Lion Heart: "Teu Molar foi um marketing gratuito"

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Por Marcelo Vieira, Fonte: Van do Halen
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Prestes a completar uma década de existência, a Lion Heart permanece firme, forte e está com CD novo na parada. A Van do Halen bateu um papo exclusivo com Thiê (voz), Stanley (baixo) e Allan (bateria). Acompanhe:

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Quase 10 anos de estrada. Dá pra fazer um resumo dessa trajetória?

THIÊ: Dez anos... O tempo passa rápido! «risos» Mas o resumo que posso dar é o seguinte: quando você faz a coisa com amor, o trabalho vira um prazer e tudo se torna mais fácil. Rodei várias cidades do Brasil, fiz entrevista com os principais meios de comunicação do país, gravei videoclipes, lancei CDs. A Lion me deu tudo que eu sempre sonhei com o rock'n'roll. Estar no palco é indescritível pra quem já viveu essa emoção. Ver as pessoas cantando sua música é algo que não tenho palavras. Enfim... Se depender de mim, não só nos próximos 10 anos, mas no resto da vida tocarei com a Lion Heart.

Vocês estão lançando o terceiro álbum, Dona do Bordel. Em comparação aos trabalhos anteriores, o som da banda está mais cru, com uma pegada até mais setentista. Esse redirecionamento musical foi voluntário ou aconteceu naturalmente?

THIÊ: Eu acho que foi algo natural depois do Viver pra Detonar (2009). Na verdade, depois daquele disco, sabíamos que o som da Lion seguiria por um caminho mais simples e direto, na veia do KISS. É minha banda favorita e do Brandon também. Acho que o Sonic Boom acabou sendo uma grande influência.

E onde os novos integrantes, Stanley e Allan, se situam neste processo?

STANLEY: A idéia das músicas em si já existia. Allan e eu apenas colocamos nossas idéias em cima de um trabalho já pronto, assinado pelo Thiê e pelo Brandon (guitarra). Criei minhas linhas de baixo em cima dos arranjos que já existiam.

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ALLAN: Eu cheguei com o circo armado. Os caras da criação foram Thiê e Brandon, que em minha opinião é um arranjador de primeira. Só tive de colocar o meu tempero nas bateras que já haviam sido criadas. Foi muito divertido tocar no disco.

THIÊ: Stanley e Allan sabem da linha de som que a Lion segue, mas como são fãs de bandas como Mr. Big, incentivaram a volta de solos de guitarra mais animais. Stanley tem muita influência de baixistas virtuosos. E o Allan caiu como uma luva na banda, porque a pegada animalesca dele faz com que a gente soe "rock'n'roll em estado bruto" nos shows.

ALLAN: Eu venho de uma geração que desce o braço sem pena. Gosto de usar pratos e tambores grandes, o que de cara encaixou com o pique da Lion. O entrosamento com o Stanley foi imediato porque ambos somos influenciados por Mr. Big. Parecia que tocávamos juntos há anos.

E por que apenas cinco músicas?

THIÊ: Nessa época de mp3, as pessoas perderam o costume de comprar discos. Virou algo de colecionador. Então, um CD com 10, 12 músicas acaba saindo muito caro para gravar e o retorno em termos de vendas é pequeno. Sendo uma banda independente, a coisa é mais difícil ainda, pois o tempo de gravação acaba sendo maior pelo fato de ter que dividir datas com os trabalhos paralelos de todos. A solução que encontramos e adotamos foi gravar com intervalos de, no máximo, dois anos, CDs com cinco músicas. Assim, conseguimos trazer novidade sempre, não demorando tanto para trazer um novo álbum para o público e, ao mesmo tempo, gastando metade da grana na gravação.

Queria que vocês comentassem sobre as letras de algumas músicas de Dona do Bordel. Em Eu Quero Acreditar, Sempre Juntos e Brigue por Você existem mensagens de incentivo baseadas naquilo que vocês vivem e passam. Qual a importância de compartilhar essas experiências com o público?

ALLAN: Pra mim em especial, mesmo sendo novo na Lion, dividir as vitórias e até mesmo os tropeços com o público é maravilhoso, sem essa palhaçada de fã de um lado artista de outro. É legal depois dos shows trocar uma idéia e dar boas risadas com a galera.

