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Green Carnation: Entrevista exclusiva com Tchort, ex-Emperor

Em 18/05/03

Por Thiago Corrêa Sarkis

A trajetória de Tchort (nome real: Terje Vik Shei) no metal é algo de inexplicavelmente magnífico. A incredulidade não se refere à qualidade de seus trabalhos, pelo contrário. Porém, inconstâncias e mudanças bruscas são características na carreira do norueguês. Seus experimentos musicais variam impressionantemente, e até se concretizarem aparecem como possibilidades mínimas e imprevisíveis para os fãs.

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Já de início, ele abandonou o Green Carnation para tomar conta do baixo do Emperor no disco "In The Nightside Of Eclipse", único lançamento dele com a banda e o bastante para deixar seu codinome famoso e saudado pelos entusiastas dos estilos extremos.

As costas já largas no black metal agigantaram-se com sua passagem no Satyricon, e seus trabalhos com Einherjer e Carpathian Forest.

Parece muito, contudo o nômade resolveu passar a outra experiência bem diferente, reiniciando e investindo novamente no gótico/doom do Green Carnation, cujo último álbum, "Light Of Day, Day Of Darkness", contou com apenas uma faixa, mais de uma hora de duração, e participação de trinta e quatro músicos.

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Para completar, há o retorno ao peso e à outra extremidade, todavia diversificando-se de seus feitos anteriores, no death metal do Blood Red Throne, conjunto o qual acaba de lançar seu novo disco, intitulado "Affiliated With The Suffering".

Em entrevista exclusiva ao Whiplash!, Tchort nos dá todos os detalhes do próximo CD do Green Carnation, comentando ainda sobre as influências progressivas, a passagem pelo Emperor, suas empreitadas com o BRT, entre ‘otras cositas más’.

Whiplash! - Como estão indo as gravações do novo álbum do Green Carnation? Nos dê bons e exclusivos detalhes se possível.

Concluímos a mixagem do novo álbum, "A Blessing in Disguise", na primeira semana de Março. Com algumas poucas pausas, gravamo-lo desde o começo de Janeiro, e estamos ansiosos para ouvir o resultado final agora.

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Você pediu por detalhes. Bem, você já tem o título, mas há mais. Alguns títulos de músicas: "The Writings On The Wall", "Crushed To Dust", "Into Deep", "Lullaby In Winter", "Two Seconds In Life", "Myron And Cole", "The Boy In The Attic", "Stay On These Roads" (cover para a música do A-Ha) e "Wicked Game" (cover para a famosa música de Chris Isaak). O álbum terá a duração de mais ou menos 60 minutos, e conterá dez ou onze faixas.

Eu e o Stein Roger Sordal estamos de co-produtores desta vez, e as gravações foram nos estúdios Jailhouse, onde fizemos o primeiro álbum do Green Carnation. O lançamento ocorrerá no dia 16 de Junho na Europa e um dia depois nos Estados Unidos.

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Este disco será algo totalmente diferente de "Light Of Day, Day Of Darkness", e na verdade nunca houve um plano de recriar aquele álbum. As músicas em "A Blessing In Disguise" são mais curtas, pegajosas, mas ainda assim bem variadas. Algumas músicas têm um distinto feeling "rock ‘n’ roll", outras vão mais na direção do rock progressivo, e há outras músicas difíceis de serem comentadas. De qualquer forma, acho que fizemos um álbum muito forte, talvez para uma gama maior de ouvintes do que em nosso início de carreira.

Whiplash! - Obrigado pela quantidade de detalhes (risos). Há rumores de que vocês estariam planejando o lançamento de um DVD e um disco ao vivo também. Vocês têm isso em mente realmente? Quando seria o lançamento?

Sim, temos, mas ainda não estamos certos de quando exatamente o DVD será lançado, pois leva muito mais tempo do que esperávamos. Mas estamos trabalhando nele. Consistirá em dois discos. Um será o DVD para "Light Of Day, Day Of Darkness", incluindo passagens ao vivo e outras coisas, pois filmamos a maioria de nossos shows, temos um monte de material, e estamos trabalhando intensamente na edição. O outro será um CD com nossa primeira apresentação após o lançamento de "Light Of Day, Day Of Darkness". Nos extras provavelmente estarão entrevistas com os membros da banda e muitas fotos.

