Paul Gilbert: Entrevista exclusiva com o guitarrista do Mr Big e Racer X

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Entrevista, texto e tradução por Thiago Pinto Corrêa Sarkis

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Quando vamos entrevistar um artista irreverente como Paul Gilbert, já esperamos por boas risadas e um resultado excelente para os leitores, e também para nós próprios, obviamente. Entretanto, desta feita ele não estava tão animado assim. Simpático como sempre, mas deixando um ar de cansaço.

O ex-Mr. Big, atualmente com o Racer X, a carreira solo, e outros projetos, foi bastante gentil, mesmo estando realmente exausto, como vocês verão, depois de muitas turnês e gravações incessantes por um bom tempo.

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Nessa entrevista razoavelmente longa, ele nos fala da união com Mike Portnoy em tributo aos Beatles e Led Zeppelin, do direcionamento de seus álbuns solo, o fim do Mr. Big, e a continuidade com o Racer X. Confira:

Whiplash! - Você vem trabalhando em alguns projetos bem diferentes nos últimos tempos. Como exemplo, começo como o Yellow Matter Custard, uma banda tributo aos Beatles. Fale-nos mais sobre ela...

Paul Gilbert / O baterista do Dream Theater, Mike Portnoy, queria fazer um show apenas com músicas dos Beatles num festival de bateria. E eu amo os Beatles. Então, assim que ele me chamou, eu voei para Nova Iorque e toquei com ele. Fizemos uma grande reunião.

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Whiplash!- A banda fez apenas um show e era esse mesmo o objetivo pelo que você disse. Como foi a apresentação? Quais os planos para o material que foi gravado?

Paul Gilbert / Foi um ótimo show e nós tocamos apenas Beatles.

Whiplash! - Provavelmente os fãs gostariam que vocês tocassem coisas dos trabalhos individuais também...

Paul Gilbert / Provavelmente, mas o Yellow Matter Custard foi totalmente dedicado aos Beatles. Só tocamos músicas deles. Sobre o material, há planos para lançar a gravação em DVD, mas não estou muito envolvido e trabalhando nisto, então não sei de detalhes que acrescentariam muito aqui.

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Whiplash! - Sobre a expectativa de vocês juntos tocarem suas próprias músicas e das bandas nas quais estão envolvidos... ou mesmo montar um projeto, haveria algo em torno disso?

Paul Gilbert / Bem, agora não. O próximo projeto onde estarei envolvido e aliás já estou trabalhando é com Nuno Bettencourt e Steve Hackett. Nós estamos fazendo alguns shows no Japão e há uma equipe gravando todos eles para um lançamento em DVD. Nessa turnê há muita guitarra, coisas verdadeiramente loucas. O John Paul Jones do Led Zeppelin, também está nos acompanhando, e tocando conosco.

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Whiplash! - Aproveitando a deixa, você e Mike Portnoy estão com um projeto chamado Hammer Of The Gods, que agora seria uma banda tributo ao Led Zeppelin. Conte-nos mais sobre os preparativos. John Paul Jones está envolvido nisso?


Paul Gilbert / Não, pelo menos a princípio. Ele não deverá participar. A banda contará comigo, Portnoy, LaRue e Daniel Gildenlöw. Eu amo o estilo de Jimmy Page, suas composições e é uma guitarra que realmente mexe comigo. Vou levar minha Ibanez de dois braços e me divertir. Ainda não sei quais músicas serão tocadas, mas amo todas do Led Zeppelin, e certamente faremos um grande show.

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Whiplash! - Como você disse, o Hammer Of The Gods conta com Daniel Gildenlöw do Pain Of Salvation. Mas eu me pergunto... você conhece algo da música dele, o estilo, etc?

Paul Gilbert / É uma boa pergunta, porque você me pegou. Eu não ouvi o trabalho de Daniel ainda. Mas estou bem seguro se você quer saber. Ele deve ser ótimo, porque sei que o Mike sempre escolhe músicos fantásticos para estarem ao lado dele.

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Whiplash! - Isso me leva a uma outra questão, neste caso voltando ao Yellow Matter Custard. Você trabalhou com Neal Morse nesse tributo aos Beatles, mas antes disso você sabia algo sobre ele e o Spock’s Beard?

