Oficina G3: A banda de rock cristão mais respeitada do Brasil

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Por Maurício Gomes Angelo
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A banda de rock cristão mais respeitada e longeva do Brasil dá sinais claros de evolução e amadurecimento em seu novo trabalho, "Além do Que os Olhos Podem Ver", trazendo traços claros de uma agressividade que andava contida há muito tempo. Foi para falar sobre este trabalho (possivelmente o melhor da banda) e esta nova fase que conversamos com seu consagrado guitarrista Juninho Afram.

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Whiplash! - Para inteirar o público do Whiplash! a respeito da história da banda, gostaria que nos falasse sobre os primórdios, o começo como grupo de louvor da igreja do Pr. Manga, também vocalista do G3, o cenário na época, dificuldades encontradas, padrão de composição, objetivos, etc.

Juninho Afram - Bem, tudo começou em 1987 na igreja "Cristo Salva", conhecida pela galera como "Igreja do Tio Cássio" onde eu, Manga, Walter, Maradona e Túlio tocávamos no 3º grupo da igreja, que como não tinha um nome, chamávamos de "G3", uma abreviação de grupo 3. Nós tínhamos o mesmo gosto musical, o rock n' roll, e o mesmo objetivo, falar através da música sobre o que acreditamos e vivemos com Deus. Em 1990 gravamos o nosso primeiro LP, que foi ao vivo na extinta casa de shows "Dama Xoc". Neste dia também, acrescentamos "Oficina" ao nome da banda, que até então era apenas "G3". Na época em que começamos, o cenário gospel era muito restrito e a maior dificuldade sempre foi o preconceito. Hoje já temos 8 trabalhos gravados, 2 dvds e algumas coletâneas lançadas pelas gravadoras. Dos fundadores, só sobrou eu, mas a formação atual, eu, Duca e Jean temos um bom tempo juntos, quase 11 anos, e boas histórias pra contar!

Whiplash! - O lema "Jesus, vida e rock n' roll" apregoado pelo antigo baterista Walter Lopes continua em evidência?

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Afram - Algumas frases como "sexos, drogas e rock n' roll" ou mesmo "o diabo é o pai do rock" nos trouxeram muitas dificuldades, porque muita gente comprou essa idéia, principalmente a galera que não entende nada de música mas critica muito. Com base nestes "rótulos", de um lado ficou a galera do gospel dizendo que o rock era do diabo, e de outro lado a galera que não é do gospel dizendo que o rock com Jesus não combinava. Chegava até ser engraçado! Foi com o objetivo de mudar esse "rótulo" que rolou esse lance do "Jesus, vida e rock n' roll", porque é nisso que acreditamos. O bom e velho rock 'n roll é um estilo e cada um fala o que quiser através dele e nós falamos daquilo em que acreditamos.

Whiplash! - Pergunta indefectível: o que está por trás do nome Oficina G3?

Afram - "G3" é a abreviação de grupo 3 e "Oficina" veio da idéia de um lugar onde se conserta coisas. Nós falamos de um Deus que é o único que pode consertar o homem.

Whiplash! - Após a saída do já citado Walter Lopes, nenhum baterista foi efetivado no grupo, porque? Pretendem ter mais um membro fixo? Quais predicados esta pessoa deve ter para integrar o G3?

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Afram - A maneira como estamos hoje está bem legal, mesmo não sendo o batera efetivo da banda, o Lufe está com a gente há quase 3 anos. Nós não estamos fechados para o assunto, mas só faríamos qualquer alteração na estrutura se houvesse necessidade ou sentíssemos que é a hora.

Whiplash! - Como se deu a entrada do vocalista PG e porque uma mudança sonora tão evidente com a sua chegada? Decisão conjunta da banda? A gravadora chegou, em algum momento, a interferir neste aspecto? O que este período trouxe para vocês?

Afram - O Manga era pastor e foi transferido para o Rio de Janeiro para cuidar de uma igreja e com isso ficou impossível dar continuidade ao trabalho do G3 em véspera de se gravar um novo álbum, que na época era o cd acústico, então optamos, juntamente com o Manga, em escolher um substituto para o vocal. Fizemos um convite ao PG, que era da mesma igreja que a nossa. Eu acho que não houve "um" culpado para as mudanças sonoras, as coisas foram simplesmente acontecendo. Passamos por várias fases e isso refletiu no nosso som. Aprendemos muito com tudo o que vivemos e isso nos fez amadurecer. Hoje sabemos melhor onde queremos chegar.