THIÊ: Eu Quero Acreditar fala de ter fé, de acreditar em si mesmo, traçar um plano e ir atrás. Sempre Juntos é um hino de amor à banda. São 10 anos de estrada que comemoramos esse ano. Quis fazer algo em homenagem a tudo isso e mostrar que muitos anos ainda virão pela frente. Brigue por Você é uma letra especial pra mim. Quando você começa a se destacar com seu trabalho e construir um nome, sempre surgem invejosos que criticam, tentam te denegrir. Esse som é um desabafo e serve pra qualquer pessoa que se destaca na vida, em qualquer ramo que seja. Vão tentar te colocar pra baixo, destruir seus sonhos e te tratar como lixo. Mas você tem que acreditar no seu potencial, ser forte, ter fibra, lutar, seguir em frente, aprender com os erros, melhorar sempre e seguir de cabeça erguida. Se você tem um sonho, um ideal, jamais desista. Barreiras existem, sempre existirão, mas só os fortes seguem em frente. A vida bate, você cai, mas tem que ter brio, saber levantar e encarar de frente.

Menina de Copacabana cumpre o papel de balada do CD. Mais uma música sobre mulheres no repertório da Lion Heart...

STANLEY: Esse tema "mulheres" é uma característica da Lion Heart, uma marca registrada da banda.

THIÊ: A Menina de Copacabana é aquele personagem feminino que adoramos fazer em nossas músicas. E o legal é que a gente cita o perfil de uma mulher da nossa cidade, do nosso bairro. Falar de Copacabana, Arpoador e Ipanema pra mim é muito fácil, pois é o que eu vivo, é onde eu vivo. É como o Mötley Crüe falando de Hollywood e da Sunset Strip. Quando você cita a sua realidade, muita gente que também a vive se identifica e acaba se tornando fã do trabalho da banda. Isso acontece com a gente desde os tempos de Sedução. Não existe muita fantasia no nosso som. É a realidade que a gente vive.

Como o material novo tem se saído nos shows?

THIÊ: Muito bem. As músicas do disco que tocamos ao vivo foram muito bem recebidas pelo público. Dona do Bordel foi o primeiro single e a gente já vê todo mundo cantando. Sempre Juntos está sendo a segunda música de trabalho. A verdade é que disponibilizamos as faixas no fim do ano passado, logo depois que gravamos e registramos, mas o CD mesmo só chegou agora, semana passada, então, a partir de agora é que o bicho vai começar a pegar.

A meu ver, as sátiras que circulam pela Internet não deixam de ser uma propaganda de vocês. Mas como vocês lidam com isso? Como vocês encaram coisas como Teu Molar, por exemplo?

THIÊ: Isso aconteceu numa época em que a Lion era novidade. Raras bandas faziam hard rock, ainda mais com visual de cabelos loiros, estampas de bichos e botas como a gente fazia. Foi um impacto grande, as pessoas ficaram um pouco espantadas na época e rolaram as paródias. Mas sinceramente, ninguém deu mais risada daquilo tudo do que nós mesmos «risos».

ALLAN: Confesso que quando vi Teu Molar no YouTube, me matei de tanto rir. Eu não sabia da existência dela até o dia que o Brandon comentou sobre. Cheguei em casa fui logo caçar o bendito vídeo. Chamei minha esposa pra ver comigo e ela me disse que nunca havia rido tanto na vida. Mesmo que tenha sido pra tentar avacalhar, fizeram um marketing gratuito pra banda, então meu sincero agradecimento tanto aos desocupados que fizeram o vídeo quanto aos que, assim como nós, riram muito com ele!

STANLEY: (risos) Eu particularmente nem ligo pra isso. Muitos escutam e colocam defeito nas musicas, mas gastam tempo editando vídeos e escrevendo sobre a banda. Se estão gastando tempo com isso, bom pra gente!

Será que já estão bolando uma versão 2.0 com Allan e Stanley? (risos)

ALLAN: Nada disso! A magnitude de um clássico único não pode ser estragada com uma continuação! (risos)

A discografia da banda está disponível para download gratuito no site oficial. Incomoda o fato de quase ninguém mais comprar CDs? O formato físico está com os dias contados, na opinião de vocês?