Paul Gilbert / Eu amo Spock’s Beard. Eles fazem um excelente rock progressivo no estilo dos anos setenta. Lembro-me que um amigo meu baterista trouxe um disco deles para que eu ouvisse, e imediatamente gostei daquilo. Foi uma boa experiência tocar com Neal. Eu estava muito empolgado em poder tocar com ele. Adoro a voz de Neal, e tive a sorte de poder estar ao lado dele tocando e ao mesmo tempo ser um fã ao lado de um ídolo.

Whiplash! - Mudando um pouco de assunto e passando a seu trabalho solo. Você acaba de lançar um "Best Of". O que você tem a dizer do track list do álbum e como as músicas foram escolhidas? Haverá lançamento em outros continentes e países, além do Japão?

Paul Gilbert / Meu "Best Of" vem com o nome "Paul The Young Dude". Eu creio que sim, haverá lançamento na Europa e também em outros países. O CD conta com as minhas músicas favoritas tiradas de meus álbuns solo, mas contém também algumas composições novas. "I'm Not Afraid Of The Police", "I Feel The Earth Move", "Superloud" e "The Second Loudest Guitar In The World" são as inéditas. Estou realmente orgulhoso deste disco. Espero que vocês também gostem.

Whiplash! - Agora sem falar de músicas especificamente... mas muito mais numa auto análise. O que seria de fato o melhor, "Best Of", de Paul Gilbert?

Paul Gilbert / Ah, o melhor é sem dúvida quando toco ao vivo.

Whiplash! - Nos trabalhos solos, você traz muitas composições de pop, e rock alternativo, mais suave às vezes. Você sempre disse que gostava desses estilos. E me impressiona como você mescla isso com guitarra tocada rápida, alta técnica, etc. Como você chegou a esta combinação?

Paul Gilbert / Bem, minhas bandas favoritas são Beatles, Led Zeppelin e Van Halen. Sempre foram. E as coisas que mais gosto são melodias de música pop, acordes interessantes, guitarras rápidas, com ‘sweeps’, alternadas, além dos shows empolgantes, que já falei há pouco. Então eu tento colocar tudo isso junto em minha própria música. Geralmente componho uma letra ou pego uma idéia de melodia, e vou construindo a música em torno disso.

Whiplash! - Você já recebeu algumas respostas negativas por estar lidando com tais estilos, depois de tanto tempo na cena hard rock, metal?

Paul Gilbert / Até minha música mais pop tem muita guitarra inserida, então os fãs de heavy metal podem ouvi-la e curtir. As críticas negativas por causa do estilo não são muitas e consideráveis a ponto de que eu tenha que me preocupar. Creio que consegui realmente inserir aquilo que meus fãs antigos curtiam no que eu sempre quis fazer.

Whiplash! - Tem o fato também de você sempre incluir músicas instrumentais, com muito ‘shred’, como "Let The Computer Decide", ou mesmo algumas neoclássicas, caso de "Gilberto Concerto" e "Whole Lotta Sonata". Isso já virou uma tradição dos seus álbuns solo e é nisso que vai ficar ou você tem planos de gravar um disco inteiro nesta via?

Paul Gilbert / Eu gosto realmente de vocais e harmonias. Nunca escuto a álbuns instrumentais de guitarra, e não tenho interesse em gravar um. Mas ao mesmo tempo, gosto de música clássica, então às vezes procuro aprender algumas peças de piano na guitarra. Cresci ouvindo os Beatles, Elton John e Led Zeppelin, então o que gosto de escutar são realmente bons vocais, e muita harmonia. Todos têm seu gosto em termos de música. Não importa se está incluído num "estilo". Se você gosta, ouça!

Whiplash! - Voltando um pouco à questão das vendas. Você parece ter um foco para seus trabalhos no Japão. Você tem algum investimento maior nesse país? O que o Japão tem de diferente em relação aos outros países?

Paul Gilbert / O fato é que eu vendo muitos CDs no Japão. O Mr. Big também era muito famoso lá, então vem sendo muito mais fácil para eu construir uma carreira solo sólida por lá. É apenas isso.

Whiplash! - Mas você sabe que tem fãs também em todo o mundo, por algumas turnês de clínicas, da época do Mr. Big, etc. Então eu te perguntaria, quais seriam as diferenças e similaridades entre os públicos de diferentes continentes e países?

Paul Gilbert / Eu gosto do público que vem assistir às minhas performances em todos os países. A maior diferença que percebo depende apenas das cadeiras, e eu não estou brincando. Se o público está sentado, então as reações são bem mais calmas. Se não existem cadeiras, todos ficam mais empolgados.

