Dragonheart: Profissionalismo e competência no Power Metal

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Por Paulo Finatto Jr.
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Após causar grande impacto na cena nacional e internacional com "Underdark" e principalmente "Throne Of The Alliance", o Dragonheart volta forte, mais do que nunca, em seu novo álbum, "Vengeance In Black".

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Edição: Thiago Pinto Corrêa Sarkis

Novamente os paranaenses dão uma aula de competência, musicalidade, e profissionalismo, acompanhados por nomes como Andreas Marshall (artista gráfico, que já trabalhou com Rage e HammerFall), e Tommy Hansen (famoso por produzir, mixar e masterizar artistas do calibre de Helloween e Pretty Maids). As respostas ao excelente álbum aparecem de imediato e o grupo já começa a pensar no futuro.


Em entrevista exclusiva ao Whiplash!, Maurício Taborda nos falou sobre este sucesso do Dragonheart, as minúcias de cada álbum, o trabalho com figuras legendárias do metal, a saída de Eduardo Marques, e muito mais. Confira...

Whiplash! - Em 2001 foi noticiado que o Dragonheart vencera uma batalha na justiça por posse do nome, já que existia um grupo homônimo na Inglaterra. Como vocês ficaram sabendo desta outra banda e como se desenrolou esta situação?

Maurício Taborda - Nunca houve nada oficial juridicamente sobre essa questão. O que aconteceu é que em 2000 encontramos na internet uma banda que também estava usando o nome Dragonheart, tendo inclusive copiado as fontes e cores utilizadas em nosso site naquela época. A princípio não tomamos nenhuma atitude, pois já estávamos no mercado desde 1997, tendo feito o registro do nome para esses fins no ano de 1998, portanto não tínhamos muito com o que nos preocuparmos. Acontece que de repente um integrante da banda inglesa ameaçou o Marco através do ICQ, ofendendo e dizendo com todas as letras que a gente poderia desistir do nome, pois eles estavam na Inglaterra e nós éramos simples terceiromundistas insignificantes para os europeus. Porém como já havíamos enviado a demo "Gods Of Ice" e também o "Underdark" para várias gravadoras européias, eles foram obrigados a trocar o nome pela gravadora que tinha interesse neles. Realmente é um assunto que não gostamos de comentar por tratar-se de um fato descartável na história da banda.

Whiplash! - Falando nesta demo "Gods Of Ice"... o que você nos diria sobre a aceitação deste primeiro trabalho e como foi possível o lançamento do "Underdark" em 2000?


Maurício Taborda - Foi realmente impressionante o que aconteceu. Com seis meses de banda entramos em estúdio com uma produção precária, pois estávamos pagando tudo do nosso bolso e gravamos o "Gods Of Ice". Toda a prensagem foi direcionada para revistas e gravadoras, brasileiras e estrangeiras. Tivemos algumas críticas que acabaram sendo convertidas em grande interesse pela banda, coisas como "sobras de estúdio do Running Wild" (risos). Muita gente entrou em contato conosco dizendo que se era algo desse estilo eles queriam ouvir! Em pouco tempo surgiram algumas propostas e na época acabamos assinando com a Megahard de São Paulo. Para o lançamento do "Underdark" tivemos que assumir as rédeas do negócio, pois inicialmente a intenção era para que a gravação fosse feita em São Paulo, porém, nada correu da maneira combinada e nossa opção foi voltar e regravar tudo em Curitiba. Apesar de contar com uma produção novamente paga praticamente só pela banda fizemos um bom trabalho, que teve bons resultados pela Europa.

Whiplash! - "Underdark" foi o álbum responsável por todo o reconhecimento do Dragonheart tanto aqui no Brasil como no exterior. Qual teria sido a razão para essa repercussão?

Maurício Taborda - Devido à forma de trabalho da gravadora na época de trocas e mais trocas de CDs com outras lojas e gravadoras européias, o "Underdark" acabou chegando a vários países, tendo inúmeros reviews e até algumas matérias publicadas na Alemanha, Grécia e na Rússia, por exemplo. Com isso vários contatos surgiram e nosso nome começou a ser realmente conhecido.

