Enchant - Exclusiva com vocalista Ted Leonard

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Por Thiago Sarkis
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O Enchant está na cena do rock - metal progressivo desde o início da década de 90, tendo lançado seu primeiro álbum completo, "A Blueprint Of The World", em 1994. Talvez este disco seja o maior problema para a banda. Uma estréia considerada pela maioria dos fãs como praticamente impossível de ser superada. Contudo, o grupo não parou de lançar trabalhos de alta qualidade e já é possível encontrar pessoas comentando "Wounded", "Juggling 9 Or Dropping 10" e o último lançamento, "Blink Of An Eye", como CDs no mesmo nível do debute.

O fato é que a cada lançamento o Enchant encanta ainda mais os fãs de progressivo. As influências abertas e variadas, que vão de Marillion e Dream Theater a pop, alternativo e até algo de grunge, resultam numa sonoridade única.

Com seis álbuns na bagagem, quase uma década de carreira, disco produzido por Steve Rothery (Marillion) e turnês bem-sucedidas com Dream Theater, Marillion e Spock's Beard, o conjunto já tem uma boa história para contar e comentar. Então aqui estamos com Ted Leonard, o aclamado vocalista da banda:

WHIPLASH! - "Blink Of An Eye" recebeu as melhores respostas possíveis da imprensa. Boas resenhas nas maiores revistas especializadas do mundo. Depois de "A Blueprint Of The World", os álbuns também receberam boa resposta, mas não de maneira impressionante como este novo. Você imaginava que esse disco seria tão elogiado?

TED LEONARD / Eu acho que começamos a ter essa idéia quando a mixagem foi finalizada. Estávamos já esperando uma resposta diferente para este álbum, pensando em relação aos últimos lançamentos que fizemos. Mas acho que nenhum de nós tinha a perspectiva de que essa diferença viria com tanta força positiva. Assumimos alguns riscos com "Blink" (N. do E.: Blink Of An Eye, o novo álbum) e como resultado veio algo definitivamente mais pesado e direto. Em algumas partes, os arranjos são mais simples, mas acredito que o a carga emocional maior do disco esteja exatamente nesta questão.

WHIPLASH! - O que influenciou a banda no processo de composição de "Blink Of An Eye?

TL / Bem, nós começamos o processo de composição mais pesado na época em que ocorreram os atentados terroristas, mas eu não sei se alguma música específica foi influenciada pela tragédia. A faixa de abertura, "Under Fire" tem um cenário de tempos de guerra e como eu estive envolvido na letra, ao lado de Doug, posso dizer que a minha parte estava mais ligada a história do Vietnã. Doug e eu discutimos sobre o tema da canção antes. Eu comecei adicionando partes que ele também já tinha e quando nos juntamos para comparar as notas e tudo mais, verificamos que, incrivelmente, estávamos descrevendo cenários inteiramente diferentes. Mas funcionou, gostamos do resultado e confirmamos no disco.

WHIPLASH! - Depois da saída de Paul Craddick, houve rumores de que a banda daria fins às suas atividades. Como você se sentiu quando ele disse que não persistiria com a banda? Vocês chegaram a pensar em parar realmente?

TL / Eu fiquei muito desapontado quando Paul me disse de suas intenções de mudar seu rumo musical e não mais prosseguir conosco, e eu tive dúvidas se seríamos capazes de continuar sem ele. Afinal, ele era um colaborador essencial desde o nosso início, tanto musicalmente como em matéria de letras. Seu estilo de tocar bateria era uma parte importante na diferenciação de nosso. Em ensaios e situações onde estávamos compondo, ele nos trazia uma vantagem imensa, por causa de sua incrível memória. Podíamos ensaiar certa parte uma única vez e abandoná-la por meses, e quando voltávamos a ela, ele era capaz de dizer a todos qual acorde ou melodia ocorria ali. Chegava a ser assustador. Mas ele acabou saindo, e as diferenças musicais foram de fato as razões para isso. Ele realmente não estava interessado em tocar qualquer coisa semelhante ao progressivo e nós não queríamos abandonar esse aspecto de nossa. Felizmente, a separação não abalou a qualidade de nossa amizade, apesar de é claro, certamente, não nos vermos tanto.

