Andre Martins: entrevista com o editor da Cover Guitarra
Por Rodrigo Vinhas
Postado em 22 de maio de 2002
Nessa edição conversamos com o guitarrista André Martins que é guitarrista profissional e há pouco tempo lançou um livro sobre guitarras. Além disso André é editor da Cover Guitarra, uma das maiores publicações do gênero no Brasil. Nessa entrevista ele nos fala sobre seu equipamento como começou na música e muito mais.
Qual a sua formação musical?
André: Eu toco guitarra desde os 11 anos, comecei com violão, aquela coisa mais simples, sempre escutei muita música em casa, meus pais tinham montes de discos e ficava escutando, gravando fitas e fitas, etc... até os 15, 16 foi mais curtição, aí eu comecei a estudar violão clássico, e com 18 anos entrei na FUNDARTE, Fundação das Artes de São Caetano, um curso super sério, 5 horas de aulas por semana, Harmonia, Teoria, Percepção, etc... Tive alguns professores, mas sempre fui correndo atrás de informações...
Você é graduado no L.A.M.A, como isso alavancou a sua carreira? Acha importante estudar fora pra ser respeitado aqui no Brasil?
André: Para mim, estudar no L.A.M.A. (Los Angeles Music Academy), foi um divisor definitivo na minha carreira. Eu nunca tinha tido até então um contato tão sério, profissional, coerente na abordagem e no estudo da guitarra. Eu fui para ficar 1 ano em Los Angeles, acabei ficando 2 anos e 1/2, estudei também gravação na UCLA durante 6 meses, trabalhei como assistente pessoal de Frank Gambale (que foi um de meus professores no L.A.M.A.), toquei bastante e tive não só uma experiência musical diversa, como também uma experiência pessoal muito válida. Eu não acho que seja necessário estudar fora do Brasil para ser respeitado, não tem nada a ver isso, mas acho que toda a experiência de morar fora, aprender outra língua, cultura, se virar em outro país, as pessoas e amizades, contatos, etc..., isso não tem preço.
Quais suas influências?
André: Hendrix, obviamente, João Gilberto pela genialidade do violão e todo o conteúdo da música brasileira, Pat Metheny, gênio insuperável quando. trata-se de ser eclético, Scofield, Ricardo Silveira, Dori Caymmi. Dos guitarristas mais novos, sou fã de carteirinha do João Castilho (www.joaocastilho.com), do Rio, um dos caras que estão me fazendo pensar de maneira diferente no instrumento.Fora os guitarristas, Tom Jobim, Miles Davis, Keith Jarret, Michael Brecker, e Tori Amos, uma pianista/cantora genial.
Como é ser Editor de uma das maiores publicações sobre guitarra no país?
André: É genial, eu estou adorando esta gig, trabalho na Cover Guitarra um dia e meio por semana, é uma grande responsabilidade, estamos tentando aos poucos mudar o perfil da revista, abranger novos colaboradores, de partes diferentes do Brasil, ter sempre uma postura crítica séria e profissional, coisa que algumas pessoas insistem em tornar rara no mercado musical brasileiro...
Qual foi a entrevista mais legal que você fez e qual foi a pior?
André: Toda entrevista tem um valor diferente, você sempre está aprendendo. Dori Caymmi, Pat Metheny, estas duas foram muito especiais para mim. Eu não me lembro de ter tido uma experiência ruim, aconteceram algumas entrevistas mais "frias", mas eu não estava presente...
Como você vê o crescimento da guitarra no mercado nacional nos últimos anos?
André: Está crescendo muito, não só o de guitarra, mas o musical em geral. Acho que chegamos em um ponto de termos algumas reavaliações em termos de importação, ensino musical, mídia especializada, endorseer, etc. O mercado está se tornando mais amadurecido, sendo que aquele carinha que só sabe "fritar", mas não tem atitude profissional, musicalidade, leitura, equipamento, este cara esta sendo naturalmente deixado para trás...
Quais seus trabalhos lançados e onde você já participou (incluindo jingles, arranjos ou produções etc..)?
André: Trilhas e jingles são vários, às vezes eu gravo uma parte de guitarra e nunca mais ouço a música, eu nem sei para quem era... Tenho trabalhado bastante nesta área. Eu lancei um método que está vendendo super bem no Brasil inteiro, "Guitarra Fundamental - Modos, Uma Nova Abordagem", estou preparando dois lançamentos para a próxima Expomusic, um é segredo mesmo, não dá para adiantar, por ser inédito em toda a América Latina, o outro é uma fita de vídeo aula que estará sendo lançando pelo CEMA vídeo. Meu primeiro disco solo saí ainda em julho, estamos gravando e está ficando genial...
É possível viver bem de música no Brasil?
André: É sim, e quem fala que não é por que não está preparado ou está mentindo. TRABALHO NÃO FALTA, falta profissionalismo e atitude. Eu toco ao vivo duas vezes por semana, tenho em média 15 alunos particulares, faço gravações, tenho a gig da revista, meu trabalho solo, livro, etc... Se você estiver preparado e tem algo a dizer, as portas vão se abrindo, não é fácil, mas é um caminho maravilhoso e ascendente.
Fale sobre seu último livro, ele terá outros volumes?
André: O primeiro volume aborda os modos gerados pela escala maior, um assunto ainda meio tabú no Brasil... Muita gente acaba decorando shapes e desenhos de escalas, e não conseguem tocar e montar uma sonoridade modal. O livro fala um pouco sobre isso, e vem acompanhado de um CD com 25 faixas. Está vendendo super bem e tem recebido bons elogios por que tem visto/estudado. O próximo volume está no forno, vai continuar o assunto, mas na montagem de frases e linhas melódicas. Mais informações no meu site: www.andremartins.com.br
Como surgiu seu interesse na guitarra?
André: Uma coisa chamada Iron Maiden.... eu tinha uns 14, 15 anos, e aquilo me deixou maluco!!!! E depois veio Hendrix, aí não tinha mais jeito não, eu tinha que tocar aquilo, fazer aquilo, aquele som....
Qual foi sua primeira guitarra?
André: Uma Tonante Semi acústica, meio horrível..... depois eu tive uma Golden, que também não era lá essas coisas.... Meu primeiro bom instrumento foi uma Ibanez Roadstar, das antigas.
Até que ponto você acha q os efeitos influenciam na qualidade de um guitarrista?
André: Todo guitarrista deve saber tirar um bom som só com uma guitarra e um amplificador. Mexer no tone, volume, EQ, guitarra limpa, sonoridade, é ai que você vai montar sua pegada. Agora, os efeitos são necessários para tipos de músicas diferentes, tem gente que gosta mais, tem gente que odeia... Eu sou um verdadeiro fissurado em efeitos, mas repito que é importante saber tocar sem nada....
Deixe um recado para as pessoas que estão começando a tocar agora.
André: Tocar e viver de guitarra no Brasil é possível, acredite em sua força criativa e nesse sonho. Quando encontrar aquelas pessoas que vivem falando mal de outros músicos, passe por cima, não dê ouvidos, não entre nessa. Tenha calma e persistência, e sempre procure gente que sabe tocar mais que você e seja camarada! Um grande abraço a todos!!
Andre Martins
www.andremartins.com.br
Colaboração : Fábio Toledo Russo – Estudante de música da FAAM
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