Steel Warrior - Entrevista com o vocalista e guitarrista, André Fabian.

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O Steel Warrior(Santa Catarina) lança deu primeiro CD após ter, naturalmente, trilhado os caminhos da demo tape. A formação conta com André Fabian (vocals/guitars), Anderson Xavier (bass), Culver Yu (drums) e Boon Yu (guitas). Visions of the Mistland traz uma bela produção e um power metal simplesmente fascinante. Atributos que levaram o nome "Steel Warrior" a vários países europeus, asiáticos e sulamericanos, onde a banda tem repercutido bastante em virtude de suas maravilhosas e pesadas músicas. O mais interessante é que, no Brasil, a banda ainda não estourou como deveria ser. Mesmo já tendo agendado shows por países da Europa, o Steel Warrior tem um sonho maior de vencer o preconceito por bandas que não sejam de São Paulo, alimentado por algumas pessoas. No mais, a banda prova que nem só de São Paulo o Heavy é feito, e que, o movimento deve ser global. O Whiplash!, ficará contente se esta entrevista conduzir o Steel Warrior a todos os cantos do país e do mundo, fazendo assim com que o movimento headbanger não seja restrito somente a um local, mas a vários, como deve ser.

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Entrevista concedida a André Toral.

Whiplash! / Expliquem ao público como foi o processo de composição e estruturação de Visions of the Mistland.

André Fabian / Basicamente, durante os 3 anos de existência da banda fomos compondo material e intensificamos ainda mais depois do lançamento da demo tape, pois a aceitação foi muito boa, além do que esperávamos. Nosso processo de composição é o mesmo até os dias de hoje, algum membro da banda apresenta uma idéia, uma melodia, e em cima desta idéia fazemos surgir uma nova música. Com o tempo vamos lapidando, adicionando elementos, e colocamos a letra e os vocais. Para o Visions from the Mistland estava tudo pronto, então eu fiz a "intro" e aproveitamos e criamos um desfecho com a mesma melodia. Até a ordem das músicas nós fizemos de uma forma que as tonalidades tenham uma certa conexão, dando a idéia de continuidade do álbum. Assim fizemos este primeiro trabalho. E o segundo já vai estar a caminho em breve, pois temos quatro músicas novas e uma que não entrou neste álbum.

Whiplash! / Como a banda se dividiu para conceber o álbum, em termo de letras, bases, solos etc?

André / Como já havíamos dito, sempre dividimos todo o trabalho. As letras também são apresentadas por um ou outro integrante da banda, bem democraticamente. Só na gravação deste álbum que eu gravei todas as guitarras e teclados. Mas no resto todo mundo participou. Bases e solos não são separadas para cada guitarrista, cada um cria sua parte e agora com a entrada de Boon Yu, tocamos alternadamente bases e solos.

Whiplash! / As letras do Steel Warrior usam, entre outros, temáticas ligadas a conteúdos épicos. Qual a inspiração para tais composições?

André / Sim. Temas épicos nos fascinam, como também histórias de fantasia ou até mesmo interpretação de obras que lemos. Sendo assim a inspiração para as composições vem de todos os conhecimentos que adquirimos pesquisando sempre sobre temas épicos e também contestação de valores. Enfim, cada letra de cada música é bem particular. Os temas épicos na verdade tem muito a ver com o próprio heavy metal, pois há uma relação direta entre as atitudes e pensamentos da época com a ideologia Heavy.

Whiplash! / Existem propriedades de Hammerfall, Helloween e Iron Maiden no que diz respeito aos solos. Porém, nota-se estilo próprio em determinados momentos. A intenção da banda foi de mesclar suas influências com as características próprias?

André / Nunca vamos renegar nossas influências, pois fazem mais de dez anos que ouvimos Iron Maiden, Helloween, Judas Priest, Running Wild, etc. E é claro que elas estão presentes em nosso trabalho, além de alguns toques de música erudita. Mas sempre buscamos obter nossa própria identidade e nunca tentamos soar como clone de alguma destas bandas. São nossos ídolos e sempre serão!

Whiplash / Ouvindo Visions of the Mistland fica tão evidente a clareza do som bem como a maravilhosa produção, a ponto de se imaginar que o Steel Warrior é uma banda da Europa. Vocês acham que isso, de fato, mostra uma maior profissionalização de serviços para com o heavy metal brasileiro?

