Lothlöryen: Welcome Home, lunatics!!!

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Por Ben Ami Scopinho
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Em uma década de atividades, o Lothlöryen lançou três álbuns que atraíram muitas atenções. Após assinar com a Shinigami Records para liberar “Raving Souls Society”, o Whiplash.Net conversou com o guitarrista Leko Soares e o novo vocalista Daniel Felipe sobra os problemas com as drogas, mudanças de formação, a loucura e muitos tópicos interessantes, além da enxurrada de planos para 2012. Confiram aí!

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Olá pessoal. Vamos começar com um assunto desagradável... Até onde era perceptível, o vocalista Leo Oliveira fez um trabalho eficiente nos dois primeiros discos do Lothlöryen, mas acabou sendo dispensado. Passados dois anos, poderiam esclarecer o que aconteceu?

Leko Soares: Antes de mais nada, preciso contar algumas coisas que só a banda passou e que mesmo muitas vezes sendo julgados injustamente, seguramos a verdade do público até a hora mais oportuna: vínhamos tendo problemas com o Leo desde antes do lançamento do “Some Ways Back No More” (08). A verdade é que, infelizmente, o Leo era viciado em drogas e à medida que o vício foi aumentando isso trouxe inúmeros prejuízos ao Lothlöryen.

Leko: Durante a tour do “Some Ways” as coisas foram se agravando e chegamos ao ponto de propor ao Leo (mais de uma vez) em pararmos a banda para que ele fosse se cuidar, pois as coisas estavam saindo do controle. Durante 2009 ficamos sem ver o cara em mais de dois meses de ensaios. Em vários shows a voz dele mal aguentava as três primeiras músicas e percebíamos claramente que, por mais que ele tentasse, a banda já não era mais a sua prioridade.

Leko: Não culpamos o Leo em nada, pois sabemos que tudo o que aconteceu era porque ele enfrentava algo mais forte que ele. Porém, finalizando a pergunta: ou a banda morria abraçada com o cara ou a gente seguia em frente e recomeçava novamente para ver no que ia dar.

Seu novo álbum, “Raving Souls Society”, conta com a versatilidade vocal de Daniel e apresenta consideráveis alterações na proposta do Lothlöryen. Tais mudanças foram premeditadas ou conseqüência direta de tudo pelo qual a banda estava passando na ocasião?

Leko: A verdade é que o direcionamento da banda para uma sonoridade mais pesada e moderna é algo que vínhamos buscando desde o “Some Ways”. É evidente que, devido à entrada do Daniel, o leque de possibilidades da banda se ampliou e muito, visto que ele é um vocal extremamente versátil, capaz de cantar uma balada de Hard Rock e uma música de Death Melódico com a mesma qualidade e sem fazer muitos esforços.


Leko: Sobre a mudança na temática, acho que os problemas pelos quais a banda passou com o Leo acabaram influenciando, mesmo que inconscientemente, na definição de uma temática mais séria e que tinha tudo a ver com o momento pelo qual passávamos.


Daniel Felipe: Eu senti uma vontade natural de a banda evoluir e, com isso, buscar novos temas e também novas possibilidades musicais. Creio termos conseguido isso e vi todos dedicados a esse empenho divertido, de explorar seus limites até então paradigmáticos e atingir níveis diferentes do que fazíamos. A ideia é continuar com essa motivação para qualquer próximo trabalho.


“Raving Souls Society” possui um conceito realmente interessante. Como surgiu a ideia de trabalhar com o tema loucura? E quais os critérios para selecionar os episódios históricos que entraram no repertório do disco?


Daniel: Na verdade, a seleção ocorreu mais em razão do sentimento envolvido em cada música e com o que isso se encaixava em termos históricos, para, então, fazermos as letras. Havia e há muitas propostas de temas. A loucura é vasta e fascinante. Encará-la é um processo pelo qual os integrantes procuraram passar, para ter a real sensação e poder transmiti-la nas músicas.


