Abbey ov Thelema: Black Metal Experimental da Eslováquia

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Por Vicente Reckziegel, Fonte: Witheverytearadream
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Uma entrevista um pouco diferente, já que o projeto deste duo eslovaco prima pelo anonimato, não permitindo que fotos suas sejam divulgadas. Mas mesmo assim, Delgrast, Vocalista, Tecladista, Programador e mentor do projeto, mostrou-se muito simpático em responder as perguntas, demostrando sinceridade quando fala de outras grandes bandas do gênero. Ao fim da entrevista tem um link para fazer o Download de duas músicas cedidas pelo mesmo…

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b>Vicente: Fale-nos um pouco sobre o início do Abbey ov Thelema

Delgrast: Abbey ov Thelema começou como um projeto solo de Dark Ambient. Eu tinha algumas idéias que não encontravam lugar no Nevaloth, minha primeira banda, então eu decidi usá-las em outro lugar. Eu lancei duas Demos: "Abbey ov Thelema" no verão de 2009 e "Arcanos Maiores" em novembro de 2010. Só depois que, no final de 2010, pedi a Vilozof, meu companheiro de banda, que também atua em Nevaloth, para me ajudar a gravar algum material mais voltado para o Black Metal para o Abbey ov Thelema.

Vicente: O que significa Abbey ov Thelema?

Delgrast: Abbey ov Thelema era um centro de ocultismo fundado por Aleister Crowley e Leah Hirsing em 1920, em Cefalu, na Sicília. Era um lugar dedicado ao crescimento espiritual e à Lei de Thelema, que é: "Fazes o que tu queres", até que Mussolini decidiu por fechá-lo completamente em 1923.
Mas, na verdade, a primeira aparição da frase "Abbey ov Thelema" foi na sátira Gargantua & Pentagruel, uma história escrita no século dezesseis. Nesta história também há uma espécie de mosteiro, onde todos estavam autorizados a fazer qualquer coisa que eles viam-se como aptos a fazer, sem limites, sem leis, sem restrições. Era uma espécie de sociedade anarquista utópica. Thelema, a propósito, significa "Vontade". Decidi mudar o "de" para "ov" por várias razões, mas principalmente porque, tanto quanto eu sei, já há duas bandas com esse nome: um grupo de rock britânico, e uma banda espanhola de nu-metal.


Vicente: Vocês lançaram em 2011 seu primeiro disco completo, "A Fragment ov the Great Work". Como foi a divulgação? Quando e onde foi gravado?

Delgrast: O álbum foi completamente autoproduzido, com Vilozof cuidando da gravação, mixagem e masterização. Começamos em novembro de 2010 e terminamos por volta de junho ou julho de 2011. Nossa gravadora, Sonic Temple Records, cuida da divulgação, e, tanto quanto eu sei, eles estão satisfeitos com o disco até agora. Entramos em contato com um monte de zines impressos e webzines para críticas e opiniões, com isso nossa música alcançou um bom público.

Vicente: E a reação dos fãs foi como você esperava?

Delgrast: Tivemos muitas críticas positivas, elogiando nossa atitude experimental, assim como algumas reações negativas dos críticos mais ortodoxos. Mas é claro que esperávamos reações como esta. Eu até ousaria dizer que gostamos de provocar os “Black Metallers” mais ortodoxos com mais elementos não “True” em nossa música.

Vicente: Além disso, vocês lançaram duas Demos. Qual é a maior diferença entre "A Fragment ov the Great Work" e estas Demos?

Delgrast: Como afirmei acima, a maior diferença é o estilo musical: os demos não são Metal, sou só eu tocando algumas músicas no meu teclado, como o Mortiis antigo talvez. Também a produção e o som das Demos é simplesmente horrível: eu certamente não farei qualquer relançamento deste material (a menos que seja gravado novamente, mas não tenho interesse em fazer isso nesse momento).

Vicente: Para todos que ainda não conhecem muito sua música, qual seria a melhor definição da música de Abbey ov Thelema?

Delgrast: Nós tocamos uma espécie de Avant-garde, Atmospheric, Black Metal experimental com um monte de teclados, melodias, mas também com um monte de blastbeats, e algumas desarmonias. Estamos preparando material novo, que será mais experimental, caótico e talvez até agressivo, mas também mais sinfônico e épico.

