BMU: Richard Navarro: "É impossível se agradar a todos!"

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Por Rafael Carnovale
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O Brasil Metal Union já é uma realidade. Não apenas um ideal ou uma fantasia a ser realizada. Indo para sua quinta edição em 2005, o festival agrega 14 bandas de diferentes estilos mais duas homenagens especiais a bandas já consagradas: Dr Sin e Korzus. Mas justamente neste ano, aonde se comemora os dois anos da parceria entre o "zine" Heavy Melody e a TOPLINK, que permitiu que o festival fosse levado para o CIE MUSIC HALL com maior estrutura e apoio, começam a surgir diversas críticas para todos os lados. Já devíamos uma entrevista com Richard Navarro, idealizador do BMU, desde 2004, e agora é a ocasião perfeira para falarmos sobre tudo o que ocorre na esfera do festival, com ninguém mais ninguém menos do que seu idealizador.

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WHIPLASH! - Primeiramente vamos falar sobre seu envolvimento com o rock/metal. Como toda essa paixão começou?

RICHARD NAVARRO / Bom, não tenho músicos em minha família, mas a paixão pelo rock começou cedo. Quando eu tinha mais ou menos uns 9 ou 10 anos de idade, ficava em frente uma loja de discos enquanto esperava a perua para me levar a escola e todos os dias naquele mesmo horário rolavam músicas como "Still Love You"(Scorpions), "I Love it Loud"(Kiss), "Radio Ga-Ga"(Queen) e "I was Born to Love You"(Freedie Mercury) e eu passei a adorar aquilo. Aliás, até hoje o Queen é a minha banda preferida. A partir daí, comecei a conhecer Deep Purple, Led Zeppelin, Iron Maiden, Metallica, Judas Priest, Slayer, Helloween, Sepultura, Viper e tudo de melhor que rolou no final dos anos 80 e toda década de 90. Sobre o início do Heavy Metal no Brasil, embora eu não tenha acompanhado a época, pesquisei bastante e tenho um belo acerco envolvendo coisas obrigatórias como as lendárias coletâneas SP Metal, o Harppia, o Salário Mínimo e o principal da cartilha do Metal nacional. A partir da segunda metade dos anos 90, posso dizer que tenho material da grande maioria das bandas e me especializei nisso, tanto que hoje sou muito mais familiarizado com a cena do Metal underground do Brasil do que acontece no atual cenário do Metal mundial, sinceramente.

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WHIPLASH! - Você fundou o "Heavy Melody Zine". Ele ficou em atividade por um bom período. Como foi essa época e porque você o interrompeu?

RICHARD NAVARRO / Na verdade quem fundou o Heavy Melody zine foi meu amigo Marcelo Motta Gato, em 1995. Eu sempre gostei de acompanhar a cena e me corresponder com bandas e acabei entrando para o Heavy Melody logo que o Marcelo lançou a segunda edição, na época ainda em P&B. Quando entrei, passei a escrever a grande parte das matérias, passando a dar maior espaço para bandas de Metal nacional e de todos estilos, já que nas duas primeiras edições predominavam bandas de Power Metal e Metal melódico. Introduzi a capa colorida, o que deu maior aspecto de revista ao zine e lancei outras três edições, quando resolvi parar por não estar conseguindo lançar o zine com uma freqüência melhor e percebi que poderia contribuir melhor com o cenário de outra forma, já que existiam revistas ótimas que estavam abrindo espaço para o Metal nacional e tinham maior estrutura, então estavam fazendo perfeitamente este papel, como a Valhalla e Roadie Crew, da qual hoje sou colaborador oficial, especializado em matérias sobre bandas nacionais.

WHIPLASH! - Ao longo dos anos você tem participado de vários eventos em apoio ao "underground". Como isso começou e tem algum evento fora o BMU que tenha sido marcante para você?

RICHARD NAVARRO / Comecei a fazer eventos em 1999, na Fofinho Rock Clube, num evento que na verdade foi o embrião do BMU, batizado como "Brasil Metal Fest", trazendo as bandas Dark Avenger, Fates Prophecy e Sagga (atual Holy Sagga), que abriu o evento e era totalmente desconhecida na época. O que me inspirou a começar a fazer shows após ir em alguns eventos promovidos pelo meu velho amigo Eliton Tomasi, que na época tinha o "zine" Valhalla e chegou a fazer alguns shows bem legais com bandas de Metal nacional em Sorocaba. Nesse primeiro show na Fofinho, eu não sabia absolutamente nada sobre como era produzir um show e quem me ajudou bastante foi meu querido e saudoso amigo André Boragina, que era vocalista do Fates Prophecy e que foi responsável por fazer a arte dos anúncios e cartazes dos meus primeiros shows. Depois deste, fiz algumas edições do Real Cover Ninght na própria "Fofinho", usando o pretexto do cover para atrair público e sempre colocando uma banda de som próprio como abertura, para usufruir desse público. Ironicamente, o primeiro show do Tuatha na capital de São Paulo foi justamente abrindo um Real Cover Night, e hoje eles são esse sucesso que todos sabem. Depois disso, criei o Brasil Metal Union e fui para a Ledslay, já que o perfil do festival exigia uma casa com maior estrutura e espaço físico, e o resto vocês já sabem. Mas tirando o BMU, o evento que mais me deu orgulho foi a primeira edição do Metal Heroes Tribute, em 2001, onde reunimos várias bandas de Metal para prestar um tributo ao Viper e Angra, em homenagem ao André Matos, que havia acabado de sair do Angra e montado o Shaaman. Aquilo foi muito emocionante, a Ledslay estava completamente abarrotada, e foi muito gratificante ver o pessoal do Viper, Shaaman e o próprio André subir no palco e participar do show, uma lição de humildade, aquilo foi inesquecível. Outro evento super importante e que foi uma verdadeira prova de fogo pra mim, foi o show que fiz com o Dark Avenger e Orquestra em 2003, na Ledslay. Foi muito desafiador procurar uma orquestra paulista para ensaiar com uma banda de Heavy Metal brasiliense e juntar num palco de estrutura e espaço físico limitado como o da Ledslay. Foi algo sem precedentes, reunir num mesmo palco uma banda de Heavy Metal, um piano de cauda e 11 integrantes de uma orquestra, entre violoncelo, violinos e violas, sem falar que este show foi gravado e será finalmente lançado em CD. Enfim, algo sem precedentes para a história da Ledslay e para a própria história do Heavy Metal no Brasil e que me deu muito orgulho, apesar de ter sido um dos shows mais trabalhosos que fiz na vida.