THIÊ: Não diria contados, mas virou algo mais pra colecionador, pra quem faz questão de ter. O fato de o som estar disponível na Internet faz com que muita gente ouça e conheça nosso trabalho. Isso se reflete em shows lotados com a galera cantando junto nosso som. Não conseguiríamos isso sem o mp3. É uma faca de dois gumes e a gente tenta usar o lado proveitoso da situação para divulgar a banda.

Por que ser fiel ao hard rock?

ALLAN: É uma questão de princípios. Se você não é fiel ao que você gosta de fazer, acaba desvalorizando todo o seu trabalho e isso te torna um babaca. Amo hard rock e cresci escutando metal. Minhas bandas prediletas são totalmente opostas, Pantera e Mr. Big. Amo minhas bandas, tocar bateria, minha esposa, meus amigos e meus bichos. Essa fidelidade e amor é que fazem o meu mundo girar. Sem isso eu seria apenas um idiota qualquer e não o Allan!

STANLEY: O hard rock é um estilo muito especial dentro do rock, completamente marcante e muito legal de tocar. Eu escuto outros estilos também, inclusive já toquei em bandas de outros estilos, mas nenhum é tão divertido quanto o hard rock.

THIÊ: Porque ele me deu tudo (risos). Diversão, amigos, banda, CDs, clipes, entrevistas, garotas, sorrisos, bebedeiras, felicidade. O hard rock revolucionou a minha vida por completo. Paixão à primeira ouvida. É o que eu gosto mais de ouvir, é o que eu mais gosto de tocar. O som que é a minha cara e que eu mais me identifico. Eu ouço muitas outras coisas, mas a minha ligação com o hard rock é eterna. E no caso da Lion, ela sempre será hard rock porque ela foi montada pra ser isso. Não faria sentido nenhum virar algum outro tipo de música. Se um dia eu quiser fazer algo diferente, farei com outro nome, outra banda. A Lion Heart nasceu pra ser hard rock.

Vocês estão planejando alguma surpresa para comemorar os 10 anos da banda?

ALLAN: Bom, se é surpresa, não vale contar, né? (risos)

STANLEY: Estamos com vários planos, ainda vamos definir, porque o tempo para a produção é meio curto devido aos compromissos de trabalho, mas é bem provável que apareça uma surpresa por aí!

THIÊ: É claro que seria ótimo fazer uma grande festa, show com um repertório grande, passando por todas as fases da banda, numa noite de muita comemoração e, quem sabe, com a participação especial de alguns ex-integrantes. Vamos ver... Temos conversado bastante sobre isso e estamos amadurecendo muitas idéias. Não passará em branco, isso é certo. São 10 anos de história. Muita coisa vivida. Mas isso é papo pro segundo semestre.

Pra encerrar então, digam quais os planos para este primeiro semestre! (risos)

ALLAN: Neste domingo (25/03) seremos uma das atrações do festival Um Drink No Inferno Open Air, numa mega mansão com churrasco e piscina liberados o dia inteiro! Nosso site é www.lionheart.com.br. Lá tem tudo sobre a banda, todos os CDs pra download gratuito etc. Não tem desculpa pra não cantar as músicas nos shows! «risos»

THIÊ: Vamos tocar o máximo que der, divulgar bastante os novos sons. Queremos gravar um videoclipe pra Dona do Bordel, seria animal! O que nos falta é tempo pra isso! (risos) Mas eu não ligo... Tudo vai acontecer no tempo certo! Valeu mesmo pela oportunidade e pela ótima entrevista! Foi realmente um papo muito divertido! (risos)




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Sobre Marcelo Vieira

Marcelo Vieira é jornalista, DJ e ex-guitarrista das bandas Mafia, Os Neuza e Burning Stars. Fundou em 2007 o blog Combe do Iommi e tem textos e matérias publicados nos sites Collector's Room e Van do Halen. Trabalha também como assessor de imprensa na empresa SPS Comunicação e é repórter da Federação de Automobilismo do Estado do Rio de Janeiro (FAERJ). Escreve resenhas de CDs, DVDs e livros e cobre shows para o site ROCK ZONE desde setembro de 2011. Contato: [email protected] / Twitter: @mvmeanstreet .

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