André / Fico gratificado que muitas pessoas tenham gostado da produção do nosso CD, pois dentro de nossas limitações financeiras, fizemos o possível e ficou muito melhor do que imaginávamos. Devemos muito ao grande produtor Murillo da Rós, proprietário do estúdio Clínica produções de Áudio, em Curitiba, que teve papel fundamental neste resultado final do trabalho. Mas não tínhamos a pretensão de soar como uma banda da Europa. Porém este fato ajudou, e está ajudando muito, à nós e ao próprio cenário brasileiro do heavy metal pois muitas revistas e zines da Europa tem comparado nosso trabalho com trabalhos de lá, e tem dito que o nível está excelente. Com isso conseguimos já agendar shows em Portugal e na Grécia, além de um contrato de direitos digitais (venda de MP3 pela internet)com a Noise Records. Esperamos ainda conseguir mais alguma coisa na Europa. O que mais nos deixa felizes é que estamos de certa forma contribuindo para a cena brasileira.

Whiplash! / É sabido que a banda passou por vários problemas, inclusive financeiros, para no fim gerar o excelente álbum Visions of the Mistland. Qual a lição que marcou após todo este processo?

André / Sinceramente nem tenho palavras para descrever o sofrimento que passamos para tornar este CD realidade. Simplesmente, nós tivemos que trabalhar durante um ano e meio, gastando tudo o que ganhávamos para conseguir pagar parte desta produção. Nossas condições financeiras não são e nunca foram boas, por isso a dificuldade de se gravar em um bom estúdio, onde os preços são compatíveis com a qualidade. Além disso, ninguém nos deu qualquer apoio financeiro e chegamos a pegar um empréstimo para financiar este trabalho, o qual ainda estamos pagando. Com toda a sinceridade, como uma banda verdadeira de metal no Brasil que não compra a mídia, que não paga para abrir shows e que sofre a discriminação de muitos meios da mídia (brasileira) por ser de Santa Catarina, ou seja, do Sul, acho que conquistamos um bom espaço e estamos muito felizes por isso. É claro que existem segmentos da mídia em todo o país que tem nos dado um apoio fundamental, e a esses sempre seremos muito gratos pelo seu valoroso trabalho.

Whiplash! / Que resposta o Steel Warrior tem obtido por parte do público brasileiro?

André / Diríamos, uma boa resposta. Apesar de que, da primeira prensagem de nosso álbum, vendemos quase tudo. Mais ou menos assim: 40% para a Europa, 40% para a Ásia (Japão), 10% para países do Mercosul (Argentina, Uruguai, Paraguai) e só 10% no Brasil. Esperamos que agora, estamos tentando uma maior divulgação aqui no Brasil, nós consigamos vender mais no nosso próprio país. Mas fica uma situação no mínimo estranha, apesar da pouca divulgação, como é que pessoas de tão longe (Europa, Ásia, Américas, etc.) tomam conhecimento de nosso trabalho, e aqui no Brasil as coisas andem tão devagar? É para se pensar.

Whiplash! / Que contatos a banda tem feito em termos de divulgação e shows nacionais e internacionais?

André / No Brasil temos contato para shows com algumas pessoas em São Paulo, as quais têm nos ajudado bastante. No Paraná também, e vamos fazer um show em Curitiba dia 18/09. Já tocamos em Ponta Grossa, com os grandes amigos da grande banda Execrate. Estamos agendando alguma coisa para o final do ano na Bahia, através de Alex Mata do Priesthood Zine, uma pessoa que tem nos ajudado muito mesmo. Já no exterior temos muitos contatos na Europa e já conseguimos agendar alguma coisa para fevereiro do ano que vem em Portugal, pelo nosso amigo Pedro Fragoso, da Extreme Promotions, e na Grécia a coisa está muito boa mesmo. Acho que atualmente lá é o centro mundial do heavy metal. Sim, pois se você sabe que o país tem pouco mais de três milhões de habitantes, e que muitas pessoas te escrevem de lá, as cena está muito boa! Manos Koufakis, o editor do Steel Conjuring, está negociando algumas datas para nós por lá. Vamos torcer para que tudo se confirme. No Uruguai e Argentina estamos com shows confirmados para a segunda quinzena de outubro. No Uruguai através da banda Amables Donantes e na Argentina pela banda Feanor, duas ótimas bandas.

Whiplash! / Como a banda pode definir seu show? Que covers fazem parte do repertório?

André / Tentamos dar o máximo de nós em cada show. É como se fosse o último de nossa carreira como banda. Incorporamos um visual mais 80's, couro, braceletes e tachas em geral, e pela reação do público, até agora, os shows parecem ter sido muito bons. Fazemos alguns covers do Running Wild, Grave Digger e Helloween, e estamos preparando mais alguns, mas não muitos. Creio que um Iron Maiden vai fazer parte do nosso set, só que num pique mais "power metal"!