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WHIPLASH! - Falemos agora sobre o BMU. Como surgiu a idéia de agrupar várias bandas nacionais num mesmo show e como foi colocar em prática a primeira edição?

RICHARD NAVARRO / Concluí que deveria ser feito algo mais ousado e buscando o mesmo nível de produção e divulgação conferido a bandas como Angra e as atrações internacionais que o público tanto valorizava, até porque eu acompanhava o cenário underground nacional e já tinha a noção exata da quantidade de bandas brasileiras excelentes que existem no anonimato e que definitivamente nada devem em termos de talento, potencial e musicalidade a bandas como Angra, Sepultura e a maioria das emergentes atrações internacionais que costumam lotar as casas de show em São Paulo. A desigualdade era muito grande e eu não agüentava mais ver bandas que tinham grande futuro encerrarem suas atividades por falta de reconhecimento e apoio, algo reforçado pela cultura de inferioridade do brasileiro, que tem por tradição considerar tudo que vem de fora como melhor. Foi então que tive a idéia de fazer um festival 100% dedicado ao Heavy Metal nacional underground, mas haviam tantas bandas excelentes que um dia apenas não supriria as principais bandas de expressão da época. Como na época eu já vinha fazendo pequenos eventos na Fofinho Rock Club, fui primeiro lá, mas na ocasião a casa estava envolvida com a moda do forró universitário e não quis abrir as portas para a primeira edição do festival. Dei um passo mais ousado ainda e resolvi fazer a primeira edição numa casa como a Ledslay, com muito maior espaço físico e tradição alguma em eventos com bandas underground. Na época eu tinha um sócio que me ajudou bastante, o meu amigo Eduardo Gyorfy, e lembro que foi uma grande provação esta primeira edição do BMU, pois os produtores investiam em shows cover, mas nunca ninguém tinha apostado e investido de tal forma num evento com bandas underground tocando material próprio. Muitas pessoas me questionavam, dizendo que eu era louco e alertavam que fazer um festival com bandas nacionais nunca daria certo, que eu iria me dar mal e jogar dinheiro fora com toda certeza. Pois bem, acho que estavam enganados. A expectativa foi acima do esperado e se levar em conta que tivemos nessa primeira experiência uma média de 600 pessoas por dia, o que na época era considerado um milagre para um evento com bandas nacionais tocando músicas próprias. Essa primeira edição teve o cast escolhido por mim e não existia a idéia da votação ainda, até porque era uma experiência totalmente nova, não se sabia se o BMU teria futuras edições até então. Esta edição foi muito importante, pois provou para muita gente e para nós mesmos que valeria a pena acreditar e investir no cenário underground, e graças ao sucesso deste, o BMU teve suas outras edições e a iniciativa influenciou também muitos produtores, gravadoras e público passar a valorizar e enxergar com maior atenção as bandas nacionais. Outra coisa bem importante que precisa ser lembrada, é que esta primeira edição marcou o último show oficial de Edu Falaschi e Aquiles Priester com suas respectivas bandas originais, Symbos e Hangar, antes dos mesmos serem confirmados para o Angra. Ou seja, a primeira edição do BMU foi definitivamente memorável, fundamental e histórica.

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WHIPLASH! - Você participou de eventos como o "Metal Heroes Tribute" e homenagens ao Viper, Angra e Sepultura. Seria esta uma forma de reconhecimento a essas bandas, que não tiveram as oportunidades que hoje o metal/hard rock oferece?

RICHARD NAVARRO / Na verdade a criação deste evento teve dois louváveis motivos paralelos. O primeiro, de fazer uma merecida homenagem às bandas que servem de influência e referência a toda atual geração de bandas de Metal no Brasil, responsáveis diretas por incentivar a origem de todas as outras bandas de Heavy Metal que proliferam no rico cenário underground nacional. O segundo, e igualmente importante motivo, foi de mostrar para o público das bandas homenageadas, que comparecem ao evento através do pretexto da homenagem,.que temos no Brasil várias outras bandas excelentes naquele mesmo estilo praticado pelos seus ídolos, estimulando assim que conheça essas outras bandas até então anônimas para eles.