Whiplash! - Em todos estes anos de carreira com o Mr. Big, Racer X, solo, você deve provavelmente tem um show marcado, do qual você nunca vai se esquecer. Qual foi esse show e por quê foi tão importante?

Paul Gilbert / O Mr. Big no Brasil. Falo isso para qualquer meio de imprensa no mundo todo. Agora, porque foi tão importante? Bem, um show na praia e com cem mil pessoas... acho que mais palavras são desnecessárias.

Whiplash! - Partindo para o Racer X, a banda segue forte com seus lançamentos. Com vêm sendo as respostas para o novo álbum, "Getting Heavier" e como você o analisaria?

Paul Gilbert / "Getting Heavier" foi gravado na minha casa em Las Vegas. Todo o álbum foi surgindo dentro do estúdio, na minha casa, onde o compomos, gravamos, e enfim, fizemos tudo. Foi bastante divertido e eu gosto do álbum, mas o meu favorito do Racer X é ainda o "Superheroes".

Whiplash! - Já que falamos de Racer X, vou repetir a pergunta que fiz a você em nossa última entrevista. Como vai Bruce Bouillet? Não temos muitas notícias sobre ele.

Paul Gilbert / Eu o vi na semana passada. Ele está bem e continua tocando na banda Epidemic. Sempre será um grande amigo meu.

Whiplash! - No Racer X você trabalha com o baterista Scott Travis (Judas Priest). Todos sabiam que o Judas se reuniria, mas você provavelmente teve a confirmação antes de nós, não? Comente também sobre esse retorno, o que você espera disso...

Paul Gilbert / Não tenho muito dizer em relação aos tempos antes da reunião. Não sabia muitas coisas sobre a reunião até então. Eu apenas espero vê-los em breve em turnês. E também torço para que o novo CD siga a linha de "Screaming For Vengeance". Rob Halford é fantástico no Judas Priest e tenho certeza que Scott irá curtir muito trabalhar com ele novamente.

Whiplash! - Falando em separações, temos aí o Mr. Big que foi destaque na imprensa nos últimos anos, com todos os problemas que envolveram a banda. Na sua opinião, talvez a banda devesse ter parado em na compilação "best of", "Big, Bigger, Biggest"?


Paul Gilbert / Eu estive no Mr. Big por oito anos. Eu realmente amo nossos primeiros quatro álbuns e foi maravilhoso ter a chance de tocar por todo o mundo. Mas depois de oito anos, nós já não nos relacionávamos muito bem, e a coisa já não funcionava como deveria, já não funcionava como uma banda realmente. Então naquela época eu decidi sair definitivamente.

Whiplash! - Ouvi comentários de muitas pessoas, incluindo membros do Mr. Big, de que o grande problema seria com Eric Martin. Como é a sua relação com ele?

Paul Gilbert / Eric é um ótimo cantor.

Whiplash! - O que você tem escutado ultimamente?

Paul Gilbert / Eu tenho escutado às minhas novas demos (risos). Não, digo, não apenas minhas novas demos. Eu tenho escutado muito o álbum "Los Angeles" do The Brilliant Green. Também "Sign In Please" do Autograph, "Point Of Entry" do Judas Priest. Entretanto, eu sempre estou a escutar meus favoritos, e atualmente coloco "A Hard Day’s Night" dos Beatles, "Van Halen II", "Moving Pictures" do Rush e "Bridge Of Sighs" de Robin Trower.

Whiplash! - Por favor, uma frase para cada um desses guitarristas que vou mencionar:

Whiplash! - Vivian Campbell

Paul Gilbert / Fantástico. Eu amo o primeiro álbum com o Dio.

Whiplash! - John Petrucci

Paul Gilbert / John e eu nos encontramos meses atrás e nos demos uma aula de guitarra. E foi muito divertido.

Whiplash! - Richie Kotzen

Paul Gilbert / Ele me substituiu no Mr. Big.

Whiplash! - Obrigado pela entrevista Paul. Sua vez...

Paul Gilbert / Eu estou exausto. Tenho trabalhado muito e ainda este ano, estão agendados alguns shows para o Japão e a América. Aí, então, precisarei de algum tempo de folga para não enlouquecer (risos). Porém, esteja certo que após um curto descanso, voltarei e pronto para mais rock!

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