Royal Hunt - Entrevista exclusiva com André Andersen

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Mesmo com a grande polêmica gerada pela saída do vocalista DC Cooper da banda, o cabeça do grupo, André Andersen, não desistiu de seguir em frente. Recrutando John West [Artension], o Royal Hunt volta à ativa com seu mais novo disco, "Fear". Bem-humorado, Andersen concedeu essa exclusiva a Whiplash!. Confira.

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Por Haggen Kennedy.

Tradução / Haggen Kennedy.

Whiplash! / "Fear" foi um disco bastante esperado, pois além de ser o sucessor do "Paradox", ele traria um vocalista novo. Como tem sido a recepção pelos fãs e crítica especializada?

André Andersen / Tem sido muito boa. Nós estávamos um tanto temerosos no começo, afinal haviam muitas especulações e boatos antes do disco ser lançado. É aquele negócio, mudar um vocalista é sempre um problema. Mas a partir do dia em que ele [o disco] foi lançado, em Outubro, recebeu ótima resposta. Os reviews dele têm sido muito bons. Na verdade, o disco já vendeu mais que o "Paradox". As vendas da gravadora têm sido realmente grandes. E nós fizemos uma turnê promocional de dois meses, também, e o pessoal nos apoiou bastante, foi realmente muito bom, temos nos saído muito bem com o "Fear".

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Whiplash! / O Royal Hunt é bem popular no Japão... vocês ainda continuam com a mesma popularidade lá?

André Andersen / Tem sido muito boa, mas na verdade, por incrível que possa parecer, nossos últimos dois discos ["Paradox" e "Fear"] estão indo melhor na Europa do que no Japão.

Whiplash! / Sério?!

André Andersen / É, porque provavelmente nós começamos estourando no Japão, quero dizer, nossos primeiros três discos foram de enorme sucesso por lá. Nós ficamos bem famosos por lá, as nossas turnês começavam no Japão, até. Acho que esse tipo de coisa acontece, não sei. Na verdade, nos surpreendeu um pouco também.

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Whiplash! / E a turnê?

André Andersen / Na próxima Terça-feira [N do E: a entrevista foi feita em meados de fevereiro], iniciaremos uma tour. Começaremos tocando em Copenhague e depois voaremos para a Ásia. Então, faremos alguns shows no Japão. Mas sempre voltamos àquele país, pois é um lugar onde o povo é muito receptivo e há pessoas realmente fiéis. Depois voaremos a Europa, onde ficaremos em turnê por um mês e meio, mais ou menos.

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Whiplash! / Mas há alguma chance de uma tour mundial?

André Andersen / Bem, basicamente é uma tour mundial [risos]. Mas eu entendo o que você quer dizer. O lance é que infelizmente não recebemos notícias de como anda o disco aí na América do Sul ainda. Mas mesmo assim temos muita vontade de irmos aí para tocarmos. Na verdade, estamos na espera, mesmo, pra ver se vai rolar alguma coisa por aí esse ano, pois sempre falam bem da platéia sul americana para nós. Infelizmente, o que acontece é que isso não compete exatamente a nós, e sim, à gravadora, aos produtores e etc. Eles é que agendam as apresentações da banda. E depois que acabarmos de tocar na Europa, teremos umas três ou quatro semanas de descanso para fazermos alguns shows em Festivais. Então, nessa época entre Abril e Junho eu não sei muito bem como as coisas vão estar. É esperar pra ver.

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Whiplash! / Falando em Europa e etc., você é russo, não é?

André Andersen / Yep.

Whiplash! / Mas por que exatamente você se mudou para a Dinamarca?

André Andersen / Ah, foi uma coisa bem fácil de acontecer, porque meu pai é dinamarquês. Ele era um jornalista trabalhando em Moscou, casado com minha mãe, que é russa. Eu sou uma mistura muito estranha. [risos]

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Whiplash! / Mas quantas línguas você fala?

André Andersen / Ah, na verdade, três: russo, dinamarquês e inglês. Mas eu consigo ler em alemão e falar um pouco de polonês e sueco, mas não muita coisa {N do E: eu peço para ele falar alguma coisa em russo e ele fica me ensinando algumas palavras].

Whiplash! / Tudo bem, voltando à banda agora... como vocês acharam o John West?

