Arch Enemy: "Nada de férias! Queremos escrever para voltar à estrada!"

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Por Maurício Dehò
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O Arch Enemy vem conquistando fãs ao redor do mundo principalmente após a entrada de Angela Gossow, em 2000, e do lançamento do álbum “Wages of Sin”, primeiro com a alemã, no ano seguinte. Em sua primeira passagem pelo Brasil, a banda reservou um pouco do seu tempo para uma entrevista para o Whiplash. A má sorte veio com a notícia que a vocalista não participaria. Após atender à TV e dar declarações por telefone, Angela preferiu descansar a sua voz para o show desta quinta-feira, em São Paulo, e para o de Belo Horizonte, dois dias depois.

Fotos: Rafael Karelisky

Mesmo sem a estrela principal, ainda conseguimos uma boa conversa de 25 minutos com os outros quatro integrantes, os guitarristas Michael Amott (mais falante entre eles) e Fredrik Akesson, o baixista Sharlee D'Angelo e o batera Daniel Erlandsson, que, se não são suecos muito calorosos (se isso for possível), não deixaram de ser atenciosos. Nada de férias no Brasil — lugar que eles dizem estar adorando —, eles querem metal!

Whiplash!: Gostaria de saber, primeiramente, um pouco sobre a saída do Christopher (Amott, guitarrista e irmão do guitarrista Michael Amott), em 2005...

Michael Amott: Boa pergunta! Já começou pegando pesado (risos)! Não havia nada mais fácil para perguntar?

Whiplash!: Poderia começar com o tradicional: “Você está gostando do Brasil”?

Michael Amott: Estava... (mais risos). Obviamente esta questão é bastante dura, ele era uma parte importante da banda, mas desde então nós estamos em turnê. No começo com Gus G., do Firewind, no Ozzfest, um ótimo guitarrista, e agora com o Fredrik. Achei que podíamos seguir sem Chris. Definitivamente podemos fazer shows, pois é o que temos feito desde julho de 2005.

Whiplash!: Como foi tocar com um desconhecido após anos tocando com o seu irmão?

Michael Amott: É diferente. Fredrik tocou em diferentes bandas e estilos. Eu não, nunca toquei com tantas pessoas, então se alguém se junta a mim, tem que me seguir, porque não consigo fazer o contrário. É meio que: “isto é o que fazemos” e então passo, basicamente, as partes que o Chris fazia.

Whiplash!: E como foi este processo da saída na época? Ele já te dizia que deveria deixar o grupo?

Michael Amott: Sim, mas também percebíamos que ele não estava se dedicando 100%. Começou a não se mostrar tão satisfeito consigo mesmo. Além disso, passou por problemas pessoais, que acontecem com qualquer um.

Whiplash!: Fredrik, tem sido difícil esta adaptação, vindo de grupos como Talisman, mais de hard rock, ou este é o seu gênero preferido dentro do metal?

Fredrik Akesson: Com certeza é. O Talisman nunca foi a minha verdadeira escolha, de coração. É muito leve para mim, então entrar para o Arch Enemy foi a combinação perfeita com o meu gosto musical. Foi diferente no começo, por eu nunca ter tocado um som tão extremo, mas tenho gostado muito após estes quase 150 shows que fiz com eles.

Whiplash!: “Doomsday Machine” foi um álbum muito pesado. Mais brutal e mais direto. É algo que vocês devem ter em mente para o próximo álbum?

Michael Amott: Na verdade, nós já estamos começando o novo trabalho e as músicas estão soando um pouco diferente. Do modo que vejo, “Doomsday Machine” e “Anthens of Rebellion” têm uma conexão, como se fossem álbuns irmãos. Eles vieram do mesmo lugar criativo, mais escuro, quase apocalíptico, principalmente nas letras. Agora estamos prontos para ir a uma próxima fase.

Whiplash!: Mais melódica?

Michael Amott: Sim, nos últimos anos eu estive muito dentro deste processo de escrever riffs sombrios e agora acho que estamos prestando mais atenção às harmonias e melodias que tínhamos em “Burning Bridges” e “Wages of Sin”.

Whiplash!: Mas vocês não perderam aquela veia melódica no death metal que tocam.

Michael Amott: Com certeza. Eu adoro estes dois últimos álbuns, são grandes CDs. Mas não foram grandes passos na nossa evolução, que vivemos a cada dia. Ficou mais direto. Já as novas músicas estão ficando mais progressivas.

Whiplash!: Como funciona o processo de composição dentro do Arch Enemy?