Whiplash! - A relação com os antigos fãs ficou obviamente estremecida durante esta "fase PG", não houve um sentimento de culpa ou saldo devedor com estes?

Afram - Uma coisa que nós somos muito gratos é o fato de que a galera que gosta do G3 é fiel, e mesmo não gostando de muita coisa, a galera não deixou de nos acompanhar. Essa moçada sempre pedia um cd mais pesado e quando a gente estava produzindo "Além do que os olhos podem ver" nós também pensamos neles. Eu e o Duca pretendíamos até fazer uma faixas estilo "Glória" e "Duca's Jam" do "Indiferença", mas acabou não dando tempo!

Whiplash! - Depois do controverso "Humanos", PG abandonou o grupo. Quais os reais motivos desta separação?

Afram - Ele quis seguir o seu caminho, ter a sua carreira, não era a nossa vontade, mas foi a decisão dele.

Whiplash! - Em seguida, você resolveu acumular o posto de vocalista e guitarrista, não houve uma pesquisa para encontrar um substituto ou esta foi a decisão mais natural? Irá assumir em definitivo o papel de frontman da banda ou está nos planos procurar um outro cantor?

Afram - Eu já cantava algumas músicas no G3, mas, honestamente, não estava nos meus planos acumular a função de lead-vocal. Muita gente mandou material, chegamos a fazer testes com algumas pessoas, mas não deu o "click". Acabei assumindo pela necessidade! Confesso que é muito legal cantar, mas às vezes se torna complicada a tarefa de tocar e cantar, um desafio! Se é definitivo? Só Deus sabe!

Whiplash! - Você sempre foi considerado um dos melhores guitarristas do Brasil, por toda mídia especializada. Contudo, os últimos álbuns do G3 não deixavam - em grande parte - que demonstrasse seu talento. Em que aspectos este novo trabalho o permitiu desenvolver novos experimentos e arriscar um punch mais ousado? Como isto foi trabalhado?

Afram - Nesse novo trabalho procuramos dar mais espaço para o instrumental, permitindo que eles "contassem histórias" durante a música. Isso deixou um espaço bem amplo para se trabalhar, não só para a guitarra, mas para todos. Muitos desses "espaços" nós já pensamos durante a composição, fora as coisas que "pintaram" no estúdio.

Whiplash! - As músicas são compostas em cima da guitarra ou não há ordem definida para que isto aconteça? Como ocorre o processo de composição da banda?

Afram - Para compor não usamos nenhuma regra. A coisa acontece naturalmente, seja de um riff de guitarra, uma levada de baixo, teclado... Alguém traz uma idéia e nós desenvolvemos juntos. Esse cd foi uma experiência bem legal, porque fizemos praticamente tudo juntos!

Whiplash! - É perceptível um grande acuro técnico em todos os segmentos que cercam o novo trabalho, a começar pela capa, um ótimo combinado de singelos tons azuis com o vermelho mais vivo e o logo da banda em marca d'água, até a produção, equilibrada e sábia ao mixar de forma vigorosa os canais de todos os instrumentos com os vocais. Consideram esta a melhor estrutura que já tiveram para a gravação de um álbum? Podemos dizer que a atenção aos detalhes foi maior?

Afram - O que podemos dizer, é que foi o trabalho que mais nos agradou, não só pelo que se ouve nele, mas por todo o projeto! Não posso esquecer que há outros "culpados" por este projeto, o Gera, produtor musical e Marcelo Rossi, designer gráfico, dois grandes profissionais! A estrutura em si foi a mesma do "Humanos", o diferencial talvez tenha sido mesmo nos detalhes, desde o repertório, timbragem, até a finalização!

Whiplash! - No mês de lançamento do álbum, quando ainda não tinha tido a oportunidade de ouvi-lo, alguns amigos relataram que a sonoridade pendia mais para um "metal progressivo", o que obviamente me surpreendeu, o que considerei um exagero, após resenha-lo pude constatar que há sim uma certa verdade nisso. Até que ponto essa observação procede? Os membros tem o costume de ouvir heavy metal?

