Arnion: Cristianismo como conduta de vida

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Por Ben Ami Scopinho
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Thrash Metal e Cristianismo. Esta vem sendo a proposta da Arnion desde que surgiu em Goiás no ano de 2003. E apenas com a demo "Refuge" (2006), o grupo caiu nas graças do selo Silent Music Records / The Black Tiger Company e assim estreou no ano passado com "Fall Like Rain", um registro que tem muitos elementos para atrair os devotos daquele Thrash Metal tão característico das décadas 1980 e 1990.

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Tendo em sua formação Rinaldo Macedo (guitarra), Leonardo Araujo (baixo) e Rogério Paulo (bateria), além dos novos membros Carlos Henrique (voz) e Rafael Teles (guitarra), que entraram após o término das gravações do debut, o pessoal mostra estar em uma fase muito promissora e com ótimas novidades. Para saber mais, o Whiplash! conversou com o baterista Rogério, que deu uma geral em tudo o que está acontecendo na carreira da Arnion.

Whiplash!: Olá pessoal, tudo bem? A Arnion já possui certa popularidade na região de Goiás, mas o restante do Brasil ainda não conhece bem a banda. Que tal começarmos dando uma geral nos primórdios de sua história?

Rogério: Olá Ben e Whiplash! Tudo bem graças a Deus e esperamos que tudo esteja bem com vocês também! Tudo começou em 2003, e vale salientar que hoje na Arnion não temos ninguém da primeira formação. Desde o início os fundadores da banda tinham em mente tocar Thrash Metal com base nas raízes do estilo, que era o que gostavam de ouvir, mas a motivação principal era levar uma mensagem de paz com base no Cristianismo. Não existiam muitas bandas do Thrash Metal em nossa cidade e por este motivo existia convicção de que um trabalho assim também seria notado e apreciado não somente pelo público Cristão, mas também pelo público no geral.

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Whiplash!: O nome com que vocês batizaram sua banda é bastante exótico. Qual a origem e significado do termo 'Arnion'?

Rogério: Desde o início o desejo era deixar claro nossas raízes ideológicas, e o nome Arnion, além 'exótico', se encaixou perfeitamente. É uma palavra grega que quer dizer 'Cordeiro' e faz menção direta a Cristo, deixando claro nossa ligação com nossa fé Cristã. Não queríamos cair na mesmice de nomes que dessem uma conotação pejorativa de religião, tinha que soar bem e dentro do estilo musical, e por sua vez também gerar exatamente esse questionamento do seu significado.

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Whiplash!: É fato que parte do público acredita que Deus e o Heavy Metal são incompatíveis. Até que ponto os fundamentos do Cristianismo influenciam suas letras, afinal?

Rogério: Influenciam em tudo, é o que cremos, e essa ‘incompatibilidade’ é um equívoco cultural. O cristianismo é visto de forma equivocada infelizmente, não só no meio do Heavy Metal, não estamos aqui para apontar o dedo, mas muitos carregam o titulo de 'cristão' somente como rótulo e não como conduta de vida. Sabemos do histórico ruim que foi construído ao longo dos anos. Às vezes as pessoas falam mal de coisas que não conhecem de todos os lados, principalmente quando certas idéias foram passadas de forma errada. Nossa missão é mostrar a transformação positiva de caráter que o cristianismo provoca nas pessoas, e que por esse motivo dá para se ter esperança no ser humano como indivíduo, provocando no mesmo uma ação de amor e respeito ao próximo. Não é uma manipulação de massa. É uma transformação individual, de dentro pra fora e de acordo com a necessidade de cada um.

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Whiplash!: Em 2006 vocês liberaram a demo "Refuge". A que vocês atribuem toda a repercussão positiva que este registro conseguiu? Isso foi algo inesperado, certo?

Rogério: Foi de fato um tiro no escuro, não tínhamos idéia do que iria acontecer, só acreditávamos que se não fizéssemos nada, nunca chegaríamos a lugar algum. Já sabíamos de nossas limitações técnicas e financeiras para produzir tal material. Tínhamos consciência de centenas de bandas muito melhores que nós, mas tínhamos fé e estávamos obstinados a tentar, pois sabíamos que uma banda sem um material gravado não poderia existir. Procuramos fazer e fazer bem feito, cremos que isso foi o ponto positivo, pois sempre procuramos fazer o melhor que conseguirmos dentro de nossas limitações. Graças a Deus tudo se encaminhou e aqui estamos nós, ainda procurando um lugar ao Sol, pois há muito a se conquistar.