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RICHARD NAVARRO / Para tanto, ao invés de colocar bandas cover para interpretar as homenagens, escolhemos propositalmente bandas de som próprio e orientamos para que incluam músicas próprias entre as músicas que interpretarão da banda homenageada, justamente para que aproveitem a oportunidade e o considerável público presente para divulgar seu material próprio, uma vez que infelizmente não se deparariam com tamanho público em outras circunstâncias, senão pelo pretexto do público que comparece atraído pela homenagem.

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RICHARD NAVARRO / Pelo próprio perfil da Heavy Melody Produções em valorizar e promover o produto nacional, as duas primeiras edições foram de fato dedicadas aos nossos grandes ícones do Heavy Metal no Brasil, mas já fizemos também uma edição em homenagem ao Stryper, onde reunimos pela primeira vez bandas de White Metal do cenário evangélico e católico, o que até então era inconcebível, e nesse ponto o nosso espírito de promover a união no cenário que foi colocado em prática. Já existe planos para a próxima edição do MHT e esta será uma homenagem ao Dream Theater, onde pretendemos reunir os grandes nomes do Prog Metal brasileiro e apresentá-los ao público que aprecia virtuose e é fã do Dream Theater, para mostrar que no Brasil também temos excelentes bandas nesse estilo, como o Khallice, Akashik, Mind Flow, Abstract Shadows, Sigma X, Destra e muitas outras.

WHIPLASH! - Bandas como Dark Avenger, Eterna e Torture Squad obtiveram grande sucesso no BMU. Quais bandas você citaria como grandes destaques e como é se sentir como um apoiador no crescimento das mesmas?

RICHARD NAVARRO / Sem dúvidas o Tuatha de Dannan, Monster, Dragonheart e Symbols considero parte da história do BMU, assim como cada uma das 30 bandas que já passaram pelas edições do evento. Acho que cada edição teve seu destaque e seu gosto particular, como a primeira, que marcou o último show de Edu Falaschi e Aquiles Priester com suas bandas originais antes de serem confirmados para o Angra. Na segunda foi a consagração do BMU e do Dark Avenger, que mesmo debaixo de uma tempestade e vários pontos de alagamento na capital, conseguiu lotar a Ledslay. A terceira, marcou a entrada de bandas de outros estilos, como o Antidemon, uma banda death/grind fortíssima no meio cristão e chegou a fazer tour no México, e o Drowned, que era pouco conhecida aqui em São Paulo, foi a primeira banda extrema a participar do BMU e foi muito bem recebida. Esta edição superou minhas expectativas e provou pra mim mesmo o quão o público estava propenso a novos estilos e que daqui pra frente seria possível fazer melhor jus ao título "Metal Union" do festival. Esta edição teve ainda como destaque o Glory Opera, o Monster e a consagração do Tuatha, que curiosamente entrou para preencher a vaga do Silent Cry na primeira edição (a única escolhida sem votação) e que nesta terceira edição acabou fechando o BMU em grande estilo. Na última edição, acho que o Monster foi novamente matador e o Malefactor surpreendeu também, sem falar no Massacration, que embora tenha sido uma atração especial, foi espetacular, lembrando que o show no BMU marcou a primeira apresentação oficial deles, que hoje são o fenômeno inquestionável, independente de serem uma banda séria ou não.

WHIPLASH! - Em 2004, uma parceria entre a TOPLINK e a Heavy Melody propiciou que o BMU do mesmo ano acontecesse no DirecTV. Como surgiu esta oportunidade, e como você avalia a parceria, já que chegamos ao segundo BMU feito em conjunto?

RICHARD NAVARRO / Após o sucesso da terceira edição do BMU na Ledslay e com os problemas técnicos que tivemos devido ao calor, pelo fato da casa na ocasião não estar preparada para comportar um público como aquele que o BMU atingiu, ficou claro que era necessário dar um passo maior para que o BMU não se tornasse um festival ‘cult’ restrito ao underground e sim progredisse. Este sempre foi o grande intuito do festival, fazer com que o público e mídia valorizasse o cenário underground para que o mesmo crescesse, para que as bandas também pudessem crescer. Lembro como se fosse hoje, de estar conversando com Edu Falaschi na portaria da Ledslay, logo depois dele descer do palco, já que fez uma participação especial ao lado do Symbols e Hangar nessa terceira edição, e ele me disse algo que ficou marcado "Richard, agora vai ou racha! O BMU cresceu demais e chegou a um ponto que você precisa levar o festival pra um lugar melhor, senão vai perder o timer."

RICHARD NAVARRO / Eu fiquei com aquilo na cabeça e juntando com tudo que rolou eu decidi que ou eu conseguiria uma casa com nível compatível que o BMU e as bandas mereciam para realizar a quarta edição do evento, ou não haveria BMU 2004.

