Slayer: Kerry King fala sobre sua relação com religiões
Por Demian Filipe Ferreira da Silva
Fonte: ArtistDirect.com
Postado em 19 de agosto de 2007
O site ARTISTdirect conduziu em agosto de 2007 uma entrevista com o guitarrista do SLAYER, Kerry King.
ARTISTdirect: Você nunca se intimidou em atacar a religião organizada em suas músicas - diretamente e sem desculpas - e a coisa foi ainda mais forte em "Christ Illusion". Mas freqüentemente isso parece uma louvação a Satanás, o que parece um pouco estranho.
Kerry: Na verdade, em 'Cult' ["Beware the cult of purity / Infectious imbecility / I've made my choice / 666" - "Cuidado com o culto da pureza / Imbecilidade infectante / eu fiz minha escolha / 666"] o verso "666" era pra ser "Atheist" (Ateu) para mostrar o que eu realmente sinto. Mas não resultaria em uma boa música. Garotos adoram gritar "666" [risos].
ARTISTdirect: O SLAYER viajou por todo o planeta e conheceu fãs através do mundo. O que faz a América mais suscetível à religião organizada?
Kerry: Poder. Não há pensamento livre; em qualquer outro lugar no mundo as pessoas têm suas próprias opiniões. Há religião em todo lugar, mas você vai a qualquer lugar no mundo e as pessoas dizem "Vocês americanos são realmente controlados pela sua religião". Hey, eu não! [risadas] Eu estou tentando deixar isso claro.
ARTISTdirect: E a América é tão vasta que é fácil ver um grupo e perder visão de quão extremamente diferentes outros grupos podem ser. Los Angeles, por exemplo, é provavelmente uma cidade menos religiosa que Topeka.
Kerry: Sim, mas logo que você chega a 60-75 milhas fora de L.A., como onde eu vivo, é como se estivesse num mini-cinturão da Bíblia. Todos têm seus adesivos "Not of This World" e "Jesus Freak" (N.T.: Ambos são grupos cristãos americanos). De onde essas pessoas vêm? Isso é de certo modo de onde "Cult" veio, de observar tudo isso. Quando você chega ao limite e diz "Eu sou um Satanista e eu vou pintar 666 em minha janela ou 'Satan Freak' em minha janela", um punhado de cristãos vai riscar seu carro e rasgar seus adesivos. Isso mostra o quão obcecados eles são. Isso é o que me incomoda. Mas eu não posso arrancar os adesivos deles por causa da vizinhança - eles acabariam comigo.
ARTISTdirect: Você escreve músicas em reação a coisas que você vê e experimenta?
Kerry: O que eu faço é, se eu vejo uma frase religiosa, se eu a puder inverter, eu a usarei. Isso é bem como eu consegui a letra de "God Hates Us All" (Deus odeia todos nós). Eu vi um outdoor enquanto dirigia, dizia algo como "Lembre-se, Deus ama todos nós". Eu disse, "Não, ele não ama. Ele me odeia pra caralho. Eu estou preso no trânsito". Instantaneamente virou "Deus odeia todos nós" e eu guardei a frase até que eu tivesse onde usá-la.
ARTISTdirect: Então as sessões de composição vêm depois?
Kerry: Sim, e nós normalmente fazemos a música primeiro. Eu diria que em 95% das vezes as músicas são feitas antes de nós ainda considerarmos escrever letras para elas. Então eu me trancarei em um quarto e pensarei em brutalidade até chegar onde eu preciso estar. Quando eu conseguir o título ou o verso que me dê o incentivo para ir a alguma direção, então eu partirei daí.
ARTISTdirect: A música pesada oferece um tipo de exorcismo ou algo parecido?
Kerry: Bem, eu sou apenas um cara normal - a única coisa que me separa dos garotos que me assistem é que eu achei três caras que gostavam da mesma coisa que eu gostava musicalmente e nós nos tornamos melhores juntos. Eu ainda vou aos shows quando eu estou em casa. Eu vou ao House of Blues - eu provavelmente poderia apenas entrar e não estar na lista de convidados, como "Ei caras, estou de volta" [risadas].
ARTISTdirect: Há alguém que ainda faria você voltar à juventude e ser apenas um fã?
Kerry: Sim, até recentemente. Nós estávamos na Holanda fazendo um festival e o HEAVEN AND HELL estava lá conosco - eles estavam na nossa frente, na verdade, o que me deixou louco. Tony Iommi - eu não conseguia falar com o cara. Dessa vez, eu estou no vestiário sozinho e ele bate em minha porta e eu me sinto como "Tony, não bata na merda de minha porta - entre sem bater!" Eu entendo a coisa do respeito, mas, ei, você pode fazer o que quiser!
ARTISTdirect: Os fãs do SLAYER são muito leais e depois de todos esses anos e álbuns e turnês e filmagens dos bastidores, alguns deles chegam a se identificar com vocês em um nível muito pessoal. Quanto da imagem que eles vêem é real?
Kerry: Eu tenho certeza que há um punhado de bosta, mas há também acesso a muita informação. No meio disso tudo, há algo que é pura bobagem e totalmente falso - mas você lê noventa por cento disso e é "Como diabos eles sabem disso?" É lisonjeiro - e perturbador - quando você conhece o tipo de cara que é obcecado por você. Mas eles estão em contato com o que eles gostam; eu não tive acesso a isso quando era garoto. Eu tinha de achar revistas que eram poucas e raras e ir a shows e ver por mim mesmo.
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