Trator: Espontaneidade de potencial impressionante

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Por Ben Ami Scopinho
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Trator vem de Ivoti, interior gaúcho, e é mais uma das bandas do underground deste imenso Brasil cuja exibição de sua arte fica muito limitada pelas dificuldades que o conjunto tem em se apresentar e distribuir seus discos. O que, no caso desta banda em questão, é uma tremenda injustiça, pois o talento e espontaneidade apresentados em sua música são de um potencial impressionante.

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Formado por Thomas Rost nas vozes, Leandro Buchmann e Márcio Gomes nas guitarras, Sandro Schneider no baixo e Marlo Silveira na bateria, esse quinteto chega com seu segundo disco "A Lettter From Hell", lançado no final de 2004 de forma independente. Logo de cara percebe-se o quanto essas feras do Trator tem garra quando tocam e extremo bom gosto em suas composições, que honram totalmente o nome Heavy Metal.

E tanta dedicação refletida em "A Letter From Hell" chamou a atenção do Whiplash, que foi atrás desse pessoal e, num papo via e-mail, deu mais ou menos nisso que vocês lerão a seguir:

Whiplash - Com certeza muitos headbangers desconhecem a existência do Trator, pois é uma banda underground sem muita exposição fora de sua região. Conte como surgiu a parceria entre vocês, o por quê do nome adotado e o objetivo da banda logo nesse início de carreira.

Trator / Nos conhecemos há um tempo, alguns de outras bandas, mas de uma forma ou de outra, estamos juntos aqui e agora. O nome tem tudo a ver com a nossa música e nossas origens. Somos os "Colonos do Metal". Somos do interior mesmo. Queríamos um nome forte, fácil de ler e escrever e que tivesse um sentido para a banda, tanto culturalmente quanto musicalmente. Quanto a objetivos, pé no chão e muito trabalho.

Whiplash - Ótimo isso, valorizar seu local de origem. Falem sobre a música do Trator e suas principais influências.

Trator / Nossa música vem de diversas influências diferentes, heavy, punk, thrash, hard, rock e tal, não seguimos moda ou tendência, não andamos aí só de preto, simplesmente fazemos nosso som... E que bom que alguém aí gostou...

Whiplash - Ivoti (RS), a cidade onde a banda nasceu faz parte do Vale dos Sinos. Obviamente a banda tem reconhecimento nesta região, afinal, a população deste vale é de mais de um milhão de habitantes e deve ter muitos apreciadores da música pesada. Mas e fora desta região, a banda tem conseguido se apresentar?

Trator / Algumas vezes. Estamos esperando alguém se interessar mais sério pelo nosso trabalho e viabilizar nossa ida pro centro do país pra fazer shows... Nossa parte é cuidar da música, se não rolar agora, rola depois...

Whiplash - Neste aspecto de tocar e mostrar sua arte, quais as maiores dificuldades que vocês encontram?

Trator / Existem poucos locais para shows de metal em nossa região, esta é a maior dificuldade, sem dúvida. É uma pena, pois nossos shows são foda, e a gente dá 110% no palco, então, no final, todo mundo fica satisfeito...

Whiplash - Como é a cena da música underground Vale dos Sinos?

Trator / Não sei se há uma cena propriamente dita, existem sim várias bandas dispostas a mostrar seu trabalho, mas quanto à oportunidade, acho que está muito distante do centro do país, o que é óbvio... E acabou de fechar mais uma casa de shows na região. Esperamos que melhore, tem gente muito nova metendo a cara e fazendo acontecer.

Whiplash - O Trator começou bem, pois tem um CD homônimo lançado em 99 e, até onde sei, sua única demo "From Hell" de 2001 recebeu ótimas críticas no Brasil e exterior.

Trator / Nosso 1º CD é bom, ótimas músicas, mas o batera naquela época não correspondia muito ao que queríamos e tal. Sem dúvida é muito bom para uma banda em seu 1º trabalho. A demo vem depois, com a entrada do Marlo, nosso batera atual. A cada lançamento a repercussão tem sido maior e melhor, o que é bem legal para nós.

Whiplash - Quais foram as diferenças entre estes dois registros e o "A Letter From Hell", lançado agora no final de 2004? Pergunto isso, pois ainda não escutei seu material antigo, mas este novo realmente é incrível!