Whiplash! - Quem lançou "Throne Of The Alliance" primeiramente foi a gravadora HTR Records. Que tipo de problemas vocês tiveram com este selo para que buscassem um novo nome para o relançamento deste mesmo álbum?


Maurício Taborda - A HTR surgiu como um grande projeto, sendo que inicialmente ela não agiria apenas como gravadora e sim tomaria cuidado de todas as coisas do Dragonheart. Assinamos com essas condições e por uma grande produção do CD. Porém com o tempo a idéia original acabou se perdendo, foram incluídas outras bandas no cast e o foco de trabalho se perdeu. Pouco a pouco a gravadora foi desistindo de atuar no mercado devido a problemas particulares e do meio musical mesmo. Pelo menos para a gente ficou a boa produção feita em torno do "Throne Of The Alliance", pois o álbum despertou tanto interesse que se manteve no mercado com uma boa procura desde 2002, tanto no Brasil como lá fora também. Ter conseguido o pioneirismo de um trabalho do Andreas Marschall e do Finnvox com alguma banda da América Latina para a gente também foi fator de muito orgulho para nós. Buscamos uma nova parceira para o relançamento, pois tínhamos certeza que o mercado aceitaria bem essa reprensagem do CD.

Whiplash! - E o acerto ocorreu com a Hellion Records, que não apenas reprensou "Throne Of The Alliance" como também lança o novo álbum, "Vengeance In Black". Como está sendo trabalhar com esta que é uma das gravadoras que melhor apóia a cena metal nacional?


Maurício Taborda - Como o trabalho feito no relançamento foi muito bom, demos total prioridade para a assinatura novamente com a Hellion Records, afinal queríamos trabalhar com uma gravadora transparente que nos mostrasse serviço, mantivesse sua palavra e, além disso, ouvisse nossas opiniões. Isso acontece claramente com a Hellion. Tudo a respeito da produção que gira em torno do "Vengeance In Black" foi discutido e argumentado por ambas as partes, afinal eles têm 15 anos de trabalho e somados às nossas experiências nesses 8 anos de carreira, era muito difícil que fizéssemos alguma besteira. Partimos agora para a segunda fase do lançamento do CD que é a turnê "Vengeance In Tour" e temos toda a certeza que o bom trabalho será mantido.

Whiplash! - Ainda falando de "Throne Of The Alliance", estão impecáveis capa e a produção, fato que se repete em "Vengeance In Black". Como pintou a oportunidade de ter Andreas Marschall como artista gráfico nestes dois discos?


Maurício Taborda - A idéia surgiu nas primeiras conversas com a HTR. Queríamos fazer algo que marcasse o "Throne Of The Alliance" e um dos 'sonhos' que fazia parte do projeto era a participação dele com a capa. Para confirmar a continuidade da história iniciada anteriormente, decidimos com a Hellion que o Andreas teria que fazer novamente a arte e ainda bem, tudo deu certo novamente. É maravilhoso trabalhar e conhecer o modo de trabalho de um gênio como ele. A quantidade de detalhes que podemos verificar em cada arte é impressionante, ainda mais sabendo que os desenhos são feitos em tela, sem utilização de computadores. Já pensamos inclusive em fazer vinis ou até mesmo picture discs para ressaltar ainda mais a obra feita nos dois CDs. E quanto à arte nos encartes, também contamos com o apoio de dois grandes profissionais da empresa de design e hipermídia E-WEG (http://www.eweg.com.br), Fabricio e Julio Piccinini, que fazem também os serviços de webmasters do site oficial do Dragonheart, que por sinal está voltando ao ar essa semana, com novo visual e conteúdo.

Whiplash! - No primeiro álbum da nova saga do Dragonheart a masterização ficou por conta de Mika Jussila, que já trabalhou com o Nightwish, por exemplo. Neste novo disco, o mesmo trabalho ficou a cargo de Tommy Hansen, que já assinou produções do Helloween. Por que vocês não optaram pela continuidade do trabalho do Mika Jussila?

