Tuatha de Danann - Entrevista exclusiva com a banda.

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Banda formada por Bruno (vocal, flauta, violão), Rodrigo (guitarra, violão), Giovani (baixo, percussão, vocal) e Wilson (bateria, percussão), o Thuata de Danann, banda de Minas Gerais, traz originalidade em suas composições ao incorporar elementos celtas e várias passagens de flautas, violinos e decorações do tipo. É como se o ouvinte estivesse em plena era medieval.

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Escutando o primeiro CD desta banda que anda realizando shows com excelentes comentários, pode-se encontrar de tudo, ou seja, doom, thrash e até mesmo heavy melódico, sempre regado a muita viagem musical. O fato é que a banda consegue ser impressionante sem ser enjoativa e proporciona, verdadeiramente, diversos momentos de emoções ao se escutar o conteúdo musical.

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Assim, fomos conversar com Rodrigo e Bruno para saber todos os detalhes que envolvem as mais variadas influências, além da autêntica aula de cultura celta que esta entrevista proporcionará ao caro leitor.

Por André Toral

Whiplash! / Qual é a história do Tuatha de Danann, até chegar a ser a banda que é, atualmente?

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Rodrigo / Começamos a tocar juntos em 1993, sob o nome Dark Subconscious e o som era Death Metal . Éramos todos muito novos; tínhamos entre 13 e 14 anos e desde aquela época havia interesse em lendas medievais, como rei Arthur e coisas do tipo. Por isso, mais tarde, mudamos o nome para Pendragon e o som ficou mais para um Death/Doom com passagens bem medievais. Foi no Pendragon onde começamos a aprofundar mais em mitologia celta e passar para nosso som as primeiras inspirações que tivemos. Mas descobrimos que já havia uma banda de metal progressivo com esse nome e ai começamos a procurar outro nome, como já havia a música Tuatha de Danann escolhemos mudar o nome da banda para o mesmo, também porque representava melhor a idéia da banda. Ai começou a melhorar tudo, pois pegamos firme após a entrada de Felipe (K) e Rogério (B) ao lançarmos, em 1996, nossa primeira demo tape, ou seja, The Last Pendragon; essa repercutiu muito bem e foi com ela que começamos a ser reconhecidos e respeitados dentro do underground nacional. O próximo acontecimento foi a entrada de Marcos no vocal; ele tinha uma voz bem melódica e fez com que nossa músicas ficassem com um ar muito Heavy. Após alguns shows com ele, resolvemos gravar a demo tape Faeryage . Essa segunda demo tape foi muito bem divulgada, pois tivemos muitos elogios e chegamos até a abrir para o Blind Guardian. Logo em seguida o Rogério, Marcos e depois o Felipe saíram, assim o Giovani, que já tinha tocado no Dark Subconscious, reassumiu o baixo e convocamos Edgar para os teclados; um pouco antes de sua entrada é que foi gravado o cd single.

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Whiplash! / Afinal, qual o significado para o nome da banda, Thuata de Danann?

Bruno / Tuatha de Danann era o povo da deusa Danú, uma raça de seres encantados imortais que povoavam a Irlanda mítica. Vieram dos céus e trouxeram o sol, senhores da vida, da morte, dos sonhos. Com o advento do cristianismo foram se transformando em fadas e gnomos do folclore popular. Sua saga é muito grande e bonita !

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Whiplash! / Com um som bem arranjado e melodias diversas, como foi e quanto tempo demorou o processo para concepção do primeiro CD da banda?

Rodrigo / Antes de nosso contrato com a HMR (Heavy Metal Rock) já tínhamos as músicas todas prontas, e quando entramos no estúdio, para gravar, foi tudo muito rápido e sem complicações. O único problema foi na parte gráfica; a prensagem também demorou seis meses.

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Whiplash! / A química é composta por momentos medievais e celtas, flautas e violinos. Como o Thuata de Danann se desenvolveu para atingir tal perfeição?

Bruno / Desde pequeno sempre fui fascinado pela civilização celta. Quando formamos o Tuatha resolvemos adicionar à banda elementos da cultura celta; erramos musicalmente ao sermos limitados no começo, então nos desenvolvemos na música medieval.

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Whiplash! / Existem músicas onde a melodia e agressividade andam de mãos dadas, como em The Bards of the Infinity, Queen of the Witches e a faixa-título. Seriam estas características primordiais a serem sempre seguidas?

Bruno / Não necessariamente, pois nossa intenção é tentar misturar a música medieval com o peso do metal. Antes de tudo, somos headbangers, mas nunca compomos uma música pensando se ela será mais porrada ou mais melódica- ela sai como tem de sair.

Whiplash! / O Tuatha de Danann é uma banda que apresenta doom, thrash e até heavy melódico. Vocês acreditam que a união destes estilos ajuda a aproximar fãs diversos?