RICHARD NAVARRO / Então organizei um portifólio bem completo sobre o festival e desenvolvi um projeto sobre o que seria a quarta edição e fui procurar quem abraçasse este projeto. Mas a coisa não estava muito fácil e eu estava um tanto desanimado, quando, durante um desabafo com André Matos, ele me sugeriu entrar em contato com a Toplink, que haveria empresariado o Shaaman e que ele achava que se interessaria pelo BMU. Foi exatamente o que fiz! Após uma troca de e-mails, liguei para o Paulo Baron e para minha surpresa ele já conhecia o BMU e se interessou bastante pela parceria, mas queria experimentar em fazer apenas uma data, ao invés dos dois dias tradicionais. Não satisfeito, coloquei o projeto debaixo do braço e segui para Curitiba, sede da Toplink, para apresentá-lo pessoalmente para o Paulo Baron. Terminada a reunião, parceria foi feita e o resultado foi o sucesso do BMU 2004 no Directv.

RICHARD NAVARRO / É claro que essa parceria teve seus prós e contras, mas no geral aprendo muito e sou muito grato ao Paulo Baron por ter me estendido a mão e tornou possível esse sonho, assim como sou muito grato ao André Matos, por ter sugerido procurar a Toplink.

WHIPLASH! - Vamos nos concentrar no BMU 2005. Como você analisa o "cast" este ano. Alguma banda votada não participou do "cast"?

RICHARD NAVARRO / Obviamente sou suspeito em falar, mas na minha opinião este foi o cast mais eclético de todas edições do BMU. Desta vez, temos bandas de Power Metal, Thrash Metal, Dark Metal, Black Metal, Death/Thrash, Black/Death, White Metal e Metal melódico, que sempre predominou nas primeiras edições e graças aos critérios aprimorados a cada edição se pôde dar espaço aos outros estilos que não apresentam amplitude de voto igual ao melódico e isso não favorecia tanto a diversidade do cast e união entre estilos como desta vez. Em virtude desses mesmos critérios e enquetes extras, pôde também favorecer as bandas de outros estados e bandas que nunca tocaram no BMU, já que muitas pessoas reclamaram da repetição de bandas no cast das edições. Desta vez, fizemos uma enquete a parte, trazendo as bandas que tocaram mais de uma vez do BMU e cedemos espaço a apenas as três primeiras mais votadas, independente de sua posição na votação geral. Graças a isso, pudemos abrir oportunidade Às outras bandas que nunca se apresentaram e evitar maior reincidência de bandas, uma vez que de uma forma geral, as bandas que participam na edição anterior, sempre são as mais votadas na edição seguinte, por isso é tão comum se ver bandas repetidas, por mais critérios que adotemos, pois a opinião do público precisa ser respeitada, já que são eles que teoricamente irão garantir ou não a bilheteria e sucesso do festival, assim como o futuro dele. Sei que é impossível agradar a todos, e muita gente queria ver de novo algumas bandas que acabaram pulando fora por não estarem entre as três mais votadas entre as reincidentes ou por não terem estarem entre as seis mais votadas entre as bandas paulistas (só existem 6 vagas para bandas de São Paulo, independente da votação geral), mas se estas estivessem, outras seriam sacrificadas e não se daria a mesma oportunidade para bandas de outros estados ou bandas que nunca tocaram antes no BMU. Mas é complicado, impossível agradar todos e evitar possíveis injustiças, mas sempre haverão esses dilemas, não importa quantos critérios se crie.

RICHARD NAVARRO / Com relação a sua pergunta, houve sim uma banda que foi super bem votada e que não pode participar, por motivos de agenda, esta banda é o Tuatha de Danann. Embora eu seja particularmente grande fã dessa banda e quisesse muito que eles tivessem novamente no BMU, tenho que analisar a parte boa da coisa, já que além de muito fã, sou muito amigo do pessoal da banda e desejo o melhor para o futuro deles. Eles conseguiram uma oportunidade imperdível de participar de uma tour que há muito tempo estavam batalhando e a mesma coincide com as datas do BMU 2005. A história dessa banda e suas principais conquistas se confunde com a própria história do BMU e se por um lado seus fãs (nos quais me incluo) e a própria banda fica triste por não estarem conosco desta vez, fico muito orgulhoso por eles estarem conquistando esse reconhecimento e também por terem dado a oportunidade a outra banda que não participaria do BMU, e isso é um ponto muito legal a ser considerado.

RICHARD NAVARRO / Voltando a escolha do cast desta edição, se levar em conta que desta vez o recorde de 1012 bandas foram cadastradas na votação e apenas 12 (1%) são escolhidas para o cast oficial, é natural que os outros 99% sintam-se injustiçados ou com pretexts para questionar a integridade da votação. Mas se nem Jesus Cristo agradou a todos, quem somos nós para ter esta pretensão, não é mesmo? O importante a ser reforçado é que a votação é muito séria e determinante na escolha do cast oficial, por mais que sejam, criados critérios para favorecer a democracia e evitar a repetição de bandas que já tocam antes, estimular a participação de bandas que nunca tocaram, bandas de diferentes estilos e estados, enfim, a votação é de âmbito nacional e o que prevalece é a opinião da maioria do público.

WHIPLASH! - Adotou-se a prática de convidar duas bandas novas para abrir os shows. Eu gostaria que você falasse sobre isso, como isso acontece e qual foi o critério de escolha das bandas este ano (Harlequim e Toccata Magna).