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Whiplash!: Vocês conseguiram rapidamente algo que muitas bandas almejam: um contrato com um selo. Como rolou a parceria entre vocês e o Silent Music Records / The Black Tiger Company para estrearem com "Fall Like Rain"?

Rogério: Um cara que hoje é um grande amigo nosso chamado Angelo (vocalista da banda DESERTOR) veio a Goiânia em uma tour, fizemos contato e demos um EP da Arnion de presente para ele conhecer, mas nem imaginávamos que ele fosse apresentar nosso trabalho ao Karim Serri (dono do selo). Foi uma alegria muito grande quando recebemos o primeiro contato do selo falando de seu interesse pela banda. O melhor de tudo é que na época estávamos começando a gravar o "Fall Like Rain" e nem sabíamos o que faríamos quando acabassem as gravações. Foi feita a proposta por parte do selo e está aí está o CD, fruto dessa excelente parceria.

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Whiplash!: Seu Thrash Metal é excelente, e faixas como "Get Ready For The War", "Regreat Be Healed" ou "Human Holocaust" mostram muito de seu poder de fogo. Mas confesso que "Manipulação S.A." também conquista por ser a única cantada em português. Há planos para mais canções nesta linha?

Rogério: Sim, com toda certeza. Já estamos em estúdio compondo e gravando material novo, e depois da boa repercussão da música em português, não temos dúvidas de que faremos isso no próximo trabalho, até para honrar nossas raízes onde quer que nosso som chegue.

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Whiplash!: Qual o conceito por trás da bonita arte da capa de "Fall Like Rain"? Ela é repleta de simbolismos...

Rogério: A capa apresenta um mundo caótico e um ser humano que definha com isso, sequidão de paz em meio a tantas lutas é o que destrói o ser humano. A gota de sangue gigante, a coroa de espinhos e mãos são a representação de um socorro que está a caminho para quem se posiciona a recebê-lo, por isso a "caveira" está de joelhos. Essa gota representa o DNA da paz, a coroa demonstra que preço pelo reinado dessa paz já foi pago por Cristo, e as mãos por sua vez estão estendidas, mostrando uma postura de amor pouco vista no nosso mundo egoísta. Nós devemos ser e gerar pessoas que estendam as mãos para o próximo, ajudando a construir uma vida melhor. Nós, da Arnion, aprendemos isso no cristianismo.

Whiplash!: Apenas dois meses após seu lançamento, "Fall Like Rain" foi licenciado pela Retroactive Records para ser distribuído nos Estados Unidos, África, Austrália e Japão. Parabéns, pois é um grande passo! Como aconteceu essa transação?

Rogério: Fomos pegos de surpresa, um belo dia Karim Serri (Silent Music Records / The Black Tiger Company) fez contato nos informando do interesse da Retroactive Records em licenciar nosso CD com o intuito de lançá-lo fora do país. Foi inacreditável, principalmente pelo pouco tempo de lançamento do CD aqui no Brasil. Prontamente aceitamos após avaliar a proposta, mas, já estávamos dispostos a aceitar mesmo que não tivéssemos muitas vantagens aparentes, só que além de boa proposta, significava que nosso CD iria somente ser distribuído para fora do país (trabalho que já vinha sendo muito bem feito por nosso selo brasileiro), fomos lançados por um selo gringo, isso com certeza dá muita moral e prestígio perante o público e mídia. Cremos que o bom trabalho do nosso selo aqui no Brasil também foi decisivo para essa conquista, e graças a Deus as portas estão se abrindo e vamos nos esforçar pra responder a altura.

Whiplash!: As coisas estão caminhando bem para a Arnion. Mas o que aconteceu com o vocalista Pedro Neto, que deixou seu posto numa fase tão boa? Aliás, a Arnion agora é um quinteto, correto?