Maurício Taborda - A masterização na verdade é a finalização do trabalho feito em um CD; trata-se mais da distribuição de volumes finais e equalização de cada som que aparecerá no álbum. Portanto não permite tanto ao responsável por esse trabalho modificar ou criar em cima de alguma coisa já mixada. Uma das coisas que pretendemos ainda é fazer um CD com um produtor em tempo integral ao nosso lado, porém, como nosso orçamento e uma certa teimosia de nossa parte (risos), ainda não nos permitiam essa condição para o "Vengeance In Black", fizemos questão de dar mais um passo à frente em relação ao "Throne Of The Alliance". Planejamos desde o início a realização da mixagem lá fora. Nesse estágio ainda é possível que um produtor de qualidade deixe sua marca em um álbum colocando as músicas a seu gosto e à intenção do conceito do disco. Foi o que aconteceu. Tínhamos algumas opções, mas quando foi confirmado o espaço na agenda do Tommy Hansen não pensamos duas vezes e acertamos com ele. Certamente o resultado final do "Vengeance In Black" não seria o mesmo sem a participação de um cara com a experiência e conhecimento de Heavy Metal que ele tem.

Whiplash! - São poucas as bandas nacionais que buscam produções a este nível que o Dragonheart procurou, especialmente com produtores já consagrados e de renome internacional. Como eles lidam com uma banda brasileira, que mesmo já bem conhecida, ainda não chegou no mesmo porte de um Angra, Shaaman ou Krisiun?

Maurício Taborda - Primeiramente cabe ressaltar que todos os profissionais estrangeiros com os quais já trabalhamos, Mika Jussila, Tommy Hansen, Olaf Senkbeil (vocalista do Dreamtide) e até mesmo o Andreas Marschall fizeram questão de ouvir os trabalhos da banda antes de assinarmos qualquer coisa. Acreditamos que o "Underdark" e o "Throne Of The Alliance" nos serviram como boas credenciais para que pudéssemos contar com os trabalhos desses grandes profissionais. Quanto a trabalhar com profissionais de fora cabe uma explicação. Mesmo com a grande evolução dos estúdios nacionais, ainda é impossível para uma banda nacional fazer um trabalho completo em um CD aqui e ter o mesmo respeito lá fora. Quanto aos produtores, a exigência deles sempre foi também em relação aos registros originais das gravações que mandamos para que eles pudessem executar seus trabalhos. Com o Mika Jussila foi somente a questão do formato para o envio desses registros, para que fossem compatíveis com o equipamento que ele trabalha no Finnvox, já o Tommy Hansen, como realizou também a mixagem, exigiu que mandássemos as gravações com a maior qualidade possível para que ele pudesse fazer com tranquilidade seu serviço; isso inclusive nos influenciou a uma outra mudança em relação às três gravações anteriores que o Dragonheart tinha feito. Começamos as gravações em um estúdio e fomos finalizar em outro que nos forneceu toda essa qualidade exigida para a mixagem ser feita lá fora. Mudamos para o Nico's Studio (http://www.nicosstudio.com.br), e podemos dizer com toda a certeza que trata-se de um dos estúdios mais modernos e qualificados do Brasil. Além do equipamento monstruoso, possui uma equipe de profissionais altamente qualificados e com muita experiência. Não podemos deixar de comentar também sobre a participação do vocalista Olaf Senkbeil da banda de Hard Rock alemã Dreamtide (ele também já fez os backing vocals para Blind Guardian, Grave Digger, Helloween, entre outros). Ele canta a balada "Heart Of A Hero" no "Vengeance In Black" e também ficou muito contente e empolgado em trabalhar com uma banda brasileira que está começando a aparecer bem também na Europa.

Whiplash! - Um diferencial em "Vengeance In Black" é o fato da banda trazer um novo músico na sua formação, o André Mendes em substituição ao guitarrista e vocalista Eduardo Marques. O que vocês podem comentar sobre esta mudança?