Leko: Como professor de História, sempre tive vontade de falar sobre alguns episódios e personagens históricos que me fascinam. O tema loucura ajudou a agregar tudo isso em temas como as Cruzadas, o julgamento de Jacques DeMolay e tudo o que veio a ocorrer depois, a parte oculta do Nazismo como a sociedade Tule e a busca pelo Vrill, Akenathon e a piração de tornar o Egito Antigo monoteísta, etc. A verdade é que nós nos sentimos muito à vontade para falar sobre a loucura e como ela pode influenciar na vida de cada um de nós.


Apenas a bonita balada “My Old Tavern” se esquiva desse conceito, e foi dito que ela seria um ‘adeus’ ao mundo de Tolkien... Então, não há retorno mesmo?

Daniel: A própria letra da música sugere aos amigos do “eu lírico” que, ao ouvirem a canção, saibam que ele retornará. Todavia, nem todas as promessas e sonhos na vida podem ser cumpridos, por diversas circunstâncias. E dar o primeiro passo em uma estrada é algo perigoso, porque não se sabe aonde seus pés te levarão.

Daniel: Acho importante que o músico procure sempre novos temas e superações, afinal, toda arte, como a própria vida, se transforma constantemente. Daí que é consequência inevitável seguir esse ritmo natural de mudanças, o que, por outro lado, permite uma abordagem da mesma sensação em um momento futuro, com outros olhos. Tudo que é futuro, enfim, fica ao campo das conjecturas (risos). Vale ressaltar que o leitor atento às letras da banda perceberá que várias das canções passadas já fugiam da temática de Tolkien. É uma mudança progressiva, natural, jamais brusca.

E o que o público pode esperar das apresentações nesta nova etapa do Lothlöryen? Como está sua agenda, neste sentido?

Leko: Oficialmente, o Lothlöryen recomeça a “Raving Souls Tour” em maio, já com dois shows em SP. Um será na Virada Cultural, o que é um sonho que se torna realidade e o outro será com a banda Tray Of Gift (banda que conta com ex-integrantes do Tuatha de Danann) no Manifesto Bar, dia 06 de Maio.

Leko: A procura pelos nossos shows do ano passado pra cá felizmente aumentou pra caramba. Já temos nove shows agendados de maio a agosto e, na verdade, ainda não começamos as correrias para o restante do ano pois estamos esperando repercutir um pouco mais o novo álbum para começarmos a divulgar nosso novo show para os promotores. Esperamos, com isso, colher os frutos desse passo à frente que estamos dando.

Aliás, foram anunciadas datas de uma turnê do Lothlöryen pela Europa, o que não se concretizou. O que aconteceu, afinal?

Daniel: Nosso CD, como todos sabem, foi lançado em março. A turnê era para fevereiro (ao lado do Terra Prima, que acabou indo e tocando com a banda italiana Overture). Preferimos dar prioridade a uma viagem que pudesse levar para fora nosso novo trabalho e a turnê foi apenas adiada. Vale dizer que o lançamento em março não foi nenhum entrave, mas uma opção nossa de fecharmos com uma gravadora que tinha uma proposta ousada, louvável e de respeito com relação ao artista.

Leko: Temos no momento duas possibilidades de tour na Europa. Uma seria para outubro/novembro desse ano e a outra para abril do ano que vem. Estamos analisando o que é melhor para a banda no momento, pois não queremos ir para a Europa simplesmente para falar que fomos. Queremos começar algo sério e que nos possibilite dar sequência na divulgação do nosso nome por lá. Desde o início do ano temos trabalhado com a agência Number One Music na divulgação do nosso trampo lá fora e temos tido uma média de 600 page views diários do nosso perfil no site da agência, o que tem resultado numa repercussão maravilhosa e ao mesmo tempo surpreendente para todos da banda.

Várias bandas tem investido em bebidas, e o Lothlöryen firmou uma parceria com a Confraria 33 de Curitiba (PR) para uma edição especial do Hidromel Valkiria (tudo a ver!). Considerando que vocês são de Minas, como rolou isso tudo?

