The Shade of Crow: entrevista da One Man Band ao Groundcast
Por Fabio Melo
Fonte: Groundcast
Postado em 11 de janeiro de 2012
Recentemente no facebook eu encontrei um excelente projeto de Black Metal, a The Shade of Crow, mesclando black metal mais cru com passagens mais trabalhadas e ainda assim mantendo toda a essência do estilo. One man band que não deve nada a nenhuma outra banda, tanto brasileira quanto internacional. Seu trabalho de estréia, "The Progression of Black Clouds" vale cada segundo de audição. Confiram a entrevista que Igor Goularth, a mente por trás da The Shade of Crow concedeu para nós do GroundCast.
GroundCast: Antes de qualquer coisa eu gostaria de agradecer você por disponibilizar parte do seu tempo para responder. Não sei se já conhece o site, mas realizamos reviews e entrevistas de bandas novas e alguns artistas conhecidos.
The Shade of Crow é uma one-man band, assim como Mirrorthrone, Bathory (depois de uma certa fase) e tantas outras.
A banda/projeto apresenta um Black Metal muito bem executado pelo multi-instrumentista Igor Goularth, que provavelmente vai agradar os fãs de Carpathian Forest, Satyricon e afins.
GroundCast: Como começou a idéia de criar a The Shade of Crow? Quais as influências da banda?
Igor: Desde que comecei a cantar, comecei a ter vontade de criar algo só meu, mas na época (meados de 2007), eu ainda não sabia como tocar outros instrumentos. Já em 2009, tocando baixo e com alguma noção de composição, comecei a criar algo que fosse simples e direto, e sem fugir do contexto inicial, tentei fazer algo que não fosse muito parecido com de nada que eu conhecesse, mas também que não fosse experimental demais.
As primeiras influências vieram a princípio do Carpathian Forest, com o álbum "Defending the Throne of Evil", do Satyricon (do álbum "Volcano" em diante) e do Gehenna (nos 3 primeiros álbuns). Conforme fui compondo, outras bandas como Absu, Ajattara, Khold e Vreid, contribuíram bastante e me trouxeram muitas idéias legais.
GroundCast: Muitas one-man band não fazem shows, apenas lançam CDs e EP’s. Existem planos para a The Shade of Crow realizar apresentações ao vivo?
Igor: A idéia inicial era manter o projeto em estúdio. Um pouco após as gravações, eu me senti motivado a buscar por outros músicos e formar um line-up para shows.
Recebi o apoio e incentivo de amigos e de pessoas que ouviram e gostaram do trabalho, e eis que estou à procura desses músicos! Espero conseguir o quanto antes, e finalmente, levar o projeto pra estrada!
GroundCast: Mesmo The Shade of Crow sendo um Black Metal mais cru, o som mostra outras influências, The Progression of the Black Clouds tem partes que me remetem ao Enslaved. Quais são as suas influências e quais músicos te inspiram (dentro e fora do Heavy Metal)?
Igor: Fico feliz que tenha percebido algo do Enslaved na música! Curiosamente, na época que a compus, eu estava ouvindo muito o álbum "Vertebrae" deles!
Bom, além do Enslaved, algumas das outras bandas que tenho como influência são Solefald, Arcturus, Ihsahn, Hypocrisy, Emperor, Devin Townsend, Borknagar, Vintersorg, Edge of Sanity, Absu, Pain of Salvation, Akercocke, Old Man’s Child e Satyricon. A lista vai bem além, mas essas definem bem as influências mais pessoais que tenho.
Quanto aos músicos, posso citar alguns, como Dan Swanö, Ihsahn, Devin Townsend, Vintersorg, Daniel Gildenlöw, Peter Tägtgren, ICS Vortex, Lars Nedland, Cornelius Jakhelln, Satyr Wongraven, Jasom Mendonça, Christian Älvestam, Frost, Galder, Asgeir Mickelson, Ivar Bjornson e Proscriptor McGovern.
Assim como nas bandas, há muitos outros músicos que admiro, mas esses são alguns dos que mais me influenciam, a todo o momento.
GroundCast: Você trabalha com algo ligado diretamente à música ou isto é apenas um hobbie?
Igor: Já estive envolvido com a organização de eventos no underground carioca e com a divulgação de algumas bandas. Hoje, divulgo diversos eventos autorais que acontecem aqui no Rio de Janeiro por conta própria, sempre tentando ajudar de alguma forma.
Futuramente, pretendo me focar também na área da produção fonográfica.
GroundCast: Além da The Shade of Crow, você possui alguma outra banda?
Igor: No momento, não. Os esforços criativos estão direcionados aos meus outros projetos e ao The Shade of Crow, mas não descarto a possibilidade de ter outra banda, caso apareça alguma.
GroundCast: Quando iniciou sua "carreira" musical? Com quantos anos você olhou para si mesmo e disse "quero fazer música" ou isso já veio do berço com incentivo da família?
Igor: Quem me dera tudo ter vindo desde berço! Algumas coisas com certeza teriam sido mais tranqüilas de conseguir, mas infelizmente, não bem foi assim. Comecei tudo sozinho mesmo. Ninguém da minha família é ou tentou ser músico, muito menos tem alguma ligação forte com a música.
Comecei tentando cantar, em meados de 2006. Em 2007, comecei a buscar sobre técnicas de canto e a estudar por conta própria. Nesse período, passei por diversas bandas covers e tentativas de trabalho autoral que não deram em nada. Entre essas tentativas, descobri que tinha facilidade para escrever letras, e um pouco mais tarde, decidi que a música era o que eu queria para minha vida.
Ainda em 2007, passei a freqüentar os ensaios da banda Carpensarem, até que meses depois, me uni a eles oficialmente, como segundo vocalista.
Em 2009, já tocando baixo, recebi o convite para integrar a banda Vociferatus. Alguns meses depois, tive que deixar a Carpensarem, por conta de conflitos nos horários dos ensaios e a distância entre deles. Em 2010, deixei a Vociferatus e voltei a me dedicar as minhas composições, entre elas, outros projetos e o The Shade of Crow.
GroundCast: Para você qual o atual estado da cena underground (Heavy Metal) no Brasil?
Igor: Eu vejo um crescimento muito positivo em certos pontos. Um deles, é a quantidade e qualidade das bandas que vem surgindo em todos os cantos do país, tais como DIVA, Painside, Forceps, As Dramatic Homage, Iluminato, Lacerated and Carbonized, HatefulMurder, DarkTower, Ágona, Vociferatus, Thyresis, Apocalyptichaos, Lycanthrophy, Ecliptyka, HellArise, entre várias outras.
Basta conferir o trabalho delas pra ter certeza do que digo. Talento, qualidade e profissionalismo são coisas que não faltam nas nossas bandas. Todas fazendo muito bonito para que seus trabalhos sejam os mais profissionais possíveis, investindo em equipamentos, arte (Myspace, Facebook, design dos álbuns, etc…), divulgações, videoclipes, teasers, shows, etc…
Nossas bandas são extremamente empenhadas e amam o que fazem, cada uma da sua própria maneira. E eu acho que o Brasil tem quase tudo pra se tornar definitivamente, uma potência mundial do Heavy Metal, coisa que ainda verei acontecendo um dia!
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