John Bala Jones - Entrevista exclusiva com a banda
Postado em 19 de abril de 2001
Para quem gosta de rock nacional no estilo Charlie Brown e O Rappa, e curte o som do Planet Hemp, é bom se ligar no som da banda John Bala Jones. Essa banda de Floripa, formada por Guilherme Ribeiro no vocal, Jeronimo Thompson e Fernando Pereira (Filhote) nas guitarras, Mateo Troncoso no baixo, Fábio Barreto na bateria e Giulio Franco na percussão, estará lançando o primeiro CD no final de maio e tem tudo para estourar no cenário nacional. Em entrevista para a Whiplash! eles falaram um pouco mais sobre a banda.
Por Rodrigo Simas
Entrevista cedida por Keler Junior
Whiplash! – Como surgiu a banda John Bala Jones?
Giulio Franco / Nós nos conhecemos desde moleque e uns cinco anos atrás surgiu a idéia de formarmos uma banda. O engraçado era que ninguém tocava nada, então nos juntamos e começamos a levar um som, mas a formação John Bala Jones tem 2 anos, surgiu da fusão de uma outra banda chamada Rococó.
Whiplash! – Como está o mercado para a banda?
Giulio Franco / Nesses dois anos pudemos dividir a carreira da banda em "antes do Planeta Atlântida" (festival de rock que acontece no verão em Santa Catarina e Rio Grande do Sul) e "depois do Planeta 2000". Antes do Planeta nós tocávamos bastante em Florianópolis, mas não tinha quase show fora da ilha. Só que depois do Planeta 2000 a banda teve uma boa divulgação pelo sul do Brasil. O bom é que aqui é uma cidade turística, vem muita gente de fora e assiste o show da gente e acaba conhecendo o som da banda e gostando, então depois do Planeta 2000 começamos a fazer bastante shows para fora do estado.
Whiplash! – Quais são as principais influências da banda?
Giulio Franco / Primeiro as bandas brasileiras que estão se dando bem, como Charlie Brown Jr., O Rappa e Raimundos. Todos com um som que nós curtimos muito. Eu costumo dizer que o som da banda é uma salada musical, o gosto é bem eclético vai desde MPB, passando por Jamiroquai, que é um som que eu curto muito, até Rage Against the Machine. Cada um traz um pouquinho do seu gosto para formar o que é o som do John Bala Jones.
Fernando "Filhote" / Eu gosto muito de bandas de rap, são bandas que na maioria nem tem guitarrista, mas eu procuro sempre me espelhar no Santana, para mim ele é um puta guitarrista. E a nível nacional gosto muito do Pepeu Gomes.
Jeronimo / Cada um da banda vem com a sua, até acho que é bem diversificado o gosto. Eu sempre que posso coloco um CD do Santana no som para ouvir, curto também muito blues, gosto de ouvir os solos, além do Carlos Bala na batera, Arthur Maia no baixo e Djavan.
Fábio / Eu tenho minhas influências da época de criança, final da década de 70 até o começo da década de 90; muitas coisas de fora, como Genesis, Yes, Queen, Pink Floyd, Deep Purple, até uma época tecno de New Order e Erasure, que fez parte da minha pré-adolescência; tem toda a influência da época, né cara. De banda nacional eu gosto muito do Rappa, dos Paralamas, do início da Legião, e teve uma época mais punk tipo Replicantes. Gostei muito de ver um baterista de jazz que passou no Multishow chamado Denis Chambler, além de Neil Peart do Rush, o "pelado" do Charlie Brown Jr., o Yuka do Rappa e o baterista do Zeca Baleiro que eu não sei o nome.
Mateo / Meu pai já teve banda das antigas, e eu sempre acordei com ele tocando guitarra lá em casa, então aprendi muita coisa com ele. Eu sempre curti muito black music, aquele funk dos anos 70. Curto som das antigas como Jimi Hendrix, Black Sabbath e Led Zeppelin. Dos novos eu gosto muito de O Rappa, Charlie Brown Jr. e Red Hot Chili Peppers. Baixista em que eu me espelho muito é o cara do Rappa e o Flea, do Red Hot, que pra mim manda muito bem.
Whiplash! – Qual o estilo que vocês definem como o som do John Bala Jones?
Jeronimo / A parada mais difícil é você dar um nome pra isso, por que todo mundo tem um nome pra dar. Eu acho que é um pop-rock, mas aí vem um crítico e diz que esse som é uma salada musical, como o Giulio disse.
Giulio Franco / A gente leva mais para o funk-rock, mas misturamos um pouco de ska e também um pouco de reggae.
Whiplash! – Quais sãos os projetos da banda, e o que está faltando para a banda estourar fora de Florianópolis?
Giulio Franco / O que está faltando para a gente se atirar, para dar as caras é o CD. È difícil a gente trabalhar, tocar em um lugar e quando a gente volta lá o pessoal ainda não nos conhece bem. Se nós já tivéssemos deixado um CD, o pessoal já conheceria mais. Em março nós vamos dar uma parada para gravar o CD, e pretendemos estar lançando ele em maio, aí sim nós vamos nos atirar mesmo, no Brasil todo.
Whiplash! – Quem é o letrista da banda?
Giulio Franco / O principal letrista da banda sou eu, mas também tem outras pessoas da banda que fazem letras. Tem uma composição que foi feita por todos, mas a maioria das letras é minha.
Whiplash! – O CD já tem definida quantas faixas vai ter? Vai rolar alguma regravação?
Giulio Franco / A gente ainda não pensou em fazer regravações. A idéia é colocar 12 músicas no CD, mas ainda não fechamos o repertório. Vamos nos reunir com o produtor Carlos Maluli, garimpar bem e mostrar para ele 20 músicas e daí tirar as 12 que acharmos que vão ser as mais fortes pra botar um CD bem porrada mesmo.
Whiplash! - O som de vocês chama atenção por aquele instrumento que você toca, fale um pouco sobre ele, e como surgiu a idéia de fazer esse som diferente.
Giulio Franco / Muita gente deve ter escutado esse instrumento em bandas como Jamiroquai e Yothu Yindhi, que usam esse instrumento chamado Digeridú, que é um instrumento usado por aborígenes australianos. Mas o que me incentivou a tocá-lo foi ver os índios brasileiros do Xingu usando um bem parecido. È um instrumento de sopro, um cano de madeira oco, onde você vai dando um som. Quando eu vi os índios brasileiros tocando, eu fiquei muito a fim de botar no nosso som, só que não tinha como conseguir aqui, então eu resolvi fazer o que a gente toca na banda. Eu peguei um bambu e arrumei ele todo, o que acabou dando nesse instrumento que eu chamo de bambu ou ziriguidum - é um nome com a cara da ilha.
Whiplash! - Como surgiu o nome John Bala Jones?
Giulio Franco / O nome John Bala Jones surgiu de uma gíria que a gente usava, da galera que tocava junto. O cara que tocava violão era o John violeiro, então assim começou: o cara que tocava violão em uma roda levando umas baladas era o John Bala Jones, um personagem que a gente acabou criando. Um dia antes de um show ainda não tinha o nome da banda, foi quando alguém falou para colocar John Bala Jones e acabou pegando.
Whiplash! – Valeu galera, obrigado pela entrevista.
Giulio Franco / Abraço para a galera da revista, se liguem no som da Ilha (Floripa). John Bala Jones na área, visitem o site www.johnbalajones.com.br.
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