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Whiplash! - Como você vem sentindo a resposta do público para o Green Carnation ao vivo? Como você analisaria esses shows?

As respostas para os nossos shows têm sido fantásticas. Para ser honesto, não sabíamos se seria possível tocar "Light Of Day, Day Of Darkness" ao vivo. Felizmente foi mais que possível. Provavelmente não somos a banda mais excitante de se assistir, mas a música é a maior prioridade ao vivo e acho que o público pegou essa idéia. Será algo completamente diferente tocar as músicas de "A Blessing In Disguise", mas não pensamos muito nisso ainda.

Whiplash! - Você pensou em dar fim às atividades do Green Carnation depois de ficar sozinho já que os membros que gravaram "Journey To The End Of The Night" abandonaram a banda antes de "Light Of Day"?

Eu já estava no meio do processo de composição de "Light Of Day" quando eles decidiram sair. Nós começamos a ensaiar algumas partes e o baterista de nosso primeiro álbum (N. do E.: Alf T Leangel) nunca comparecia. E ele também nos devia muito dinheiro por demos, alugueis de estúdios, etc. Ele foi mandando embora e posteriormente os dois gêmeos decidiram que não queriam mais continuar com a banda. Ambos estão com projetos solos agora. Como eu já estava compondo e tínhamos um contrato de dois álbuns com a Prophecy, eu pensei em pelo menos terminar o disco antes de largar o Green Carnation. Além do mais, não seria problema achar uma nova formação, apesar de ter demorado um pouco para encontrar Kjetil (N. do E.: Kjetil Nordhus) e oficializá-lo nos vocais . É um desafio compor um álbum por si mesmo, especialmente porque este seria meu primeiro. Porém, acho que cresci com essa tarefa e os resultados foram extraordinários. E com a boa vibração da nova formação, foi fácil decidir seguir com o Green Carnation.

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Whiplash! - A banda tem uma pegada bem diferente em relação às outras com as quais você já tocou. Como vem sendo a relação dos fãs do metal extremo com o Green Carnation?

O estranho é que muitos dos maiores fãs de metal extremo gostam realmente de "Light Of Day", e eu nunca fui acusado de nada por causa do Green Carnation. Gosto de trabalhar com bandas diferentes e me sentiria mal se tivesse três bandas soando igualmente. Prefiro ter bandas soando totalmente diferentes, como tenho agora.

Whiplash! - E "Light Of Day, Day Of Darkness" é um álbum bem sensível tanto no instrumental quanto nas letras. Você diz no encarte que seu filho o inspirou muito. Porém, outras coisas o influenciaram no processo de composição? Qual a razão para o título? Posso estar errado, mas sinto que há algo relacionado à morte de sua filha...

Não está errado. "Light Of Day" é baseado no fato de ter meu filho em minha vida. É sobre o contraste da felicidade e alegria de tê-lo, e a memória e a tristeza que senti com a morte da minha filha. É por isso que tem esse título, que reflete o positivo e o negativo. "Light Of Day" está ligado ao nascimento do meu filho, "Day Of Darkness" fala da morte de minha filha.

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Eu me abri no nosso primeiro trabalho também, lidando com a morte dela nas letras. (N. do E.: Tchort fala com certa tranqüilidade, mas muda de assunto).

Whiplash! - Li uma entrevista sua onde você fala que ouve Devil Doll e que é uma influência para você. A idéia de compor um álbum com apenas uma música e de mais de uma hora de duração veio com estas influências do Devil Doll que compôs a maior música de rock da história com setenta e nove minutos de duração? De quais outras formas o Devil Doll te influencia?

Eu tenho apenas um álbum do Devil Doll e é em CD-R, então eu nem ao certo sei de que álbum se trata (risos). Mas pelo menos nesse álbum, encontrei uma mistura ótima entre os instrumentos tradicionais do rock e os instrumentos clássicos, e com uma sábia produção. Não acho que temos o mesmo som, e nunca tentamos copiá-los, porque não funcionaria tão bem para nós como funciona para o Devil Doll. É bom achar essas idéias, mas trazê-las à vida real. Elas têm que ser ajustadas ao seu som e música.