WHIPLASH! - Como vocês entraram em contato com Sean Flanegan e porque o escolheram?

TL / Conhecemos o Sean pelo Matt Guillory, um tecladista que faz vários trabalhos na gravadora Magna Carta. O Sean estava na banda dele na época, a qual era um tipo de Dream Theater mais pesado. Suas habilidades nos impressionaram, mas não era realmente nosso estilo. Depois ele entrou numa banda de pop rock chamada Truth About Seafood e aí sim sua bateria soou mais próxima a nossas idéias, com uma pegada mais rock. Doug e eu acompanhamos alguns shows e conversamos bastante com ele. É uma ótima companhia. Acabamos por escolhê-lo porque ele supre qualquer habilidade necessária a um baterista de progressivo e porque ele estava interessado também em colaborar na composição das músicas, ao invés de ser apenas um baterista impressionante. Isso é raro e uma atitude altamente bem vinda para nós.

WHIPLASH! - Algumas pessoas vêm dizendo que o Enchant retornou às suas raízes progressivas, com bastante técnica, variações de tempo e essa seria a causa de "Blink Of An Eye" soar tão bem. Você concorda com isso?

TL / Bom, com um ponto de vista técnico e atmosférico, definitivamente concordo com isso. Porém, não há tantas quebras de tempo como em álbuns passados. Acho que nenhum de nós senta para escrever uma música pensando que vai ser progressiva. Apenas tentamos colocar o máximo de emoção na música e muito disso pode vir de um instrumental intrincado, algo que a maioria da música popular atual parece ignorar.

WHIPLASH! - A banda vem trabalhando com influências alternativas e pops também. Você não chegou a pensar que isso seria um suicídio para o Enchant no meio progressivo? Como vocês trabalham para mixar essas influências e o lado prog?

TL / Todos nós somos e sempre seremos influenciados pela música da atualidade e caso não deixemos que ela nos influencie, nos colocaríamos como fotógrafos musicais, pegando imagens as quais pensados que as pessoas vão gostar mais e estar mais aptas a comprar. E somos artistas musicais, tentanto contribuir com algo único e original. É claro que provavelmente poderíamos alcançar mais sucesso se fizéssemos seis álbuns soando como "Blueprint" (N. do E.: o debute "A Blueprint Of The World"), mas acho que a cena progressiva nada tem a ver com caridade e o gosto da maioria. A atualização é parte do próprio processo de atualização. Então nos mantemos progredindo e mudando e assim nos mantemos interessados e investindo no que fazemos.

WHIPLASH! - Quais bandas de pop, alternativo, grunge influenciam o Enchant?

TL / Falar em nome da banda é complicado, mas no geral, sei que Stone Temple Pilots, Tonic, Jellyfish, e King's X - esse especialmente eu adoro. Acho que a qualidade comum destas bandas é a habilidade de balancear o complexo com uma pegada forte.

WHIPLASH! - As músicas do Enchant sempre trazem letras reflexivas, as vezes dark, depressivas. sometimes dark, depressive. De onde vem tudo isso?

TL / Quase todas as letras do Enchant são derivadas de experiências pessoais, mas nossas perspectivas e filosofias pessoais variam radicalmente. Eu freqüentemente escrevo sobre tópicos depressivos, mas sempre tento tecê-lo numa idéia de esperança. Acho que uma parte essencial do crescimento pessoal é a exploração da dor, ao invés de como outros, ignoramo-lás.

WHIPLASH! - Voltando a sete anos atrás. O debute "A Blueprint Of The World" ainda é considerado pela maioria dos fãs como o grande disco da banda, uma verdadeira obra-prima. Como você lida com isso? Concorda com a idéia?

TL / Se eu concordo? Não. Eu gosto deste álbum, mas ele não reflete meus gostos musicais pessoais, tampouco o material se relaciona muito com meu estilo de cantar. Fico feliz que outros ainda falem muito... e bem deste álbum, mas o meu foco é (e sempre foi) ajudar o próximo disco a ser o melhor.