RICHARD NAVARRO / Esta prática foi adotada a partir da primeira edição do BMU no Directv Music Hall, ou melhor, a partir da primeira edição em parceria com a Toplink Music. Essas bandas entram em contato com a produção, através da Toplink, interessadas em tocar no festival. Trata-se de um acordo de interesses, da mesma forma que acontece em qualquer abertura de grandes shows. Resumindo, pelo interesse em tocar no evento e não estar entrando através da votação, ou seja, pela escolha do público, a banda procura a produção e faz espontaneamente um acerto financeiro, em troca da exposição que terá em virtude de tocar no evento e usufruir de toda estrutura e divulgação oferecida às bandas escolhidas no cast oficial, pelo público.

RICHARD NAVARRO / Apesar de ter relutado no início, hoje encaro tal prática com outros olhos, não de forma pejorativa e sim como investimento louvável. Se comparado, seria praticamente o mesmo que a banda pagasse para colocar um anúncio em revista ou rádio, com a diferença de que num show é muito mais garantido atingir e conquistar seu público alvo, pelo advento do "áudio-visual", vantagem bem mais impactante e que não pode ser oferecida num anúncio de revista ou rádio. No caso particular do BMU, as bandas de abertura tem exatamente as mesmas condições que as do cast oficial, apenas tocam primeiro que as demais. Ou seja, diferente do que acontece tradicionalmente em aberturas para shows internacionais ou mesmo para banda brasileiras maior (você sabe qual), elas não são sabotadas nem boicotadas pela produção, são tratadas como qualquer outra banda do cast oficial, tem direito ao mesmo tempo de show, ao mesmo equipamento, mesma equipe, mesma estrutura de som e luz e mesma exposição. Na arte, seu logotipo aparece do mesmo tamanho que as outras e a banda ainda usufrui literalmente de toda divulgação: cartazes, panfletos, anúncios no Metrô de São Paulo, Folha de São Paulo, chamadas na programação normal da 89FM, chamadas no Backstage e até nas 1500 cópias do CD do BMU, que levam músicas de todas bandas participantes, inclusive dessas duas bandas extra. Pensando comercialmente, se fosse contabilizado toda divulgação que a banda é exposta antes e depois do festival, através de anúncios, notas, reviews e fotos nas publicações especializadas, é um investimento muito viável e estrategicamente inteligente. Esse investimento que a banda faz é usado para amenizar os altos custos de produção e revertido automaticamente em benefício das próprias bandas, incluindo as duas próprias investidoras, conforme acaba de ser relatado.

RICHARD NAVARRO / Por tudo isso, e pelo fato das bandas procurarem a Toplink espontaneamente e já cientes das condições, eu aceitei essa idéia das duas bandas extra e defendo a opção delas com todos esses argumentos que acabei de citar.

RICHARD NAVARRO / Isso nunca foi escondido pela produção, sempre foi admitido abertamente em matérias como essa e sempre tomamos o cuidado de anunciar tais bandas separadamente do cast oficial, como "bandas extra". Ano passado tais bandas foram o Sagitta e o até então desconhecido Mind Flow, que foi um dos grandes destaques do BMU 2004, hoje é uma muito popular no cenário do Metal nacional e grande crédito disso foi a enorme exposição que a banda teve com sua participação no BMU.

RICHARD NAVARRO / Também vale lembrar que essas bandas não são escolhidas aleatoriamente, tampouco em sistema de "leilão", como muitos pensam. A Toplink nos apresenta todas bandas que a procuraram interessadas em abrir o BMU e a preferência segue critérios que visam nivelar as mesmas com as demais bandas do cast oficial. Ou seja, a banda em primeiro lugar tem que ter nível compatível para dividir o palco as demais e também combinar com o contexto do festival, que dá preferência a bandas de outros estados e estilos que tornem o cast total o mais atraente possível ao público. Por todos esses motivos, das 11 bandas que contataram a Toplink interessadas em abrir o BMU 2005, as duas escolhidas pela produção foram o Toccata Magna (RS) e o Harllequin (DF), que por sinal, foram escolhidas mesmo antes de termos o resultado do cast oficial.

WHIPLASH! - Richard, você sempre foi um cara de opinião forte e decidida. Portanto vou ser bem direto: o BMU tem sido alvo de críticas, que acusam a produção de transformá-lo num evento de promoção de bandas decadentes, com propósito lucrativo, e sempre focado numa "panelinha" que seriam os "amigos do Richard". Como você analisa estas questões e o que você diria a aqueles que o criticam e aos fãs em geral?

RICHARD NAVARRO / Muito do que respondi duas questões atrás poderia explicar melhor isso, mas como disse antes, é impossível se agradar a todos e é mais confortável tentar acreditar em explicações desse tipo para lidar melhor com o fato da banda que toca ou da banda que votou não estar no cast do evento. Essa história do evento promover bandas decadentes é incoerente, esse lance de panela pior ainda. O fato de ter banda de meus amigos no BMU é relativo, pois tenho amizade com muitas bandas nacionais e nem por isso estas fazem ou já fizeram parte do cast. Por exemplo, bandas como Monster, Fates Prophecy e Holy Sagga, cujos integrantes são amigos pessoais, de balada, só entraram no cast do BMU em sua terceira edição, a última na Ledslay, e só porque lançaram álbuns excelentes que tiveram uma puta repercussão e isso refletiu nas votações daquele ano. Por outro lado, existem outras trocentas bandas de "amigos" meus que ainda não chegaram lá e que vou torcer para que um dia cheguem lá e com certeza chegarão cedo ou tarde, o que dependerá totalmente do trabalho que fizerem e de como o público receberá isso. Existem ainda, bandas das quais sou grande fã, como o Tiger Cult e o Claustrofobia, e que faria muita questão de que estivessem no BMU, mas quem escolhe é a maioria do público e minha paz de espírito, consciência e índole precisa estar em primeiro lugar.