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André Andersen / Bem, como estamos nesse meio musical, temos contatos com diversas gravadoras, managers, produtores e etc., então, a primeira coisa que fizemos foi ligar para todos eles. Procurávamos alguém que se encaixasse no estilo do grupo, e dissemos isso a eles. Então, conseguimos cerca de 100 CDs e fitas com vocalistas de características que pedimos... na verdade, um pouco mais de 100. Demos uma boa ouvida em todo o material até que chegamos a umas 5 ou 6 pessoas que gostaríamos de experimentar para ver se funcionava. Tínhamos vocalistas que vinham do mundo todo: Espanha, Suécia, Alemanha, Estados Unidos... mas não nos importávamos de onde ele vinha. Bem, nós terminamos escolhendo o John não apenas pela sua capacidade vocal, mas também pelo ótimo relacionamento que desenvolvemos, ele e o resto do grupo. Sabe, ele veio aqui para a Dinamarca e foi aquele lance de jogar futebol juntos, ir para o bar juntos, beber juntos... realmente muito legal. E levamos isso em conta pra caramba, pois para nós a relação pessoal é extremamente importante porque nós saímos juntos bastante, nós freqüentemente vamos aos mesmos lugares. Nós do Royal Hunt conhecemos uns aos outros por cerca de 10 anos e temos uma relação; não é só por causa da música, e sim porque somos amigos, entende? E é muito importante que quando um novo cara entre no grupo ele possa se dar bem com os outros e rolar aquela coisa de família, mesmo. E o John teve tudo isso. Além do fato de que ele é um ótimo vocal. Tudo foi extremamente fácil com ele, as coisas rolaram sem complicações, foi ótimo. Sabe, nós não nos surpreendemos quando ele voltou duas semanas depois para gravar as bases vocais de "Fear". Ele é um grande cara, tanto como pessoa quanto no lado musical.

Whiplash! / E você já estava por dentro dos trabalhos dele no Artension?

André Andersen / Bem... é, mais ou menos. Eu nunca tinha ouvido falar nele, até que o pessoal da produção me mandou o material dele para que nós ouvíssemos. E aí é que fui ouvir alguma coisa do Artension, e também soube do trabalho solo dele. Mas eu nem sabia o que era, pois o CD não discriminava de qual banda o cara fazia parte. Mas eu ouvi o trabalho dele, muito bom.

Whiplash! / Então você não prestou muita atenção no Vitalij Kuprij [N do E: tecladista do Artension, um dos caras mais rápidos do mundo] ?

André Andersen / Oh, não. Infelizmente, não. Quero dizer, o pessoal tinha nos mandado aquelas fitas e tínhamos ouvido apenas algumas músicas. E como estávamos precisando do vocal, prestamos atenção apenas nele, mesmo. Mas pelo pouco que eu ouvi do Artension, o cara é muito bom, mesmo.

Whiplash! / Tudo bem. E como você compara "Fear" com seus discos com o DC Cooper?

André Andersen / Bem, musicalmente acho que não há uma diferença muito grande. Talvez o "Fear"... bem, é minha opinião... talvez ele seja um pouco mais progressivo que o "Paradox". Talvez ele soe um pouco mais triste, mas é difícil dizer. E obviamente tem os cantores, digo, eles são ambos excelentes. Se alguém me pedisse para compará-los com alguém, eu provavelmente diria que DC parece com.. sei lá, talvez ele tenha algumas coisas do estilo de cantar de Rob Halford, enquanto o Johnny [John West, atual vocal] se parece mais Glenn Hughes ou Ronnie James Dio ou algo do tipo. A voz dele é mais ‘cheia’, um pouco mais poderosa que a de DC. Ele gosta bastante de vibrar em notas mais altas, subir mais. Bem, mas eles são muito bons, todos os dois, no que fazem. Eles são apenas diferentes, entende? E isso logicamente afeta a sonoridade do disco. Além do que o John teve um lance interessante, que fomos descobrir quando estávamos mixando o disco. Descobrimos que a voz dele se funde, se mistura muito bem com as guitarras. Isso fez com que as guitarras soassem de uma certa forma "melhores", mais limpas no disco do que a voz do John. Por isso tivemos um esforço um pouco maior para pôr a voz dele em voga. Mas não é nada de importante, bobagem.

Whiplash! / Sobre o disco, ainda... o ouvinte pode notar que no "Fear" há partes de outras músicas dos discos antigos do Royal Hunt. Por que isso?