Rogério: Estamos contentes mesmo com os acontecimentos relacionados à banda. Pedro foi alguém de extrema importância para nós e para o desenvolvimento do trabalho, é um grande amigo nosso, mas recebeu outras direções para sua vida e infelizmente teve que se desligar da banda. A Arnion nasceu sendo um quinteto, e foi assim até o início da gravação do "Fall Like Rain", quando nosso outro grande amigo Túlio Caetano (guitarrista) precisou sair por necessidades pessoais - atualmente ele mora na França e por esse motivo não dava para continuar conosco. Hoje temos conosco Carlos Henrique no vocal, uma grande soma e descoberta da banda, um cara talentoso e, melhor, nosso amigo. Mas recentemente recebemos em nosso meio Rafael Teles para assumir a outra guitarra que faltava, que havia sido por um tempo descartada pela banda. O Rafael, além de ótimo guitarrista, é um excelente vocalista e juntamente com o Carlos está construído vocais de peso com excelentes melodias, o que vai com certeza ser um diferencial no próximo trabalho da banda. A parte mais importante pra nós é que ambos são comprometidos com os mesmo ideais cristãos que carregamos, e sem isso não seria possível estarmos juntos.

Whiplash!: Atualmente vocês estão em estúdio preparando o material para o sucessor de "Fall Like Rain". Poderia adiantar algo sobre este segundo álbum? Ouvi comentários de que o novo vocalista, Carlos Henrique, está fazendo um ótimo trabalho...

Rogério: Já mencionamos acima que estamos em estúdio gravando, mas é bom responder uma pergunta específica. Pra falar a verdade, desde o lançamento do "Fall Like Rain" em agosto do ano passado, entramos em estúdio já para gravar material novo que já está em processo bem adiantado. A gravação do "Fall Like Rain" foi muito demorada, cerca de um ano e meio, mas durante esse processo coisas novas foram surgindo e não poderíamos incluí-las no CD, porque já tínhamos concluído as captações, apesar de duas musicas terem surgido durante as gravações que foram: "Get Ready For The War" e "Manipulação S/A". Mas o CD já tinha uma característica, só tivemos o cuidado de fazer algo de forma correta e não muito audaciosa, não poderíamos correr o risco de queimar o cartucho no primeiro tiro.

Rogério: O trabalho que está sendo preparado vem com certeza cheio de novidades, aproveitando o desenvolvimento musical da banda e o talento dos novos integrantes. O Carlos Henrique com certeza nos supreendeu e tem supreendido os ouvintes da banda, e mesmo o CD novo não estando pronto, colocamos um vídeo clipe na net já com ele nos vocais cantando uma música que fará parte do próximo trabalho intitulada "I Will Not Surrender". Da mesma forma o Rafael Teles já está contribuído nas novas composições, em breve estaremos colocando a disposição no nosso myspace uma música com a participação dele e todos poderão conferir. Estamos a todo vapor e o próximo material deverá ser finalizado ate o meio do ano, mas sem previsão de lançamento ainda, afinal o "Fall Like Rain" acabou de ser lançado.

Whiplash!: Ok! Agradeço pela entrevista, e o espaço é de vocês para algum comentário final aos leitores do Whiplash!.

Rogério: Nós agradecemos novamente a todos que fazem parte da Whiplash!, em especial ao Ben Ami Scopinho. Ficamos imensamente felizes em responder essa entrevista, e muito mais pelo apoio e incentivo que vocês dão metal nacional, independente de credos e idéias, porque a luta pelo fortalecimento desse estilo é de todos nós que gostamos verdadeiramente dele. Desejamos que o trabalho de vocês prospere e seja sempre de qualidade e honesto. Deus abençoe a todos vocês e todos os leitores de vosso trabalho!

Contato:
http://www.myspace.com/arnionthrash

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Sobre Ben Ami Scopinho

Ben Ami é paulistano, porém reside em Florianópolis (SC) desde o início dos anos 1990, onde passou a trabalhar como técnico gráfico e ilustrador. Desde a década anterior, adolescente ainda, já vinha acompanhando o desenvolvimento do Heavy Metal e Hard Rock, e sua paixão pelos discos permitiu que passasse a colaborar com o Whiplash! a partir de 2004 com resenhas, entrevistas e na coluna "Hard Rock - Aqueles que ficaram para trás".

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