Trator / Primeiramente obrigado. As diferenças são grandes, desde as composições até a gravação. Gravamos somente a batera em estúdio convencional, o resto foi gravado em nosso próprio estúdio. Ficamos bastante tempo mixando e gravando, sem pressões externas e sem preocupação com gastos. E com muita cerveja..............

Whiplash - Com exceção da bateria, todo o resto dos instrumentos deste disco foi gravado num estúdio que pertence à própria banda, o No Pressure Sound Studio, em Ivoti. Que tipo de tecnologia existe aí? Algum dos membros do Trator produz material de outras bandas?

Trator / Usamos o software Cool Edit Pro 2.1 em um PC com placa de som Sound Blaster Live, uma mesa de som analógica, Microfones Shure SM 58, dois cubos Marshall VS102 com volume absurdamente alto, tudo montado nos fins de semana para gravação, num ambiente com acústica razoável, tendo em vista que o estúdio fica na casa do Leandro, meio retirado da civilização, talvez pelo fato dele ser um colono com medo de gente... Quanto a algum membro produzir material de outras bandas, ainda não ocorreu, quem sabe futuramente.

Whiplash - Agora, mais especificamente sobre o novo álbum, você poderia nos dar uma visão geral sobre suas letras? A introdução de "Napalm Child" me pareceu ser trechos dos discursos de Hitler...

Trator / As letras são basicamente influenciadas por histórias ou filmes de horror. O Thomas é fã dos filmes de George Romero (Night of the Living Dead, etc...). "Napalm Child" foi baseada no filme Apocalipse Now, e a introdução realmente é de um discurso de Hitler, o que combina bem com a temática de guerra da música.

Whiplash - O que vocês quiseram passar com a arte bizarra da capa de "A Letter From Hell"? Está no contexto das letras das canções?

Trator / Quanto à capa, ela é foda, pode ser bizarra também, mas é autêntica. Ela mostra cinco caras pintados de vermelho, em um suposto inferno, algo do tipo, "não nos identificamos com nada, somos apenas cinco caras completamente diferentes, ligados por algo muito forte, pode ser sangue, como pode ser música ou qualquer outra coisa". E é sangue de porco mesmo que usamos para nos pintar. Um parente do Thomas matou um porco naquele dia e resolvemos juntar o útil ao agradável, comer o porco e usar o sangue.

Whiplash - Háh! Essa do porco é foda! E a capa realmente chama a atenção! Como curiosidade de minha parte, quem é Dave Tyburski? Ele possui certo humor no texto de abertura do site da banda...

Trator / Dave Tyburki é um puta cara, tá fazendo um trampo pra nós nos EUA, mandar pra revistas, gravadoras e tal, tem um grande senso de humor, e ainda é meu cunhado...

Whiplash - Faça um balanço, os momentos mais marcantes, bons e maus, pelos quais a banda passou durante seus três registros.

Trator / Estamos juntos já há quatro anos, tivemos ótimos e maus momentos, mas tenho a certeza que vamos ficar aí mais um bom tempo. Gravar é ótimo, tocar mais ainda, e curtir com os parceiros tudo isso então...

Whiplash - Pessoal, agradeço pela entrevista, lhes desejando muito boa sorte e que os próximos registros tenham a mesma inspiração de "A Letter From Hell". Fiquem à vontade para deixar a tradicional mensagem final aos fãs e aos que ainda não tiveram a oportunidade de conhecer o Heavy Metal do Trator. Valeu!

Trator: Agora que a parte mais fácil já foi, que foi gravar e tal, vem a parte mais difícil, distribuir o material. Para tanto, a banda deixa claro que está em busca de parceria, gravadora ou distribuidora para divulgar seu material no centro do país e tal, e daí sim, poder mostrar nosso material para mais pessoas, e quem sabe pintar uns shows em outras localidades fora do Vale do Sinos. E não deixem de visitar nosso website www.trator.cjb.net ou entrar em contato pelo e-mail trator@trator.cjb.net. Valeu !!




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Sobre Ben Ami Scopinho

Ben Ami é paulistano, porém reside em Florianópolis (SC) desde o início dos anos 1990, onde passou a trabalhar como técnico gráfico e ilustrador. Desde a década anterior, adolescente ainda, já vinha acompanhando o desenvolvimento do Heavy Metal e Hard Rock, e sua paixão pelos discos permitiu que passasse a colaborar com o Whiplash! a partir de 2004 com resenhas, entrevistas e na coluna "Hard Rock - Aqueles que ficaram para trás".

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