RICHARD NAVARRO / Com relação a essa história de "lucrativo", posso te garantir com todas as letras que o BMU era muito mais lucrativo pra mim quando rolava na Ledslay, pois lá eu não tinha que dividir meu eventual lucro com outras empresas e tampouco estava sujeito a todas questões burocráticas, impostos e fiscalizações que tenho agora por estar numa casa "mainstrean", mas este é o preço do progresso. Mas se eu tinha um sonho, uma meta, e este era o preço, assim como todas estas críticas e acusações, estou disposto a pagar, sem falsa demagogia, pois essa é uma das coisas que dá sentido a minha vida.

RICHARD NAVARRO / Nesta edição, existem bandas independentes e mesmo as que possuem uma gravadora, nenhuma está nos ajudando financeiramente em absolutamente nada, exceto a Hellion, que é a gravadora com maior número de bandas no cast do BMU deste ano e depois de chorarmos muito, decidiu contribuiu simbolicamente com um anúncio numa revista, o que já aliviou um pouquinho nosso lado, embora seja irrisório em relação aos altos custos de produção e divulgação do festival. Fora isso, os únicos que nos ajudam mesmo (mas não financeiramente) são empresas como a Roadie Crew, Valhalla, Stay Heavy, Consulado do Rock, Warm Music, Octagon, Lumen Studios e a própria Whiplash, através de parcerias ou abrindo um espaço como este para valorizar o festival.

RICHARD NAVARRO / O ingresso do BMU é muito barato e como tem ainda a questão do evento para estudantes (meia entrada) o festival não é lucrativo para a CieBrasil (proprietária do Directv) nem Toplink, ainda mais se tratando de datas super requisitadas para a casa, como sexta e sábado, onde os ingressos praticados são no mínimo o dobro do valor adotado no BMU.

RICHARD NAVARRO / Por isso, desta vez temos que nos unir e torcer para a galera comparecer em massa e garanta no mínimo o mesmo público do ano passado, senão corremos o risco de perder este espaço que demorou tanto para ser conquistado e até então era inatingível para bandas de metal nacional.

RICHARD NAVARRO / Só para retomar e matar de vez a história da imparcialidade no cast, acho que vale a pena dizer que eu trabalho com uma banda chamada Krusader há cerca de 5 anos. Esta foi a única banda que decidi investir, não por achá-la melhor que as demais, mas por questões pessoais mesmo, já que sou muito amigo do guitarrista e decidi trabalhar com eles por acreditar bastante no potencial da banda também. Esta já é a quinta edição do BMU e está é a única banda que eu resolvi abraçar. Por que será que tal banda nunca tocou no BMU? Porque minha índole, profissionalismo e imparcialidade está em primeiro lugar, ninguém conhece a banda e se um dia eles vierem a tocar, foi porque lançaram um puta CD e receberam votos suficientes para justificar a vaga. Aliás, nem mesmo ficaram para o segundo turno das votações, pois pouca gente conhece a banda e, portanto, não tiveram votos suficientes.

RICHARD NAVARRO / Caso contrário, continuarão sem tocar no BMU, pois definitivamente quem escolhe o cast é o público, não eu. A única coisa que fiz pela banda nesse sentido, pois de incluir uma música deles como bônus do CD do BMU 2004 e agora outro bônus no CD do BMU 2005. Mas eles nunca vão tirar a vaga de nenhuma outra banda, a não ser que conquistem tal vaga por próprios méritos e ponto final.

RICHARD NAVARRO / Por outro lado, estou ciente que esta informação poderá me comprometer futuramente e se o BMU continuar existindo e um dia eles forem escolhidos para o cast, com certeza muita gente vai dizer que só estão lá porque o empresário da banda é o produtor do festival. Fazer o que? Este é apenas um dos preços que tenho que pagar em meio a todas dificuldades que enfrento para levar o BMU adiante, mas já estou disposto e acostumado a ouvir todas essas coisas.

WHIPLASH! - Por outro lado várias pessoas elogiaram a edição de 2004 e marcarão presença em 2005. Como manter esse nível atingido, já que agora a pressão por um festival forte será sempre mais intensa a cada ano?

RICHARD NAVARRO / A evolução é um processo natural e necessário em qualquer campo ou atividade que se atua, e no caso do BMU isso não é diferente. A cada ano procuramos aprimorar o festival, investindo em produção, publicidade e até em mecanismos para garantir maior rigor na votação. Em 2004 demos um passo muito grande ao fazer a parceria com a Toplink e levar o festival para o Directv Music Hall e este foi um salto grande e que não poderá ser superado tão cedo. Este ano o cadastro de bandas inscritas na votação atingiu 1012 bandas, sendo que ano passado havia fechado em 456, o que já caracteriza uma grande evolução em termos de popularidade do festival. Teve também a indicação e segunda colocação no Prêmio Claro e acredito que o BMU esteja numa grande momento. No entanto, este ano estamos com o projeto da gravação do DVD "Live BMU 2005", o qual tentaremos levar a cabo, pois sabemos que este DVD seria muito importante para reforçar a marca do festival e projetar as próprias bandas nacionais. Portanto, acho que o mais importante nesse momento é garantir que o BMU 2005 seja tão bem sucedido em termos de público, quanto foi o BMU 2004, para que possamos garantir este espaço para o festival e para o cenário underground numa casa do porte do Directv Music Hall. Na verdade esta é minha única pretensão, que esta edição seja um sucesso e consolide o BMU, para que o espaço que conquistamos continue garantido para o Metal nacional.

