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Hard Desire: blues, hard rock, heavy metal... entende?

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Por Ben Ami Scopinho
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Alguns músicos estão unindo esforços para fortalecer a cena rock´n´roll de Juiz de Fora (MG) e, aos poucos, os frutos vão sendo gerados. Uma dessas bandas é o Hard Desire, que surgiu em 2007 e está agora lançando seu primeiro disco, auto-intitulado, cuja linha é – como a própria banda faz questão de frisar – Rock Pesado. Independente da classificação, é um belo debut que motivou o Whiplash.Net a conhecer melhor esses mineiros. Confiram aí!

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Whiplash.Net: Olá pessoal! Vocês têm pouco tempo de estrada, mas acabaram de estrear com um álbum muito bom! Que tal uma breve biografia para o público conhecer melhor o Hard Desire?

Thiago: A banda surgiu em 2007, de uma banda cover de Gun`n Roses e Skid Row. Eu e o Dê éramos os vovôs perto da idade dos outros meninos e, mesmo assim, somos os únicos que sobraram da formaçao original. A banda então logo começou a fazer o som autoral e a deixar os covers um pouco de lado. E aqui estamos, com um album que nos dá muito orgulho.

Como consegui viver de Rock e Heavy Metal

Whiplash.Net: Algo muito bacana em seu primeiro álbum, "Hard Desire", é a forma como vocês trabalharam tantas influências distintas para convergirem no Hard Rock. Considerando todas as trocas em sua formação, como foram os esforços para manter essa unidade?

: Eu, na verdade, sempre fui avesso a rótulos, achava uma besteira todo ensaio ter que ficar tentando achar a identidade da banda. Sou adepto da boa música, indiferente do estilo, e não sei te falar se realmente nossa banda é Hard Rock (risos) o que sei falar é que somos rocks, e muito rock. Mas uma hora ou outra apareciam essas divergências de estilos, a ordem é: fazer o que a música pede, a música tem vida própria, se você tenta direcionar ela, certamente ficará uma merda, ou algo muito artificial.

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Thiago: Muita paciência e entendimento entre os membros. Cada um de nós tem uma formação distinta e tantamos todos colocar nossas influências no som. Realmente, em muitos momentos as coisas se chocam pelos interesses, objetivos e concepções diferentes vêm à tona. Mas todos nós somos muito amigos e entendemos que o objetivo final, mesmo que puxando mais para o lado do gosto de um ou outro, é que a música fique boa, empolgante e energética. A música tem que mostrar a quem a escuta um pouco da emoçao de quem a fez. Então, independente dos gostos especificos, o que importa é o sentimento e nada mais.


Whiplash.Net: O repertório foi construído ao longo dos anos, então como vocês o estruturaram para que houvesse essa temática em "Hard Desire"?


Thiago: A maioria das músicas foi composta por mim, baseado em algumas passagens da minha vida. Então, me coloco muito na pele do protagonista da história, que nada mais é do que uma história de paixão e aprendizado. O protagonista se apaixona perdidamente e se vê frustrado pelo abandono. Dessa maneira ele resolve olhar para dentro de si e perceber que o amor próprio e o autoconhecimento são fundamentais. Não digo que sofri como ele, e com certeza também não aprendi tão rápido. Ainda apanho muito da vida (risos).


: Essa pergunta é boa, pois quando chegamos com a pré-produção para nosso produtor Rodrigo Itaboray, após a análise do material ele nos perguntou: ‘... Vocês querem que esse álbum seja comercial? Porque sinceramente, cada música é de um jeito, cada uma em um estilo...’. Depois de uma longa reflexão (três segundos... risos), falamos para ele: ‘... Ora, lógico que queremos que seja comercial, mas que seja o nosso comercial, com nossas músicas, com as coisas que acreditamos...’. Era um álbum conceitual, cada música em um ambiente, por isso sentimos a necessidade de preparar cada música com uma intro, dando um clima todo especial ao repertório.

Whiplash.Net: O vídeo para "Bring All The Life" ficou ótimo, e fica claro que vocês estavam se divertindo mesmo! Como rolou sua concepção?

Thiago: Foi muito divertido! Mas, em minha opinião, esse clipe não é um clipe oficial da banda. A música foi gravada no home estudio que usamos para testar novas melodias e, assim como o clipe, é bem amadora. Foi uma ótima experiencia, pois aprendemos muito sobre gravação e produção. Mas eu não o incluiria nunca em uma filmografia oficial da banda.


: Esse clipe foi todo no improviso, péssima mania de brasileiro, né?! Mas foi divertido fazê-lo, apesar de não ser ainda um clipe oficial da banda. Estamos à procura de bons produtores audiovisuais para colocarmos no ar um vídeo oficial, já tem muita coisa pronta, mas só lançaremos quando estiver redondinho.


Whiplash.Net: Parece haver uma saudável união entre os músicos de Juiz de Fora (MG) em prol do Rock´n´Roll, tendo no festival JF Rock City um exemplo gratificante. Afinal, qual a situação da cena musical aí da região?


Thiago: Ainda somos basicamente underground, mas temos percebido uma abertura da cena mainstream para nossa música. Ainda tímida, mas ela já existe. Alguns bares que fechavam suas portas quando falavamos de nosso estilo, hoje já estão receptivos. É um processo longo, mas com muita competência estamos conseguindo espaço. Espero sinceramente que consigamos ampliar essa abertura, tanto na cidade quanto em todo o país.