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Whiplash! - Vamos então falar de seu grupo de death, o Blood Red Throne. Diga-nos mais sobre ele e faça comentários sobre o novo álbum, "Affiliated With The Suffering".

Død (N. do E.: guitarrista do Blood Red Throne) e eu formamos a banda quando ainda estávamos tocando com o Satyricon. Saímos do Satyricon e continuamos com o Blood Red Throne e aí completamos a formação. Já lançamos dois álbuns completos e um mini CD pela gravadora Hammerheart. Como você disse, tocamos a velha escolha do death metal, na veia de Obituary, Gorguts, Death, Deicide, etc. O novo álbum, "Affiliated With The Suffering", está indo muito bem e estamos fazendo algumas turnês na divulgação de nosso trabalho.

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Whiplash! - Há algo bem interessante na história da banda, relacionado ao debute "Monument Of Death". Me refiro ao "Suicide Kit" da edição limitada, na qual os primeiros mil CDs foram numerados um por um e com o sangue dos próprios membros da banda. Como você teve essa idéia? Qual a proposta em fazer isso e como foi a reação dos fãs, da mídia e outros movimentos?

Na verdade, não tivemos nenhum problema com o kit. A idéia era de fazer algo especial e eu havia lido em algum lugar que os membros do Kiss adicionaram seu sangue na tinta de uma revista em quadrinhos sobre eles. Então eu tive a idéia de assinar os álbuns com o nosso sangue. Era para um número limitado de CDs e nós queríamos dar aos fãs o máximo possível de nós e fazer do CD um item de colecionador. Acho que as pessoas gostaram, pois houve grande demanda para o suicide kit.

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Whiplash! - Você diz no encarte de "Light Of Day, Day Of Darkness" que este é seu legado musical, mas as pessoas sempre mencionam você lembrando de seu tempo no Emperor. Para alguns, este parece ser realmente seu legado, um ex-membro do Emperor. Como você lida com isso?

O Emperor nunca pode ser meu legado simplesmente porque escrevi algumas linhas de baixo para um álbum. "Light Of Day" foi um disco solo e por isso pode ser considerado meu legado musical. É bom que as pessoas lembrem de mim da melhor maneira possível no tempo do Emperor, mas dizer que o Emperor teve mais impacto em mim como músico do que o Green Carnation ou o Blood Red Throne seria errado.

Whiplash! - O que você pensa do fim do Emperor? Como você recebeu a notícia?

Eu realmente não tenho qualquer sentimento em relação ao fim do Emperor. Eu não ouvia a música deles desde o "Anthems" (N. do E.: "Anthems To The Welkin At The Dust – 1997) e para mim pareceu bem natural que eles tenham parado, pelo fato de que eles têm outras bandas, e também porque as composições no Emperor já não eram divididas. Elas iam a direção de uma banda solo de Ihsahn (N. do E.: Nome real – Vegard Tveitan).

Whiplash! - Nessa parte final da entrevista, vou citar um fato e o nome de três músicos e gostaria que você fizesse comentários sobre o que vou mencionar.

Ok. Pode começar.

Whiplash! - A morte de Chuck Schuldiner.

Triste, realmente muito triste. Um ótimo músico e compositor que nos deixou, mas que será lembrado eternamente por seu maravilhoso trabalho musical.

Whiplash! - Varg Vikernes.

Fez alguns álbuns realmente bons, e tem uma visão ampla e extrema para o movimento black metal, a qual eu gostei bastante. Porém, ele falhou no cumprimento e regimento de suas próprias visões.

Whiplash! - Lars Ulrich.

Legal ter um músico escandinavo com esse sucesso tamanho e extremo como ele tem com o Metallica. Um baterista decente que toca o que é necessário tocar e não um monte de porcarias, as quais a maioria dos bateristas não consegue deixar de lado.

Whiplash! – Satyr.

Muito obstinado, um cara que trabalha duro. Faz uma ótima música e é um líder auto designado, com todos os prós e contras disso.

Whiplash! - Era isso Tchort! Obrigado pela entrevista e boa sorte com seus projetos. Esse espaço é seu...

Muito obrigado pelo apoio. Confiram os sites e a música de Carpathian Forest, Green Carnation e Blood Red Throne. Venham aos nossos shows e curtam conosco. Obrigado mais uma vez.

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