André Andersen / [pensa um pouco] É difícil dizer. Talvez porque tivemos esse grande vácuo do "Paradox" até o "Fear", que durou cerca de dois anos, e eu até fiz um disco solo no meio-tempo. Não sei, nos sentimos meio que como começando tudo do zero. Quero dizer, não queríamos exatamente voltar às origens, mas de um certo modo fizemos, pois tínhamos um novo vocalista, a gravadora exercia aquela pressão, aquele negócio todo, então acho que não tinha como não nos sentirmos como se estivéssemos de volta ao começo de tudo, de uma certa forma. Foi meio que um novo começo, onde as nossas raízes vieram à tona. Então, coisas dos discos anteriores surgiram e incluímo-las em "Fear". Digo, não foi algo calculado, como se quiséssemos que soasse desse modo. Realmente foi algo que rolou naturalmente, sem darmos conta.

Whiplash! / Na música "Faces of War" há um tipo de estilo Manowarniano lá. Na letra há coisas do tipo "king of the hill", "riding the wind", "horses of steel". Você escreveu esse tipo de coisa propositalmente ou nem percebeu?

André Andersen / Ah, não, não tem a ver... digo, o disco tem o nome de "Fear" [‘medo’], e isso engloba medo de muitas coisas... digo, o disco trata do medo em seus mais diferentes aspectos, como medo da guerra, medo de ser traído pelos amigos, medo de ser perseguido... e essa música fala de "triunfo", digo, ser envolvido numa batalha e ver todo aquele sangue, aquela coisa. Fala sobre a suposta glória daquele soldado que tem que ir para a guerra e sofrer o inferno lá e até morrer. Digo, a guerra não é de modo algum algo glorioso. É uma visão, um ponto de vista sobre o assunto, como aquele filme "O Resgate do Soldade Ryan". Não há nada de glorioso na guerra. A letra tem um tom mais sarcástico.

Whiplash! / Você ouve/gosta de Dream Theater?

André Andersen / Sim, claro. Apesar de que eu não estive muito em contato com os lançamentos que a banda fez depois do "Images and Words" e do "Awake"... digo, eu gosto especialmente do "Images...". Eles fizeram um dois discos depois que eu não gostei muito...

Whiplash! / Eu pergunto isso porque há várias referências nesse disco do Royal Hunt ao Dream Theater. Não sei foi coincidência, mas, bem... em primeiro lugar, o último disco deles é o "Metropolis II: Scenes From A Memory", onde eles repetem partes de "Metropolis I", que está no "Images and Words". E você também repete trechos de antigas músicas do Royal Hunt no disco novo. Além disso, o "Fear" tem uma música chamada "Voices", que é o nome de uma música do DT; em "Follow Me", a letra diz "memories slowly fade away", e isso é uma frase que o Dream Theater usou bastante nas letras de Metropolis, inclusive na própria música "Metropolis". Tem a "Cold City Lights" em que a letra diz "Caught In a Web", e essa é o nome de outra música do Dream Theater. E por fim, você tem uma música chamada "Lies". O Dream tem uma música chamada "Lie"...

André Andersen / [N. do E.: ele fica um tempo calado, como se estivesse realmente sem saber o que dizer] Meu Deus, temos algo estranho acontecendo aqui [risos gerais]. Cara, eu nem acredito, é coincidência demais, porque isso nunca tinha se passado pela minha cabeça. Depois que o Dream Theater lançou o "Images and Words" eu não acompanhei mais o rumo da banda, a não ser pelo que ouvi do "Awake", mas mesmo assim, não foi muita coisa. E eu ainda nem tive a oportunidade de comprar o disco novo deles ["Metropolis II: Scenes From A Memory"]. Mas me disseram que esse disco estava realmente maravilhoso, pois a banda tinha conseguido voltar aos seus tempos áureos... bem, então um cara me disse que o disco era excelente, só que eu estava no período de tours e haviam tantos lançamentos que eu não consegui comprar o CD. Eu conheci uma banda recentemente e eu fiquei frustrado porque todo mundo conhecia a banda menos eu. Ela se chama Symphony X, você conhece?

Whiplash! / Lógico, Symphony X é bom pra cacete.