Maurício Taborda - Primeiramente acredito que a entrada do André é um dos diferenciais do "Vengeance In Black", mas certamente não é o único. Quanto ao Eduardo, ele teve dificuldades em conciliar sua vida fora da banda e os momentos que a precisávamos da presença dele. Por um período insistimos para que ele fizesse um esforço e continuasse com a gente, porém no dia 20 de agosto de 2002, ele nos informou por e-mail que estava saindo da banda. De nada adiantaria forçar a situação insistindo para que ele continuasse. Acredito não há nada na vida que uma pessoa faça sem motivação e vontade e possa se sair bem e satisfeito. Então seguimos em frente e fizemos em trio um show em Barueri / SP no dia 24 de agosto do mesmo ano, apesar da ausência de uma guitarra. A resposta do grande público no local foi ótima e muita gente que não conhecia a banda veio nos cumprimentar após o show por fazer um som nesse estilo em um trio! (risos) Porém o estilo do Dragonheart exige uma segunda guitarra e por isso fomos atrás de alguém que pudesse assumir o posto deixado. Poderíamos ter feito isso em estúdio com o Marco gravando todas as guitarras, porém procuramos sempre ser o mais sincero possível com o nosso público, e o que cada um escuta no CD é o que vai ver ao vivo nos nossos shows. Logo, em pouco tempo chegamos até o André Mendes, que já tínhamos visto em algumas apresentações com bandas covers. Acredito que ganhamos muito com a entrada de um excelente músico e guitarrista, com um estilo vocal diferente do que tínhamos anteriormente. O resultado pode ser facilmente verificado no "Vengeance In Black". O estilo dele se encaixou perfeitamente com a continuação que a história precisava.

Whiplash! - Ainda falando sobre "Throne Of The Alliance", quando eu resenhei o álbum na época do lançamento, citei músicas como "The Blacksmith", "Mountain Of Rising Storm", "Hall Of Dead Knights", e a faixa-título, como os maiores destaques. São realmente estas as músicas que melhor resposta do público obtiveram nos shows de divulgação do CD?

Maurício Taborda - Com certeza a "The Blacksmith" foi a música mais comentada do CD. Ela trouxe pela primeira vez o Marco Caporasso nos vocais principais e por ser mais direta e extremamente vibrante, conquistou muita gente que não gostava da banda anteriormente. Além dessas músicas que você citou temos que incluir também a "...And The Dark Valley Burns" que hoje em dia é praticamente obrigatória nos shows. Agora, o que nos deixa mais contentes com o resultado do "Throne Of The Alliance" é que nos shows que temos feito ultimamente o público tem cantado muito junto com a gente.

Whiplash! - Falando em shows, o Dragonheart é a única banda a participar de todas as edições do Brasil Metal Union, o mais conhecido festival em nível de metal nacional. Como vocês se sentem perante este reconhecimento já que a escolha das bandas é por meio de votação popular?

Maurício Taborda - Não participamos da edição do ano passado, talvez, porém em todas as vezes que somos chamados para um show ou festival com tamanha repercussão ficamos muito contentes. É sinal de que nosso trabalho está sendo feito corretamente e atingindo nossos objetivos. Algo interessante em relação ao "B.M.U." é o grande crescimento que o evento teve desde o seu início, o que prova que o público de Heavy Metal aceita grandes eventos mesmo que só com bandas nacionais. É uma quebra dos costumes daqueles que só saem de casa para ver shows internacionais, e uma forma de valorização do Heavy Metal nacional. Além disso, foi ótima oportunidade para voltarmos a tocar em São Paulo, algo que não fazíamos desde a abertura para o Grave Digger em outubro de 2003.

Whiplash! - "Vengeance In Black" liricamente dá continuidade à história de união dos reinos de Claymored e Fhalkior. O que podemos esperar sobre esta história na terceira e última parte da trilogia, que virá no próximo disco?

Maurício Taborda - Toda a história contada nessa trilogia surgiu do Marco Caporasso. No começo foi até motivo de muitas risadas quando ele chegava contando que tinha sonhado com determinada história e nos passava vários detalhes. Para nossa sorte ele foi anotando essas histórias e conseguiu dar um excelente formato a elas. Segundo ele, a terceira e última parte da trilogia já está toda na cabeça dele, inclusive com nomes de músicas já definidos. Contudo, ele não conta para ninguém! (risos) Certamente não vai ser nada previsível, tomando por base o que aconteceu no "Vengeance In Black"!