Vicente: Como está a cena na Eslováquia para Rock e Metal neste momento?

Delgrast: Temos um monte de bandas ativas, abundância de concertos locais, mas, infelizmente, nenhuma banda eslovaca chegou ao topo e assinou com uma grande gravadora. Além disso, um monte de bandas eslovacas de alguma forma, na minha opinião, não toca uma música realmente original, eles simplesmente copiam bem sucedidas bandas estrangeiras. Experimentações não são muito bem vindas na cena local,
pelo contrário, o metal aqui é completamente underground, ignorado pela grande mídia, assim como, creio eu, é em qualquer lugar do mundo.

Vicente: O que vocês sabem sobre o Rock e Metal brasileiro?

Delgrast: Eu realmente não ouvi muito sobre a cena do Metal brasileiro. Claro que eu sei que suas maiores estrelas são Sepultura, Soulfly e outros projetos dos irmãos Cavalera, mas eu realmente não escuto este estilo de música. Além deles, eu apenas (tanto quanto me lembro), ouvi o Thy Light, um projeto de Depressive Black Metal de São Paulo.

Vicente: Quem é sua maior influência?

Delgrast: É difícil dizer, porque eu ouço um monte de estilos diferentes de música, alguns completamente fora do Metal e que nada têm a ver com a música que tocamos. Eu tento ouvir o menos possível quando componho, para não ser influenciado na composição. Mas se eu tivesse que comparar Abbey ov Thelema com alguma outra banda, provavelmente seria com o Arcturus, ou um pouco com o “Blut Aus Nord”.

Vicente: Em poucas palavras, o que acha sobre as seguintes bandas:

Emperor: Grande banda, eu gosto de todos os seus álbuns. Eu gosto do fato de que os álbuns posteriores são mais progressivos, mas não posso negar que, de alguma forma, os dois primeiros álbuns são simplesmente cativantes. De qualquer forma, eu gosto dos álbuns solo do Ihsahn mais do que do Emperor.

Cradle Of Filth: Quando adolescente, eu gostava muito, e ainda gosto, mas não muito. O último álbum que eu posso dizer realmente que gostei é o "Damnation and a Day": Eu não estou dizendo que todos os álbuns após este são ruins, mas que, de alguma forma, perderam seu sentimento "Dark" e duvido que eles venham a encontrá-lo novamente. Eles só estão se repetindo. Meu “top” álbum é, claro, "Dusk and Her Embrace".

Katatonia: Eu realmente nunca cheguei a prestar muita atenção a esta banda, e eu sei que devo corrigir isso. Eu vi uma vez ao vivo, apenas uma ou duas canções, parecia sólida, mas eu não posso julgá-los por essa pequena experiência.

Entombed: Nunca realmente parei para ouvi-los.

Dimmu Borgir: Outra banda que eu gosto e me inspira. Seu novo álbum é muito cativante, mas não tem progressão, as músicas são destinadas ao público “mainstream” e adolescentes do Metal. Soa mais como uma coleção de canções Pop: um pouco mais obscuras do que o Nightwish, se quiser comparar. Meus álbuns preferidos são “Puritanical Euphoric Misanthropia” e “Death Cult Armageddon”.

Vicente: Por fim, deixe uma mensagem para todos os brasileiros que conhecem ou gostariam de saber mais sobre a música do Abbey ov Thelema.

Delgrast: Gostaríamos de cumprimentar todos vocês, tão distantes no Brasil! Continuem “Metal” e atentem para as futuras versões do Abbey ov Thelema!

Link das músicas:
http://jumbofiles.com/cknc2k84ft7x/Abbey ov Thelema Example.rar.html

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Sobre Vicente Reckziegel

Servidor público, escritor, mas principalmente um apaixonado pelo Rock e Metal há pelo menos duas décadas. Mantêm o Blog Witheverytearadream desde Dezembro de 2007. Natural e ainda morador de uma pequena cidade no interior do Rio Grande do Sul, chamada Estrela. Há muitos anos atrás tentou ser músico, mas notou que faltava algo simples: habilidade para tocar qualquer instrumento. Acredita na música feita no Brasil, e gosta de todos os gêneros, desde Rock clássico até Black Metal.

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