Whiplash! / Quais as músicas do CD com maior destaque e energia ao vivo?

André / Sem dúvida Blind Faith, Rasalom, Steel Warrior, Crossing the Mist, Revenge e Son of an Eagle. Mas o público em geral gosta de todas, e isso é muito gratificante para nós!

Whiplash! / Além de cantar, você também toca guitarra. Considerando-se que seu vocal é técnico e melódico, como fica teu desempenho em situações ao vivo?

André / Sem dúvida que não fica exatamente igual ao estúdio. Mas eu me esforço para fazer o melhor possível, aliás como acontece com a maioria dos vocalistas que tocam instrumentos. Vide por exemplo o "tio" Kai Hansen ou Rock 'n Rolf (Running Wild)!

Whiplash! / Tendo em vista o power metal feito pela banda, o que vocês pensam em termos de Europa, considerando-se que bandas deste estilo estão em alta por lá?

André / É o que muitos correspondentes de lá nos falam que nos daríamos muito bem por lá, e é por isso que queremos apressar nossa ida à Europa. O power metal lá está muito bem e eles parecem adorar bandas de outros países e continentes.

Whiplash! / O Steel Warrior fez a cobertura do show da banda alemã em Florianópolis(SC). Como foi tocar com o mestre Kai Hansen e qual a opinião dele sobre o som de vocês?

André / Foi realmente um momento muito especial, e uma oportunidade ímpar abrir um show de ídolos nossos. Principalmente por não termos pago nada para tocar pois até ganhamos as despesas e um jantar com o Gamma Ray. Eles são uma lição de humildade para qualquer banda pois nos trataram de igual para igual, inclusive ficamos num camarim igual ao deles, só não tinha tanto vinho e whisky. Ainda emprestei meu suporte de guitarra para o "tio" Kai Hansen, e Culver emprestou a caixa para o Dan Zimmerman. Eric de Haas é uma figuraça, fala um português engraçado e conversou um monte com a gente. Na época, até perguntou o que a gente achava de ele trazer o Stratovarius para o Brasil, fomos os primeiros a saber! Muito bom mesmo. A opinião dele sobre nosso som eu não sei ao certo, mas creio que ele gostou pois levou nossa demo na época. Jamais vamos esquecer este dia!

Whiplash! / Qual a opinião da banda quanto ao cenário underground nacional e que meta o Steel Warrior pretende atingir?

André / O cenário underground nacional é muito bom, mas acho que grande parte do público brasileiro, não todos, dão mais apoio ao que vem de fora ou é da sua região. Se continuarmos pensando assim, jamais vamos ter força e representatividade no exterior. Vale lembrar que no Brasil existem centenas de bandas excelentes, e não só três ou quatro que fazem sucesso lá fora. Não teria espaço aqui para enumerar a quantidade de bandas que conhecemos que são tão ou mais competentes que a nossa, mas infelizmente por falta de mídia e apoio financeiro não são muito conhecidas. Mas ainda acredito que isso vai mudar, e o Brasil vai se firmar como uma das grandes potências do Heavy Metal mundial.

Whiplash! / A banda também possui uma home-page muito bem estruturada e completa. O que o uso da internet tem proporcionado em termos gerais?

André / Devemos a nossa home-page ao grande trabalho de um amigo nosso, Diogo Andrei Benvenutti, de Florianópolis. Ele desenvolveu um ótimo trabalho e criou a página. Com certeza o uso da internet tem aberto excelentes caminhos para nossa banda e hoje grande parte dos contatos que temos são feitos por internet. Queremos crescer ainda mais neste segmento e vamos criar agora um domínio para a banda.

Whiplash! / Deixem uma mensagem ao Whiplash! e aos novos fãs que a banda certamente conquistará, muito merecidamente, a partir desta entrevista.

André / Obrigado ao grande amigo André Toral e toda a equipe do Whiplash! pelo respeito e apoio ao nosso trabalho. Que esta iniciativa de vocês sirva de exemplo a ser seguido pois com um apoio deste nível, as bandas brasileiras podem se projetar muito mais. Aos leitores, muito obrigado pela paciência em ler esta entrevista e nosso objetivo maior, é fazer amigos e não propriamente "fãs", mas todos são muito bem vindos! Escrevam, mandem e-mail, visitem nossa homepage ou façam o que quiserem para contactar nossa banda. Será um prazer responder a todos! Um grande abraço AND STAY TRUE, METAL BROTHERS!



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