WHIPLASH! - O Steve Rothery (Marillion) teve bastante participação no "A Blueprint...". Como foi o contato e a experiência de trabalhar com ele?

TL / O Paul e o Doug deram uma fita pra ele num dos shows do Marillion e ele nos retornou e começamos a nos corresponder. Não trabalhei muito com ele, mas o Paul e o Doug adoraram a participação do Rothery. E na verdade, muitas de suas idéias, deram vida a várias daquelas músicas.

WHIPLASH! - Falando de Marillion... as duas Eras da banda (com Fish nos vocais e posteriormente com Steve Hogarth) são causas de uma das mais polêmicas discussões no meio progressivo. Qual é a sua Era favorita e porque?

TL / Forte e enfaticamente prefiro o Hogarth. Ele canta com convicção e emoção impressionantes. "Season's End" e "Brave" tiveram grande impacto no meu estilo vocal. Sobre o Fish? Bem, ele podia realmente escrever ótimas letras, mas não consigo ouvir mais de dez segundos de uma música com ele sem ter vontade de saltá-la.


WHIPLASH! - Voltando ao Enchant. Vocês fizeram turnês com grandes bandas, incluindo Marillion, Spock's Beard e Dream Theater. O que vocês aprenderam com essas experiências? Qual foi a mais importante e memorável turnê para vocês, e porque?

TL / Acho que todas foram memoráveis e altamente significantes à sua própria maneira. Com o Marillion, tocamos para onze mil pessoas num show e o Steve Rothery entrou no palco conosco, para o bis, tocando "Nighttime Sky" (N. do E.: Rothery participa dessa música também em "A Blueprint Of The World"). Tocar com o Dream Theater foi fantástico. Eles são extremamente simpáticos e têm os pés no chão. James (N do E.: LaBrie, vocalista do Dream Theater) e eu conversamos demais sobre a disciplina e a prática Ele passa pelo menos trinta minutos treinando antes de subir ao palco. Esse foi um ritual que passei a adotar. Mas facilmente, de longe, a turnê que mais curtimos foi com o Spock's Beard. Nós dividimos um ônibus com eles e após cada show, saíamos pra aproveitar um pouco. Na maioria das noites, ficávamos até quatro da manhã cantando todos os tipos de música... Beatles, David Bowie, Yes, Abba. Antes de tocarmos, eu assistia todos os shows do Spock's Beard e eles não se repetiam, era sempre ótimo.

WHIPLASH! - Quais os planos da banda para o futuro?

TL / Estamos preparando material para nosso próximo álbum, que deverá sair em Julho ou Junho. Depois disso, devemos fazer turnês pela Europa e pelos Estados Unidos. Até então, o material parece estar pegando onde "Blink Of An Eye" ficou devendo, apesar de agora termos um tecladista fixo que poderá mudar a forma e o direcionamento do trabalho. Nos últimos dois álbuns, não tivemos esse elemento logo no começo, ao partirmos para as composições, mesmo com o Doug e o Paul fazendo um ótimo papel nos teclados.

WHIPLASH! - Obrigado pela entrevista Ted. Deixe uma mensagem para os fãs e faça o que quiser nessa última parte.

TL / Obrigado a vocês. Para os fãs do Enchant, podem esperar, pois 2003 será um ótimo ano. Fiquem atentos a Julho, quando deveremos lançar o álbum. Também visitem nosso site em www.enchant.nu ou www.theoasis.cc, com atualizações constantes.


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Sobre Thiago Sarkis

Thiago Sarkis: Colaborador do Whiplash!, iniciou sua trajetória no Rock ainda novo, convivendo com a explosão da cena nacional. Partiu então para Van Halen, Metallica, Dire Straits, Megadeth. Começou a redigir no próprio Whiplash! e tornou-se, posteriormente, correspondente internacional das revistas RSJ (Índia - foto ao lado), Popular 1 (Espanha), Spark (República Tcheca), PainKiller (China), Rock Hard (Grécia), Rock Express (ex-Iugoslávia), entre outras. Teve seus textos veiculados em 35 países e, no Brasil, escreveu para Comando Rock, Disconnected, [] Zero, Roadie Crew, Valhalla.

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