Rodrigo / Sim, e até pessoas que nunca se interessaram por heavy já passaram a se inteirar por causa de músicas como Us, Faeryage; isso sempre foi um passo a frente na divulgação.

Whiplash! / Não só o som foi inteligentemente concebido mas as letras também tem conteúdo muito rico. Conte aos leitores sobre as mensagens que acompanham o CD.

Bruno / Nossas letras não só narram lendas celtas, nós também cantamos a beleza da natureza. Tentamos fazer as pessoas abrirem os olhos e perderem a visão egoísta do ser humano; queremos tentar ensinar a amar a natureza e ver a magia que envolve os bosques, os lagos, as flores, as fadas etc., mas não de uma maneira careta. Também narramos lindas lendas celtas onde a realidade e a imaginação andam de mãos dadas.

Whiplash! / Enquanto a letras, vocês consideram que, durante a composição da base rítmica, é importante moldá-la de acordo com a mensagem a querer se passar?

Bruno / Sim. Tentamos criar uma interação. A música tem que condizer com a letra, pois ai está a magia. Sinceramente, creio que a música tenha mais valor que a letra, por que nela a magia é mais abstrata. Geralmente, compomos a música antes.

Whiplash! / Que inspiração foi empregada na arte do CD?

Rodrigo / A figura de um bardo sempre foi um símbolo de nossa adoração pela cultura celta e sua música.

Whiplash! / Para Bruno (vocal) - Sua voz se alterna entre o melódico, agressivo e urrado. É fácil cantar no Thuata de Danann?

Bruno / Eu comecei cantando apenas vocais guturais, depois passei a fazer uma linha melódica mais baixa, no estilo My Dying Bride, Anathema etc., mas com o tempo comecei a escutar muito Helloween, Gamma Ray e Dio; de tanto berrar em casa comecei a alcançar tons mais altos. Não é difícil, mas agora quem faz os vocais urrados é o Giovane.

Whiplash! / Que sonhos a banda pretende tornar realidade, dentro do cenário metálico nacional?

Rodrigo / Sempre fizemos de tudo que esteve ao nosso alcance e sabemos que podemos fazer muito melhor; queremos ser reconhecidos, queremos viver de música - da nossa música. Nascemos para tocar.

Whiplash! / Como andam os contatos, no Brasil e no exterior, que a banda tem mantido?

Bruno / Na cena nacional, estamos com o nome bem divulgado, porém, falta uma maior divulgação; isso envolve muita coisa, mas estamos crescendo bem. Lá fora o CD já está sendo distribuído em países como: Alemanha, Suécia, Noruega, EUA, Inglaterra e Argentina. Vamos ver o que vai dar.

Whiplash! / Como tem sido a recepção ao primeiro CD da banda?

Rodrigo / Está muito bom, pois a procura é grande e também apareceram muitos convites para tocar. Há lojas que se interessaram em vender, coisa que com demo é muito difícil. A galera está curtindo.

Whiplash! / Como vocês definem um show do Tuatha de Danann?

Rodrigo / Uma tempestade, um furacão, uma tijolada na cara!

Whiplash! / Sendo uma banda tão complexa em termos de uso de instrumentos diferentes, como isso é enfrentado em situações de shows?

Bruno / O show é como está no CD, ou seja, com todas as flautas, violinos, violões... A única vez que deu errado foi em um show em Americana (SP), que o violão foi para o saco!

Whiplash! / O fato de vocês serem do interior de Minas Gerais dificulta as coisas, em termos de shows de divulgação em centros nacionais de underground?

Bruno / Dificulta sim, pois o bicho pega mesmo é em São Paulo. Lá que as coisas acontecem, mas dá para levar.

Whiplash! / O Thuata de Danann fez a abertura do show do Blind Guardian, em São Paulo, como foi a reação das pessoas presentes?

Rodrigo / Foi uma surpresa. Já em nossa primeira música - a do show também -, a galera estava acompanhando às palmas as partes mais celtas e agitando muito; foi assim o show inteiro.

Whiplash! / Algum músico do Blind Guardian opinou sobre o som do Tuatha de Danann?

Rodrigo / Acho que o Hansi Kürsch gostou muito, por que todo mundo viu ele de olho fixo no nosso show inteiro; quando tocamos um cover do Manowar alguns amigos nossos que lá estavam viram ele batendo cabeça. E para finalizar, Hansi Kürsch tocou com a camisa do Tuatha no show.

Whiplash! / Deixem um recado para o Whiplash!.

Rodrigo e Bruno / A todos do Whiplash e à todas as pessoas que leram esta entrevista, muita esperança e força . O metal é nosso! O Brasil também é foda!

Para contactar a banda: [email protected]

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