Orquídea Negra - Banda de heavy metal catarinense.

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Ainda colhendo os frutos de seu último álbum auto-intitulado, lançado em 1995, o Orquídea Negra é destas bandas que impressionam logo de início. Apesar disso já tinha concebido seu primeiro CD ao Brasil em 1992, chamado Who's Dead?, que teve tão boa repercussão que foram entrevistados por algumas das mais importantes revistas nacionais de rock. A banda é de Santa Catarina(Lages) e faz um heavy metal denso e coeso que sem sombra de dúvidas transporta o ouvinte aos áureos tempos de Picture e Metal Church, entre outras passagens e influências. Nesta entrevista conversamos com o baixista Robson Anadon que nos esclareceu sobre a banda, intrigas e amor ao heavy metal. Confira!

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Entrevista concedida à André Toral.

Whiplash! / O Orquídea Negra trilha pelos caminhos do heavy tradicional. Neste mercado onde as bandas melódicas estão dominando, vocês tem encontrado muito espaço na cena?

Robson Anadon / É verdade, realmente o Heavy Melódico está muito em alta hoje em dia, e tem sido muito difícil encontrar um espaço para trabalharmos, mas acho que sempre existirá um lugar bara o Heavy Tradicional. Mas também não condenamos as bandas que fazem um Heavy mais melódico, pois gostamos de muitas bandas do gênero, algumas são realmente excelentes.

Whiplash! / As guitarras e baixo são marcantes, o teclado definido e sem exageros e a bateria pesada e coordenada. Tudo isso resultou de grande concentração ou o Orquídea Negra é uma banda mais espontânea?

Robson / Somos uma banda muito espontânea, mas é claro que para atingirmos o resultado final com uma boa qualidade, nos é exigido muita dedicação e concentração.

Whiplash! / Em que aspecto o segundo álbum auto-intitulado da banda, é melhor do que Who's Dead(primeiro) em termos de produção?

Robson / Bom, em matéria de produção este segundo trabalho dá de 10 a 0 no primeiro, que foi o Who's Dead?. Quando gravamos o primeiro, não tínhamos absolutamente nenhum conhecimento sobre estúdios ou mesmo sobre produção. Fomos para São Paulo sem conhecer ninguém, contamos com o auxílio da banda Garcia & Garcia, foram eles quem produziram Who's Dead? Este é bem cru e bem mais Hard, já o segundo teve um cuidado todo especial por nossa parte, já que foi produzido por nós mesmos. Cada detalhe foi muito bem observado, mas com certeza, se fossemos gravá-lo hoje sairia muito melhor. Não que não tenhamos ficado satisfeitos, mas sempre queremos mais e melhor para agradar a todos.

Whiplash! / Músicas como Touch Your Dream e The One From Black Night remetem o fã aos bons tempos de Picture e Metal Church. A banda continuará a apostar neste tipo de heavy metal mais pesado?

Robson / Absolutamente!!! É o tipo de som que nos fascina. Esperamos que o próximo trabalho fique um pouco mais pesado, mas sempre com esta essência tradicional.

Whiplash! / Faça um comentário das letras e seu conteúdo no CD.

Robson / Sobre as letras, são todas do ex-vocalista (Boca ). Algumas são intimistas outras bem minimalistas. Falam de batalhas, angústias e medos do ser humano, de amor e de tristeza. Particularmente, eu gosto muito das letras, o Boca escrevia muito bem, sem contar com o vocal. Suas letras saiam no ato. Quando nos via compondo, pegava um papel e já começava a escrever, uma coisa muito natural. As letras que eu mais gosto são as de "The one from the black night", "Black wind", "Call for the battle".

Whiplash! / O que a banda ganhou e perdeu com a saída de André Stolte(Boca/ex-vocal) e a entrada de Jean Varela?

Robson / O Boca tinha um vocal excepcional e escrevia muito bem, esta foi a maior perda. Em compensação, ganhamos bem mais maneiras de divulgar a banda, pois antes quem cuidava desta parte era ele, e não fazia quase nada relacionado ao underground, pois não tinha nenhum conhecimento nesta área e também nunca tinha tempo. Com a entrada do Jean, ganhamos muito mais união entre nós, pois não nos dávamos muito bem com o Boca. Era mais ou menos assim: "São os meus músicos", daí é foda!!! Ele se considerava uma estrela, e nós não gostávamos nem um pouco disso. O Jean é mais simples, já era um antigo conhecido nosso. Nos ensaios para a gravação do Who's Dead? ele chegou a cantar em alguns ensaios enquanto o Boca estava ocupado com outras coisas. E nós já falávamos naquela época que se algum dia o Boca saísse ele seria o vocalista da banda.

Whiplash! / Como Jean Varela tem sido recebido pela crítica e os fãs, uma vez que André(Boca) possuía uma excelente voz?

Robson / Tem sido recebido muito bem, pois sua voz não é das mais fracas. No show de lançamento do CD num teatro aqui em Lages, o público foi ao delírio, pois ele cantou músicas que estão no CD que o Boca não conseguia cantar ao vivo. Ele mesmo delirou na platéia, pois estava assistindo ao show. A voz do Jean é aguda, mas não tem a clareza do Boca, pois é mais rouca, estilo Andi Deris. Muitos fãs gostaram mais dele por não ser tão "estrelão" e ser mais comunicativo.