WHIPLASH! - O Massacration foi ao mesmo tempo a grande polêmica e um dos grandes momentos do BMU 2004. O que você achou da "performance" da "banda" e o como analisa o comportamento do público durante o "show" deles? Muitos músicos alegam que eles tiveram privilégios que nenhuma banda tem, sem ao mesmo ser uma banda completa. Fale sobre isso:

RICHARD NAVARRO / O primeiro show oficial do Massacration foi no BMU, tenho orgulho em dizer isso e o sucesso da participação deles foi algo incontestável, independente das opiniões adversas em relação a postura da banda. Acha a sacada deles muito espirituosa e acredito que por mais que seja uma banda com perfil humorístico, ajudou de fato a divulgar o Heavy Metal nacional, pois levaram muita gente ao show que nunca haviam ouvido falar nas outras bandas do cast e tiveram então a oportunidade de conhecer este cenário e passar a fazer parte dele, tornando-se fãs e consumindo material de bandas de Heay Metal nacional underground. Eles ainda gravaram o clipe "Live in BMU 2004", que é transmitido com certa freqüência na MTV, trazendo o enorme brasão do BMU como pano de fundo. Isso é um apoio fantástico para o evento e para a cena do Metal no Brasil, sem dúvidas! Com relação a privilégios, a única diferença que eles tiveram em relação as demais bandas foi um camarim exclusivo, enquanto as demais tiveram que fazer um rodízio em outros dois camarins da casa. Levando em conta a exposição que eles trouxeram ao festival e o público extra que as próprias demais bandas puderam usufruir, não vejo isso como privilégio e sim como gratidão.

WHIPLASH! - Agora vamos voltar a 2005. A mídia especializada tem "abraçado" o BMU como um dos grandes festivais de metal do Brasil. Como você se sente, comparando tudo isso com a primeira edição?

RICHARD NAVARRO / Definitivamente é o que mais me dá orgulho em minha vida. Um sonho aparentemente inatingível que foi realizado. Ainda demoro para assimilar, pois é muito louco imaginar que um projeto que saiu da minha cabeça e foi tão desacreditado por todos em sua primeira edição, tenha tomado essa proporção. Fizemos três edições super bem sucedidas na Ledslay, enfrentando alagamentos e o tabu de se apostar em bandas nacionais e de fazer um evento na zona leste da capital, o que também era algo que nos prejudicava consideravelmente em relação a preconceito e acesso de público, imprensa e patrocinadores. Por tudo foi uma grande vitória a parceria com a Toplink e a dimensão que o BMU atingiu a cada edição e especialmente depois que abriu portas numa casa do porte do Directv e passou a ganhar maior atenção da mídia especializada. Este ano o BMU foi indicado pela primeira vez para o Prêmio Claro na categoria "Melhor Evento", onde disputou com outros 13 grandes festivais de todo Brasil. Apesar de ser o único representante de Heavy Metal, o que diminui sensivelmente nossa gama de votos por ser voltado a um estilo e público mais específico, o BMU ficou com o segundo lugar, perdendo por uma mera diferença de 1,08% de votos para o Abril Pro Rock, que já existe há 13 anos, já era bicampeão do mesmo concurso e que atualmente tem em seu cast até artistas internacionais. Ou seja, acho que levando tudo isso em conta, o BMU também pode ser considerado vitorioso! Agradeço muito a Deus por toda essa conquista, a minha família e amigos que sempre acompanham, acreditaram e apoiaram meu trabalho, e também a todos parceiros que apóiam e ao público que está cada vez mais desenvolvendo este espírito patriótico, abraçando essa causa de valorizar as bandas brasileiras e literalmente vestindo a camisa do BMU.

WHIPLASH! - A Heavy Melody esteve a frente do show que geraria o CD ao vivo do Dark Avenger com orquestra. O show aconteceu, mas o CD ainda não saiu. O que aconteceu?

RICHARD NAVARRO / Nós de fato fomos responsáveis pela produção do show do Dark Avenger e Orquestra, que aconteceu em dezembro de 2003 e realmente foi gravado no intuito de lançar um CD ao vivo da banda, em comemoração aos seus 10 anos de atividade na época. No entanto, o lançamento do CD ficaria a cargo da banda ou de uma eventual gravadora, mas pelo que me consta o mesmo ficou magnífico, seria um álbum duplo, com uma belíssima arte da capa pronta e prestes a ser lançado, o que só não ocorreu ainda pelo fato da banda não ter conseguido nenhuma proposta decente de alguma gravadora. Por este motivo, parece que a banda optou por lançá-lo de forma independente, e como isso requer um investimento considerável, precisaram se capitalizar e isso talvez possa justificar tal atraso. Aliás, é importante lembrar que esta foi a primeira vez que uma banda de Heavy Metal no Brasil tocou com uma orquestra, algo que também é motivo de grande orgulho pra mim. Apesar das limitações estruturais da Ledslay, a questão é que conseguimos colocar num mesmo palco, uma banda de Heavy Metal, um piano de calda e 11 integrantes de uma orquestra, com direito a cellos, violinos, violas e partituras. Também foi a primeira vez que implantei a idéia de dar de brinde no ingresso um CD exclusivo prensado para o show, no intuito de estimular a divulgação da banda e o interesse do público. Foi então que passei a adotar tal estratégia no BMU.