: Pois é, nós somos muito unidos, é aquele lance, ‘andorinha sozinha não faz verão’! Somos parceiros mesmo, especialmente com os caras da Glitter Magic; onde dá para encaixar um ao outro, nós fazemos, estabelecemos uma meta de mudar drasticamente a cena rock da cidade e região, e estamos conseguindo com muito trabalho e esforço. Muitas bandas boas morrem na praia por falta de parcerias, não falo de parceria com empresários e produtores do mainstream, digo parceria de bandas. Podemos ver grandes exemplos sobre isso, tipo Seattle, uma banda vai mostrando a outra. Juntando nossas duas bandas somos 10 megalomaníacos, em nossos encontros o tema é sempre o mesmo: ‘tentar dominar o mundo’ (Pink e Cérebro... rsss).

Whiplash.Net: Ainda que o Hard Rock exerça um forte efeito no público, a que vocês atribuem o fato de as bandas brasileiras do gênero não conseguirem maior espaço por aqui? Se compararmos, a relação do público com a música extrema é muito diferente...

Thiago: Abrindo um parêntese, em minha opinião, o som que fazemos é um rock pesado e não um HARD ROCK, consegue entender? Mesclamos várias influências e variamos desde as baladas bluesy até o heavy metal. O hard rock per se existe sim, mas no meio dessa mistura. É, sim, um estilo pouco popular no Brasil, mas também já teve seu auge no país, na época do Guns. Atualmente existe espaço para qualquer estilo musical, as pessoas possuem muito acesso e estão com a cabeça mais aberta. O importante é ter qualidade. Mas a divulgaçao para o hard rock, ou para todo o rock pesado no Brasil é muito precária. Quem manda no estilo musical predominante, ou pop, como atualmente é o sertanejo universitário, é a mídia. Televisão, rádio, jornais e internet. O ciclo deles vai acabar. Quem sabe o ciclo do rock não começa em seguida? Nunca iremos saber.

Whiplash.Net: Ser um bom músico é importantíssimo, mas ter contatos que o coloque 'dentro do jogo' é algo que muitas bandas não dão tanta atenção assim. Como o Hard Desire está neste sentido?

Thiago: Foi o que falei na pergunta anterior. Com apoio específico, as bandas e o estilo podem explodir, depende da mídia. Lutamos muito para conseguir espaço e vamos continuar lutando, mas ainda não tivemos aquele apoio, AQUELA divulgaçao. Quem sabe alguém com muita vontade não está lendo esta entrevista agora e resolve apostar na gente? Vai ser muito bom (risos)!

: Acho que é a única forma de se chegar ao mainstream é com o tal do ‘pistolão’. Não duvido que isso irá acontecer conosco, mas hoje é tudo diferente, só vai aparecer alguém quando estiver tudo pronto, ninguém mais investe em banda hoje em dia, e sei lá... Se até lá não conseguirmos o ‘pistolão’, vamos continuar fazendo, hoje o underground está explodindo também, vamos chegar lá, com ou sem alguém.

Whiplash.Net: Parece ser um consenso que a internet facilitou muito para as novas bandas se comunicarem com o público, agências, gravadoras, etc. Mas há tantos grupos que a cena está bastante preenchida. Como vocês tentam contornar essa situação?

Thiago: Com INOVAÇAO, ORIGINALIDADE E ENERGIA. Nesses tempos de vacas gordas, onde a oferta de bandas e estilo é muito grande, devemos nos diferenciar. Sermos algo novo num mar de mesmice. É isso que tentamos. Ben, você está intimado a ir a um de nossos shows e comprovar, você mesmo, o motivo do show da Hard Desire ser diferente de qualquer um.

: Inovar, inovar e inovar... Pena nem todos poderem assistir aos nossos shows, que é um dos nossos diferenciais.

Whiplash.Net: Considerando tudo, qual o principal foco do Hard Desire após o lançamento do debut? Como vocês estão fora de Minas Gerais?

Thiago e Dê: Nossa divulgação fora do estado de Minas Gerais ainda é muito tímida, quase inexistente. Iremos finalizar dois clipes e também lançaremos um single em breve, com mais músicas inéditas e covers gravados (notícia em primeira mão) para culminar com o lançamento nacional do álbum e sua divulgaçao. Queremos fazer um show em cada cidade desse país! (risos)

Whiplash.Net: Pessoal, o Whiplash.Net agradece pela entrevista desejando boa sorte a todos. O espaço é do Hard Deisre para as considerações finais, ok?

Thiago: Gostaria de agradecer em nome da banda pela grande força que estamos recebendo. E isso só nos alimenta a fazer cada dia mais e melhor. Vamos levantar o nome do rock´n´roll em nosso país e em todo o mundo. Um grande abraço!

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: Valeu, Ben. Vamos fazer um esforço gigante pra conseguirmos ir a Floripa fazer um grande show, e sua prensença será VIP. Muito obrigado pelo espaço e pela ajuda.

Contato:
http://www.myspace.com/harddesire
http://www.facebook.com/harddesire


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Sobre Ben Ami Scopinho

Ben Ami é paulistano, porém reside em Florianópolis (SC) desde o início dos anos 1990, onde passou a trabalhar como técnico gráfico e ilustrador. Desde a década anterior, adolescente ainda, já vinha acompanhando o desenvolvimento do Heavy Metal e Hard Rock, e sua paixão pelos discos permitiu que passasse a colaborar com o Whiplash! a partir de 2004 com resenhas, entrevistas e na coluna "Hard Rock - Aqueles que ficaram para trás".

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