Michael Amott: Há diferentes maneiras. Eu e o Daniel gostamos de gravar bastante no seu laptop, com pro-tools. Então podemos captar as novas idéias, como novos riffs e melodias, e juntar com programas e bateria para ter uma idéia de como vai indo. Mas é apenas um modo de trabalho. Também temos uma coleção de materiais antigos que ainda não usamos. A maioria das idéias vem de Daniel e eu, que moramos perto, e o Sharlee, que também aparece, então fazemos jams. É uma coisa orgânica, bem “old school”, não apenas ficar enviando arquivos pela Internet. Até fazemos isso, mas deve ser apenas 25% do nosso trabalho, o resto é escrito nas salas de ensaio.

Whiplash!: E durante as turnês?

Michael Amott: Estamos tentando melhorar nisso, pois quanto mais ficamos na estrada, mais tempo passamos juntos, como desde julho de 2005 até agora. É muito tempo para não compormos nada. Infelizmente, não temos muito tempo para fazer essas jams. Mesmo quando estamos como headliners da turnê, as passagens de som têm um horário muito restrito. É raro ter algumas horas no palco, o que eu adoraria.

Whiplash!: Sharlee, você está no grupo há muitos anos (desde o Burning Bridges, de 1999, ainda na fase pré-Angela). Como tem sido está vida em turnê?

Sharlee D’Angelo: É ótimo, estamos viajando extensivamente pelos últimos seis anos e nos damos bem. Conhecemos-nos bem o suficiente para saber, por exemplo, quando deixar alguém sozinho, algo importante numa banda. Você vê muitas bandas que brigam constantemente.

Whiplash!: Vocês são deste tipo?

Sharlee D’Angelo: Não, somos mais calmos. Se há um problema resolvemos com facilidade conversando ao invés de gritar, berrar e bater uns nos outros. Também ajuda sermos suecos, se fôssemos brasileiros, quentes e apaixonados, talvez fosse: “Hei, seu filho da puta!” (risos). Nós somos mais: “olha, tenho um problema, vamos conversar sobre isso”. Acho que temos uma atmosfera muito boa, o que deixa as coisas muito melhores nas turnês.

Whiplash!: O fato de ter uma mulher viajando junto muda alguma coisa, principalmente com sua experiência no Sinergy, de Kimberly Goss?

Sharlee D’Angelo: Toda banda é um organismo distinto, por ter pessoas diferentes. Não sou muito afetado por Angela ser uma mulher. Acho que a principal diferença é que nosso ônibus é mais limpo (risos)! De certo modo, ela é um dos caras, mas de outro não, por ser uma garota.

Whiplash!: Ela tem algum tratamento diferenciado, algum tipo de privilégio?

Sharlee D’Angelo: Como ela é a única mulher, tentamos dar o máximo de privacidade possível. Quando não dá, ela que tem que trabalhar com isso. Ela não é como uma “diva”. Mas sempre que podemos, damos este espaço, porque ela necessita mais do que se fosse outro homem.

Whiplash!: Daniel, você está na banda desde o primeiro álbum. Fazendo um balanço, a entrada de Angela foi o principal acontecimento do Arch Enemy?

Daniel Erlandsson: Sim, foi absolutamente a principal mudança, que se juntou aos fatos de lançarmos o nosso melhor álbum, “Wages of Sin”, e termos um reconhecimento muito grande.

Whiplash!: Você tinha alguma noção de que ter uma garota desse tipo poderia alavancar a banda?

Daniel Erlandsson: A maior diferença na verdade foi que os vocais estavam bem melhores que com o vocalista antigo (Johan Liiva). Ela também trouxe uma atitude positiva, que afetou nosso direcionamento, que ficou mais sério. Nós gravamos os primeiros álbuns, mas não saíamos em turnê. Fazíamos dois shows no Japão, algumas viagens curtas, mas a partir de “Wages of Sin” tudo isso mudou.

Whiplash!: E sobre os novos sons?

Daniel Erlandsson: Como o Michael disse, estamos seguindo nesta nova direção, tem sido muito empolgante. Compor é a parte mais legal de se estar em uma banda.

Whiplash!: Ainda nisso, quem fica responsável pela maior parte das letras?

Michael Amott: A Angela tem feito a maioria, tipo 80%. Em outras épocas eu escrevia mais, às vezes todas elas. Estava até fazendo os dois, mas agora estou mais dentro da música. Ela tem escrito boas letras, fortes, e tenho gostado muito, então é simples deixar este trabalho com ela.

Whiplash!: Como foi a recepção, Fredrik, tanto dos fãs como da própria banda, neste ano e meio?

Fredrik Akesson: Tem sido bom. Na verdade leva um pouco de tempo para conseguir entrar mesmo na banda. Mas já me sinto absolutamente em casa.