Whiplash! / Todas as músicas foram mixadas no Brasil. Vocês acham que cada vez mais os estúdios nacionais estão se aprimorando para o heavy metal, como no caso do Orquídea Negra?

Robson / Com toda certeza. Os estúdios estão investindo muito na qualidade hoje em dia, pois estão vendo que o mercado é muito grande. Quando gravamos em /94 em Porto Alegre - RS, o estúdio era o melhor existente aqui no sul. EM /96, gravei com uma outra banda em um outro estúdio do RS e o resultado em matéria de qualidade ficou a nível internacional, o estúdio era muito bom. Daqui pra frente só tem a melhorar.

Whiplash! / O som da banda é coeso e sem buracos. Ao vivo, obtendo 4 componentes, poderíamos dizer que não há necessidade de mais um guitarrista?

Robson / Corretíssimo. Ao vivo temos mais um guitarrista para podermos reproduzir o que foi feito no estúdio. Quem ouve um CD sem buracos em casa e chega no show e ouve o oposto, creio que se decepciona um pouco com a banda. Esta é uma grande preocupação nossa, os Fãs!

Whiplash! / As influências pesaram na hora de gravar o CD ou a banda prefere compor por si mesma?

Robson / Não, preferimos compor por nós mesmos. Mas é claro que sempre sai um pouco das influências de cada um no resultado final, isso é quase impossível de não acontecer.

Whiplash! / O Orquídea Negra tem recebido inúmeras críticas positivas. Vocês acham que estão no ápice de sua carreira?

Robson / Muito pelo contrário, queríamos muito mais reconhecimento, tocar muito mais em todos os lugares possíveis e fazer cada vez mais fãs.

Whiplash! / Vocês acham que as coisas poderiam ser mais fáceis se ao invés de Santa Catarina, a banda fosse para São Paulo?

Robson / Com certeza, mas infelizmente acho que isso não vai acontecer, a não ser que uma surpresa aconteça em nossa trajetória e apareça algo grande para nós. Pois um integrante é casado, outro trabalha, aquelas coisas que sempre atrapalham uma banda. Por mim já estaríamos num centro maior há muito tempo.

Whiplash! / O que a banda tem conseguido em termos de contatos com fãs e gravadoras?

Robson / Com gravadoras já desistimos, até com algumas no exterior, mas nada de concreto. Já com os fãs o contato é muito freqüente, estão sempre escrevendo, se comunicando e divulgando o nosso trabalho.

Whiplash! / E a nível internacional?

Robson / A nível internacional são tanto os contatos e cds espalhados que não sei nem oque lhe dizer. Sei que tem alguém ouvindo o CD do Orquidea Negra em Portugal, Estados Unidos, Grécia, Espanha, Alemanha, Hollanda, Japão, Argentina e em alguns outros países.

Whiplash! / Como andam os shows do Orquídea Negra? Alguma possibilidade de se apresentarem em outros países?

Robson / Os shows estão cada vez mais escassos, infelizmente. É que nós já temos mais de 10 anos de estrada para ficarmos pagando para tocar por aí, ou somente pela passagem e comida não é mesmo. Mas infelizmente é o que tem ocorrido quando querem nos levar para algum lugar. Isso nos deixa totalmente desmotivados. Sobre nos apresentarmos em outros países, não nos apareceu nada ainda. Acho que é por sermos independentes e não termos o suporte de uma gravadora. O que me deixa louco é que tanta merda arruma gravadora e nós não. Quem sabe um dia chegará nossa vêz.

Whiplash! / São quase 13 anos de história. O que os mantém depois de tanto tempo na ativa?

Robson / O que nos mantém na ativa é a nossa amizade e sobretudo o nosso amor ao Heavy Metal.

Whiplash! / Como é o clima entre os integrantes da banda?

Robson / O clima entre nós é ótimo, pois tocamos em bares para nos sustentarmos, então estamos sempre juntos. Para tocarmos nos bares, mudamos o nome da banda e o repertório, fazemos um lance mais comercial para ganhar um dinheiro. Comercial entre aspas, pois não tocamos nojeira como muitas bandas de bar. Além de tudo isso, nos conhecemos há muito tempo.

Whiplash! / Que planos o Orquídea Negra tem para um futuro bem próximo?

Robson / Compor material novo, juntar grana e gravar.

Whiplash! / Como a banda vê o atual cenário nacional e internacional que giram em torno do heavy metal?

Robson / Está muito bom, para as poucas bandas brasileiras que tem gravadora e podem atingir um público bem maior aqui e no exterior. Parece que a cada dia cresce mais e mais e isso é muito bom. Mas é claro que tem muita coisa ruim que só atrapalha, como as modas musicais o que é muito terrível e tira muito o mercado do Heavy Metal.

Whiplash! / Deixem um recado para o Brasil e ao Whiplash!.

Robson / Queremos dizer a todo o Brasil que jamais deixem de curtir e cultuar o bom e velho Heavy Metal, e que se depender da banda Orquidea Negra, ele jamais morrerá em nossos corações. Ao pessoal do Whiplash! o nosso muito obrigado , principalmente ao André Toral, por fazerem um trabalho tão bom para cultivar o metal e por ajudarem as bandas independentes como nós. É isso aí, um grande abraço a todos e entrem em contato com a gente.




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