Dynahead: Quinteto brasiliense sem medo de inovar

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Por Paulo Finatto Jr.
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Por mais que o underground brasileiro seja reconhecido por causa da sua abrangência de estilos, ainda é possível se surpreender com a criatividade que contorna o trabalho de muitos grupos. O DYNAHEAD pode ser apontado como um ótimo exemplo, já que a banda executa um gênero difícil de ser rotulado, que mistura influências do metal progressivo com o hard rock e o thrash metal. Em atividade desde 2004, o quinteto brasiliense dá continuidade ao seu estilo bastante próprio, de maneira ainda mais consistente, em "Youniverse". Para falar sobre o novo álbum, o passado e sobre o futuro do grupo, conversamos com Caio Duarte, o vocalista da banda.

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Em primeiro lugar, o que significa o nome DYNAHEAD?

Caio Duarte: A origem do nome é meio que um segredo nosso, que talvez seja revelado um dia (risos). Algumas pessoas interpretam como 'cabeça de dinamite', outras como 'mente dinâmica'... Gostamos de deixar essa visão a critério do ouvinte.

O que há de mais marcante na sonoridade da banda é o fato de vocês não se prenderem a um único estilo: há influências do hard rock, do metal progressivo e até mesmo do thrash metal. O que vocês pensam sobre essa dificuldade de definir o som do grupo?

Caio Duarte: Lá no comecinho até nos preocupávamos em rotular nosso trabalho, ainda tínhamos aquela mentalidade mercadológica tão comum por aí. Mas depois vimos que o que mais nos une enquanto músicos é o ecletismo, e deixamos de impor condições às nossas ideias. Sabemos que muita gente tem dificuldade de entender isso, existe uma tendência conservadora em certos públicos, mas nos sentimos motivados a desafiar esse pensamento, que engessa os artistas e transforma a música em mercadoria. A música de hoje só existe graças a quem não teve medo de inovar, e tentamos manter essa tradição viva.

Como está a repercussão de "Youniverse", tanto no Brasil como no exterior, até o momento?

Caio Duarte: A repercussão está sendo muito legal, apesar de ser um disco totalmente independente. É bacana ver a coisa se espalhando de uma forma orgânica, no boca a boca, sem politicagem nem jabá. Algumas pessoas realmente se conectam à nossa música e cada vez que recebemos um e-mail de alguém de outro continente dizendo que está apaixonado por nosso trabalho. Sabemos que está sendo um grande sucesso mesmo sem vender milhões de cópias.

Em minha opinião, as músicas mais pesadas, como "Ylem", "My Replicator" e "Confinement in Black" são as de maior imposição dentro do repertório de "Youniverse". Há alguma que vocês preferem? Por que?

Caio Duarte: Sempre é muito difícil montar um set-list de show, justamente por que gostamos de todas as músicas (risos). Para mim, cada música tem seu charme e cumpre um papel dentro do nosso repertório. As mais pesadas, como essas que você mencionou, costumam ser mais frequentes ao vivo, mas sempre que podemos tocar uma balada ou inserir algo novo, fazemos isso.

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Existe algum significado especial por trás da capa de "Youniverse"?

Caio Duarte: A arte da capa é repleta de simbolismos astronômicos, e procura representar as interpretações humanas do cosmo ao longo da História. Somos criaturas limitadas que usam das poucas ferramentas que possuímos para tentar compreender o Universo e finalmente estamos obtendo respostas... E essas respostas dizem muito sobre nós mesmos. Como um tributo à busca humana por conhecimento, procuramos misturar uma cara medieval com simbologia científica moderna. O resultado ficou muito bacana.

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A faixa "Eventide" foi a primeira de "Youniverse" a ganhar um videoclipe. Qual é a importância de estender o trabalho do DYNAHEAD também para a plataforma audiovisual?