Whiplash!: E você terá espaço para colaborar nas composições para o próximo álbum?

Fredrik Akesson: Já tenho alguns trechos gravados, só não sei se eles acabarão sendo usados. Em fevereiro começaremos a ensaiar e ver o que vai entrar no disco.

Whiplash!: Então quais são os planos após este encerramento de turnê, com a passagem no Brasil? Férias ou já voltar ao trabalho?

Daniel Erlandsson: Nada de férias. Estamos felizes com tudo isso, felizes de estar em uma banda. Então não queremos férias, apenas escrever novas músicas para voltar à estrada novamente.

Whiplash!: Vocês já sentiram alguma inveja pelo fato de Angela roubar os holofotes? Ou ela acaba ajudando ainda mais com isso?

Michael Amott: Para mim isto não é um problema, absolutamente. Todo grupo precisa de uma figura forte. Quando Rob Halford entra num lugar é, tipo, “Ohh...”, assim como Ronnie James Dio, ou Bruce Dickinson. Cada um tem um carisma, uma personalidade no palco. Eles criam toda aquela excitação. E o que Angela faz é totalmente diferente. Ao invés de ter inveja, fico feliz. Há bandas que não têm pessoas interessantes, lançam mais um álbum com um monte de caras gordos... Não atrai interesse. Nós queremos criar uma “magia” com qualidade, bons músicos e a Angela no topo disso. Você junta tudo e atinge um novo nível. Ela é uma pessoa muito especial

Whiplash!: E você Michael, sabia que a entrada dela resultaria neste crescimento todo?

Michael Amott: Não sabia, foi um desafio que assumimos. Quando fizemos isso, em 2000, não havia muitas mulheres na cena, muito menos gritando do jeito que ela faz. Era algo como: “talvez funcione, talvez não”, não do tipo “isso vai dar certo, é dinheiro em nossas contas, vamos lá!”. Eu achei que as reações seriam piores, pois o metal é dominado pelos homens, um ambiente um tanto sexista. Mas tivemos uma aceitação muito grande.


Whiplash!: Já houve algum caso de preconceito?

Michael Amott: A Angela parece assustar as pessoas. Elas podem escrever coisas ruins na Internet sobre ela, eu ou a banda, mas nunca chegou alguém que fizesse esse tipo de críticas na cara. Quando você faz sucesso, tem quem não goste, mas não ligamos. Queremos satisfazer a nós mesmos e a nossos fãs, e a cada tour nosso público aumenta e fica mais forte. Nunca quisemos ser a maior banda do mundo, senão não faríamos música pesada e complexa, como fazemos. Essa não é a receita para isso. Fazemos porque amamos.

Whiplash!: Sharlee, conte um pouco da sua entrada no Arch Enemy. Você passou pelo lendário Mercyful Fate, mas parece que se achou mesmo aqui.

Sharlee D’Angelo: Foi uma sorte entrar no Mercyful Fate, uma das minhas bandas preferidas, onde aprendi muito. A diferença é que a banda já havia começado, então só me juntei a eles. Também cheguei ao Arch Enemy após alguns álbuns, mas pude ajudar a construir algo, o que é bem mais gratificante. Foi algo desafiador, já havia ouvido o “Black Earth”, que gosto muito, e entrar numa banda assim e ter a chance de torná-la ainda maior é ótimo.

(interrompidos pela assessora de imprensa, encerrando a entrevista)

Whiplash!: Como última pergunta, alguma pista para o set list?

Daniel Erlandsson: Será uma soma de canções novas e antigas, nada que ainda não tenha sido lançado, mas podem aguardar várias faixas do “Doomsday Machine”.

Whiplash!: Será baseado no DVD Live Apocalypse?

Daniel Erlandsson: Será bem melhor que o DVD!

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Sobre Maurício Dehò

Nascido em 1986, é mais um "maidenmaníaco". Iniciou-se no metal ao som da chuva e dos sinos de "Black Sabbath", aos 11 anos, em Jundiaí/SP. Hoje morando em São Paulo, formou-se em jornalismo pela PUC e é repórter de esportes, sem deixar de lado o amor pela música (e tentando fazer dela um segundo emprego!). Desde meados de 2007, também colabora para a Roadie Crew. Tratando-se do duo rock/metal, é eclético, ouvindo do hard rock ao metal mais extremo: Maiden, Sabbath, Kiss, Bon Jovi, Sepultura, Dimmu Borgir, Megadeth, Slayer e muitas, muitas outras. E é de um quarteto básico que espera viver: jornalismo, esporte, música e amor (da eterna namorada Carol).

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