Enslaved: "rótulos e estilos não são importantes"

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Por Fabio Melo, Fonte: Groundcast
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Ivar e Grutle do Enslaved concederam uma ótima entrevista ao Groundcast, falando sobre suas influências, o que pensam sobre a Mitologia Nórdica se espalhando pelo mundo, futuro e até que amariam tocar no Brasil.

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GroundcCast: O Enslaved possui uma extensa carreira (uns 20 anos se não estou enganado), como tudo isso começou? Qual foi a ideia inicial de montar a banda e viver dela?

Grutle: Eu e Ivar tínhamos uma banda de death metal chamada Phobia (1990-1991), mas quando nosso baterista se mudou para os EUA, decidimos acabá-la e começar uma nova que era mais próxima de nossa inspiração musical. Decidimos usar como base para as letras a mitologia nórdica, pois é algo que temos enraizado em nossa filosofia. Musicalmente somos muito influenciados por Bathory, Celtic Frost, Darkthrone, Mayhem e Master’s Hammer

GroundCast: Falem sobre suas influências (bem, não vou perguntar sobre Immortal, afinal eu li que vocês tiraram seu nome de uma das músicas da demo deles).

Grutle: Hehe, sim, é isto mesmo. Falei para você algumas de nossas influências, mas é óbvio que temos outras. Gostamos de todos os tipos de música e, para nós, música boa se encontra em todos os lugares, você pode chamar isso de jazz ou de metal, mas não estamos muito presos a esses rótulos. Mas para dizer algumas: Bathory, Celtic Frost, Darkthrone, Mayhem, Master´s Hammer, Destruction, Sodom, Neurosis, Pink Floyd, Led Zeppelin, Genesis, Rush, Tool, Kiss, Autopsy, Entombed, King Crimson, Van Der Graaf Generator, Deep Purple, Terje Rypdal, Captain Beyond, Earth... etc. Eu poderia continuar falando...

GroundCast: Como vocês descreveriam o som do Enslaved? Vocês têm mudado a sonoridade a cada álbum até chegarem ao que temos hoje, como esta mudança ocorreu?

Ivar: poderia descrever que soamos como extreme metal. Não quer dizer que não pertencemos a um estilo em particular ou categoria, mas temos influências das mais diversas fontes (como Gruntle já falou antes). Então nos descreveríamos como uma banda de extreme metal para quem não conhece ou não sabe nada do que falo, cujas raízes estão na segunda onda de black metal norueguês, cena essa que incorpora elementos de outros lugares, muitas vezes soando como bandas de rock progressivo dos anos 70. Muitos dizem que somos uma banda que mudou radicalmente, mas com as raízes desta sonoridade antiga. Acho que isso soa como resultado de um profundo paradoxo, fazendo com que sejamos únicos e com as pessoas gostando de nossas músicas.

GroundCast: A cultura nórdica está presente nas letras do Enslaved. Vocês falam sobre isso por seguirem ou por curiosidade sobre o assunto?

Grutle: Eu diria que as letras são sobre a nossa cultura, mas não em sua totalidade. Nossa mitologia é o que podemos chamar de raízes e o sistema filosófico dela está bem presente em nós. De qualquer maneira, pode-se traçar um paralelo de nossa cultura como muitas outras mais antigas, isto pode ser visto nas mitologias grega, romana, celta e egípcia. É praticamente a mesma coisa, mas representada com nomes diferentes, então posso constatar que a mitologia nórdica é algo universal de certa forma.

GroundCast: Ainda falando de mitologia nórdica, aqui no Brasil tivemos uma onda dela, que contribuiu para que tivéssemos nossos próprios festivais , com bandas da América do Sul cujas temáticas remetem a cultura do povo do norte (vocês podem ver isso acessando o grupo do Thorhammer Fest http://www.facebook.com/groups/thorhammerfest). Qual a sua opinião a respeito disso, vendo sua cultura sendo seguida por pessoas que não possuem descendência nórdica, vendo que cada vez mais pessoas se tornam adeptas deste tipo de cultura?

Ivar: Não é possível dizer que isto é totalmente bom ou ruim, pelo menos para mim. É o mesmo que falarmos sobre noruegueses que são interessados em nossa cultura, mas são psicopatas políticos, enquanto outra parte a segue por estar conectada a ela. Penso pertencemos à categoria número 2. Pessoas podem fazer o que bem quiserem e acreditar no que quiserem, isso no Brasil ou em qualquer outro lugar, mas com certeza isso me parece meio estranho se você não tem nenhuma conexão com esta cultura em particular e apenas a usa para tirar vantagem ou se achar mais que os outros (Olhem, eu tenho um martelo de Thor tatuado no braço, então quando eu bebo e luto é como se eu fosse um “guerreiro honrável” ao invés do babaca que realmente sou); isto vale também para os noruegueses que saem do país e se vestem como nativos das tribos e desrespeitam seus costumes apenas por entretenimento e, quando eles regressam para cá, mostram fotos e vídeos de seus projetos e falam sobre a “energia de vida” que os nativos carregavam, esquecendo completamente o quanto perderam da sabedoria e da real essência de nossa cultura.

GroundCast: Como vocês definiriam o Viking Metal? Algumas bandas são consideradas Viking (como Amon Amarth), mas muitos consideram-na apenas Death Metal. Vocês acham que isso (viking/pagan) é ligado às letras e não propriamente a um estilo (assim como White Metal)?

Grutle: O que diabos é “White metal”? Isto soa um pouco racista para mim...ou é algo cristão? Bom, é estupido de qualquer jeito... hehehe.

Nós não usamos o termo “Viking metal”. Se voltarmos para 1993 ou algo próximo disso, usamos para nos separar de bandas com ideologias satânicas, mas paramos de usar (esta denominação) assim que começaram a colocar acordeões e tubas e se vestirem com peles de animais. Como já mencionei, rótulos e estilos não são importantes, é a musicalidade que conta.

GroundCast: Nós vemos muitas bandas de black ou death metal ficando mais “progressivas” com o passar do tempo, um bom exemplo disso é o Opeth, se tornando mais “progressivo” e deixando de lado os elementos de Heavy Metal (gravando assim o Heritage), que é um álbum que tem apenas alguns elementos de heavy Metal. Vocês veem o Enslaved chegando nesse ponto algum dia?

Grutle: Eu acho que “Heritage” é algo lindo, e eu acho muito legal quando você faz o que você quer sem se importar com o que os outros vão falar ou pensar e se aquilo é metal ou não. Duvido que chegaremos a fazer isso, estamos um pouco distantes disso... e não tão loucos talvez...

GroundCast: Qual o momento mais importante na carreira de vocês?

Ivar: Para mim é agora. E sempre será AGORA. Se algum dia eu pensar que o mais importante foi o que veio antes, estarei ciente de que preciso avançar, mudar, me mover. Eu sei, isto é questão de perspectiva, pois em contrapartida meu irmão – Grutle – que é o oposto de mim, quase sempre pensa que os primeiros momentos de vida do Enslaved são os “melhores” ou mais “importantes”. Isto não quer dizer que ele não goste de nossa atual fase, sei que também está extremamente feliz com ela – mas ele gosta desta sensação de nostalgia – enquanto eu sou uma pessoa que pensa mais no presente. Bom, juntos estamos cobertos por isso todo tempo hehehe.

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