WHIPLASH! - Quais são os outros eventos da Heavy Melody para 2005, e o que você pode nos adiantar?

RICHARD NAVARRO / Fora o BMU, estou com um projeto para uma nova edição do Metal Heroes Tribute, que desta vez homenagearia o Dream Theater. Na verdade tenho este projeto pronto desde 2003 e procurava uma casa que tivesse o perfil requintado do público do Dream Theater e com qualidade para bandas Prog. Também apresentei este projeto a Toplink e foi aprovado para ser realizado no Directv e com uma participação mais que especial. No entanto, estamos dependendo de agenda do convidado especial, e acredito que o evento seja realizado entre o final desse ano e início de 2006.

WHIPLASH! - Agora você ataca, junto com profissionais do ramo (Heloísa Vidal e Ricardo Batalha) na BMP (Brasil Music Press). Como a empresa tem sido recebida e quais são seus planos para o futuro?

RICHARD NAVARRO / Há cerca de três anos atrás eu estava conversando com meu vellho amigo e atual sócio Ricardo Batalha num conhecido pub na capital, e chegamos a conclusão que não existia um serviço de assessoria de imprensa especializado em banda de Heavy Metal no Brasil, uma carência importante e que precisava ser suprida. Achamos que tínhamos know-how para tal e na ocasião chegamos a fazer algumas reuniões para tentar estruturar tal projeto e, na verdade, a terceira pessoa dessa parceria seria nosso amigo César Dechen, na ocasião responsável pelo site Rock Online, que atualmente também cuida do Território da Música. Aliás, ele que sugeriu o nome "Brasil Music Press", já que minha idéia original seria "Brasil Metal Press", mas não queríamos limitar futuramente nossa gama de clientes. No entanto, na época nenhum de nós três teve tempo de levar a idéia adiante e o projeto foi adiado. Em meados de 2004 comentei o projeto com a minha amiga Heloísa Vidal e decidimos retomar a conversa com o Ricardo Batalha e levar o projeto adiante entre nós três, já que o César estava ainda mais atarefado e envolvido com outras parcerias que tomavam seu tempo por completo. A BMP começou de fato a vigorar ativamente no final de 2004 e hoje já é relativamente bem popular. Muitas bandas tem nos procurado, temos várias parcerias importantes e os resultados que nossos próprios clientes nos relatam tem sido acima das expectativas. Temos muita coisa ainda a melhorar e a meta atual é disponibilizar nosso site e todas notícias em versões em português, inglês e espanhol, para transformar a BMP numa verdadeira vitrine do Heavy Metal brasileiro para o mundo. Já estamos trabalhando nisso e muito em breve a idéia estará em vigor.

WHIPLASH! - Richard, obrigado pela entrevista. Este espaço é seu para deixar uma mensagem para os visitantes do site WHIPLASH! que estarão no BMU 2005. Nos vemos lá!!!!

RICHARD NAVARRO / Em primeiro lugar, queria muito agradecer a Whiplash por este espaço e oportunidade de falar sobre meu trabalho e principalmente esclarecer abertamente detalhes polêmicos e coisas indevidas que são espalhadas, pois julgar e criticar é muito fácil quando se está do outro lado e não se sabe as dificuldades que enfrentamos para fazer este evento acontecer e continuar existindo. A trajetória do BMU é uma história de muito trabalho, honestidade e amor pelo Heavy Metal e por uma causa bonita, muito longe de qualquer cunho comercial, por isso não merece ser manchada ou deturpada. Como o preço do ingresso é muito barato, para que o festival continue existindo e continue com seu espaço garantido numa casa do porte do Directv, é fundamental que todos que acreditem no Metal nacional se juntem e compareçam no BMU 2005, para que o festival alcance o mesmo sucesso do ano passado e que permita assim que haja um BMU 2006. Portanto, se a banda que você toca ou votou não vai tocar, pense no todo, pense no futuro, mas não deixe de comparecer e apoiar o festival, pois o futuro dele e a garantia desse espaço para as próximas bandas, depende de seu apoio e de sua presença nessa edição. Muito obrigado pela atenção em ler essa matéria, grande abraço a todos, compareçam nos dias 8 e 9 de julho no Directv Music Hall e continuem "apoiando e defendendo o Metal nacional"!

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Sobre Rafael Carnovale

Nascido em 1974, atualmente funcionário público do estado do Rio de Janeiro, fã de punk rock, heavy metal, hard-core e da boa música. Curte tantas bandas e estilos que ainda não consegue fazer um TOP10 que dure mais de 10 minutos. Na Whiplash desde 2001, segue escrevendo alguns desatinos que alguns lêem, outros não... mas fazer o que?

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