: Nosso próximo passo será trazer elefantes ao palco e ensiná-los a cuspir fogo. Nós, então, apareceremos em cima dos elefantes e pularemos em uma enorme piscina de agua, onde nossos instrumentos estarão sendo tocados por golfinhos amestrados. Agora estamos estudando golfinhos geneticamente para fazê-los ganhar polegares opositores. Caso contrário, a coreografia tende a ser um tanto improvável. (risos)
O drama bem-humorado sempre foi um traço meu – embora existam pequenas marcas de humor em todos os discos, desde o pequeno falsete em jazz em To The End, do Entropia, até o diálogo no carro no Be e também em Disco Queen, no Scarsick. Para mim, Break Darling Break não tem nada a ver com o circo em si mesmo – é apenas um filho torto e bastardo de Sleeping Under the Stars and If You Wait. Para responder a sua pergunta em sua totalidade - Eu adoraria cruzar todas as formas de arte, tanto quanto for possível. É apenas essa questão pouco de tempo e dinheiro, como de costume.
Para ler a entrevista na íntegra, acesse:
http://hardandheavy.com.br/ptbr/?p=1395
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