Caio Duarte: Sempre quisemos fazer do DYNAHEAD um projeto multiplataforma, mas não o fizemos ainda por pura falta de recurso. Queria muito, por exemplo, elaborar um show audiovisual como uma forma de ampliar a experiência, mas projetos assim são de um custo fora da nossa alçada. Aí fazemos algo que podemos produzir por conta própria, que são os videoclipes. Além de serem um material bacana, muitas pessoas acabam tendo contato com a banda pela primeira vez através deles.

A produção de "Youniverse" é excelente e foi conduzida por você, Caio Duarte. A ausência de um produtor é bastante incomum, mas isso pouco parece interferir no trabalho de vocês. Como é lidar com mais essa responsabilidade, além de simplesmente entrar em estúdio e tocar?

Caio Duarte: Realmente é uma responsabilidade muito grande, mas felizmente tenho conseguido cuidar disso com mais segurança e chega até a ser divertido. Não teria tanta graça só chegar para tocar, se torna algo muito mais pessoal quando cada mínimo detalhe vem de você. Vale a pena possuir essa autonomia e não ficar dependendo de pessoas de fora para poder produzir e gravar bons discos.

Na opinião da banda, o que há de comum - e de diferente - entre "Antigen" (2008), o primeiro álbum, e "Youniverse"?

Caio Duarte: O "Youniverse" é um álbum bem mais focado e maduro. O "Antigen" é um compêndio de músicas de várias fases da banda e, de forma geral, funciona menos como um todo do que o "Youniverse", apesar de ter um som similar. No disco novo usamos a nossa evolução enquanto músicos para aperfeiçoar nossa sonoridade e acho que ele é um disco bem representativo do que o "Antigen".

Como tem sido trabalhar ao lado da distribuidora Voice Music?

Caio Duarte: A Voice Music é um grande selo de metal no Brasil, possivelmente o melhor em atividade, fruto de anos de trabalho duro. É uma honra contar com eles na distribuição, e dá tranquilidade saber que nosso CD pode ser encontrado em todo o país graças ao esforço e dedicação do Silvio e de sua equipe.


Quais devem ser os próximos passos da banda? A ideia é realizar uma sequência de shows pelo Brasil ou vocês já pensam em um próximo álbum?

Caio Duarte: Ambas as coisas! Sempre temos ideias na cabeça e logo estaremos em estúdio novamente. Quanto a shows, estamos procurando agendar o máximo possível, mas infelizmente a cena está estruturando de forma tal que os promoters brasileiros dificilmente se arriscam a organizar eventos com bandas nacionais. Mas continuamos tentando!

Por falar em shows: o que o público pode esperar do DYNAHEAD ao vivo?

Caio Duarte: Um show honesto, divertido, e com muita porrada na cabeça. E, claro, um monte de música maluca que ninguém entende (risos).

Obrigado pela entrevista. Deixem uma mensagem para todos os leitores do Whiplash.Net que se interessaram pelo trabalho de vocês.

Caio Duarte: Muito obrigado pela entrevista, assim como pelo espaço, importantíssimo, às bandas nacionais. Espero que todos curtam o novo álbum e que possamos nos ver em um show em breve! Para baixar nosso primeiro álbum gratuitamente ou seguir nossos canais online basta visitar nosso site: http://www.dynahead.com.br. Muito obrigado pela força, e um grande abraço a todos!




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Sobre Paulo Finatto Jr.

Reside em Porto Alegre (RS). Nascido em 1985. Depois de três anos cursando Engenharia Química, seguiu a sua verdadeira vocação, e atualmente é aluno do curso de Jornalismo. Colorado de coração, curte heavy metal desde seus onze anos e colabora com o Whiplash! desde 2000, quando tinha apenas quinze anos. Fanático por bandas como Iron Maiden, Helloween e Nightwish, hoje tem uma visão mais eclética do mundo do rock. Foi o responsável pelo extinto site de metal brasileiro, o Brazil Metal Law, e já colaborou algumas vezes com a revista Rock Brigade.

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