André Andersen / Viu o que eu disse? [risos]. [empolgado] Um amigo meu me indicou essa banda e eu fui na loja, comprei dois CDs e simplesmente delirei. Recentemente, comprei o último deles ["Twilight In Olympus"], que é simplesmente fenomenal. Tem aquele outro, o Divine Wings, ou alguma coisa do tipo [N do E: "Divine Wings of Tragedy"], que é simplesmente um estouro, quando ouvi não acreditei que podia ter passado tanto tempo sem ter ouvido aquela banda, é simplesmente fenomenal. Então, são tantos discos pra ouvir que ainda não tive a oportunidade de ir na loja e comprar o novo do Dream Theater ainda, infelizmente. Mas me disseram que é realmente muito bom.

Whiplash! / É verdade, está excepcional.

André Andersen / É, eu comprei aquele disco deles, "Falling to Infynite" ou algo do tipo...

Whiplash! / É, o "Falling Into Infinity"... mas ninguém gostou, mesmo...

André Andersen / É, eles estavam soando mais como aquele som comercial dos Estados Unidos. Não me agradou.

Whiplash! / Eles tomaram uma direção mais pop... talvez por influência do próprio Derek Sherinian, que tinha esse estilão, mesmo...

André Andersen / Eu concordo... mas olha, a conexão com o Dream Theater termina nos títulos das músicas, mesmo... se bem que... bem, talvez eu devesse conversar com o LaBrie a respeito [risos gerais]...

Whiplash! / Falando em vocalistas, por que o DC saiu?

André Andersen / Cara, nas últimas semanas eu estive o tempo todo em contato com essa pergunta, é incrível. Eu fiz entrevistas com pessoas do mundo todo e essa pergunta foi um ponto importante no processo. Não só pelo fato do vocal ser fundamental na banda, mas porque ouvi várias histórias por aí de coisas que o DC tem dito a meu respeito para a imprensa e de algumas histórias de como tudo aconteceu. Bem, o que houve foi que o DC Cooper queria realmente fazer sucesso. Mas não como uma banda. Ele queria fazer sucesso. Digo, a pessoa dele. Então, ainda na época em que estava no Royal Hunt, ele começou a trabalhar naquele disco solo dele. A princípio não gostamos muito da idéia, vou ser sincero. Mas deixamos pra lá. Só que o tempo foi passando e ele foi realmente se concentrando bem mais na carreira solo dele do que no Royal Hunt, que, pô... era realmente a banda dele. Até que chegou um dia em que o DC chegou pra gente e disse umas coisas que ficamos sem entender nada. Ele virou pra mim e disse: "Andersen, eu quero ser um vocal free-lancer." Eu olhei pra ele meio sem entender e falei: "que diabos é um ‘vocalista free-lancer’?!". Digo, o que ele queria era fazer sucesso com a carreira solo dele. E, nos discos do Royal Hunt, teria na capa alguma coisa como "incluindo o vocalista DC Cooper". Entenda: o cara queria que a banda DC Cooper fosse a banda principal dele e o Royal Hunt o projeto paralelo do cara!! Putz, aí não deu. Falei que não daria certo desse modo e nosso conjunto tomou a decisão de dizer pro DC que escolhesse entre o projeto solo dele e o Royal Hunt. Ele chamou o advogado dele para tratar do assunto e nós do grupo tínhamos decidido que ele cairia fora do Royal Hunt. Bem, então nós mandamos um fax para o advogado dele dizendo que ele estava fora.

Whiplash! / Mas não foi o que o DC me falou. Fiz uma entrevista com ele pessoalmente em Setembro último e ele disse que estava em casa, quando um amigo ligou para ele perguntando porque tinha saído do Royal Hunt. Ele [DC] disse que não sabia de nada e esse amigo disse-lhe que entrasse na Internet, pois já estava noticiado oficialmente. E apenas quando ele viu na Internet é que soube que estava fora.

André Andersen / Oh, eu ouvi, realmente, esta versão de que ele tinha visto na Internet, é verdade. Bem, eu realmente não sei como isso é possível. A única explicação que eu vejo é que alguém de dentro da firma de advocacia que ele contratou tenha visto esse fax e rapidamente tenha colocado na Internet, não consigo pensar em mais nada. Porque na verdade, foi o que fizemos. Mandamos um fax para o advogado dele e ele [o advogado] deveria contatá-lo [DC] assim que recebesse a notícia. Talvez ele não o tenha contatado a tempo ou algo do tipo, e demorou tempo suficiente para que a notícia fosse veiculada na Net.

Whiplash! / Mas se alguém lesse esse fax e tivesse veiculado a notícia, isso seria anti-ético e até ilegal. Será que isso realmente aconteceu?