Leko: Tudo começou com a proposta do Tiago Kavinski (um dos sócios do Hidromel Valkiria) para tocarmos no Mead Fest em junho desse ano. Aproveitando o fato de que estamos completando 10 anos de banda em 2012 e estávamos prestes a lançar nosso novo álbum, propus a parceria para o Tiago e ele se animou logo de cara. O Hidromel Valkiria é uma empresa séria no mercado e os caras de fato reproduzem o Hidromel (bebida popular na Antiguidade e principalmente Idade Média) com fidelidade às receitas medievais. Pra gente é uma honra representar a empresa e com certeza a parceria ainda vai render muitas coisas boas para ambos os lados.

Daniel: Fora isso, anunciamos para muito breve uma parceria com a “Cervejaria Marchese”, de Santos, que promoverá nossa cerveja artesanal, comemorativa dos 10 anos de Lothlöryen.

Leko: É fato que queremos embriagar nossos fãs, rs.

O Lothlöryen adentrou 2012 cheio de novas ideias... Revista em quadrinhos, vídeos clipes e até mesmo um disco acústico. Poderiam dar mais detalhes do que vem por aí?

Leko: 2012 promete ser nosso ano mais produtivo, com certeza. Acabamos de finalizar nosso primeiro video clipe para a música “Face Your Insanity” que deverá estar disponível já no início de Abril. Sobre os quadrinhos, fechamos uma parceria com o desenhista de HQs Clauber Casemiro que no momento está preparando uma história em quadrinhos inspirada na música “Hypnerotomachia”. Nossa ideia é transformar os quadrinhos em um lyric video para apresentar o excelente trampo do Clauber para nosso público e, em sequência, disponibilizarmos no nosso site e nos shows o HQ de “Hipnerotomachia” para venda aos fãs que curtirem o trampo do Clauber.

Leko: Sobre o disco acústico, é uma ideia que surgiu no ano passado devido à demanda que passamos a ter para shows acústicos. Porém, antes de um CD acústico é provável que o Lothlöryen trabalhe em um DVD e um novo álbum pesado antes.

Daniel: Com o que vem por aí, queremos surpreender até a nós mesmos. O que posso dizer é que: “Vem muito mais por aí!!!”

Uma curiosidade final... Ainda que perfeitamente dentro do contexto, qual o motivo das frases em português no final da canção “Face Your Insanity”?

Leko: Putz, a verdade é que as frases da “Face Your Insanity” só pintaram durante a pós-produção do CD. Um belo dia estávamos no Casanegra (estúdio do produtor Rafael Augusto Lopes) e, depois de pensar em um milhão de arranjos para aquela parte da música, resolvemos sair e encher a cara. O resultado é que na volta tivemos a ideia chapada de incluir em português algumas frases sobre a loucura. A escolha não poderia ser melhor. Marcel Prost e William Blake definiram o conceito do álbum para nós em duas frases brilhantes sobre o que é a loucura e o que ela representa para o Lothlöryen.

Daniel: De médico e louco todo mundo tem um pouco. Quantas manias, preconceitos e pequenas loucuras conservamos? Cada um sabe de si e a música sugere o confronto consigo mesmo, a fim de que o indivíduo conheça a si mesmo, supere-se e evolua. As frases, de Marcel Proust e William Blake resumem esse conceito.

Ok, pessoal, o Whiplash.Net agradece pela entrevista desejando boa sorte nesta nova fase do Lothlöryen. Fiquem a vontade para os comentários finais...

Leko e Daniel: É sempre uma honra termos a oportunidade de trocar ideias sobre o Lothlöryen nas páginas do Whiplash, que é minha página inicial do navegador (eu sempre digo isso, rs). Para a galera que quiser adentrar à nossa “Sociedade das Almas Delirantes”, basta acessar o site oficial (www.lothloryen.com). De lá tem links para todas as redes sociais que fazem parte do universo da banda. Welcome Home, lunatics!!!

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Sobre Ben Ami Scopinho

Ben Ami é paulistano, porém reside em Florianópolis (SC) desde o início dos anos 1990, onde passou a trabalhar como técnico gráfico e ilustrador. Desde a década anterior, adolescente ainda, já vinha acompanhando o desenvolvimento do Heavy Metal e Hard Rock, e sua paixão pelos discos permitiu que passasse a colaborar com o Whiplash! a partir de 2004 com resenhas, entrevistas e na coluna "Hard Rock - Aqueles que ficaram para trás".

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