Afram - Ouvimos de tudo, inclusive heavy metal, e alguma coisa sempre acaba te influenciando. Honestamente nunca parei para analisar como que estão soando as nossas músicas! Agora eu já sei que se alguém me perguntar sobre o cd, eu posso dizer que tem um toque de "metal progressivo"!! (risos).

Whiplash! - O uso de elementos eletrônicos vem sendo uma constante para vocês, felizmente colocados discretamente e com razão de ser, a exemplo do que faziam as bandas de rock progressivo das décadas de 60/70 e do que diversos artistas fizeram durante os anos 80/90. Quem programa as partes eletrônicas? Como agregam este "extra" ao som tradicional de uma banda de rock? Qual o objetivo delas?

Afram - Essa parte de grooves eletrônico, nós fazemos com o Gera, o nosso produtor, ele é o homem das programações. As vezes já criamos a música pensando em um groove eletrônico ou a idéia vem depois. A idéia é enriquecer a música criando climas diferentes e dinâmicas diferenciadas.

Whiplash! - A faixa de abertura, "Mais Alto", já externa claramente todas as mudanças implementadas: afinações mais baixas que de costume, riffs bem trabalhados, teclados cheios de reverb, partes quase que jazz-fusion, estribilhos marcados por um trabalho instrumental especifico, características que se estendem a "Réu ou Juiz" e "Meu Legado", além de obviamente durante o resto da bolacha, tal relativo nível de complexidade e variedade nas canções, amalgamando várias vertentes, seria o retrato mais fiel do que é o Oficina G3 enquanto músicos e compositores até hoje?

Afram - Acho que sim! Acredito que este cd descreva o que é o Oficina G3, nossas experiências, tanto de vida, como musicais!

Whiplash! - Por falar em jazz, percebi também algo do blues, do pop mais psicodélico e da soul music, além daquele hard rock pesado e melodioso, como um Van Halen, ou, em termos gerais, se aproximando de um Supertramp ou Chicago, tais suspeitas procedem?

Afram - Boa pergunta! hehehehe. Pode ser! Honestamente nunca analisei por este lado! Está parte eu deixo pra vocês que são feras no assunto!

Whiplash! - Como tem sido a recepção do público nos shows? Houve uma renovação em virtude do novo caminho tomado?

Afram - A galera que nos acompanha é "11" e eles tem dado um feedback muito legal, tanto do cd como dos shows! Renovação eu não tenho visto, o que eu tenho observado é que cada vez mais pessoas que não são do meio gospel tem curtido o nosso som e tem ido aos nossos shows! Muito legal isso!!

Whiplash! - Que bandas dariam um panorama interessante das influências musicais dos três integrantes?

Afram - Vou falar por mim, comecei a tocar por causa do David Gilmour do Pink Floyd. Outra influência foi o Stryper, a maior banda cristã de metal, e diversos outros...fora os guitarristas como Steve Morse, Van Halen, Yngwie Malmsteen, Steve Vai...

Whiplash! - Pode-se dizer que esta predominância no peso, conjugando o metal, o rock, o hard, o pop, o progressivo e o eletrônico aliado à técnica em maior evidência, será a tônica - em sentido de identidade, não de repetição - do Oficina G3 daqui em diante?

Afram - É bem provável! Nós sempre procuramos inovar de um cd para o outro, mas algo que nós queremos manter é a identidade da banda!

Whiplash! - Bem, muito obrigado pela entrevista. Deixe uma mensagem aos leitores do Whiplash!

Afram - Eu quero agradecer ao Maurício Angelo e a toda a galera do site Whiplash pelo espaço que nos foi aberto e pela qualidade e profissionalismo sem preconceitos! Sucesso para vocês! Quero também agradecer a galera que nos acompanha. Valeu Galera!! Abraço a todos!! God Bless You!!!

Site Oficial: www.oficinag3.art.br




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Sobre Maurício Gomes Angelo

Jornalista. Escreve sobre cultura pop (e não pop), política, economia, literatura e artigos em várias áreas desde 2003. Fundador da Revista Movin' Up (www.revistamovinup.com) e da revrbr (www.revrbr.com), agência de comunicação digital. Começou a escrever para o Whiplash! em 2004 e passou também pela revista Roadie Crew.

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