Whiplash! - "Throne Of The Alliance" trouxe "Rebellion (The Clans Are Marching...)", cover do Grave Digger. Vocês chegaram a pensar em incluir neste novo disco também um cover de alguma outra banda, como o Blind Guardian, por exemplo? Digo isto porque vocês costumavam executar ao vivo uma interessante versão de "Into The Storm"...

Maurício Taborda - A gravação de um cover para um disco oficial é uma coisa um tanto quanto complicada, pois envolve uma porção de fatores, como direitos autorais, direitos de execução, entre outros. Essas liberações têm que ser dadas oficialmente o que é muito complicado. No "Throne Of The Alliance" achamos que seria interessante e corremos atrás de tudo isso porque queríamos firmar de vez a imagem da banda como não tendo apenas um vocalista, além de fazer uma homenagem a uma das nossas maiores referências. Já para o "Vengeance In Black", achamos que não seria necessário, uma vez que além da divisão dos vocais principais ter sido ainda mais utilizada, conseguimos a participação especial de um outro grande vocalista, o Olaf Senkbeil, do Dreamtide.

Whiplash! - Por falar em "Rebellion", fiquei sabendo que os próprios membros do Grave Digger tiveram acesso a esta versão que vocês gravaram. Quais foram os comentários dos músicos alemães sobre o trabalho de vocês?

Maurício Taborda - Desde os primeiros contatos para a gravação do cover, uma das coisas que ficou combinado é que eles seriam os primeiros a ouvir a nossa versão, até mesmo para confirmar ou não a autorização. Depois ainda tivemos o contato pessoal com eles na viagem entre Curitiba e São Paulo e São Paulo e Santos, quando fizemos a abertura dos shows deles em 2003. Foi então que comentamos mais especificamente com o Chris Boltendahl, que ficou muito contente e nos disse que para ele era muito gratificante que uma banda do Brasil tivesse feito uma versão para uma música do Grave Digger. Ele até deu umas risadas sobre as comparações que as pessoas fazem em relação ao meu vocal e o dele. Na época das gravações do "Throne Of The Alliance" tentamos a participação dele nos vocais em qualquer música do CD, e ele havia escolhido a "Hall Of Dead Knights", só que infelizmente a agenda deles que estavam em fase de lançamento do "The Grave Digger" não permitiu que ele fizesse as gravações.

Whiplash! - Sobre as novas músicas, quais são, na opinião da banda, os maiores destaques? Vocês já chegaram a apresentar alguma delas nos últimos shows da turnê do "Throne Of The Alliance"?

Maurício Taborda - Como sempre fizemos, desde o "Gods Of Ice", gravamos inicialmente quatro ou cinco músicas para distribuímos para gravadoras uma espécie de promo ou até mesmo demo do que virá a ser o CD completo e, devido a isso, já vínhamos tocando nos shows algumas das músicas que fizeram parte dessa promo. "Queops Escape" e "Silent Sentinel" por exemplo. Acreditamos também que "Secret Cathedral", "Calling The Dragons", "Eyes Of Hell" e a "Heart Of A Hero" têm sido as músicas com melhor aceitação nos primeiros comentários que estamos recebendo a respeito do CD, por parte da imprensa e também de quem já adquiriu o "Vengeance In Black".

Whiplash! - "Throne Of The Alliance" teve pretensões de ser lançado no exterior. Vocês chegaram a concretizar isso? Há o mesmo objetivo para "Vengeance In Black"?

Maurício Taborda - Para nós foi até uma surpresa quando recebemos em meados de 2003 um contato da CD-MAXIMUM com interesse no lançamento do "Throne Of The Alliance" na Rússia e nos países bálticos, afinal se tratava de um CD com mais de um ano de lançamento. Só que infelizmente eles não fizeram mais nada além da prensagem do CD. Não teve propagando, , nem nenhum tipo de promoção do CD, nem da banda. Para o "Vengeance In Black" estamos com outro pensamento. É claro que temos o interesse de que seja lançado oficialmente lá fora, mas desde que dessa vez a coisa seja feita da maneira certa, para que a gente realmente tenha retorno na negociação.

Whiplash! - Um cenário underground que sempre viveu em constante evolução é o paranaense, tanto que nos últimos anos o Paraná abrigou muitos shows internacionais que passaram pelo Brasil. Como vocês vêem a relação do sucesso do Dragonheart com a do próprio cenário local?