André Andersen / Bem, eu não sei. Apenas levantei uma hipótese, não posso estar certo de nada. É difícil entender como isso aconteceu. O que eu posso dizer com extrema certeza é que mandamos esse fax para o advogado dele e que fizemos tudo dentro dos conformes. Se alguma coisa saiu errada não teve a nossa mão no meio.

Whiplash! / Tudo bem. Mas continuando a conversa sobre vocais... quando o John West entrou, as músicas já estavam todas prontas ou ele compôs alguma coisa?

André Andersen / Não, não, as músicas já estavam realmente todas prontas, todas compostas. Ele chegou, escutou, pegou as letras e então gravou sua voz. Mas é claro que não foi algo do tipo "cante somente assim" ou coisa do tipo. É claro que ele opinou e colocou o feeling dele ali...

Whiplash! / Ah, então ele teve liberdade na interpretação e até, de certa forma, composição para as bases vocais?

André Andersen / Hrmm... sim, de um certo modo, diria que sim. Porque nós já tínhamos a base vocal para as músicas na cabeça. Porém, ele teve toda a liberdade que quis para cantar a seu modo as músicas. Ele mudou algumas coisas, diferiu em alguns tons, cantou mais rápido ou mais devagar algumas partes... foram mudanças saudáveis, que preservaram a identidade das músicas. Na verdade, a maioria delas [das mudanças] até melhorou a idéia das músicas.

Whiplash! / Você falou alguma coisa antes sobre isso, mas como realmente é trabalhar com o John no estúdio?

André Andersen / As coisas com ele são muito fáceis. Ele é um sujeito interessante porque, além de ter aquele lado extremamente amigável e simpático, tem um lado que é bastante profissional, e isso ajuda bastante. É a química que estávamos procurando. Na verdade, é até engraçado porque ele preenche realmente todos os requisitos. Enquanto o DC Cooper queria fazer sucesso com o nome dele, na carreira solo dele, era exatamente o oposto do que o John queria. O Johnny já fez os seus trabalhos solo, já excursionou com seu próprio projeto, já trabalhou sozinho, já fez suas participações com outros artistas... o que ele queria de verdade era estar realmente integrado numa banda, como uma família. E era exatamente o que procurávamos. Então foi um lance muito legal mesmo. E é formidável tê-lo conosco, ele trabalha muito bem e facilita bastante as coisas nas gravações, mixagem, etc...

Whiplash! / Então, acho que isso tira a dúvida. Ouvi alguns boatos que diziam que ele era o "vocal substituto", digo... que ele faria esse disco apenas porque vocês já tinham todo o material pronto e queriam lançar logo. Então, ele só faria gravar o disco, substituindo DC, e vocês achariam o vocal definitivo depois do lançamento desse CD...

André Andersen / Oh, Deus, definitivamente, não. O Johnny está conosco e vai continuar conosco. Ele é o vocal que procurávamos e pretendemos mantê-lo. [risos]

Whiplash! / Você parece bastante feliz com os resultados do "Fear"... é seu disco favorito?

André Andersen / [pensando] Acho que você poderia dizer isso, sim. Acho que é um disco de certa forma mais completo que os anteriores. Eu gostei bastante, realmente.

Whiplash! / Bem, a entrevista está chegando ao final e eu não queria deixar de perguntar isso: eu estava bastante curioso sobre uma letra de "Fear", que é a "Sea of Time". Eu a li, e achei bastante melancólica... sobre o que é exatamente?

André Andersen / Essa letra é triste, realmente. Ela fala de algumas lembranças do passado, de coisas que você fez e não deveria. Aborda também o fato de que as pessoas às vezes só lembram de você pelos erros que cometeu. Digo, algumas vezes, você se esforça bastante por alguém, você vai até os limites e faz coisas maravilhosas. E até lembram disso... até que você comete um erro. E é como se isso apagasse tudo o que você tivesse feito de bom. As pessoas passam a olhar para você de uma forma diferente, até. Digo, porque lembrar de uma pessoa apenas pelos seus erros? Também fala um pouco sobre o medo de encarar alguns desafios e fala sobre nunca "queimar suas pontes". Quero dizer, se você constrói uma ponte para chegar a algum lugar, certifique-se de que nunca a destrua, pois um dia talvez você precise voltar e ela não estará mais lá. E isso é muito importante e acontece freqüentemente na vida. Mantenha suas pontes.

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