Maurício Taborda - Sinceramente não acredito que a carreira do Dragonheart tenha uma relação direta com o crescimento da cena local como referência de shows. Isso se deve exclusivamente ao público daqui que é maravilhoso, extremamente fiel ao Heavy Metal, pois tem lotado há vários anos shows realizados sempre nos meios de semana ou aos domingos à noite, que são datas complicadas para a maioria que precisa trabalhar ou estudar na manhã seguinte. O inverso sim é verdadeiro, o Dragonheart só chegou onde está e continua crescendo graças ao enorme suporte que recebe dos fãs de Heavy Metal paranaenses, pois nosso início foi totalmente influenciado pela grande aceitação que tivemos aqui.

Whiplash! - Falando no cenário de um modo geral, hoje a cena brasileiraestá preparada para concorrer com outras já tão tradicionais no Heavy metal como Alemanha, Suécia e Itália, por exemplo?

Maurício Taborda - Com certeza em termos de bandas sim. Temos muitos grupos bons boas aqui em praticamente todos os estilos. O único problema é o preconceito ainda enfrentado de chegar lá fora e apresentar um disco inteiramente trabalhado aqui no Brasil. Todas as bandas brasileiras que são respeitadas lá fora têm feito ou então fizeram seus grandes álbuns de destaque fora do Brasil e trabalharam com renomados produtores europeus ou americanos. Infelizmente isso ainda é uma grande verdade, por melhores profissionais, equipamentos e estúdios que tenhamos hoje em dia no Brasil, acaba sendo uma questão de 'know-how' mesmo. Eles têm pelo menos uma década na nossa frente nesse quesito. Quanto a shows pequenos ainda temos problemas também, já que na maioria das vezes os organizadores fazem de tudo para que os shows tenham estrutura e sejam bem feitos, mas infelizmente as coisas ainda estão longe do ideal. Em alguns lugares existem verdadeiros "caciques" que tomam conta da cena e não enxergam o quanto poderiam ganhar se fizessem as coisas direito. A cena pequena só se mantém porque o público é muito fiel e está sempre querendo ver as bandas ao vivo. Se as coisas fossem um pouquinho mais organizadas a cena não pararia de crescer! Para o fortalecimento definitivo em termos nacionais, precisamos também do retorno pelo menos de um ou dois grandes festivais que tragam grandes bandas de fora, mas que também dêem espaço para as bandas nacionais.

Whiplash! - É isso aí. Obrigado pela entrevista, e para finalizar peço que deixem uma mensagem para os fãs do Dragonheart que acompanharam esta matéria aqui no Whiplash!.

Maurício Taborda - Gostaríamos inicialmente agradecer o espaço mais uma vez cedido no Whiplash!. Vocês são muito importantes na cena Rock / Hard / Heavy, porque se tornaram uma espécie de referência na Internet, um ponto para quem quer saber as novidades na música. Para os fãs do Dragonheart, eu gostaria de dizer que estamos de volta. O "Vengeance In Black" é sem dúvida o melhor trabalho da banda até agora e ainda há muito mais por vir. Juntem-se a nós nessa jornada, vocês fazem parte dessa história também! Nos veremos na estrada... a "Vengeance In Tour" começa logo e poderá estar na sua cidade! Entrem em contato com a gente através do nosso site: http://www.dragonheart.com.br, ou através do Orkut. Na medida do possível estaremos atendendo a todos vocês!

Site Oficial do Dragonheart - http://www.dragonheart.com.br




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Sobre Paulo Finatto Jr.

Reside em Porto Alegre (RS). Nascido em 1985. Depois de três anos cursando Engenharia Química, seguiu a sua verdadeira vocação, e atualmente é aluno do curso de Jornalismo. Colorado de coração, curte heavy metal desde seus onze anos e colabora com o Whiplash! desde 2000, quando tinha apenas quinze anos. Fanático por bandas como Iron Maiden, Helloween e Nightwish, hoje tem uma visão mais eclética do mundo do rock. Foi o responsável pelo extinto site de metal brasileiro, o Brazil Metal Law, e já colaborou algumas vezes com a revista Rock Brigade.

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